Connect with us

Agricultura

Cabras ou ovelhas no Alentejo: diferenças, vantagens e desafios para quem quer criar gado

Published

on

A escolha entre criar cabras ou ovelhas é uma das decisões mais importantes para quem pretende iniciar ou diversificar uma exploração pecuária no Alentejo. Embora ambas sejam espécies bem adaptadas a sistemas extensivos e ao clima mediterrânico, apresentam diferenças significativas ao nível do maneio, alimentação, produtividade e impacto económico, que devem ser ponderadas antes de investir.

As cabras destacam-se pela grande capacidade de adaptação a terrenos pobres, pedregosos ou de mato, muito comuns em várias zonas do Alentejo. São animais rústicos, com elevada resistência à seca e capazes de aproveitar uma grande diversidade de vegetação, incluindo arbustos e espécies lenhosas que as ovelhas normalmente rejeitam. Esta característica torna a caprinicultura uma aliada importante na gestão do território, ajudando a controlar o mato e a reduzir o risco de incêndios. No entanto, esta mesma aptidão pode ser uma desvantagem, já que as cabras tendem a provocar maior pressão sobre a vegetação arbustiva e árvores jovens, exigindo cercas mais robustas e vigilância acrescida.

Advertisement

Do ponto de vista produtivo, as cabras são especialmente valorizadas pela produção de leite, frequentemente destinado a queijos de alto valor acrescentado e nichos de mercado ligados a produtos artesanais. O investimento inicial pode ser mais elevado, sobretudo se o objetivo for a produção leiteira, já que exige ordenha regular, maior controlo sanitário e mão de obra mais especializada. Em contrapartida, o preço do leite e dos produtos transformados tende a compensar este esforço, sobretudo quando associado a marcas locais ou produção biológica.

As ovelhas, por sua vez, são tradicionalmente mais comuns no Alentejo e integram-se facilmente nos sistemas agro-pastoris da região. São animais geralmente mais dóceis e fáceis de manejar em grandes rebanhos, o que reduz custos com infraestruturas e mão de obra. Alimentam-se preferencialmente de pastagens herbáceas, aproveitando bem os campos abertos e as searas em pousio, sendo por isso particularmente adequadas a explorações extensivas de grande escala.

Advertisement

Em termos económicos, a ovinicultura no Alentejo está fortemente associada à produção de carne, sobretudo do borrego, com procura estável no mercado nacional e picos de consumo em épocas festivas. A produção de leite de ovelha existe, mas é mais exigente e menos disseminada do que a de cabra, estando muitas vezes ligada a queijos certificados. Uma das principais desvantagens das ovelhas é a menor resistência a períodos prolongados de seca, podendo exigir suplementação alimentar mais frequente nos anos de fraca produção forrageira.

Ao nível sanitário, ambas as espécies requerem cuidados regulares, mas as cabras tendem a ser mais sensíveis a erros de alimentação e a determinadas doenças parasitárias quando mantidas em condições inadequadas. As ovelhas, embora mais tolerantes a sistemas extensivos, podem apresentar problemas podais e parasitas internos, especialmente em zonas de maior humidade.

Advertisement

Em síntese, a escolha entre cabras e ovelhas no Alentejo depende sobretudo dos objetivos do produtor, das características da propriedade e dos recursos disponíveis. As cabras são uma opção interessante para explorações em terrenos difíceis, com foco na produção de leite e na valorização de produtos diferenciados, mas exigem maior controlo e investimento. As ovelhas, mais tradicionais e fáceis de gerir em grande número, adaptam-se melhor a sistemas extensivos orientados para a produção de carne, com custos geralmente mais previsíveis. Em muitos casos, a combinação das duas espécies pode mesmo revelar-se uma estratégia equilibrada, permitindo diversificar rendimentos e tirar melhor partido dos recursos naturais da região.

Advertisement
Continue Reading

Agricultura

Beja recebe primeira edição do “Saber e Sabores do Azeite Novo” em março

Published

on

O Mercado Municipal de Beja vai acolher, nos dias 6 e 7 de março, a primeira edição do evento “Saber e Sabores do Azeite Novo”. Esta iniciativa, promovida pelo CEBAL – Centro de Biotecnologia Agrícola e Agro-Alimentar do Alentejo, surge com o propósito de valorizar e promover o azeite produzido durante a campanha de 2025/2026, destacando a frescura e as propriedades únicas do produto acabado de sair do lagar.

A organização deste encontro resulta de uma colaboração estratégica entre o CEBAL e o CEPAAL – Centro de Estudos e Promoção do Azeite do Alentejo, contando ainda com o apoio institucional da Câmara Municipal de Beja e do próprio Mercado Municipal. O evento pretende ser um ponto de encontro entre o conhecimento científico e técnico sobre o setor e o prazer da degustação, permitindo aos produtores e consumidores uma partilha direta sobre a qualidade e a importância económica do azeite na região alentejana.

Advertisement

Ao focar-se no “azeite novo”, o programa sublinha as características sensoriais mais intensas do produto nesta fase, como o frutado e o picante, incentivando o consumo consciente e a valorização de um dos pilares da Dieta Mediterrânica. Este certame reforça o papel de Beja como um centro nevrálgico do setor olivícola, unindo a inovação tecnológica da biotecnologia à tradição secular do cultivo da oliveira.

Advertisement
Continue Reading

Agricultura

Universidade de Évora desafia alunos do secundário a desenhar o futuro da agricultura

Published

on

A Universidade de Évora (UÉ) lançou, no passado dia 11 de fevereiro, a segunda edição do DigitAgroChallenge, uma iniciativa que visa atrair alunos do ensino secundário para as Ciências Agrárias através da tecnologia e inovação. Integrado no projeto +AGRODIGITECH@SUL e financiado pelo PRR, o desafio foca-se na digitalização e sustentabilidade do setor agroalimentar, áreas cruciais para o futuro da agricultura em Portugal.

Nesta edição, a UÉ acolhe estudantes do 12.º ano das Escolas Secundárias André de Gouveia e Gabriel Pereira. A sessão de abertura contou com o Pró-Reitor Augusto Peixe, que apresentou a conferência “O Agrofuturo Começa Agora”, e com o docente Gottlieb Basch, que discutiu a redução da pegada ecológica no setor. O roteiro do desafio continua a 22 de abril com novas sessões temáticas, culminando num questionário online entre equipas de várias instituições, onde os vencedores serão premiados pelo seu mérito e conhecimentos adquiridos.

Advertisement
Continue Reading

Agricultura

Sanidade animal e alterações climáticas dominam debate da CAP no Baixo Alentejo

Published

on

O presidente da Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP), Álvaro Mendonça e Moura, aproveitou a sua passagem por Beja este sábado para lançar um alerta sobre a sanidade animal, defendendo a criação urgente de um plano de prevenção contra doenças pecuárias. Em destaque está a dermatose nodular bovina, uma patologia que, embora ainda não tenha chegado a Portugal, já causou prejuízos severos em França. Para o líder da CAP, o aumento destas ameaças está diretamente ligado às alterações climáticas, sendo imperativo que o país se organize antecipadamente para evitar impactos devastadores nos efetivos pecuários.

Nesse sentido, está já agendada para o próximo dia 19 uma reunião estratégica entre a Direção-Geral da Alimentação e Veterinária (DGAV), a CAP e as organizações de produtores para a sanidade animal. O objetivo deste encontro será realizar um ponto de situação rigoroso sobre os riscos iminentes e desenhar soluções conjuntas. A preocupação foi partilhada durante o Conselho Consultivo Regional realizado com associações do Baixo Alentejo, onde os criadores manifestaram receio de que, mais cedo ou mais tarde, estas doenças cruzem a fronteira.

Advertisement

Além das questões sanitárias, a reunião em Beja serviu para a CAP reforçar exigências estruturantes para a região, nomeadamente a aceleração da construção dos blocos de rega de Ficalho e Amareleja. Álvaro Mendonça e Moura classificou estes projetos como fundamentais e de concretização prioritária. O debate estendeu-se ainda a temas como as limitações da Rede Natura, o acordo Mercosul e os desafios da nova Política Agrícola Comum (PAC), num dia que terminou com uma sessão de esclarecimento aos agricultores locais no auditório do NERBE, em parceria com a FAABA e a ACOS.

Advertisement
Continue Reading

Agricultura

CAP reúne em Beja para debater crise climática e apoios aos cereais de sequeiro

Published

on

Beja recebe hoje um importante ciclo de debates promovido pela Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP), com o objetivo de analisar os principais desafios que o setor enfrenta na região do Baixo Alentejo. O programa arrancou durante a manhã no Cine-Teatro Pax Júlia, com a realização de um Conselho Consultivo Regional, um fórum de auscultação entre a confederação e as suas organizações filiadas para definir prioridades estratégicas, tanto a nível local como nacional. Em destaque na agenda estão temas de grande impacto macroeconómico, como as implicações do Acordo Mercosul e o estado atual das propostas para a Política Agrícola Comum (PAC).

Os trabalhos estendem-se ao longo do dia, focando-se nas preocupações imediatas dos produtores locais, severamente afetados pelas condições climatéricas adversas das últimas semanas. Questões como a sanidade animal, a gestão dos recursos hídricos e os apoios aos cereais de sequeiro dominam as discussões, num momento em que o setor agrícola reclama maior clareza sobre o Pedido Único e as Medidas Agroambientais (MAA). O encontro serve para alinhar posições sobre como as intempéries recentes estão a comprometer a condicionalidade das explorações e a viabilidade das culturas tradicionais do sul do país.

Advertisement

O dia encerra com uma sessão de esclarecimento aberta a todos os agricultores, marcada para as 16h00 no auditório do NERBE. Esta iniciativa, organizada em parceria com a FAABA e a ACOS, conta com a presença da direção e de técnicos da CAP para prestar apoio direto aos profissionais do setor. É uma oportunidade para os agricultores do Baixo Alentejo esclarecerem dúvidas sobre calendários de pagamentos e novas regulamentações, reforçando a articulação entre as bases e as estruturas de decisão nacional num período de particular vulnerabilidade para a agricultura alentejana.

Advertisement
Continue Reading

ÚLTIMAS 48 HORAS

Social Media Auto Publish Powered By : XYZScripts.com