Portugal
Megaprojeto eólico em Santiago do Cacém ao serviço da IA: Quercus alerta para impactos ambientais subavaliados
Data Center de Sines pode vir a consumir 20% da eletricidade do país
A Quercus manifesta a sua preocupação relativamente a mais um mega-empreendimento de energias renováveis à beira de se tornar realidade, sem que tenha sido feita uma verdadeira avaliação dos impactes ambientais. Destinado a abastecer o Data Center de Sines, o Parque Eólico do Sudoeste, a instalar no município de Santiago do Cacém, está em consulta pública até 18 de agosto. Ao todo será ocupada uma área de 1098,4 hectares, o equivalente a mais de 1000 campos de futebol.
Parque eólico dificilmente trará benefícios aos consumidores
Segundo o promotor, a Hyperion Renewables Sines, Unipessoal Lda., o projeto configura uma Unidade de Produção para Autoconsumo (UPAC) destinada a alimentar diretamente o Data Center de Sines, que quando estiver na sua máxima capacidade operacional poderá vir a consumir no futuro 20% da eletricidade utilizada em Portugal. Está prevista a instalação de 23 aerogeradores, com potência unitária de 6,0 MW, prevendo-se uma produção anual de cerca de 386,4 GWh. O projeto inclui ainda um sistema de armazenamento (BESS), com 61 contentores de baterias de lítio, capacidade total de 200 MWh e potência de 50 MW.
O promotor justifica o projeto invocando a redução de custos energéticos, a diversificação da matriz energética nacional, a segurança de abastecimento e o cumprimento das metas europeias de redução de emissões.
A Quercus reconhece a importância destes compromissos climáticos, embora considere que a energia a produzir dificilmente trará benefícios para a fatura energética das famílias portuguesas ou reforçará a rede elétrica nacional. Apesar de estar prevista a possibilidade de disponibilização de excedentes da UPAC para comunidades de energia ou indústrias locais, tendo em conta o elevado consumo energético dos data centers, acreditamos que o cenário mais provável é que esta central sirva única e exclusivamente para alimentar esta infraestrutura industrial.
Além disso, é incompreensível que um projeto desta envergadura não preveja como contrapartida a redução significativa da fatura da energia para todos os munícipes dos dois concelhos afetados pelo projeto, Santiago do Cacém e Sines, assim como outros apoios às comunidades locais.
Consideramos também que é fundamental saber se está prevista a desmantelação do parque eólico quando os aerogeradores alcançarem o fim da sua vida útil e a reposição dos valores naturais afetados por forma a garantir que no futuro que o passivo ambiental não é imputado ao país nem dos municípios em causa, mas sim a quem beneficiou com a implementação desta mega infraestrutura.
Impactos ambientais menosprezados pelo promotor
O documento em consulta pública reconhece uma extensa lista de impactes negativos ao longo de todo o ciclo de vida do projeto. Estes são sistematicamente classificados como “pouco significativos”, apesar da sua natureza e extensão:
- Destruição de habitats protegidos: a área de estudo integra habitats naturais classificados, incluindo montados de sobro e azinho, charnecas secas europeias, medronhais e salgueirais junto a linhas de água;
- Afetação de sobreiros e azinheiras, espécies protegidas por lei, cujo abate é condicionado por decreto-lei;
- Perda de fauna, com destaque para avifauna e quirópteros (morcegos), por efeito de exclusão, perturbação e mortalidade, incluindo atropelamento e esmagamento durante a obra;
- Interferência direta em linhas de água, com risco de assoreamento, aumento da turbidez e contaminação por derrames de óleos e combustíveis;
- Afetação de áreas de RAN e REN, ainda que “pequenas e localizadas”;
- Perda de solo e compactação, resultante da desmatação, decapagem e circulação de máquinas pesadas;
- Poluição sonora com impacto direto na qualidade de vida das comunidades locais.
Gralha ou copy-paste? Um lapso que expõe o problema de fundo
Existe uma gralha muito reveladora no documento em consulta pública: na página 96, refere-se que a produção de energia se fará “a partir de uma fonte não poluente e renovável (o sol)“. Este erro não aparenta ser um simples lapso, mas sim uma prova de que este documento pode ter resultado de um copy-paste apressado a partir de outro processo, provavelmente relativo a um projeto de produção solar fotovoltaica.
Este não é um pormenor de somenos. É sintoma de uma “indústria” de estudos de impacte ambiental produzidos em série, com pouco rigor e escrutínio, para viabilizar, o mais rapidamente possível, projetos de grande escala.
A Quercus não se opõe às energias renováveis, pelo contrário. Reconhece o seu papel indispensável na transição energética e na resposta à crise climática. O que está aqui em causa não é o princípio, é o modelo. Projetos desta escala não deveriam avançar sem uma avaliação séria entre os impactes impostos ao território e os benefícios efetivamente devolvidos ao país.
Para que Portugal continue a apostar nas renováveis com legitimidade e apoio social, é necessário rever o enquadramento atual: as empresas que promovem este tipo de infraestruturas, sobretudo quando destinadas a indústrias intensivas em consumo de energia, devem assumir obrigações concretas e vinculativas.
08 de agosto de 2026
Portugal
Alentejo 2030 reforça investimento regional com 208,9 milhões de euros em novos 35 apoios
Portugal 2030 disponibiliza atualização ao Plano Anual de Avisos, aprovado pela deliberação CIC n.º 23/2026/PL, para o período de setembro de 2026 a agosto de 2027, um instrumento fundamental para garantir maior previsibilidade aos potenciais beneficiários dos fundos europeus e apoiar o planeamento atempado dos investimentos.
Neste contexto, o Programa Regional Alentejo 2030 assume uma posição de destaque, prevendo a abertura de um conjunto alargado de oportunidades de financiamento que mobilizarão cerca de 147 milhões de euros entre setembro e dezembro de 2026, colocando a região entre os programas com maior volume de investimento previsto para este período. Importa ainda salientar que, entre setembro de 2026 e agosto de 2027, está prevista a abertura de 35 avisos, correspondentes a um montante global de 208,9 milhões de euros.
O calendário aprovado contempla avisos dirigidos a áreas estratégicas para o desenvolvimento do Alentejo, nomeadamente a habitação a custos acessíveis, alojamento para estudantes, descarbonização, operações de internacionalização, eficiência energética, inovação produtiva e digitalização da Administração Pública. Estes investimentos concretizam as prioridades do Programa Regional e contribuem para reforçar a coesão social, económica e territorial da região.
Avisos Programados no âmbito do Alentejo 2030
- Infraestruturas Científicas
- SIID – Núcleos de I&DT (SI)
- Infraestruturas do pré-escolar (ITI)
- Economia circular (SI)
- Contratos de Impacto Social
- Planos Intermunicipais de Promoção do Sucesso Escolar – CIMAL
- Cursos Técnicos Superiores Profissionais (TeSP) – Ciclo Formativo 2026/2028 – Instituições Públicas
- Contratação de Recursos Humanos Altamente Qualificados por PME – Territórios de Baixa Densidade
- Contratação de Recursos Humanos Altamente Qualificados por PME – Outros Territórios
- Investimento Empresarial Produtivo (SI) – Defesa
- Formação da Administração Pública Regional e Local – CIMBAL
- Infraestruturas de cuidados de saúde primários (IT)
- Infraestruturas do Ensino Básico e/ou Secundário (IT)
- Meios materiais para a proteção civil (ITI)
- CUA: Reutilização, resiliência, modernização e descarbonização
- Habitação a custos acessíveis na Região Alentejo – Prioridade 5H
- Habitação a custos acessíveis na Região Alentejo – Prioridade 4H
- Habitação social na Região Alentejo – Prioridade 4H
- Casas de Função na Região Alentejo – Prioridade 4H
- Alojamento para estudantes do ensino superior na Região Alentejo – Prioridade 4H
- Habitação a custos acessíveis na Região do Alentejo Litoral- Prioridade 6H (FTJ)
- SIID – I&D Empresarial – Operações Individuais e em Copromoção
- SIID – Empreendedorismo Qualificado e Associado ao Conhecimento – Criação de novas empresas e novos negócios (SI)
- Participação individual na formação (FTJ)
- Cursos Técnicos Superiores Profissionais (TeSP) – Ciclo Formativo 2026/2028 – Instituições Privadas
- Cursos Técnicos Superiores Profissionais (TeSP) – Ciclo Formativo 2026/2028 – Instituições Públicas
- Investimento em competências para a descarbonização
- Promoção do autoconsumo e comunidades de energia renovável
- Mobilidade a Pedido ITI
- Eficiência Energética na Administração Pública Local – ITI CIM
- Assistência Técnica 2027/2028 para capacitar a Autoridade de Gestão para o eficaz desempenho das suas competências
- Planos Intermunicipais de Promoção do Sucesso Escolar – CIMLT
- Apoio ao Empreendedorismo (FTJ)
- Ciclo urbano da água em baixa (ITI)
- Gestão de resíduos urbanos — subinvestimentos em baixa (ITI)
- Assistência Técnica FTJ – Alentejo
Em termos globais, o plano anual de avisos do Portugal 2030 integra um total de 172 avisos a lançar ao longo dos próximos 12 meses, envolvendo cerca de dois mil milhões de euros de fundos europeus, sendo que no final deste período, a dotação a concurso corresponderá a 97% (20,2 mil milhões de euros) da dotação do fundo.
O Plano constitui um importante instrumento de gestão do Portugal 2030, permitindo aos potenciais beneficiários conhecer antecipadamente as oportunidades de financiamento e preparar as suas candidaturas com maior eficácia. Este calendário visa proporcionar a previsibilidade necessária para que entidades públicas, empresas, instituições de ensino, organizações da economia social e demais beneficiários possam planear os seus investimentos e concretizar projetos estratégicos para o desenvolvimento do território.
A informação detalhada sobre cada aviso, incluindo condições específicas de acesso e regras de financiamento, encontra-se disponível em cada um dos avisos de concurso.
Mais informações no Plano Anual de Avisos.
Portugal
As regiões têm de estar no centro das decisões. Na conferência “Coesão Territor…
As regiões têm de estar no centro das decisões.
Na conferência “Coesão Territorial em Portugal e com a Europa”, o Presidente da CCDR NORTE, Álvaro Santos, defendeu o reforço do papel das regiões na definição das políticas públicas e no desenvolvimento dos territórios.
Perante responsáveis institucionais, especialistas e decisores, destacou o papel da CCDR NORTE na promoção do desenvolvimento regional, na gestão dos assuntos comunitários e na concretização de estratégias que reforçam a coesão económica, social e territorial da Região Norte.
Saiba mais no nosso site.



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Portugal
O início de um novo ano letivo representa uma oportunidade para reafirmar a prio…
O início de um novo ano letivo representa uma oportunidade para reafirmar a prioridade central da nossa Região: “a educação é um dos pilares fundamentais para o desenvolvimento do Norte”.
Com os melhores indicadores de sucesso escolar do país, a Região tem razões para avançar com confiança. Contudo, estes resultados não podem servir de acomodação. Sendo uma das mais poderosas políticas de desenvolvimento regional e de coesão territorial, a educação aumenta oportunidades, reduz desigualdades e responde aos desafios demográficos e à fixação de talento.
O grande desafio passa por “aproximar cada vez mais a educação da ciência, da inovação e da economia, antecipar novas competências e criar percursos capazes de responder às necessidades dos nossos territórios e das nossas empresas”.
Na CCDR NORTE, a ambição permanece clara: “uma Região onde o lugar onde se nasce ou se vive nunca determine a qualidade da educação a que se tem acesso”.
Este é o tema do artigo de opinião de Álvaro Santos, Presidente da CCDR NORTE, no Jornal de Notícias.
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Portugal
Alentejo 2030 abre concurso para apoiar produtos turísticos sub-regionais e locais com mais de 418 mil euros
Está publicado o aviso de concurso “Produtos Turísticos Sub-regionais e Locais (IT)”, no âmbito do Programa Regional Alentejo 2030, destinado a apoiar a estruturação e valorização de produtos turísticos de âmbito sub-regional e local.
Com uma dotação indicativa de 418.879 euros, financiada pelo Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional (FEDER), e uma taxa máxima de cofinanciamento de 85%, este concurso visa promover a criação e consolidação de destinos turísticos sustentáveis, inovadores e competitivos, contribuindo para o combate à sazonalidade e para a diversificação da oferta turística da região.
O aviso enquadra operações que promovam a estruturação de produtos turísticos alinhados com as Estratégias de Desenvolvimento Territorial Integrado (EDTI) e respetivos Planos de Ação das diferentes NUTS III do Alentejo, fomentando novos modelos de negócio e respostas ajustadas às tendências atuais do mercado turístico.
Podem apresentar candidatura os Municípios e Associações de Municípios pertencentes às Comunidades Intermunicipais abrangidas pelas NUTS III da região Alentejo.
O período de candidaturas decorrerá em regime de fases sucessivas até ao esgotamento da dotação financeira disponível.
A primeira fase termina a 30 de outubro de 2026, às 18h00, estando previstas novas fases mensais até 30 de setembro de 2027, permitindo às entidades beneficiárias preparar e submeter projetos ao longo de todo o período de vigência do aviso.
Este instrumento de financiamento representa uma oportunidade para reforçar a atratividade turística dos territórios do Alentejo, através da valorização dos seus recursos naturais, culturais, patrimoniais e identitários, promovendo experiências diferenciadoras e sustentáveis para residentes e visitantes.
Consulte o aviso convite AQUI.
Submissão de Candidaturas: Balcão dos Fundos
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