Francisca Pereira sempre quis fazer tudo quando era mais nova, o que dificultou a sua decisão quando chegou a hora de escolher o curso a seguir. Mas uma coisa era certa: a Universidade do Porto seria a instituição em que iria prosseguir com o seu percurso, “independentemente da área que (…) acabasse por escolher”. E assim foi quando, em 2024, ingressou no Mestrado Integrado em Ciências Farmacêuticas da Faculdade de Farmácia da U.Porto (FFUP),
“O novo, o desconhecido e a sensação de ter sido atirada de cabeça para os lobos” foram os aspetos que a jovem de 19 anos mais apreciou no primeiro ano da universidade. “Sair do conforto do ninho e finalmente abrir asas” e a responsabilidade que isso acarreta, foram desafios que a fizeram crescer pessoalmente.
No novo contexto académico, “a fasquia sobe, o volume de matéria multiplica e a sensação de desamparo paira por todos os lados”, relata a estudante, cujo momento mais desafiante foi “mudar o chip do secundário”. Essa adaptação passou por uma alteração de prioridades, levando-a a estudar para “aprender a fazer alguma coisa e ganhar as competências que (…) servirão para o resto da vida”, o que a levou a encarar a jornada de uma forma mais “leve”. O resultado não podia ter sido melhor. Com uma média de 18,45 valores no primeiro ano do curso, cabe-lhe representar a FFUP na lista dos vencedores do Prémio Incentivo 2026.
Para Francisca, que quer contribuir positivamente para o mundo, admite que, por vezes, se depara com uma “névoa desmotivante”, rodeada de dúvidas acerca do percurso que escolheu. Ainda assim, e mesmo que “o fim pareça estar ainda tão distante”, o Prémio Incentivo é um lembrança de que há uma razão para continuar a lutar: “cada bocadinho de esforço que coloquei ao longo do ano, deu um fruto”.

Francisca Pereira recebeu o Prémio Incentivo 2026 das mãos do Reitor da U.Porto. (Foto: Egidio Santos/U.Porto)
– O que te motivou a escolher a U.Porto?
Na verdade, desde pequena que me interesso pelas mais diversas áreas. Sempre tive dificuldade em dizer “No futuro, quero fazer isto ou aquilo” – porque, efetivamente, sempre quis fazer tudo e mais alguma coisa. E, precisamente por gostar de tantas disciplinas distintas, não posso dizer que a escolha do curso que iria seguir no ensino superior tenha sido uma decisão fácil.
Contudo, se houve algo que sempre esteve bem evidente em cima da mesa foi a “Universidade do Porto” como instituição onde iria prosseguir com o meu percurso – independentemente da área que eventualmente acabasse por escolher. Isto porque, além de se situar na minha querida cidade invicta de coração é, de facto, reconhecida pela sua excelência e qualidade. E, não sabendo eu ainda o que me esperaria em termos de carreira, sabia que ao escolher U.porto estaria a investir num bom futuro.
– De que gostaste mais no primeiro ano na Universidade?
Curiosamente, o que mais gostei no primeiro ano foi exatamente o que mais me assustava antes de entrar na universidade. O “novo”, o “desconhecido” e a sensação inicial de ter sido “atirada de cabeça para os lobos” veio a revelar-se um desafio que rapidamente aprendi a apreciar. Com efeito, a autonomia com que fui obrigada a lidar e a necessidade de ser eu a organizar a minha vida deu-me um poder de responsabilidade com o qual nunca me tinha deparado e senti um crescimento pessoal superior a qualquer outro que já tinha tido. Assim, o que mais gostei ao entrar neste mundo universitário foi o facto de me obrigar a “sair do conforto do ninho e finalmente abrir as asas.”
– Qual foi o momento mais desafiante do teu percurso até agora? O que mudou em ti?
Não é novidade para ninguém que a universidade está a um nível completamente diferente em relação ao ensino secundário. A fasquia sobe, o volume de matéria multiplica e a sensação de desamparo paira por todos os lados…. . E todo este oceano de mudanças ao mesmo tempo que a vida decorre, impassível como sempre, com a mesma intensidade que antes, sem esperar que nos adaptemos e ponhamos confortáveis.
O meu erro foi achar que conseguia simplesmente manter o mesmo registo que tinha no secundário: acompanhar todas as aulas e estar sempre a par do assunto, saber toda a matéria do início ao fim dos manuais para as avaliações e levar o estudo exatamente com a mesma energia e vigor com que o fazia antes de ingressar na universidade. A verdade é que, por muito que quisesse, isso era fisiologicamente impossível. Comecei a prescindir de fazer o que gostava para ter todas as horas de estudo que conseguia e tentei ignorar a fadiga que tomava conta de mim, mas, a certa altura – como tinha de ser – senti o meu corpo a ripostar. Assim , forçada pelo meu próprio organismo, tive de desacelerar e, gradualmente, mudar o “chip” do secundário.
O meu objetivo ao estudar deixou de ser ter o título de “aluna perfeita” ou atingir a melhor média alcançável, mas sim fazê-lo para efetivamente aprender alguma coisa e ganhar as competências que me servirão para o resto da vida. E esta visão levou-me, sem dúvida, a encarar a minha jornada de uma forma mais leve – e o que é certo é que, estando eu aqui hoje, parece estar a resultar.
– Qual a importância do Prémio Incentivo para ti?
Seria uma mentira dizer que nunca tenho dúvidas em relação ao percurso que estou a seguir. Com efeito, no meio da confusão, por vezes acabamos por nos perder, principalmente, quando o fim parece estar ainda tão distante. Nos momentos em que me deparo com esta névoa desmotivante, pergunto-me porque é que estou a fazer isto, se valerá a pena. Assim, este prémio é para mim uma lembrança de que o que faço todos os dias tem uma razão – embora ainda não seja totalmente visível. Cada bocadinho de esforço que coloquei ao longo do ano, deu um fruto, E ver, desde logo, alguns resultados do que fizemos, é, sem dúvida, uma motivação extra para prosseguir.
– Como vês o teu futuro daqui a 10 anos?
Mesmo sem uma visão nítida de onde estarei ou do que andarei a fazer em concreto, consigo prever que estarei a fazer aquilo que gosto. Depois deste primeiro ano, sei que entrei no curso certo e, a cada dia que passa, sinto-me mais confiante de poder vir a contribuir positivamente para o mundo.
– Se tivesses de descrever a tua experiência na U.Porto numa palavra, qual seria?
Metamorfose.