Saúde
Insuficiência cardíaca no Alentejo: Uma bomba-relógio a detonar?
A doença silenciosa que aflige o Alentejo
A insuficiência cardíaca, uma síndrome crónica que resulta da incapacidade do coração de bombear sangue suficiente para o corpo, assume proporções alarmantes no Alentejo. A região apresenta a maior prevalência do país, com 29,2% da população afetada, e mais de 90% dos casos não diagnosticados.
Os sintomas da insuficiência cardíaca, como cansaço, falta de ar, inchaço das pernas e dificuldade em respirar durante a noite, são muitas vezes subestimados ou confundidos com outras doenças, dificultando o diagnóstico precoce. Essa demora no diagnóstico e tratamento adequado pode ter consequências graves, incluindo internamentos hospitalares frequentes, redução da qualidade de vida e até morte.
A insuficiência cardíaca está associada a diversos fatores de risco, como hipertensão arterial, diabetes, doenças cardíacas pré-existentes e tabagismo. Controlar esses fatores de risco através de medidas como alimentação saudável, atividade física regular, controle do peso e abandono do tabagismo é crucial para prevenir o desenvolvimento da doença.
Diante da gravidade da situação, especialistas alertam para a necessidade de medidas urgentes por parte das autoridades. Campanhas de sensibilização para informar a população sobre os sintomas e riscos da doença, investimento na formação de profissionais de saúde e a criação de programas de rastreio e acompanhamento dos pacientes são algumas das medidas necessárias para combater essa “epidemia silenciosa”.
A insuficiência cardíaca não precisa ser uma sentença de morte. Com diagnóstico precoce, tratamento adequado e mudanças no estilo de vida, a maioria dos pacientes pode ter uma vida longa e saudável. É fundamental que todos estejam atentos aos sinais da doença e procurem ajuda médica caso sintam algum sintoma.
Santarém
Bruxelas atualiza zonas de vigilância após novo foco de gripe das aves em Santarém

A Comissão Europeia procedeu hoje à atualização das medidas de controlo contra a gripe das aves, na sequência da deteção de 60 novos focos da doença em vários Estados-membros. Entre as regiões afetadas consta o distrito de Santarém, em Portugal, o que motivou a alteração das zonas de proteção e de vigilância nos municípios de Tomar, Torres Novas e Vila Nova da Barquinha.
A decisão, publicada hoje no Jornal Oficial da União Europeia, surge após Portugal ter notificado a existência de novos focos em explorações de aves de capoeira ou aves em cativeiro nestas localidades. Além de Portugal, países como Espanha, França, Alemanha e Itália também reportaram novos casos de Gripe das Aves de Alta Patogenicidade (GAAP), uma variante viral com elevado potencial de contágio e impacto económico severo.
Bruxelas validou as medidas de contenção já implementadas pelas autoridades nacionais, considerando que os perímetros de segurança estabelecidos em redor dos focos são suficientes para mitigar o risco de propagação. A GAAP é particularmente temida pelo setor avícola, uma vez que pode levar à interdição do comércio intracomunitário e das exportações, além de representar um perigo para as aves migratórias, que funcionam como vetores de transmissão a longa distância durante as rotas de migração.
As zonas de proteção (num raio mais restrito ao foco) e as zonas de vigilância (num raio mais alargado) implicam restrições rigorosas à movimentação de aves e produtos derivados, bem como o reforço das medidas de biossegurança nas explorações. A Comissão Europeia continuará a monitorizar a evolução da situação epidemiológica para ajustar as restrições conforme necessário.
Alentejo
Interior e Alentejo com oferta “residual” de cuidados continuados de saúde mental

O Alentejo mantém-se como uma das regiões do país com maiores carências no acesso a cuidados continuados de saúde mental, segundo os dados mais recentes da Entidade Reguladora da Saúde (ERS). O relatório, que analisa o cenário no final de 2024, destaca que as assimetrias territoriais continuam a penalizar severamente o interior, com o Alentejo e o Algarve a apresentarem as respostas mais escassas da Rede de Cuidados Continuados Integrados de Saúde Mental (RCCISM).
A nível nacional, 68 utentes permaneciam em lista de espera no final do último ano, com a maior pressão a incidir sobre as Residências de Apoio Máximo e Moderado. Estas unidades são vitais para doentes mentais graves que, embora estabilizados, não possuem autonomia para viver de forma independente. O regulador alerta para um dado preocupante: apesar da lista de espera nas Residências de Apoio Máximo ter diminuído ligeiramente, o número de lugares efetivamente contratados pelo Estado nesta tipologia também baixou face a 2023, o que indica uma retração na oferta pública.
O documento da ERS sublinha que, enquanto a maioria da população no litoral vive a menos de uma hora de distância de uma residência de apoio, no interior a cobertura é considerada residual. Esta lacuna é ainda mais profunda nas Unidades Sócio-Ocupacionais e nas Residências de Treino de Autonomia, valências essenciais para a reabilitação e reintegração social dos doentes.
Outro alerta deixado pelo regulador prende-se com os cuidados em ambulatório, onde se registou um aumento significativo nos tempos de espera, com especial gravidade nas áreas da infância e adolescência. Perante este diagnóstico, a ERS assegura que manterá a monitorização apertada do setor, reforçando que o acesso digno a cuidados de saúde mental continua a ser um dos maiores constrangimentos do Serviço Nacional de Saúde (SNS) no interior de Portugal.
Saúde
Gripe estabiliza no Baixo Alentejo após pico na primeira semana do ano

O mais recente Boletim de Vigilância Sazonal da Unidade Local de Saúde do Baixo Alentejo (ULSBA) revela que a atividade gripal na região apresentou uma tendência “estável” durante a semana de 5 a 11 de janeiro de 2026. Segundo os dados, o pico da doença terá sido atingido logo na primeira semana do ano, registando-se agora uma manutenção dos níveis de incidência.
Apesar da estabilização da gripe, o documento assinala que o diagnóstico de outras infeções respiratórias sofreu um aumento acentuado nos Cuidados de Saúde Primários (Centros de Saúde). Em sentido inverso, verificou-se uma diminuição no recurso aos serviços de urgência da ULSBA, o que poderá indicar uma gestão mais eficaz das situações clínicas fora do contexto hospitalar.
No que diz respeito à mortalidade na região, o boletim aponta para um “ligeiro aumento” em comparação com a semana anterior. Face ao atual cenário epidemiológico, a ULSBA mantém em vigor as medidas previstas no Nível 2 do seu Plano de Contingência, garantindo a prontidão das estruturas de saúde para responder à pressão assistencial característica desta época de inverno.
Saúde
Recolha de sangue em Nisa reforça reservas e atrai novos dadores

O Centro de Saúde de Nisa acolheu uma ação solidária de recolha de sangue que marcou o arranque das atividades da Associação de Dadores Benévolos de Sangue de Portalegre (ADBSP) em 2026, numa iniciativa desenvolvida em articulação com a Unidade Funcional de Imunohemoterapia da ULS do Alto Alentejo.
A resposta da comunidade traduziu-se na inscrição de 34 pessoas, com predominância feminina. Após os procedimentos clínicos habituais, foi possível concretizar 33 dádivas de sangue total, ficando apenas um dos inscritos impossibilitado de participar.
Para além do contributo imediato para as reservas hospitalares, a brigada destacou-se pela entrada de quatro novos dadores, um sinal encorajador para a continuidade deste tipo de ações no distrito. Também o Registo Português de Dadores de Medula Óssea saiu reforçado, com a adesão de três novos voluntários.
A iniciativa terminou num ambiente de convívio, com um almoço partilhado entre participantes e organização, reforçando o espírito de proximidade e solidariedade que caracteriza estas ações.
No calendário já definido, a ADBSP voltará a promover uma nova recolha de sangue no Centro de Saúde de Castelo de Vide, agendada para a manhã do próximo dia 24 de janeiro.
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