Agricultura
Atenção: Tratores na estrada amanhã em Serpa numa marcha lenta contra o acordo Mercosul
O setor agrícola do Baixo Alentejo vai “rugir” amanhã, sexta-feira, 30 de janeiro, num grande protesto convocado pela APROSERPA (Associação de Produtores do Concelho de Serpa). Sob o lema de combate a uma “tempestade perfeita”, dezenas de tratores e máquinas agrícolas vão percorrer as estradas da região numa marcha lenta para denunciar a ameaça do acordo União Europeia–Mercosul e exigir uma Política Agrícola Comum (PAC) que não asfixie os produtores nacionais.
Segundo a associação, o acordo com o Mercosul pode ser a “lápide final” para muitas explorações alentejanas, ao permitir a entrada de produtos sul-americanos que não cumprem as rigorosas normas sanitárias e ambientais europeias. Os agricultores temem pela viabilidade das culturas de sequeiro e da pecuária extensiva, alertando que o abandono da terra acelerará a desertificação e o risco de incêndios no interior.
Itinerário e Horários da Marcha:
08h30: Partida de Vila Nova de São Bento (pela EN260);
09h30 – 10h00: Paragem na Ponte do Guadiana para declarações à imprensa;
Início da tarde: Chegada ao Parque de Feiras e Exposições de Serpa;
17h00: Desmobilização prevista.
A APROSERPA garante que o protesto será pacífico e cívico. Embora se prevejam condicionamentos no trânsito da EN260 durante toda a manhã, a organização assegura que não haverá bloqueios na Ponte do Guadiana e que a circulação de veículos de emergência será totalmente garantida. Os agricultores deixam um aviso claro aos decisores políticos: não aceitam “fazer mais com menos” perante o aumento galopante dos custos de produção.
Agricultura
Faturação do setor vinícola sobe para 1.300 milhões de euros

As principais empresas do setor do vinho em Portugal registaram um crescimento de 2% na faturação em 2025, contrariando a tendência de queda acentuada no volume de produção e o recuo nas exportações.
A análise da Informa D&B revela que, embora as receitas agregadas tenham atingido os 1.300 milhões de euros, o saldo comercial do setor sofreu uma ligeira erosão. As exportações fixaram-se nos 954 milhões de euros, representando uma descida de 1,2% face ao ano anterior, enquanto as importações escalaram 7%, atingindo os 165 milhões de euros. O superavit comercial situou-se, assim, nos 789 milhões de euros. No mercado externo, o vinho licoroso continua a ser o principal motor, com o Vinho do Porto a garantir mais de 31% do valor total exportado para destinos preferenciais como França, Estados Unidos, Reino Unido e Brasil.
O panorama produtivo apresenta desafios com as estimativas do Instituto da Vinha e do Vinho a apontarem para uma colheita de 6,2 milhões de hectolitros na campanha 2025-2026. Este valor representa um decréscimo de 10,5% em relação ao período homólogo, acentuando a trajetória de queda já verificada anteriormente. Esta redução na produtividade é acompanhada por uma contração na superfície vitícola nacional, que recuou 5% em 2024, abrangendo agora cerca de 171.300 hectares.
Apesar da conjuntura produtiva adversa, o número de operadores no mercado tem registado um crescimento constante, contabilizando-se 1.430 empresas no ativo em 2024. No entanto, esta dinâmica empresarial não se traduziu num aumento do emprego direto, que sofreu uma retração de 0,8%. Atualmente, o setor garante trabalho a cerca de 12 mil profissionais, apresentando uma estrutura média de oito funcionários por unidade empresarial.
Agricultura
Azambuja inicia reparação urgente de infraestruturas destruídas pelas cheias

O Presidente da Câmara da Azambuja, Silvino Lúcio, anunciou que as obras de emergência para recuperar as vias e taludes afetados pelo mau tempo arrancam esta segunda-feira, contando com financiamento da Agência Portuguesa do Ambiente.
A prioridade imediata recai sobre a estrada de acesso ao Palácio da Azambuja, onde a força das águas abriu um rombo de 30 metros. Graças ao regime de calamidade, o município poderá realizar ajustes diretos até 500 mil euros para acelerar os trabalhos. José Pimenta Machado, presidente da Agência Portuguesa do Ambiente (APA), confirmou que a entidade irá assegurar o financiamento e o apoio técnico desta intervenção prioritária.
O alagamento persistente dos campos está a impedir o início das sementeiras de milho e tomate, culturas vitais para a região. Silvino Lúcio aponta que este cenário é agravado por décadas de “algum abandono” na manutenção dos diques e sistemas hidráulicos que atravessam o território desde Rio Maior até ao Cartaxo.
Apesar dos estragos, a APA defende que o sistema hidráulico nacional resistiu a um fenómeno “absolutamente excecional” de três semanas de precipitação intensa. No entanto, o autarca e as associações de agricultores locais reiteram que a escala dos danos exige um plano de investimento nacional coordenado, alegando que os municípios não possuem capacidade técnica nem financeira para assegurar a resiliência das infraestruturas agrícolas face a futuros eventos extremos.
Agricultura
Alqueva: Olival e amendoal reforçam domínio em 130 mil hectares de regadio

O Anuário Agrícola de 2024 revela que o olival e o amendoal continuam a ser as culturas predominantes nos 130 mil hectares irrigados pelo Alqueva, abrangendo 83% da área total, noticia a Lusa.
De acordo com o documento da empresa gestora EDIA, consultado pela agência Lusa, a área de olival cresceu de 71.045 para 74.059 hectares entre 2023 e 2024. Em contraste, o amendoal registou uma ligeira retração, fixando-se nos 23.653 hectares, fenómeno que se associa à volatilidade dos preços de mercado e à consequente substituição estratégica de culturas por parte dos agricultores.
As culturas permanentes ganharam terreno com um incremento de 2.450 hectares, enquanto as culturas anuais, como o milho e o trigo, sofreram uma quebra de 6%, informa a Lusa. Apesar da hegemonia do azeite, que consolida o Alentejo como um produtor mundial de relevo, a EDIA destaca a progressiva diversificação do perímetro de rega com a introdução de citrinos, romãzeiras e vinha, embora esta última tenha perdido cerca de 370 hectares no último ano.
Detalha-se ainda a introdução de culturas intercalares, um novo modelo de sustentabilidade que ocupa já 350 hectares para evitar a erosão do solo e reduzir fertilizantes. No setor industrial, os dados indicam a coexistência de 61 lagares na zona do Alqueva, num cenário de modernização que contrasta com o encerramento de unidades tradicionais noutros pontos da região alentejana.
Agricultura
Venda de máquinas agrícolas sofre queda em fevereiro

O mercado português de veículos agrícolas registou uma quebra generalizada em fevereiro de 2026, com os tratores a liderarem as perdas ao sofrerem um recuo homólogo de 17,3% no volume de matrículas.
O setor das máquinas e reboques agrícolas em Portugal enfrentou um mês de fevereiro marcado por indicadores negativos em todos os segmentos principais, de acordo com os dados mais recentes divulgados pela ACAP.
No que diz respeito aos tratores agrícolas novos, entraram em circulação apenas 283 unidades durante o segundo mês do ano, o que representa um decréscimo acentuado face ao desempenho verificado no mesmo período de 2025. Esta tendência mensal influenciou o balanço acumulado do primeiro bimestre de 2026, que apresenta agora uma redução de 5,5% em comparação com o ano anterior, totalizando 648 matrículas.
Uma análise detalhada revela comportamentos distintos entre as tipologias de tratores. O segmento dos modelos compactos foi o mais fustigado, com uma derrocada de 30,9% em fevereiro, enquanto os tratores convencionais limitaram a queda aos 4,0%. Em sentido inverso, os tratores especiais conseguiram contrariar a conjuntura negativa, registando um crescimento homólogo de 7,7% no mês e de 18,5% no acumulado do ano.
O restante mercado de equipamentos agrícolas também não escapou à retração. As matrículas de reboques novos caíram 13,6% em fevereiro, com 114 unidades registadas, embora este setor ainda consiga manter um saldo positivo de 1,9% no conjunto dos dois primeiros meses de 2026.
Por fim, a categoria que engloba quadriciclos e empilhadores telescópicos (Categoria T) assinalou uma descida mensal de 7,3%, apesar de o segmento específico de UTV’s ter demonstrado resiliência com uma subida de 3,5% nas entradas em serviço.
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