Chama-se Hygrobates lusitanicus Pešić & Girão 2026e é uma espécie de ácaro aquático que o jovem Dinis Girão, estudante da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto (FCUP) ajudou a descrever.
Esta descoberta foi publicada recentemente na revista Acarologia, num artigo científico assinado por Dinis Girão e pela entomóloga Sónia Ferreira, ambos investigadores na Associação BIOPOLIS/CIBIO-InBIO (Centro de Investigação em Biodiversidade e Recursos Genéticos da Universidade do Porto).
Como é que os cientistas descobriram esta nova espécie? Foi um verdadeiro desafio. É que este ácaro aquático é muito semelhante morfologicamente a outros organismos do mesmo género.
Primeiro capturaram, entre 2023 e 2025, vários espécimes de Hygrobates, entre muitos outros ácaros, no norte de Portugal, em Barcelos, Lousada, Mirandela e Vinhais. Seguiram-se as análises genéticas. “Apesar de serem morfologicamente semelhantes, as sequências genéticas eram diferentes de todas as outras espécies conhecidas, representando uma espécie distinta”, conta Dinis, que frequenta o mestrado em Biodiversidade, Genética e Evolução.
Indicadores da qualidade da água
Quando pensamos em ácaros, lembramo-nos de alergias, mas estes ácaros aquáticos têm um papel protetor para o ser humano. São bioindicadores e por isso ajudam a perceber a qualidade da água e são também predadores de vários invertebrados, como mosquitos.
“A diversidade, abundância e composição de espécies das suas comunidades mudam de forma previsível com a qualidade da água e as condições do habitat e por isso são bioindicadores”, explica Dinis Girão. Depois de identificar as espécies, o próximo passo é identificar qual o seu potencial enquanto bioindicador.
O trabalho de Dinis e Sónia, que é sua orientadora de mestrado, teve origem no projeto Biodiversity Genomics Europe (BGE), que terminou em fevereiro deste ano. O objetivo desta iniciativa foi usar a genómica para melhorar a compreensão da biodiversidade europeia e reverter a sua perda.
Atualmente estão registadas 155 espécies de ácaro aquático em Portugal, 54 das quais foram “adicionadas” por esta equipa, que integrou também investigadores estrangeiros, no âmbito do BGE. Nove destas espécies não tinham nome, nem tinham sido descritas. A mais recente a ter uma identidade e a tornar-se conhecida é a Hygrobates lusitanicus.
Hygrobates lusitanicus Pešić & Girão 2026 . Foto: DR
“Os processos de descrição de espécies costumam ser demorados, mas graças ao projeto BGE conseguimos acelerar esse processo, ao facilitar a partilha de conhecimentos entre equipas de diferentes países, ter financiamento para amostragem e sequenciação de espécimes, ao poder trabalhar de perto com taxónomos especialistas de distintos grupos”, salienta Sónia Ferreira.
A taxonomia é a área que permite identificar, nomear e classificar os organismos. Para este trabalho, Dinis teve formação, por exemplo, investigadores da Universidade Norueguesa de Ciência e Tecnologia e de Vladimir Pešić, da Universidade de Montenegro, um taxónomo especializado em ácaros aquáticos e primeiro autor do artigo que descreve esta nova espécie.
Uma espécie com “bom gosto”
Para Dinis Girão, apaixonado por entomologia, a participação no BGE, que começou ainda no seu estágio de licenciatura, foi um sonho tornado realidade. No mestrado, o jovem investigador está a estudar a ecologia e distribuição dos ácaros de água em Portugal, procurando identificar como varia a composição das comunidades de ácaros com as estações e em rios distintos.
Dinis Girão realizou várias amostragens no Norte de Portugal. Foto: DR
Dinis Girão está a ser orientado pela entomóloga Sónia Ferreira e ambos integraram a equipa do BGE. Foto: DR
Após esta descoberta, os investigadores vão continuar a realizar amostragens em diferentes áreas do país. “Ainda há zonas em Portugal cuja fauna de ácaros aquáticos nunca foi explorada e, sendo Portugal um país bastante biodiverso, esperamos continuar a encontrar novidades”, adianta Dinis. Para além da inventariação, é igualmente importante descobrir o contributo de cada espécie como bioindicador.
Para já, os investigadores indicam que esta nova espécie poderá ter potencial para “monitorização da qualidade ambiental dos rios do Norte de Portugal”, já que ocorre “em troços de rios com boa qualidade de água e corrente moderada.” Um ácaro com bom gosto. Agora, a equipa vai aprofundar os estudos sobre os seus requisitos ecológicos, de modo a perceber melhor o significado da sua presença ou ausência.
Olga Vasconcelos substitui António Topa Gomes, que integrou a equipa reitoral de Pedro Nuno Teixeira.
A mais recente representante dos docentes e investigadores no Conselho Geral da U.Porto, Olga Vasconcelos.
Olga Vasconcelos, Professora Catedrática da FADEUP, tomou hoje posse como o mais recente membro do Conselho Geral da Universidade do Porto, substituindo no cargo António Topa Gomes, que havia saído deste órgão em junho para assumir a vice-reitoria do Património Edificado e da Sustentabilidade na equipa de Pedro Nuno Teixeira.
Ficou, deste modo, recomposto com 23 membros aquele que é um dos órgãos máximos de governo da Universidade do Porto, cabendo-lhe a definição do desenvolvimento estratégico, bem como a orientação e a supervisão da instituição.
Olga Vasconcelos é docente, desde 1987, na Faculdade de Desporto da Universidade do Porto (FADEUP), com Agregação do grupo disciplinar Aprendizagem e Desenvolvimento Motor. É membro integrado da unidade de investigação CIFI2D (Centro de Investigação, Formação, Inovação e Intervenção em Desporto) e responsável pela criação e coordenação do Laboratório de Comportamento Motor na FADEUP.
Naquela faculdade, Olga Vasconcelos já exerceu os cargos de Presidente do Conselho Pedagógico, de Diretora do curso de licenciatura em Ciências do Desporto e de vogal do Conselho Executivo, responsável pelos Serviços Académicos e coordenadora para a Mobilidade Estudantil na FADEUP. É ainda membro do Conselho Científico da FADEUP e do Senado da Universidade do Porto.
António Topa Gomes foi também hoje substituído no cargo de secretário do Conselho Geral, neste caso por Maria Isabel Dias (FLUP), que já fazia parte do órgão na qualidade de representante eleita dos professores e investigadores.
A Vice-Presidente da CCDR NORTE, Gabriela Leite, participou no Encontro Ciência e Inovação 2026, no painel “Da Ciência ao Ecossistema – Construir Vantagens Territoriais na Economia da Inovação”, dedicado ao papel das regiões na transformação do conhecimento em competitividade.
Na sua intervenção, destacou que a capacidade de um território inovar depende menos da quantidade de recursos disponíveis e mais da forma como consegue articular universidades, centros de investigação, empresas e instituições em torno de objetivos comuns.
Sublinhou ainda o papel da CCDR NORTE na construção desse ecossistema, através da definição de estratégias regionais, da promoção da cooperação entre os diferentes atores e da criação de condições para que o conhecimento científico se traduza em inovação, competitividade e desenvolvimento económico em todo o território da Região Norte.
O projeto Track2Sea desenvolverá, em parceria com a Federação Portuguesa de Remo e a Nelo Kayaks, um sistema inovador para monitorizar o desempenho dos atletas.
O projeto Track2Sea pretende otimizar a monitorização do desempenho dos remadores através da integração de diferentes tecnologias de avaliação.Foto: Ricardo Cardoso
A Faculdade de Desporto da Universidade do Porto (FADEUP) vai liderar o desenvolvimento de um sistema inovador de monitorização do desempenho no remo, no âmbito do projeto Track2Sea–Monitorização Multimodal e Interoperabilidade de Dados no Remo de Pista e Mar, apoiado pelo Comité Olímpico de Portugal através do Programa de Bolsas para Projetos de Investigação Aplicada ao Desenvolvimento Desportivo.
Coordenado pelo Professor João Paulo Vilas-Boas, diretor do laboratório Labiomep, o projeto será desenvolvido ao longo de 30 meses em parceria com a Federação Portuguesa de Remo e a Nelo Kayaks, reunindo investigação científica, desenvolvimento tecnológico e aplicação direta ao treino e à competição.
O Track2Sea pretende criar uma plataforma integrada de avaliação e monitorização do desempenho no remo de pista e de mar, capaz de reunir informação biomecânica, fisiológica e técnico-tática recolhida em diferentes contextos, do treino à competição, passando pelo laboratório. O objetivo é disponibilizar uma visão mais completa e precisa do desempenho dos atletas, contribuindo para uma tomada de decisão mais informada por parte de treinadores e remadores.
Vários remadores de elite colaboram regularmente em projetos de investigação conduzidos pela FADEUP. | Foto: Ricardo Cardoso
Para isso, serão integradas diferentes tecnologias de avaliação, incluindo sistemas de GPS, sensores inerciais, medição de força, análise vídeo e avaliação fisiológica. A combinação destes dados permitirá gerar indicadores relevantes para otimizar o treino, aperfeiçoar a técnica e apoiar a melhoria do rendimento desportivo.
Uma das áreas de especial enfoque será o Beach Sprint Rowing, disciplina que integrará o programa dos Jogos Olímpicos de Los Angeles 2028. A investigação desenvolvida no âmbito do Track2Sea procurará contribuir para uma melhor compreensão desta variante emergente da modalidade, apoiando a preparação dos atletas portugueses para este novo desafio olímpico.