A Biblioteca da Faculdade de Letras da Universidade do Porto (FLUP) acolheu, no passado dia 11 de março, a quarta sessão da iniciativa “Encontros com Livros”, desta vez com a escritora Patrícia Reis.
Integrada nas celebrações simbólicas do Dia Internacional da Mulher, a sessão decorreu no hall de entrada da Biblioteca e contou com a apresentação da docente Ana Paula Coutinho Mendes.
A conversa iniciou-se com o impacto da transição literária efetuada pela autora entre A Desobediente, biografia de Maria Teresa Horta distinguida com o Prémio Livro do Ano Bertrand, e O Lugar da Incerteza, o seu mais recente livro de romance e ficção.
Os limites da realidade e a verdade literária
Patrícia Reis abordou, desde logo, os desafios que são inerentes à escrita biográfica, sobretudo quando existe uma relação de proximidade com a figura retratada. A autora revelou, inclusive, ter experienciado uma “grande dificuldade em definir a linha até onde poderia ir para entregar aos leitores a narrativa mais fiel dos acontecimentos”.
Apesar disso, considera que o processo de equilibrar os factos dos acontecimentos com a “visão” íntima de Maria Teresa Horta resultou numa interpretação consciente e situada da sua vida que o leitor pode explorar de maneira informada.
Paula Pinto Costa, Diretora da FLUP, iniciou a sessão, acolhendo a autora e expressando o seu agradecimento pela sua interação com a Faculdade. (Foto: DR)
A transição para o romance com a publicação da obra apresentada na sessão foi também descrita como exigente, mas natural no percurso de uma autora movida pela curiosidade. O Lugar da Incerteza nasceu, assim, da vontade de “dar corpo e caminho” a personagens fora dos arquétipos tradicionais, “confrontadas com questões de fé, identidade e sentido” num mundo marcado pela aceleração.
Ao longo da conversa, Patrícia Reis conduziu o público pelo processo de construção das suas personagens, partilhando uma metodologia criativa feita de observação, intuição e experiência. Assumindo a escrita como um “ato de marionetismo”, explicou a forma como se aproxima do universo interior das suas personagens, dando como exemplo Eduardo, protagonista do novo romance, cuja crise de fé desencadeia uma profunda reflexão existencial.
A relação entre Eduardo, padre, e António, psiquiatra, foi outro dos pontos centrais da discussão, sugerido por Ana Paula Coutinho, que evidenciou uma inversão de papéis tradicionalmente associados ao cuidado emocional. A autora concordou com a leitura, destacando o confronto implícito entre as duas personagens: “um padre capaz de ouvir sem julgar”, em contraste com um psiquiatra marcado pela frustração face à incapacidade dos seus pacientes em concretizar o seu potencial.
A transição entre géneros literários, da biografia ao romance, e a construção da narrativa em torno das personagens estiveram entre os temas em destaque. (Foto: DR)
Para Patrícia Reis, é precisamente nesta abertura a múltiplas interpretações que reside uma das mais importantes funções da literatura: “desafiar certezas e convocar o leitor para o exercício da dúvida.” Num tempo que considera cada vez mais fechado ao diálogo e debate, defendeu que é preciso criarmos “espaço para a incerteza, vulnerabilidade e calma”; que é preciso “darmos tempo”.
A autora considera, deste modo, que atualmente o gênero do romance deve ser entendido como “um gesto político”, ao propor uma pausa face ao ritmo acelerado da vida contemporânea e ao questionar os circuitos fechados de pensamento.
O processo criativo enquanto tradução da experiência
Patrícia ilustrou, transversalmente, um contraste claro de que se, por um lado, o jornalismo exige rigor factual, por outro, a literatura é um “imenso tecido de possibilidades”. Ainda assim, reconhece que a sua formação jornalística acaba por influenciar de forma positiva o seu processo de investigação para escrita ficcional.
O feminismo, umas das dimensões estruturantes do percurso da autora, emergiu também a partir das suas memórias de entrada no jornalismo, área então dominada por homens e marcada por redações pouco permeáveis à presença feminina.
Patrícia Reis destacou que essa experiência, aliada ao contacto com mulheres de forte personalidade, esteve na base do seu compromisso em registar as histórias das “três Marias”, enquanto contributo para a preservação do património cultural que representam.
A sessão terminou com uma partilha sobre os contornos do processo criativo, que para Patrícia é fundamentalmente marcado pela intuição. “A escrita precisa de vida (…), de experiência”, afirmou, reforçando a ideia de que a literatura é, acima de tudo, um espaço de construção de sentido.
Olga Vasconcelos substitui António Topa Gomes, que integrou a equipa reitoral de Pedro Nuno Teixeira.
A mais recente representante dos docentes e investigadores no Conselho Geral da U.Porto, Olga Vasconcelos.
Olga Vasconcelos, Professora Catedrática da FADEUP, tomou hoje posse como o mais recente membro do Conselho Geral da Universidade do Porto, substituindo no cargo António Topa Gomes, que havia saído deste órgão em junho para assumir a vice-reitoria do Património Edificado e da Sustentabilidade na equipa de Pedro Nuno Teixeira.
Ficou, deste modo, recomposto com 23 membros aquele que é um dos órgãos máximos de governo da Universidade do Porto, cabendo-lhe a definição do desenvolvimento estratégico, bem como a orientação e a supervisão da instituição.
Olga Vasconcelos é docente, desde 1987, na Faculdade de Desporto da Universidade do Porto (FADEUP), com Agregação do grupo disciplinar Aprendizagem e Desenvolvimento Motor. É membro integrado da unidade de investigação CIFI2D (Centro de Investigação, Formação, Inovação e Intervenção em Desporto) e responsável pela criação e coordenação do Laboratório de Comportamento Motor na FADEUP.
Naquela faculdade, Olga Vasconcelos já exerceu os cargos de Presidente do Conselho Pedagógico, de Diretora do curso de licenciatura em Ciências do Desporto e de vogal do Conselho Executivo, responsável pelos Serviços Académicos e coordenadora para a Mobilidade Estudantil na FADEUP. É ainda membro do Conselho Científico da FADEUP e do Senado da Universidade do Porto.
António Topa Gomes foi também hoje substituído no cargo de secretário do Conselho Geral, neste caso por Maria Isabel Dias (FLUP), que já fazia parte do órgão na qualidade de representante eleita dos professores e investigadores.
A Vice-Presidente da CCDR NORTE, Gabriela Leite, participou no Encontro Ciência e Inovação 2026, no painel “Da Ciência ao Ecossistema – Construir Vantagens Territoriais na Economia da Inovação”, dedicado ao papel das regiões na transformação do conhecimento em competitividade.
Na sua intervenção, destacou que a capacidade de um território inovar depende menos da quantidade de recursos disponíveis e mais da forma como consegue articular universidades, centros de investigação, empresas e instituições em torno de objetivos comuns.
Sublinhou ainda o papel da CCDR NORTE na construção desse ecossistema, através da definição de estratégias regionais, da promoção da cooperação entre os diferentes atores e da criação de condições para que o conhecimento científico se traduza em inovação, competitividade e desenvolvimento económico em todo o território da Região Norte.
O projeto Track2Sea desenvolverá, em parceria com a Federação Portuguesa de Remo e a Nelo Kayaks, um sistema inovador para monitorizar o desempenho dos atletas.
O projeto Track2Sea pretende otimizar a monitorização do desempenho dos remadores através da integração de diferentes tecnologias de avaliação.Foto: Ricardo Cardoso
A Faculdade de Desporto da Universidade do Porto (FADEUP) vai liderar o desenvolvimento de um sistema inovador de monitorização do desempenho no remo, no âmbito do projeto Track2Sea–Monitorização Multimodal e Interoperabilidade de Dados no Remo de Pista e Mar, apoiado pelo Comité Olímpico de Portugal através do Programa de Bolsas para Projetos de Investigação Aplicada ao Desenvolvimento Desportivo.
Coordenado pelo Professor João Paulo Vilas-Boas, diretor do laboratório Labiomep, o projeto será desenvolvido ao longo de 30 meses em parceria com a Federação Portuguesa de Remo e a Nelo Kayaks, reunindo investigação científica, desenvolvimento tecnológico e aplicação direta ao treino e à competição.
O Track2Sea pretende criar uma plataforma integrada de avaliação e monitorização do desempenho no remo de pista e de mar, capaz de reunir informação biomecânica, fisiológica e técnico-tática recolhida em diferentes contextos, do treino à competição, passando pelo laboratório. O objetivo é disponibilizar uma visão mais completa e precisa do desempenho dos atletas, contribuindo para uma tomada de decisão mais informada por parte de treinadores e remadores.
Vários remadores de elite colaboram regularmente em projetos de investigação conduzidos pela FADEUP. | Foto: Ricardo Cardoso
Para isso, serão integradas diferentes tecnologias de avaliação, incluindo sistemas de GPS, sensores inerciais, medição de força, análise vídeo e avaliação fisiológica. A combinação destes dados permitirá gerar indicadores relevantes para otimizar o treino, aperfeiçoar a técnica e apoiar a melhoria do rendimento desportivo.
Uma das áreas de especial enfoque será o Beach Sprint Rowing, disciplina que integrará o programa dos Jogos Olímpicos de Los Angeles 2028. A investigação desenvolvida no âmbito do Track2Sea procurará contribuir para uma melhor compreensão desta variante emergente da modalidade, apoiando a preparação dos atletas portugueses para este novo desafio olímpico.