Agricultura
IPBeja Abre Inscrições para a 4.ª Edição da Pós-Graduação em Gestão Sustentável do Setor Olivícola
O Instituto Politécnico de Beja (IPBeja), em parceria com a EDIA, a OLIVUM e a ML Consultoria Agrícola, anuncia a abertura das candidaturas para a 4.ª edição da Pós-Graduação em Gestão Sustentável do Setor Olivícola. As inscrições estarão abertas a partir de 3 de fevereiro.
Esta formação foi concebida para responder às necessidades identificadas pela comunidade olivícola, tendo como objetivo qualificar os profissionais do setor para enfrentar os desafios e aproveitar as oportunidades do mercado. Com um foco na sustentabilidade, a pós-graduação visa promover a atualização de conhecimentos e o desenvolvimento de novas competências, considerando as mudanças nas atividades económicas, no ambiente e nas exigências de uma gestão responsável e sustentável.
Com três edições já concluídas e 42 graduados, a pós-graduação tem sido enriquecida pela participação de diversas entidades e personalidades nacionais e internacionais, que têm contribuído para o crescimento profissional dos formandos. Além disso, as visitas técnicas realizadas durante o curso têm proporcionado uma valiosa troca de experiências e um maior contacto com a realidade do setor olivícola.
Os interessados podem obter mais informações sobre o curso e formalizar a inscrição através do site oficial do IPBeja: Pós-Graduação em Gestão Sustentável do Setor Olivícola.
Agricultura
Alcanena debate futuro e diferenciação do olival tradicional em seminário estratégico

A vila de Alcanena reforça o seu papel central na reflexão sobre o setor oleícola com a realização da segunda edição do seminário dedicado à valorização do olival tradicional. O encontro está agendado para o dia 2 de fevereiro de 2026, no Cine-Teatro S. Pedro, a partir das 14h30, dando continuidade ao percurso iniciado em outubro de 2024. O evento pretende reunir especialistas, decisores e produtores para discutir os desafios de um património que é, simultaneamente, agrícola, cultural e económico.
Se a primeira edição se focou na sensibilização de entidades públicas e privadas para a proteção deste ecossistema, o seminário deste ano propõe um mergulho nas estratégias de mercado. O debate centrar-se-á nos caminhos para a diferenciação das marcas de azeite virgem extra, explorando como a identidade ligada ao património e à cultura pode ser convertida em valor comercial nos mercados mais exigentes. O painel de oradores conta com nomes como Eduardo Amaral, Rui Anastácio, Miguel Carrasco, Helena Ferreira, Edgardo Pacheco, Gonçalo Moreira e Maria Antónia Athayde Amaral, aguardando-se ainda a confirmação da presença de Margarida Balseiro Lopes. A moderação estará a cargo de Carlos Brito e Luís Duarte Melo.
Para além da componente teórica, o programa aposta na valorização sensorial. Os participantes terão a oportunidade de degustar propostas gastronómicas preparadas pela Chef Tânia Pereira e conhecer os azeites da campanha de 2025 produzidos pelos associados da APOAC. Em destaque estarão os produtos já certificados pela Marca Coletiva “Olivedos do Carso”, um exemplo prático da valorização da produção local e da sua origem geográfica.
O evento é uma organização conjunta da Câmara Municipal de Alcanena e da APOAC, contando com o apoio estratégico da Comissão de Cogestão do Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros. Embora a participação seja gratuita, a organização exige inscrição prévia através do formulário digital disponível em:
https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLSc7qnnLEt4eIOMM5kKcOh-PnCxx8DXSDebZkvHk5btldNpgLw/viewform
Opinião
Opinião: Dependência alimentar e o desmantelamento da agricultura europeia

O debate em torno do acordo UE–Mercosul tem-se concentrado nos ganhos imediatos de exportação, nas tarifas que caem e nos mercados que se abrem. Mas a agricultura não funciona à escala do trimestre económico nem do comunicado optimista. Funciona em ciclos longos, em territórios, em gerações. É precisamente nessa escala — a do médio prazo — que começam a desenhar-se as consequências mais sérias para a agricultura e para os agricultores europeus.
Ao reduzir a produção interna e substituir alimentos europeus por importações, a União Europeia caminha para uma maior dependência alimentar externa. Esta dependência não é apenas comercial; é estratégica.
A história recente demonstrou como crises geopolíticas, conflitos armados, pandemias ou choques energéticos podem interromper cadeias globais de abastecimento. Uma Europa menos produtora e mais importadora:
fica exposta à volatilidade dos mercados internacionais;
perde capacidade de resposta em situações de crise;
transfere o controlo da sua alimentação para terceiros.
A segurança alimentar deixa de ser uma garantia estrutural e passa a ser uma variável externa.
O efeito dominó sobre as pequenas explorações
As pequenas e médias explorações agrícolas europeias são as primeiras a sentir o impacto da concorrência internacional em condições desiguais. Não têm escala, margem financeira nem capacidade logística para competir com produtos importados a baixo custo.
A médio prazo, o cenário é previsível:
redução dos preços pagos à produção;
quebra de rendimentos agrícolas;
abandono progressivo da actividade;
concentração da produção em poucas explorações de grande escala.
Este processo não é apenas económico. É social e territorial. Quando uma exploração fecha, fecha também uma forma de vida, um saber acumulado, uma presença humana no território.
Desmantelamento silencioso do mundo rural
O abandono agrícola acelera a desertificação humana de vastas regiões da Europa. Menos agricultores significa:
menos população activa no interior;
menos serviços públicos viáveis;
maior risco de incêndios e degradação ambiental;
perda de paisagem agrícola e biodiversidade gerida.
A agricultura europeia sempre foi mais do que produção alimentar. É ordenamento do território, coesão social e identidade cultural. A sua erosão tem efeitos que nenhum acordo comercial consegue compensar.
Agricultura estratégica ou sector descartável?
Ao aceitar acordos que fragilizam sectores inteiros, a UE envia um sinal político claro: a agricultura deixa de ser tratada como um pilar estratégico e passa a ser vista como um sector ajustável, sacrificável em nome de equilíbrios comerciais mais amplos.
Este posicionamento é particularmente contraditório num contexto em que se exige aos agricultores:
mais sustentabilidade;
mais investimento ambiental;
mais adaptação climática;
mais redução de emissões.
Exigir mais enquanto se protege menos é uma equação insustentável.
A perda de autonomia tem custos duradouros
Quando uma exploração agrícola desaparece, não regressa facilmente. A médio prazo, a Europa arrisca-se a perder capacidade produtiva instalada, conhecimento técnico local e autonomia alimentar. Recuperar essa capacidade, em cenário de crise, seria lento, caro e incerto.
Além disso, a concentração da produção em grandes operadores e em países terceiros reduz a diversidade dos sistemas alimentares, tornando-os mais frágeis a choques externos.
As consequências do actual rumo comercial não se medem apenas em litros exportados ou tarifas eliminadas. Medem-se em explorações que fecham, territórios que se esvaziam e autonomia que se perde.
A médio prazo, a dependência alimentar externa, o desmantelamento das pequenas explorações e a fragilização do mundo rural colocam em causa um dos pilares fundamentais da Europa: a capacidade de produzir o que consome.
A questão central não é se a Europa deve comerciar — deve. A questão é se pode dar-se ao luxo de trocar segurança alimentar, coesão territorial e soberania agrícola por ganhos comerciais de curto prazo.
Se essa for a escolha, o custo não será imediato. Mas será profundo, duradouro e, muito provavelmente, irreversível.
Agricultura
UE–Mercosul: quando a política comercial se vira contra quem produz alimentos

A comunicação divulgada pela Confederação Nacional da Agricultura a 12 de janeiro de 2026 é um documento politicamente duro, mas tecnicamente consistente. Não é um manifesto ideológico nem um exercício retórico: é um alerta fundamentado sobre as consequências reais do acordo de livre comércio entre a União Europeia e o Mercosul para a agricultura portuguesa e europeia.
No essencial, a CNA afirma aquilo que muitos agricultores sentem há anos: a política comercial europeia está a ser construída contra a vontade e contra o interesse da maioria de quem produz alimentos, privilegiando sectores industriais e grandes interesses do agronegócio em detrimento da agricultura familiar e dos territórios rurais.
O Governo português votou favoravelmente o acordo UE–Mercosul, invocando benefícios para sectores específicos da economia. O problema, como sublinha a CNA, é que essa decisão foi tomada à custa de sectores agrícolas estruturantes, nomeadamente a produção de bovinos em regime extensivo, fundamental para a ocupação do território, para a economia de muitas regiões do interior e para a prevenção de incêndios rurais.
Não se trata de um efeito colateral. Trata-se de uma escolha política clara: sacrificar a maioria dos agricultores para beneficiar uma minoria de interesses económicos mais fortes e mais organizados.
Pequenos e médios agricultores: os primeiros a pagar
A CNA recorda que são os pequenos e médios agricultores que:
contribuem para reduzir o défice agroalimentar;
produzem alimentos de qualidade;
preservam raças autóctones;
mantêm vivas as zonas rurais;
asseguram a gestão da paisagem e do território.
É precisamente este modelo agrícola que o acordo UE–Mercosul fragiliza. A entrada acrescida de produtos do agronegócio, produzidos a custos mais baixos e sob regras menos exigentes, exerce uma pressão directa sobre os preços pagos à produção. O resultado previsível é a compressão dos rendimentos agrícolas e o abandono da actividade por parte de quem já opera no limite da viabilidade económica.
Concorrência desleal e fiscalização ilusória
Um dos pontos mais críticos do comunicado da CNA diz respeito à alegada equivalência de normas. A União Europeia tem tentado apaziguar críticas com promessas de cláusulas de salvaguarda e de fiscalização rigorosa dos critérios sanitários, ambientais e sociais aplicáveis aos produtos importados.
A CNA desmonta este argumento com realismo: fiscalizar eficazmente sistemas de produção complexos, à escala industrial e em países terceiros, é uma tarefa praticamente impossível. Muitos métodos de produção não são verificáveis na fronteira. A equivalência normativa é, na prática, uma ilusão.
Aceitar este cenário é institucionalizar uma concorrência desleal que penaliza quem cumpre regras exigentes dentro da UE.
Um processo politicamente opaco
Outro aspecto relevante apontado pela CNA é o método. O acordo foi negociado durante anos com escasso escrutínio público, longe dos agricultores e com fraca discussão nos parlamentos nacionais. Esta forma de conduzir decisões estruturais contribui para o afastamento entre instituições europeias, governos nacionais e mundo rural.
Quando decisões desta magnitude são tomadas sem transparência, o resultado é previsível: desconfiança, contestação e sentimento de abandono.
Agricultura como variável de ajustamento
A posição da CNA insere-se numa crítica mais ampla à orientação da política comercial europeia. O acordo UE–Mercosul é visto como mais um exemplo de uma lógica em que a agricultura é usada como variável de ajustamento nas negociações internacionais.
Enquanto se exige aos agricultores europeus mais sustentabilidade, mais investimento e mais restrições, aceita-se a importação de produtos que não respeitam os mesmos critérios. Esta incoerência corrói a credibilidade das políticas públicas e fragiliza a base produtiva europeia.
A comunicação da Confederação Nacional da Agricultura não é um exercício de dramatização. É uma leitura fria das consequências prováveis de um acordo que, segundo a própria CNA, trará mais perdas do que ganhos para a maioria dos agricultores e para a população em geral.
Ao votar favoravelmente o acordo UE–Mercosul, o Governo português alinhou com uma visão de curto prazo e com interesses que não representam o tecido agrícola nacional. A médio e longo prazo, o custo será pago em rendimentos perdidos, explorações abandonadas, territórios desertificados e maior dependência alimentar externa.
A questão que fica não é ideológica, mas estratégica: pode um país — e uma União — abdicar da sua agricultura em nome de uma política comercial que beneficia poucos e fragiliza muitos? A CNA responde de forma clara. Resta saber se a decisão política ainda pode ser corrigida antes que os danos se tornem irreversíveis.
Opinião
Opinião: Mercosul, quando o comércio se sobrepõe à saúde, à justiça e à soberania alimentar

A iminente ratificação do acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul está a ser apresentada como um triunfo diplomático e económico. Mas vista do terreno — das explorações agrícolas, dos laboratórios de controlo alimentar e das prateleiras dos supermercados — esta decisão levanta questões graves que não podem ser varridas para debaixo do tapete da retórica do “livre comércio”.
Este não é apenas um debate económico. É um debate sobre justiça, saúde pública e segurança alimentar.
Concorrência sem regras iguais não é livre comércio
O agricultor europeu opera sob um dos sistemas regulatórios mais exigentes do mundo. As normas fitossanitárias, ambientais e de bem-estar animal impostas pela UE são rigorosas, caras e, em muitos casos, penalizadoras do rendimento agrícola. Estas regras existem — e bem — para proteger o consumidor e o ambiente.
O problema surge quando a UE aceita importar produtos agroalimentares provenientes de países onde:
são utilizados pesticidas proibidos na Europa;
os antibióticos na pecuária continuam a ser prática corrente;
os controlos de rastreabilidade são mais frágeis;
a fiscalização ambiental é irregular ou inexistente.
Isto não é abertura de mercado. É concorrência desleal institucionalizada.
Saúde pública: o elo mais frágil do acordo
A segurança alimentar europeia assenta no princípio da precaução. No entanto, com o acordo UE–Mercosul, a UE aceita expor o seu mercado a produtos que não cumprem integralmente esse princípio.
Estamos a falar de riscos concretos:
resíduos de fitofármacos acima dos padrões europeus;
carne produzida com substâncias proibidas na UE;
cadeias logísticas longas, difíceis de controlar e auditar;
sistemas de certificação cuja equivalência é, no mínimo, discutível.
O consumidor europeu poderá pagar menos alguns cêntimos por quilo, mas paga com menos garantias sobre o que come. E isso é um preço demasiado alto.
O paradoxo ambiental europeu
A União Europeia exige aos seus agricultores reduções drásticas no uso de químicos, cortes na produção pecuária e investimentos elevados na transição verde. Ao mesmo tempo, abre as portas à importação de produtos associados à desflorestação, à perda de biodiversidade e a uma pegada carbónica incomparavelmente superior.
Este paradoxo mina a credibilidade das políticas climáticas europeias. Não se protege o planeta deslocando a poluição para fora das fronteiras.
Agricultura como moeda de troca
O acordo UE–Mercosul revela uma tendência preocupante: a agricultura europeia transformada em moeda de troca geopolítica. Sacrificam-se produtores, territórios rurais e coesão social para garantir vantagens noutros sectores industriais ou diplomáticos.
As consequências são previsíveis:
abandono de explorações familiares;
desertificação do mundo rural;
maior dependência externa para alimentos essenciais;
fragilização da soberania alimentar europeia.
Uma Europa que não controla a sua alimentação é uma Europa vulnerável.
Quem ganha e quem perde
Ganham as grandes cadeias de distribuição e as multinacionais agroalimentares. Perdem os agricultores, os consumidores informados e a própria ideia de um modelo alimentar seguro, justo e sustentável.
O discurso oficial insiste nos benefícios macroeconómicos. Mas a macroeconomia não alimenta pessoas. Quem o faz são agricultores concretos, em territórios concretos, sob regras concretas.
O acordo UE–Mercosul, tal como está desenhado, não é inevitável — é uma escolha política. E é uma escolha que coloca o comércio acima da saúde pública, da justiça agrícola e da soberania alimentar.
Se a União Europeia quer ser coerente com os seus valores, deve exigir reciprocidade total de regras, cláusulas de salvaguarda reais e mecanismos de controlo robustos. Caso contrário, este acordo ficará na história como mais um passo no desmantelamento silencioso da agricultura europeia — e um risco desnecessário para quem, todos os dias, se senta à mesa.
Porque no fim, não estamos a discutir tarifas. Estamos a discutir o que comemos, como produzimos e quem paga o preço.
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