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NFL: Arthur Jones, campeão do Super Bowl com os Ravens, morre aos 39 anos

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O antigo jogador da NFL Arthur Jones, campeão do Super Bowl XLVII ao serviço dos Baltimore Ravens, morreu de forma repentina aos 39 anos, anunciou a equipa esta sexta-feira.

“Estamos profundamente tristes por saber do falecimento repentino de Arthur Jones. O seu sorriso largo e brilhante, a sua energia contagiante e a sua positividade eterna criaram uma presença que elevava continuamente os outros”, declarou o diretor-geral dos Ravens, Eric DeCosta.

Jones foi escolhido pelos Ravens no draft de 2010 e jogou durante quatro temporadas na franquia, onde conquistou o título em 2012. Posteriormente, representou os Indianapolis Colts e os Washington Redskins, terminando a carreira em 2017.

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Alentejo Central

ONDE O MAR ENSINA O NOME DOS HOMENS

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A bordo da Sagres, entre Lisboa e o Funchal, mais de uma centena de jovens candidatos à Escola Naval faz uma viagem que dura apenas alguns dias. Mas há travessias que não se medem em milhas. Aos 89 anos, depois de guerras, três bandeiras, três voltas ao mundo e quase 700 mil milhas navegadas, o navio-escola português continua a ensinar a mesma coisa que o mar sempre ensinou aos portugueses: antes de se aprender a mandar, é preciso aprender a servir.

A bordo do NRP Sagres, Atlântico

Há uma certa altura, depois de Lisboa desaparecer no horizonte, em que a terra deixa de ser uma certeza.

Primeiro desaparecem as casas. Depois as torres. Depois a costa transforma-se numa linha indecisa, quase imaginária, entre dois tons de azul. E finalmente não resta nada.

Só o mar.

É talvez aí que começa verdadeiramente uma viagem na Sagres.

Não quando se larga uma amarra, não quando o navio abandona o Tejo, não quando o último pedaço de Portugal continental se perde pela popa. Começa quando um homem olha à sua volta e compreende que, durante algum tempo, a sua medida será outra: o vento, a água, o convés que se move debaixo dos pés, o companheiro que está ao lado e aquele horizonte circular que parece não conduzir a lugar nenhum e, no entanto, contém todos os destinos.

Nesta viagem entre Lisboa e o Funchal seguem, para além da guarnição, mais de uma centena de candidatos à Escola Naval.

São jovens.

Nalguns rostos permanece ainda qualquer coisa da adolescência. Noutros já se adivinha a determinação de quem escolheu uma profissão que não é exactamente uma profissão, porque há vidas que começam por ser uma escolha e acabam por se transformar numa forma de pertencer.

Vieram conhecer o mar.

Talvez ainda não saibam que o mar, entretanto, começou também a conhecê-los.

A Sagres faz isso às pessoas.

Não pergunta quem eram em terra.

Espera.

Observa.

E deixa o oceano fazer o resto.

De longe, a Sagres é uma das mais belas imagens que Portugal consegue oferecer ao mundo.

O casco branco. Os mastros. O pano claro. As grandes cruzes vermelhas de Cristo abertas sobre as velas. A bandeira portuguesa erguida à popa. À proa, avançando sobre o Atlântico, a figura dourada do Infante D. Henrique.

É fácil apaixonarmo-nos pela imagem.

Mais difícil é compreender o que está dentro dela.

Porque um navio não é o aço de que é feito.

Nem as velas.

Nem os mastros.

Nem sequer o nome pintado no casco.

Um navio é todos os homens e mulheres que nele tiveram medo e não recuaram. Todos os que fizeram quartos de madrugada. Todos os que subiram mastros com vento. Todos os que sentiram saudades de casa. Todos os que aprenderam que uma ordem deve ser cumprida, mas também que nenhum homem chega sozinho ao fim de uma manobra.

A Marinha define a missão da Sagres em três grandes dimensões: instrução, apoio à diplomacia e ligação à diáspora. É navio-escola, representação do Estado e embaixada itinerante de Portugal. Mas é na primeira dessas missões que talvez se encontre a razão mais profunda da sua existência: ensinar futuros oficiais a transformar conhecimento em carácter. Aqui treinam-se navegação e marinharia, mas também rigor, determinação, resiliência, liderança, humildade, espírito de sacrifício e sentido de equipa.

É uma escola sem paredes.

E talvez por isso seja uma escola mais difícil.

Em terra, um erro pode acabar numa folha rasurada.

No mar, há erros que têm consequências.

Em terra, é possível abandonar uma sala.

No oceano, não há porta por onde sair.

Talvez seja esse um dos segredos da Sagres: o mar elimina a possibilidade da indiferença.

Todos dependem de todos.

Este navio português nasceu alemão.

Poucas biografias humanas conseguiriam condensar tantas transformações.

Foi construído em Hamburgo em 1937, nos estaleiros Blohm & Voss, e recebeu o nome Albert Leo Schlageter. Pertencia a uma família de grandes veleiros de instrução concebidos para a Marinha alemã. Sobreviveu à guerra, mudou de país, mudou de bandeira, atravessou o Atlântico a reboque, tornou-se brasileiro e, finalmente, português.

Mas antes disso quase morreu.

No dia 4 de Novembro de 1944, em plena Segunda Guerra Mundial, navegava no Báltico quando embateu numa mina durante um forte temporal. Morreram 18 homens da sua guarnição. O navio sobreviveu graças à compartimentação estanque e ao auxílio do seu navio-irmão Horst Wessel. Pouco antes do fim da guerra seria transferido para Flensburg — uma decisão que provavelmente o salvou da destruição sofrida por Kiel nos bombardeamentos finais.

É uma história que merece ser lembrada quando hoje se caminha tranquilamente sobre este convés.

Porque há navios que transportam carga.

Este transporta mortos.

Transporta memória.

Transporta séculos que não são visíveis quando o sol bate no branco do casco.

Em 1948 foi cedido à Marinha brasileira e tornou-se Guanabara. Navegou ao longo da costa do Brasil até ser adquirido por Portugal em 1961 por 150 mil dólares. A missão era clara: garantir que a Marinha Portuguesa continuava a formar os seus futuros oficiais num grande veleiro.

A 8 de Fevereiro de 1962 foi formalmente entregue à Marinha Portuguesa.

Passou a chamar-se Sagres.

E alguma coisa extraordinária aconteceu.

Um navio construído noutra pátria começou lentamente a pertencer à nossa.

Não porque o comprámos.

Porque gerações sucessivas de portugueses começaram a deixar nele parte das suas vidas.

A primeira viagem com a bandeira portuguesa iniciou-se no Rio de Janeiro em 25 de Abril de 1962. Passou pelo Recife, Mindelo e Funchal antes de chegar a Lisboa a 23 de Junho.

Curiosamente, o Funchal estava já nessa primeira viagem.

E está nesta.

Há círculos que o mar parece gostar de fechar.

Quase treze anos de mar

Os números, quando são suficientemente grandes, deixam de ser números.

Transformam-se em metáforas.

Até Fevereiro deste ano, a Sagres contabilizava 233 missões.

Tinha passado 112.638 horas a navegar.

São 4.693 dias.

Quase 12,9 anos seguidos no mar, se fosse possível juntar cada hora de navegação numa única viagem interminável.

Percorreu aproximadamente 691.678 milhas náuticas — o equivalente a cerca de 32 voltas ao mundo.

Esteve em 62 países, entrou em 170 portos estrangeiros e passou 38 vezes a linha do Equador. Foi tão a norte como Leninegrado, hoje São Petersburgo, e tão a sul como Ushuaia, na Argentina.

Fez três circum-navegações: 1978-79, 1983-84 e 2010. Levou Portugal às comemorações dos 450 anos da chegada portuguesa ao Japão, à Regata Colombo e às celebrações dos 500 anos da chegada ao Brasil.

Mas há um número particularmente bonito nesta viagem.

O Funchal é o porto português que a Sagres mais praticou: até aos dados oficiais deste ano, 46 atracações e quatro fundeadouros.

Por isso esta chegada não será propriamente um encontro.

Será um reencontro.

A Madeira já conhece a silhueta deste navio.

E o navio conhece o caminho.

Os jovens

Há, porém, outro número que não aparecerá gravado numa placa.

Mais de cem jovens seguem agora a bordo como candidatos à Escola Naval.

E talvez sejam eles a razão pela qual toda esta história interessa.

Porque os navios envelhecem.

As gerações passam.

Os comandantes mudam.

As fotografias amarelecem.

Mas uma instituição permanece apenas se conseguir convencer alguém mais novo de que vale a pena continuar.

É isso que está a acontecer aqui.

Alguns destes jovens poderão regressar um dia a este mesmo convés com outro uniforme, outras responsabilidades e outra maneira de olhar o horizonte.

Talvez um deles venha a comandar um navio.

Talvez outro descubra durante estes dias que a vida militar não é a sua vida.

Ambas seriam respostas legítimas.

O mar serve também para isso.

Para retirar às coisas a fantasia e deixar apenas a verdade.

Porque de fora a Sagres é romântica.

De dentro é exigente.

Há ordens, horários, hierarquias, espaços apertados, disciplina, responsabilidade.

É precisamente essa tensão que torna estes grandes veleiros extraordinárias escolas de liderança.

Um oficial pode aprender estratégia numa sala.

Pode estudar física, matemática, navegação, direito, sistemas de armas e oceanografia.

Mas existe uma matéria que nenhum quadro consegue ensinar: a responsabilidade por outros seres humanos.

Essa aprende-se estando com eles.

Cansado.

Molhado.

Com sono.

Sob pressão.

Sem poder escolher apenas aqueles de quem se gosta.

É então que liderança deixa de significar autoridade.

Passa a significar responsabilidade.

A própria Marinha descreve a Sagres como lugar de formação não apenas técnica, mas humana. A finalidade original da sua aquisição por Portugal foi precisamente assegurar a formação marinheira dos futuros oficiais, complementando a componente académica da Escola Naval.

E isto explica talvez por que razão, em pleno século XXI, Portugal continua a ensinar homens e mulheres num veleiro concebido nos anos 30 do século passado.

Não é nostalgia.

É pedagogia.

Um computador consegue calcular a posição de um navio infinitamente melhor do que um homem com um sextante.

Mas não consegue ensinar humildade.

Para isso ainda não inventámos máquina melhor do que o mar.

O homem dourado da proa

Na extremidade do navio há um homem que nunca envelhece.

O Infante D. Henrique.

A sua figura de proa olha permanentemente para diante.

É uma escolha carregada de simbolismo. O documento histórico da Sagres recorda a associação do Infante ao impulso atlântico português e ao desenvolvimento das navegações portuguesas; a sua divisa, Talant de bien faire — vontade de bem fazer — permanece no brasão da Escola Naval.

Talvez não exista melhor lugar para essa figura do que a proa.

Não porque Portugal deva viver voltado para o século XV.

Exactamente pelo contrário.

Porque uma proa nunca aponta para trás.

Atrás fica a esteira.

À frente fica aquilo que ainda não aconteceu.

Sobre as velas, as cruzes vermelhas de Cristo repetem um dos símbolos mais imediatamente reconhecíveis da iconografia marítima portuguesa. O próprio brasão da Sagres reúne a Cruz de Cristo, a carrasqueira associada ao Infante e o astrolábio; sobre fundo azul, este último representa a ciência e a arte de navegar, enquanto o oceano é apresentado não como aquilo que separa, mas como aquilo que une.

É uma ideia poderosa.

O mar que durante séculos foi fronteira tornou-se caminho.

E talvez a Sagres seja justamente isso: uma maneira portuguesa de transformar distância em encontro.

Uma irmã entre irmãs

Até a família deste navio parece retirada de um romance.

Os grandes veleiros construídos a partir dos mesmos planos ficaram conhecidos internacionalmente como as Five Sisters.

Gorch Fock. Eagle, antigo Horst Wessel. Sagres, antigo Albert Leo Schlageter. Mircea. E Gorch Fock II, descendente daquela linhagem.

Em 1976, durante as comemorações do bicentenário norte-americano, as cinco reuniram-se. Foi criado para elas um troféu de prata concebido pela Tiffany, o Five Sisters Trophy. O Gorch Fock II venceu-o.

As cinco nunca mais voltariam a reunir-se.

Cinquenta anos depois, neste 2026, quatro dessas irmãs voltaram a cruzar-se no quadro das celebrações dos 250 anos da independência dos Estados Unidos: Eagle, Sagres, Mircea e Gorch Fock II. O mítico troféu regressou à competição entre Nova Iorque e Boston.

É difícil encontrar melhor imagem para explicar estes navios.

Nasceram numa Europa que caminhava para a guerra.

Hoje encontram-se para celebrar amizade.

Talvez os navios também consigam redimir a História.

No interior da Sagres há outra memória portuguesa.

Pipas de vinho já fizeram estas viagens.

Desde pelo menos 1992, a Marinha recuperou a velha tradição do torna viagem: vinhos generosos embarcados para longas travessias, sujeitos ao movimento, à temperatura, à humidade e ao ambiente marítimo, regressando transformados. A prática nasceu séculos antes, quando se percebeu que certos vinhos melhoravam precisamente por terem ido ao mar e voltado. Na Madeira eram conhecidos como vinhos da roda.

E há alguma coisa de profundamente português nesta descoberta.

Mandámos vinho viajar.

E descobrimos que regressava diferente.

Talvez seja impossível imaginar uma metáfora mais perfeita para os homens.

Também eles embarcam de uma maneira e regressam de outra.

O oceano faz-lhes qualquer coisa.

Retira excessos.

Adiciona silêncio.

Ensina distâncias.

Põe o mundo em proporção.

O comandante que já deu a volta ao mundo

No comando da Sagres está hoje José Eduardo de Sousa Luís.

Há aqui uma dessas simetrias que o mar gosta de construir.

Antes de comandar o navio, navegou nele.

Foi oficial navegador durante a circum-navegação de 2010. Mais tarde tornou-se imediato. Regressou depois como comandante, função que assumiu em Setembro de 2024.

Há uma enorme diferença entre conhecer um navio e pertencer-lhe.

Talvez só quem fez milhares de milhas num casco consiga compreender realmente os seus ruídos.

Os navios falam.

Falam pela madeira, pelas chapas, pelas adriças, pelos cabos, pelas vibrações, por pequenas alterações que o homem de terra não escuta.

A Sagres tem 89,5 metros fora a fora. Os mastros redondos chegam aos 46,2 metros. Pode apresentar 1.971 metros quadrados de vela e atingir cerca de 17 nós à vela. A lotação militar indicada é de 124 elementos.

São números necessários.

Mas quem olha para ela a navegar percebe que são insuficientes.

Porque não existe unidade de medida para aquilo que acontece quando o vento enche simultaneamente os panos, o casco ganha velocidade e aquelas cruzes vermelhas começam a atravessar o horizonte.

Nesse momento a Sagres deixa de parecer um navio.

Parece uma época inteira em movimento.

A noite

Depois vem a noite.

O Atlântico perde a cor.

A linha que separava céu e água desaparece.

As referências da terra deixam de existir e compreende-se por que razão, durante milénios, os marinheiros levantaram os olhos.

Talvez esteja aqui uma das experiências essenciais destes jovens.

Nasceram numa época em que quase tudo tem coordenadas.

O telefone sabe onde estamos.

O automóvel sabe o caminho.

O satélite encontra-nos.

O mundo moderno construiu uma gigantesca rede destinada a evitar que alguém se perca.

O mar ensina uma coisa diferente.

Ensina que saber a posição não significa necessariamente saber o destino.

Há uma fotografia no manual da missão em que um cadete utiliza um sextante para determinar a altura do Sol. Não é um gesto folclórico. É uma ponte entre dois tempos: o homem que continua a perguntar ao céu onde está e a tecnologia que já conhece a resposta.

Entre ambos encontra-se a formação marinheira.

Conhecer os instrumentos modernos.

Mas compreender aquilo que existia antes deles.

Porque a tradição só tem valor quando não impede o futuro.

Funchal

Dentro de pouco tempo aparecerá novamente terra.

Primeiro talvez uma sombra.

Depois a montanha.

Depois a Madeira erguer-se-á sobre o Atlântico.

Para muitos dos jovens a bordo será apenas o fim de uma curta navegação.

Mas não será exactamente o mesmo jovem que desembarcará.

Nenhuma viagem importante termina no cais.

Continua muito depois.

Às vezes durante toda uma vida.

É possível que daqui a quarenta anos algum destes candidatos encontre uma fotografia desta travessia e reconheça rostos que entretanto perdeu de vista.

Talvez se lembre de um nome.

De uma ordem.

Do primeiro enjoo.

Do primeiro quarto.

De uma conversa de madrugada.

Da sensação estranha de olhar para terra depois de alguns dias rodeado de água.

E então compreenderá uma coisa que hoje talvez ainda não possa compreender:

que durante alguns dias da sua juventude navegou num dos grandes navios da História de Portugal.

Não numa réplica.

Não num museu.

Num navio vivo.

Na mesma Sagres que passou o Cabo Horn.

Na mesma que deu três voltas ao mundo.

Na mesma que esteve no Japão, nas Américas, em África, nos Açores, em Cabo Verde.

Na mesma cujo casco começou por conhecer outra bandeira, atravessou uma guerra, sobreviveu a uma mina e encontrou finalmente em Portugal um nome capaz de ser maior do que a sua própria história.

E talvez seja por isso que a Sagres importa.

Não porque recorda o que fomos.

Mas porque continua a perguntar o que queremos ser.

Aos jovens que seguem agora para o Funchal, o navio não promete glória.

Ensina serviço.

Não oferece facilidades.

Ensina disciplina.

Não lhes diz que comandar significa estar acima dos outros.

Ensina-lhes, se souberem escutar, precisamente o contrário: que aquele que um dia tiver homens e mulheres sob a sua responsabilidade será também responsável por os trazer a casa.

Essa é talvez a mais antiga lei do mar.

E uma das mais bonitas.


Quando a Sagres entrar no Funchal, alguém prenderá as amarras.

Os motores cessarão.

Haverá ordens, movimentos, desembarques, reencontros.

A viagem ficará tecnicamente concluída.

Mas um navio como este nunca chega inteiramente a porto.

Fica qualquer coisa dele no mar.

E o mar fica em quem passou por ele.

Foi assim com milhares de marinheiros antes destes jovens.

Será assim com outros depois deles.

Um dia já nenhum de nós estará aqui.

Não estarão os homens que hoje ocupam a ponte.

Nem aqueles que correm o convés.

Nem os jovens que nesta viagem começam a imaginar uma vida na Marinha.

Até os seus nomes acabarão, inevitavelmente, por abandonar a memória dos homens.

Mas numa manhã futura, algures no Atlântico, haverá talvez outro grupo de jovens sobre este mesmo convés.

O vento encherá outra vez as velas.

A Cruz de Cristo voltará a avançar sobre o oceano.

O Infante continuará imóvel na proa, olhando aquilo que ainda não existe.

E alguém, pela primeira vez na vida, verá desaparecer Portugal atrás do horizonte.

Nesse instante compreenderá aquilo que milhares compreenderam antes dele:

que a Sagres não transporta apenas homens pelo mar.

Transporta o mar de geração em geração.

E enquanto houver alguém a bordo disposto a aprender com ele, Portugal continuará a ter horizonte.



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Alentejo Central

Luís Rouxinol Jr.: um nome herdado, um caminho conquistado

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Filho de uma das grandes figuras do toureio a cavalo português, Luís André da Silva Vicente cresceu entre cavalos, praças e toiros. Mas a carreira de Luís Rouxinol Jr. não se fez apenas do peso de um apelido: construiu-se com trabalho, exigência, risco e a permanente obrigação de provar, em cada arena, que existe um toureiro para além da herança.

Nascer numa família ligada à tauromaquia pode abrir as portas de uma quinta, de uma cavalariça ou de uma praça de toiros. Não garante, porém, o domínio de um cavalo diante da investida de um toiro, não elimina o medo e muito menos assegura o reconhecimento dos aficionados.

Luís André da Silva Vicente, anunciado nos cartéis como Luís Rouxinol Jr., nasceu a 15 de outubro de 1996. É o filho primogénito do cavaleiro Luís Rouxinol e pertence a uma família na qual a relação com os cavalos e com a Festa atravessa várias gerações. Antes do pai, também o avô paterno, Alfredo Vicente, cavaleiro amador, desempenhou um papel importante nos seus primeiros ensinamentos e no incentivo que recebeu quando decidiu seguir o toureio.

A primeira aproximação ao cavalo aconteceu praticamente antes de poder guardar memória dela: teria apenas um ano quando montou pela primeira vez, ao colo do pai. Ainda assim, o toureio não foi uma vocação imediatamente assumida. Durante a infância, Luís André sonhou ser futebolista — de preferência, jogador do Benfica. Os cavalos, os treinos e as corridas faziam parte do quotidiano familiar, mas eram, nessa altura, sobretudo o mundo profissional do pai.

A mudança começou por volta dos 11 anos. O desejo de acompanhar mais de perto Luís Rouxinol levou-o a aproximar-se do trabalho da quadra e a enfrentar a sua primeira vaca, montando um cavalo chamado Mustang. A partir desse momento, aquilo que até então fora uma presença familiar começou a transformar-se numa escolha pessoal. Já não bastava acompanhar o pai: começava a nascer a vontade de também ser toureiro.

De Luís André a Luís Rouxinol Jr.

A adoção do nome artístico não foi um gesto indiferente. Ao apelido Rouxinol, carregado de reconhecimento nas arenas portuguesas, acrescentou o “Júnior”. Era uma forma de assumir a continuidade familiar, mas também de distinguir dois homens e dois percursos que, embora inevitavelmente ligados, teriam de conquistar um espaço próprio.

Luís Rouxinol Jr. apresentou-se em público aos 14 anos, a 28 de maio de 2011, num festival taurino realizado em Serpa. Dessa tarde guardou um conselho do matador de toiros Vítor Mendes, curto na forma e imenso na responsabilidade: “Não sejas mais um.”

A frase poderia tornar-se no princípio orientador de toda a carreira. Para o filho de uma figura consagrada, ser apenas mais um significaria viver à sombra de um nome. O verdadeiro desafio seria demonstrar que o apelido representava uma origem, não um salvo-conduto.

Em 2012 apresentou-se como cavaleiro amador na Praça de Toiros do Campo Pequeno. Dois anos depois, a 19 de junho de 2014, regressou à arena lisboeta para prestar, com aprovação, a prova de cavaleiro praticante. Começava então uma etapa de maior responsabilidade, durante a qual atuou em praças e cartéis de crescente exigência.

Entre os momentos importantes desse período encontra-se a participação na corrida de gala à antiga portuguesa que encerrou a temporada de 2015 no Campo Pequeno. Em julho de 2016, também em Lisboa, viu-se perante um desafio inesperado: devido a uma lesão do pai, teve de o substituir na lide de um dos toiros da corrida em que ambos estavam anunciados. Foi uma prova de maturidade antes da consagração profissional.

A noite da alternativa

A data maior chegou a 20 de julho de 2017. No Campo Pequeno, a praça onde já dera passos decisivos da sua formação, Luís Rouxinol Jr. recebeu a alternativa de cavaleiro tauromáquico.

O padrinho foi o próprio pai, Luís Rouxinol. Como testemunhas estiveram António Ribeiro Telles e Manuel Ribeiro Telles Bastos. Foram lidados seis toiros da ganadaria Murteira Grave, numa corrida em que pegaram os grupos de forcados amadores de Santarém e de Coruche.

A noite possuía um simbolismo difícil de repetir. Luís Rouxinol celebrava 30 anos de alternativa e entregava ao filho o testemunho que ele próprio recebera em 1987. Três décadas separavam os dois momentos; uma mesma família, a mesma profissão e a mesma exigência uniam-nos.

Para Luís Rouxinol Jr., aquela foi a concretização de um sonho: receber a alternativa das mãos do pai, na praça que considerava a sua praça de eleição, diante do público português e frente a uma ganadaria que admirava. Mas a alternativa não representa o fim da aprendizagem. É precisamente o momento em que termina a proteção da condição de praticante e começa a verdadeira avaliação de um profissional.

Ser filho de figura

Luís Rouxinol foi, simultaneamente, o primeiro mestre, a maior referência e o avaliador mais exigente do filho. Nos treinos, na preparação dos cavalos e na análise das atuações, a relação familiar nunca apagou a disciplina profissional. Luís André encontrou no pai o exemplo de uma carreira construída com regularidade, capacidade de trabalho e presença constante nas principais praças portuguesas.

Contudo, ser filho de uma figura possui uma dupla face. Permite crescer rodeado de conhecimento, cavalos experimentados e conselhos que muitos demorariam anos a obter. Mas impõe comparações desde o primeiro minuto. Cada atuação é observada à luz do percurso paterno; cada triunfo é confrontado com o nome herdado; cada falha parece adquirir uma dimensão maior.

Luís Rouxinol Jr. teve, por isso, de construir a sua carreira sob uma pressão que não atinge todos os principiantes. O público conhecia-lhe o nome antes de conhecer verdadeiramente o seu toureio. Cabia-lhe inverter essa ordem: conseguir que os aficionados passassem a reconhecer o homem e o artista por detrás do apelido.

Afirmação nas arenas

Depois da alternativa, consolidou presença em praças e feiras de Norte a Sul do país, alternando com cavaleiros consagrados e com os principais nomes da sua geração. Em 2018 foi distinguido pela União das Freguesias de Pegões, juntamente com o ciclista Rúben Guerreiro, numa homenagem destinada a reconhecer jovens ligados à terra que se destacavam nas respetivas atividades. Nesse mesmo ano atuou novamente na Califórnia, depois de uma primeira passagem pelos Estados Unidos em 2016.

Na temporada condicionada pela pandemia, em 2020, terminou na liderança do escalafón nacional, segundo o registo biográfico da sua equipa. Em 2021 estreou-se nas Sanjoaninas, na ilha Terceira, onde foi considerado um dos grandes triunfadores da feira. A temporada ficou igualmente marcada pela atuação de 16 de outubro, em Alcochete, numa lide realizada com o cavalo Jamaica que terminou com duas voltas à arena.

Em 2022 somou 25 atuações e voltou a destacar-se na praça do Montijo, que considera uma das arenas determinantes da sua carreira. Na corrida de São Pedro conquistou o troféu José Samuel Lupi para a melhor lide a cavalo. Nesse ano participou também na corrida comemorativa dos 35 anos de alternativa de Luís Rouxinol, na qual pai e filho protagonizaram uma lide conjunta perante milhares de espectadores.

Ao longo deste percurso enfrentou exemplares de ganadarias portuguesas e espanholas de referência, entre as quais Veiga Teixeira, Palha, Murteira Grave, Sommer de Andrade, Pinto Barreiros, Dolores Aguirre, Partido de Resina e Torrestrela. A diversidade de encastes, comportamentos e graus de exigência contribuiu para uma formação que não poderia limitar-se à proteção da quadra familiar.

Madrid: a prova de Las Ventas

A dimensão internacional da carreira ganhou um capítulo decisivo a 28 de agosto de 2025, quando Luís Rouxinol Jr. confirmou a alternativa na Praça de Toiros de Las Ventas, em Madrid, considerada uma das arenas mais exigentes e influentes do mundo taurino.

Nessa corrida de rejoneio, integrou um cartel com Filipe Gonçalves, Roberto Armendáriz, Iván Magro, Ana Rita e Andrés Romero, diante de toiros de Fermín Bohórquez. Luís Rouxinol Jr. lidou o sexto toiro da noite, de nome Selectivo, com 568 quilos. A atuação terminou em silêncio, após dois avisos. A crítica espanhola registou, contudo, a decisão, a atitude e o ofício demonstrados pelo cavaleiro português.

O resultado artístico não apaga o significado da presença. Las Ventas não é apenas uma praça onde se procuram troféus: é um lugar onde se mede a consistência dos toureiros, a capacidade de suportar a pressão e a verdade com que enfrentam uma oportunidade que pode marcar toda uma carreira.

Na véspera da corrida, Luís Rouxinol Jr. participou, juntamente com Iván Magro, num encontro com os aficionados madrilenos realizado na própria arena de Las Ventas. A sessão abordou o maneio do cavalo de toureio, as particularidades das tradições equestres portuguesa e espanhola e as diferenças entre as respetivas indumentárias. Foi também uma oportunidade para apresentar em Madrid uma parte da identidade do toureio equestre português.

Luís Rouxinol Jr. pertence a uma dinastia, mas nenhuma dinastia sobrevive apenas da memória. A continuidade exige que cada geração encontre a sua própria razão para entrar na arena.

Luís André recebeu do pai o nome, os ensinamentos e uma determinada ética de trabalho. Recebeu do avô os primeiros incentivos e a ligação mais antiga aos cavalos. Mas recebeu também uma responsabilidade: provar que não está nos cartéis apenas por ser filho de Luís Rouxinol.

A sua carreira tem sido construída nesse confronto permanente entre herança e identidade. É o filho que continua a ouvir o mestre, mas é também o cavaleiro que entra sozinho na arena. Porque, quando se fecham as portas dos curros e o toiro surge na praça, desaparecem os apelidos, os conselhos e as proteções. Ficam apenas o homem, o cavalo, o toiro e a verdade daquele momento.

No final de 2025, a Casa Rouxinol anunciou o empresário Rui Palma como novo apoderado de Luís Rouxinol e do filho, abrindo uma nova etapa profissional para ambos. Para Luís Rouxinol Jr., o futuro continuará a medir-se pela capacidade de consolidar a sua presença nas principais praças, enfrentar compromissos de maior responsabilidade e afirmar uma personalidade artística própria.

O nome foi-lhe transmitido. O caminho, porém, tem de ser conquistado tarde após tarde.

Luís André da Silva Vicente é filho de Luís Rouxinol. Mas, dentro da arena, é Luís Rouxinol Jr. — cavaleiro de alternativa, homem de Pegões e protagonista de uma história que já não pertence apenas ao pai.



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Alentejo Central

Beja acolhe 18.ª edição das “Palavras Andarilhas” em agosto com inscrições gratuitas

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O Jardim Público de Beja recebe, entre os dias 28 e 30 de agosto de 2026, a 18.ª edição das Palavras Andarilhas – Festa da Palavra Contada, um evento bienal que celebra os contadores de histórias e a tradição oral.

Organizado pela Câmara Municipal de Beja, através da sua Biblioteca Municipal, o encontro celebra este ano a sua “maioridade” com o mote “o conto tradicional: memória e tradição”. Para assinalar a data, a participação nesta edição será totalmente gratuita para todos os interessados.

O programa, desenhado para toda a família, vai transformar o Jardim Público no coração da “Cidade dos Contos” com noites de contos, sessões ao pôr-do-sol e o recanto dos contos sem fim. O público poderá ainda participar em tertúlias dedicadas à importância da herança oral e em oficinas de capacitação dirigidas a mediadores de leitura, além de poder explorar a Feira dos Livreiros e o Mercadinho Andarilho.

Criado em 1999, o festival assume-se como um ponto de encontro internacional para a preservação da memória cultural ancestral. As informações adicionais sobre a iniciativa podem ser consultadas no site oficial do evento (palavrasandarilhas.pt) ou solicitadas através do e-mail oficial da Biblioteca Municipal ([email protected]).



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Alentejo Central

São Teotónio acolhe 34.ª edição da FACECO com quatro dias de certame a partir de quinta-feira

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O Município de Odemira promove, entre os dias 16 e 19 de julho de 2026, a 34.ª edição da FACECO – Feira das Atividades Culturais e Económicas do Concelho de Odemira, na vila de São Teotónio, com entradas gratuitas no primeiro dia.

O certame tem como objetivo principal impulsionar o tecido empresarial, as associações e a cultura local. Durante quatro dias, o recinto vai destacar setores estratégicos como a pecuária, a agricultura, o turismo, o artesanato e a gastronomia da região, servindo de montra para a valorização do território e para a captação de novos investidores.

Os sabores da região vão concentrar-se no pavilhão de Produtos Locais, que reunirá dezenas de produtores de aguardente de medronho, vinho, azeite, mel, queijos, enchidos e das tradicionais alconcoras. O artesanato local também terá um espaço alargado com demonstrações ao vivo, enquanto o setor da pecuária manterá o seu estatuto de pilar da feira, acolhendo o 37.º Concurso Nacional da Raça Limousine e o Regional da Cabra Charnequeira, além de mostras de raças bovinas e concursos dedicados ao mel e ao medronho.

A animação cultural contará com cante alentejano, atividades desportivas e espaços infantis. No palco principal, os grandes destaques musicais estão reservados para as atuações de Buba Espinho no dia 17, Miguel Gameiro & Pólo Norte no dia 18, e Toy a encerrar o evento na noite de 19 de julho. O programa completo pode ser consultado no site oficial da Câmara Municipal de Odemira.



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