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Agricultura

Agricultores de Serpa exigem chumbo ao acordo Mercosul para evitar “morte” do mundo rural

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A Associação de Produtores da Região de Serpa (APROSERPA) manifestou hoje uma rejeição absoluta ao acordo comercial assinado no passado sábado entre a União Europeia e o Mercosul. Em comunicado, a associação alentejana classifica o entendimento como uma troca de interesses industriais pelo sacrifício da agricultura do sul da Europa e apela aos eurodeputados portugueses para que votem contra a proposta no Parlamento Europeu. Para os produtores locais, este acordo não é apenas uma questão tarifária, mas uma ameaça existencial à viabilidade económica e à segurança alimentar em Portugal.

Um dos pontos mais críticos levantados pela APROSERPA prende-se com o impacto na pecuária extensiva. A associação denuncia uma “engenharia comercial” em que os países sul-americanos exportarão apenas cortes de carne de alto valor, saturando o mercado da restauração e impedindo os produtores alentejanos de valorizarem o animal por inteiro. No caso da carne de porco, a entrada de toneladas com taxa zero criará preços de referência impossíveis de acompanhar pelos produtores europeus. Além disso, a associação alerta que a inviabilidade da pecuária levará ao abandono das terras e ao fim da limpeza natural dos terrenos pelo pastoreio, o que poderá resultar num aumento drástico dos incêndios rurais na próxima década.

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A segurança alimentar é outra das grandes preocupações destacadas pela associação de Serpa. A APROSERPA afirma ser moralmente inaceitável permitir a entrada de carne produzida com hormonas ou antibióticos promotores de crescimento, substâncias banidas na Europa desde 2006, bem como culturas tratadas com pesticidas proibidos em solo europeu. A associação argumenta que a fiscalização por amostragem nos portos é insuficiente para garantir a ausência de resíduos tóxicos, colocando em risco a saúde dos consumidores portugueses em nome de uma liberalização comercial que consideram desequilibrada.

Apesar dos alertas da APROSERPA, o debate no setor agrícola divide-se. Recentemente, a Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP) considerou o acordo globalmente positivo para o país, antevendo ganhos significativos para os setores do vinho, azeite, frutas e queijos. Contudo, para os produtores do Baixo Alentejo focados na pecuária e nos cereais, o acordo é visto como uma “lápide” sobre a produção regional. O processo segue agora para o Parlamento Europeu, onde os representantes portugueses serão confrontados com a escolha entre a abertura de um mercado de 700 milhões de consumidores e a proteção das produções tradicionais do interior do país.

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Agricultura

Beja recebe primeira edição do “Saber e Sabores do Azeite Novo” em março

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O Mercado Municipal de Beja vai acolher, nos dias 6 e 7 de março, a primeira edição do evento “Saber e Sabores do Azeite Novo”. Esta iniciativa, promovida pelo CEBAL – Centro de Biotecnologia Agrícola e Agro-Alimentar do Alentejo, surge com o propósito de valorizar e promover o azeite produzido durante a campanha de 2025/2026, destacando a frescura e as propriedades únicas do produto acabado de sair do lagar.

A organização deste encontro resulta de uma colaboração estratégica entre o CEBAL e o CEPAAL – Centro de Estudos e Promoção do Azeite do Alentejo, contando ainda com o apoio institucional da Câmara Municipal de Beja e do próprio Mercado Municipal. O evento pretende ser um ponto de encontro entre o conhecimento científico e técnico sobre o setor e o prazer da degustação, permitindo aos produtores e consumidores uma partilha direta sobre a qualidade e a importância económica do azeite na região alentejana.

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Ao focar-se no “azeite novo”, o programa sublinha as características sensoriais mais intensas do produto nesta fase, como o frutado e o picante, incentivando o consumo consciente e a valorização de um dos pilares da Dieta Mediterrânica. Este certame reforça o papel de Beja como um centro nevrálgico do setor olivícola, unindo a inovação tecnológica da biotecnologia à tradição secular do cultivo da oliveira.

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Agricultura

Universidade de Évora desafia alunos do secundário a desenhar o futuro da agricultura

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A Universidade de Évora (UÉ) lançou, no passado dia 11 de fevereiro, a segunda edição do DigitAgroChallenge, uma iniciativa que visa atrair alunos do ensino secundário para as Ciências Agrárias através da tecnologia e inovação. Integrado no projeto +AGRODIGITECH@SUL e financiado pelo PRR, o desafio foca-se na digitalização e sustentabilidade do setor agroalimentar, áreas cruciais para o futuro da agricultura em Portugal.

Nesta edição, a UÉ acolhe estudantes do 12.º ano das Escolas Secundárias André de Gouveia e Gabriel Pereira. A sessão de abertura contou com o Pró-Reitor Augusto Peixe, que apresentou a conferência “O Agrofuturo Começa Agora”, e com o docente Gottlieb Basch, que discutiu a redução da pegada ecológica no setor. O roteiro do desafio continua a 22 de abril com novas sessões temáticas, culminando num questionário online entre equipas de várias instituições, onde os vencedores serão premiados pelo seu mérito e conhecimentos adquiridos.

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Agricultura

Sanidade animal e alterações climáticas dominam debate da CAP no Baixo Alentejo

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O presidente da Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP), Álvaro Mendonça e Moura, aproveitou a sua passagem por Beja este sábado para lançar um alerta sobre a sanidade animal, defendendo a criação urgente de um plano de prevenção contra doenças pecuárias. Em destaque está a dermatose nodular bovina, uma patologia que, embora ainda não tenha chegado a Portugal, já causou prejuízos severos em França. Para o líder da CAP, o aumento destas ameaças está diretamente ligado às alterações climáticas, sendo imperativo que o país se organize antecipadamente para evitar impactos devastadores nos efetivos pecuários.

Nesse sentido, está já agendada para o próximo dia 19 uma reunião estratégica entre a Direção-Geral da Alimentação e Veterinária (DGAV), a CAP e as organizações de produtores para a sanidade animal. O objetivo deste encontro será realizar um ponto de situação rigoroso sobre os riscos iminentes e desenhar soluções conjuntas. A preocupação foi partilhada durante o Conselho Consultivo Regional realizado com associações do Baixo Alentejo, onde os criadores manifestaram receio de que, mais cedo ou mais tarde, estas doenças cruzem a fronteira.

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Além das questões sanitárias, a reunião em Beja serviu para a CAP reforçar exigências estruturantes para a região, nomeadamente a aceleração da construção dos blocos de rega de Ficalho e Amareleja. Álvaro Mendonça e Moura classificou estes projetos como fundamentais e de concretização prioritária. O debate estendeu-se ainda a temas como as limitações da Rede Natura, o acordo Mercosul e os desafios da nova Política Agrícola Comum (PAC), num dia que terminou com uma sessão de esclarecimento aos agricultores locais no auditório do NERBE, em parceria com a FAABA e a ACOS.

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Agricultura

CAP reúne em Beja para debater crise climática e apoios aos cereais de sequeiro

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Beja recebe hoje um importante ciclo de debates promovido pela Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP), com o objetivo de analisar os principais desafios que o setor enfrenta na região do Baixo Alentejo. O programa arrancou durante a manhã no Cine-Teatro Pax Júlia, com a realização de um Conselho Consultivo Regional, um fórum de auscultação entre a confederação e as suas organizações filiadas para definir prioridades estratégicas, tanto a nível local como nacional. Em destaque na agenda estão temas de grande impacto macroeconómico, como as implicações do Acordo Mercosul e o estado atual das propostas para a Política Agrícola Comum (PAC).

Os trabalhos estendem-se ao longo do dia, focando-se nas preocupações imediatas dos produtores locais, severamente afetados pelas condições climatéricas adversas das últimas semanas. Questões como a sanidade animal, a gestão dos recursos hídricos e os apoios aos cereais de sequeiro dominam as discussões, num momento em que o setor agrícola reclama maior clareza sobre o Pedido Único e as Medidas Agroambientais (MAA). O encontro serve para alinhar posições sobre como as intempéries recentes estão a comprometer a condicionalidade das explorações e a viabilidade das culturas tradicionais do sul do país.

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O dia encerra com uma sessão de esclarecimento aberta a todos os agricultores, marcada para as 16h00 no auditório do NERBE. Esta iniciativa, organizada em parceria com a FAABA e a ACOS, conta com a presença da direção e de técnicos da CAP para prestar apoio direto aos profissionais do setor. É uma oportunidade para os agricultores do Baixo Alentejo esclarecerem dúvidas sobre calendários de pagamentos e novas regulamentações, reforçando a articulação entre as bases e as estruturas de decisão nacional num período de particular vulnerabilidade para a agricultura alentejana.

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