Mundo
Jornalista hospitalizado após agressão de agentes do ICE em Nova Iorque


Um jornalista foi hospitalizado na terça-feira depois de ter sido empurrado por agentes do Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE), durante a cobertura de uma detenção num edifício federal em Nova Iorque. O incidente ocorreu no tribunal federal Jacob K. Javits, na Federal Plaza, onde funcionam tribunais de imigração e escritórios da agência.
O repórter foi derrubado ao chão e retirado do local numa maca, com cinta cervical, após o choque. O caso soma-se a outros episódios recentes envolvendo alegada violência de agentes do ICE contra imigrantes e cidadãos.
Condenação pública
O inspetor da cidade, Brad Lander, e a governadora do estado de Nova Iorque, Kathy Hochul, condenaram a atuação dos agentes nas redes sociais.
“Outro ataque violento de um oficial do ICE a um civil na 26 Federal Plaza, desta vez a um jornalista. Outro ataque à Primeira Emenda, aos nossos vizinhos e à nossa democracia”, escreveu Lander.
Já Hochul afirmou: “Agentes do ICE mascarados empurraram e feriram jornalistas hoje na Federal Plaza. Um repórter foi retirado de maca. Este abuso de imigrantes cumpridores da lei e de repórteres tem de acabar. O que estamos a fazer aqui?”.
Um vídeo publicado pela fotojornalista Stephanie Keith mostra duas mulheres a entrarem num elevador escoltadas por agentes, quando se gera uma confusão. Os oficiais, disfarçados, empurram fotógrafos que acompanhavam o momento.


Este homem foi levado ao hospital após ficar inconsciente e perder toda a sensibilidade por 40 minutos. O ICE o jogou no chão pelo crime de “exercer direitos da 1ª emenda”. O jornalista estava tirando fotos de agentes do ICE em uma área pública de um prédio do governo.
O cinegrafista da Agência Anadolu, L. Vural Elibol, acabou por cair e sofrer ferimentos que exigiram assistência médica imediata.
Reações políticas
Outros responsáveis democratas também se manifestaram, entre eles Zohran Mamdani, candidato a prefeito de Nova Iorque, que recordou um episódio da semana anterior, quando agentes do ICE foram filmados a derrubar uma imigrante que pedia para não prenderem o marido.
O Departamento de Segurança Interna (DHS) classificou esse caso como “inaceitável”. O agente envolvido chegou a ser despedido, mas foi reintegrado no cargo após uma revisão interna.
O episódio volta a levantar críticas sobre a conduta dos agentes do ICE e a sua relação com direitos constitucionais de imigrantes e da imprensa.
Alentejo Central
Luís Rouxinol Jr.: um nome herdado, um caminho conquistado


Filho de uma das grandes figuras do toureio a cavalo português, Luís André da Silva Vicente cresceu entre cavalos, praças e toiros. Mas a carreira de Luís Rouxinol Jr. não se fez apenas do peso de um apelido: construiu-se com trabalho, exigência, risco e a permanente obrigação de provar, em cada arena, que existe um toureiro para além da herança.
Nascer numa família ligada à tauromaquia pode abrir as portas de uma quinta, de uma cavalariça ou de uma praça de toiros. Não garante, porém, o domínio de um cavalo diante da investida de um toiro, não elimina o medo e muito menos assegura o reconhecimento dos aficionados.
Luís André da Silva Vicente, anunciado nos cartéis como Luís Rouxinol Jr., nasceu a 15 de outubro de 1996. É o filho primogénito do cavaleiro Luís Rouxinol e pertence a uma família na qual a relação com os cavalos e com a Festa atravessa várias gerações. Antes do pai, também o avô paterno, Alfredo Vicente, cavaleiro amador, desempenhou um papel importante nos seus primeiros ensinamentos e no incentivo que recebeu quando decidiu seguir o toureio.
A primeira aproximação ao cavalo aconteceu praticamente antes de poder guardar memória dela: teria apenas um ano quando montou pela primeira vez, ao colo do pai. Ainda assim, o toureio não foi uma vocação imediatamente assumida. Durante a infância, Luís André sonhou ser futebolista — de preferência, jogador do Benfica. Os cavalos, os treinos e as corridas faziam parte do quotidiano familiar, mas eram, nessa altura, sobretudo o mundo profissional do pai.
A mudança começou por volta dos 11 anos. O desejo de acompanhar mais de perto Luís Rouxinol levou-o a aproximar-se do trabalho da quadra e a enfrentar a sua primeira vaca, montando um cavalo chamado Mustang. A partir desse momento, aquilo que até então fora uma presença familiar começou a transformar-se numa escolha pessoal. Já não bastava acompanhar o pai: começava a nascer a vontade de também ser toureiro.
De Luís André a Luís Rouxinol Jr.
A adoção do nome artístico não foi um gesto indiferente. Ao apelido Rouxinol, carregado de reconhecimento nas arenas portuguesas, acrescentou o “Júnior”. Era uma forma de assumir a continuidade familiar, mas também de distinguir dois homens e dois percursos que, embora inevitavelmente ligados, teriam de conquistar um espaço próprio.
Luís Rouxinol Jr. apresentou-se em público aos 14 anos, a 28 de maio de 2011, num festival taurino realizado em Serpa. Dessa tarde guardou um conselho do matador de toiros Vítor Mendes, curto na forma e imenso na responsabilidade: “Não sejas mais um.”
A frase poderia tornar-se no princípio orientador de toda a carreira. Para o filho de uma figura consagrada, ser apenas mais um significaria viver à sombra de um nome. O verdadeiro desafio seria demonstrar que o apelido representava uma origem, não um salvo-conduto.
Em 2012 apresentou-se como cavaleiro amador na Praça de Toiros do Campo Pequeno. Dois anos depois, a 19 de junho de 2014, regressou à arena lisboeta para prestar, com aprovação, a prova de cavaleiro praticante. Começava então uma etapa de maior responsabilidade, durante a qual atuou em praças e cartéis de crescente exigência.
Entre os momentos importantes desse período encontra-se a participação na corrida de gala à antiga portuguesa que encerrou a temporada de 2015 no Campo Pequeno. Em julho de 2016, também em Lisboa, viu-se perante um desafio inesperado: devido a uma lesão do pai, teve de o substituir na lide de um dos toiros da corrida em que ambos estavam anunciados. Foi uma prova de maturidade antes da consagração profissional.
A noite da alternativa
A data maior chegou a 20 de julho de 2017. No Campo Pequeno, a praça onde já dera passos decisivos da sua formação, Luís Rouxinol Jr. recebeu a alternativa de cavaleiro tauromáquico.
O padrinho foi o próprio pai, Luís Rouxinol. Como testemunhas estiveram António Ribeiro Telles e Manuel Ribeiro Telles Bastos. Foram lidados seis toiros da ganadaria Murteira Grave, numa corrida em que pegaram os grupos de forcados amadores de Santarém e de Coruche.
A noite possuía um simbolismo difícil de repetir. Luís Rouxinol celebrava 30 anos de alternativa e entregava ao filho o testemunho que ele próprio recebera em 1987. Três décadas separavam os dois momentos; uma mesma família, a mesma profissão e a mesma exigência uniam-nos.
Para Luís Rouxinol Jr., aquela foi a concretização de um sonho: receber a alternativa das mãos do pai, na praça que considerava a sua praça de eleição, diante do público português e frente a uma ganadaria que admirava. Mas a alternativa não representa o fim da aprendizagem. É precisamente o momento em que termina a proteção da condição de praticante e começa a verdadeira avaliação de um profissional.
Ser filho de figura
Luís Rouxinol foi, simultaneamente, o primeiro mestre, a maior referência e o avaliador mais exigente do filho. Nos treinos, na preparação dos cavalos e na análise das atuações, a relação familiar nunca apagou a disciplina profissional. Luís André encontrou no pai o exemplo de uma carreira construída com regularidade, capacidade de trabalho e presença constante nas principais praças portuguesas.
Contudo, ser filho de uma figura possui uma dupla face. Permite crescer rodeado de conhecimento, cavalos experimentados e conselhos que muitos demorariam anos a obter. Mas impõe comparações desde o primeiro minuto. Cada atuação é observada à luz do percurso paterno; cada triunfo é confrontado com o nome herdado; cada falha parece adquirir uma dimensão maior.
Luís Rouxinol Jr. teve, por isso, de construir a sua carreira sob uma pressão que não atinge todos os principiantes. O público conhecia-lhe o nome antes de conhecer verdadeiramente o seu toureio. Cabia-lhe inverter essa ordem: conseguir que os aficionados passassem a reconhecer o homem e o artista por detrás do apelido.
Afirmação nas arenas
Depois da alternativa, consolidou presença em praças e feiras de Norte a Sul do país, alternando com cavaleiros consagrados e com os principais nomes da sua geração. Em 2018 foi distinguido pela União das Freguesias de Pegões, juntamente com o ciclista Rúben Guerreiro, numa homenagem destinada a reconhecer jovens ligados à terra que se destacavam nas respetivas atividades. Nesse mesmo ano atuou novamente na Califórnia, depois de uma primeira passagem pelos Estados Unidos em 2016.
Na temporada condicionada pela pandemia, em 2020, terminou na liderança do escalafón nacional, segundo o registo biográfico da sua equipa. Em 2021 estreou-se nas Sanjoaninas, na ilha Terceira, onde foi considerado um dos grandes triunfadores da feira. A temporada ficou igualmente marcada pela atuação de 16 de outubro, em Alcochete, numa lide realizada com o cavalo Jamaica que terminou com duas voltas à arena.
Em 2022 somou 25 atuações e voltou a destacar-se na praça do Montijo, que considera uma das arenas determinantes da sua carreira. Na corrida de São Pedro conquistou o troféu José Samuel Lupi para a melhor lide a cavalo. Nesse ano participou também na corrida comemorativa dos 35 anos de alternativa de Luís Rouxinol, na qual pai e filho protagonizaram uma lide conjunta perante milhares de espectadores.
Ao longo deste percurso enfrentou exemplares de ganadarias portuguesas e espanholas de referência, entre as quais Veiga Teixeira, Palha, Murteira Grave, Sommer de Andrade, Pinto Barreiros, Dolores Aguirre, Partido de Resina e Torrestrela. A diversidade de encastes, comportamentos e graus de exigência contribuiu para uma formação que não poderia limitar-se à proteção da quadra familiar.
Madrid: a prova de Las Ventas
A dimensão internacional da carreira ganhou um capítulo decisivo a 28 de agosto de 2025, quando Luís Rouxinol Jr. confirmou a alternativa na Praça de Toiros de Las Ventas, em Madrid, considerada uma das arenas mais exigentes e influentes do mundo taurino.
Nessa corrida de rejoneio, integrou um cartel com Filipe Gonçalves, Roberto Armendáriz, Iván Magro, Ana Rita e Andrés Romero, diante de toiros de Fermín Bohórquez. Luís Rouxinol Jr. lidou o sexto toiro da noite, de nome Selectivo, com 568 quilos. A atuação terminou em silêncio, após dois avisos. A crítica espanhola registou, contudo, a decisão, a atitude e o ofício demonstrados pelo cavaleiro português.
O resultado artístico não apaga o significado da presença. Las Ventas não é apenas uma praça onde se procuram troféus: é um lugar onde se mede a consistência dos toureiros, a capacidade de suportar a pressão e a verdade com que enfrentam uma oportunidade que pode marcar toda uma carreira.
Na véspera da corrida, Luís Rouxinol Jr. participou, juntamente com Iván Magro, num encontro com os aficionados madrilenos realizado na própria arena de Las Ventas. A sessão abordou o maneio do cavalo de toureio, as particularidades das tradições equestres portuguesa e espanhola e as diferenças entre as respetivas indumentárias. Foi também uma oportunidade para apresentar em Madrid uma parte da identidade do toureio equestre português.
Luís Rouxinol Jr. pertence a uma dinastia, mas nenhuma dinastia sobrevive apenas da memória. A continuidade exige que cada geração encontre a sua própria razão para entrar na arena.
Luís André recebeu do pai o nome, os ensinamentos e uma determinada ética de trabalho. Recebeu do avô os primeiros incentivos e a ligação mais antiga aos cavalos. Mas recebeu também uma responsabilidade: provar que não está nos cartéis apenas por ser filho de Luís Rouxinol.
A sua carreira tem sido construída nesse confronto permanente entre herança e identidade. É o filho que continua a ouvir o mestre, mas é também o cavaleiro que entra sozinho na arena. Porque, quando se fecham as portas dos curros e o toiro surge na praça, desaparecem os apelidos, os conselhos e as proteções. Ficam apenas o homem, o cavalo, o toiro e a verdade daquele momento.
No final de 2025, a Casa Rouxinol anunciou o empresário Rui Palma como novo apoderado de Luís Rouxinol e do filho, abrindo uma nova etapa profissional para ambos. Para Luís Rouxinol Jr., o futuro continuará a medir-se pela capacidade de consolidar a sua presença nas principais praças, enfrentar compromissos de maior responsabilidade e afirmar uma personalidade artística própria.
O nome foi-lhe transmitido. O caminho, porém, tem de ser conquistado tarde após tarde.
Luís André da Silva Vicente é filho de Luís Rouxinol. Mas, dentro da arena, é Luís Rouxinol Jr. — cavaleiro de alternativa, homem de Pegões e protagonista de uma história que já não pertence apenas ao pai.
Alentejo Central
Beja acolhe 18.ª edição das “Palavras Andarilhas” em agosto com inscrições gratuitas


O Jardim Público de Beja recebe, entre os dias 28 e 30 de agosto de 2026, a 18.ª edição das Palavras Andarilhas – Festa da Palavra Contada, um evento bienal que celebra os contadores de histórias e a tradição oral.
Organizado pela Câmara Municipal de Beja, através da sua Biblioteca Municipal, o encontro celebra este ano a sua “maioridade” com o mote “o conto tradicional: memória e tradição”. Para assinalar a data, a participação nesta edição será totalmente gratuita para todos os interessados.
O programa, desenhado para toda a família, vai transformar o Jardim Público no coração da “Cidade dos Contos” com noites de contos, sessões ao pôr-do-sol e o recanto dos contos sem fim. O público poderá ainda participar em tertúlias dedicadas à importância da herança oral e em oficinas de capacitação dirigidas a mediadores de leitura, além de poder explorar a Feira dos Livreiros e o Mercadinho Andarilho.
Criado em 1999, o festival assume-se como um ponto de encontro internacional para a preservação da memória cultural ancestral. As informações adicionais sobre a iniciativa podem ser consultadas no site oficial do evento (palavrasandarilhas.pt) ou solicitadas através do e-mail oficial da Biblioteca Municipal ([email protected]).
Alentejo Central
São Teotónio acolhe 34.ª edição da FACECO com quatro dias de certame a partir de quinta-feira


O Município de Odemira promove, entre os dias 16 e 19 de julho de 2026, a 34.ª edição da FACECO – Feira das Atividades Culturais e Económicas do Concelho de Odemira, na vila de São Teotónio, com entradas gratuitas no primeiro dia.
O certame tem como objetivo principal impulsionar o tecido empresarial, as associações e a cultura local. Durante quatro dias, o recinto vai destacar setores estratégicos como a pecuária, a agricultura, o turismo, o artesanato e a gastronomia da região, servindo de montra para a valorização do território e para a captação de novos investidores.
Os sabores da região vão concentrar-se no pavilhão de Produtos Locais, que reunirá dezenas de produtores de aguardente de medronho, vinho, azeite, mel, queijos, enchidos e das tradicionais alconcoras. O artesanato local também terá um espaço alargado com demonstrações ao vivo, enquanto o setor da pecuária manterá o seu estatuto de pilar da feira, acolhendo o 37.º Concurso Nacional da Raça Limousine e o Regional da Cabra Charnequeira, além de mostras de raças bovinas e concursos dedicados ao mel e ao medronho.
A animação cultural contará com cante alentejano, atividades desportivas e espaços infantis. No palco principal, os grandes destaques musicais estão reservados para as atuações de Buba Espinho no dia 17, Miguel Gameiro & Pólo Norte no dia 18, e Toy a encerrar o evento na noite de 19 de julho. O programa completo pode ser consultado no site oficial da Câmara Municipal de Odemira.
Alentejo Central
Oposição chumba proposta de bilheteira solidária para o “Nisa em Festa 2026”


A maioria da oposição na Câmara Municipal de Nisa (CDU e PSD) chumbou a proposta da Presidência que pretendia reverter a totalidade da receita da bilheteira do “Nisa em Festa 2026” a favor dos Bombeiros Voluntários e das IPSS locais.
A proposta do Executivo estimava arrecadar cerca de 90 mil euros para as instituições sociais do concelho. Em contrapartida, a oposição defendeu a fixação de um preço simbólico de um euro por ingresso, o que, segundo as contas da Presidência, reduz a receita prevista para 12 mil euros — uma quebra de 87% (menos 78 mil euros) nos apoios estimados.
A discussão do preçário ficou ainda marcada pela polémica na reunião de 6 de julho, data em que os vereadores da CDU e do PSD abandonaram a sessão, retirando o quórum necessário para a votação. O impasse foi resolvido em reunião extraordinária subsequente, onde a maioria da oposição acabou por fazer valer a sua proposta.
Apesar da rejeição do modelo solidário original, a Presidência garantiu que o evento manterá a qualidade programática e confirmou a continuidade de todos os subsídios correntes previstos no Orçamento Municipal para o tecido associativo e bombeiros do concelho.



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