Beiras
Penamacor: O Interior à procura de um futuro
No coração da Beira Interior Sul, mesmo junto à fronteira com Espanha, Penamacor emerge como símbolo de um país que olha para dentro e se interroga sobre o que fazer com os territórios que, durante décadas, foram esquecidos, despovoados e subestimados. Esta vila histórica, outrora bastião defensivo de Portugal medieval, vê-se hoje no centro de um desafio que ultrapassa os seus muros: o da reinvenção.
Penamacor tem uma história antiga e marcada por guerras, vigilâncias e abandono. O castelo que ainda vigia a vila, construído no reinado de D. Sancho I e reforçado pela Ordem do Templo, é o testemunho de séculos em que a raia era linha de frente, ponto de passagem, de defesa e de afirmação territorial. Com o passar do tempo e a pacificação das fronteiras, o território perdeu centralidade militar e económica, sendo arrastado por um processo que atingiu boa parte do interior português: a desertificação humana, o envelhecimento populacional, a falta de oportunidades, o fecho de escolas, a perda de serviços públicos e a fuga de gerações para os grandes centros urbanos ou para o estrangeiro.
No entanto, Penamacor não se resigna ao declínio. Os sinais de resistência começam a emergir com mais visibilidade. O orçamento municipal para 2025, o mais elevado dos últimos anos — cerca de 23,8 milhões de euros — demonstra uma folga financeira que pode traduzir-se em investimento público estratégico. Ao mesmo tempo, o concelho começa a captar o interesse de visitantes e novos moradores, nomeadamente estrangeiros, atraídos pela qualidade de vida, pelo custo acessível da habitação e pela beleza da paisagem.
A valorização do património histórico e natural, como o castelo ou a Serra da Malcata, os programas de apoio à natalidade e à fixação de famílias, e a possibilidade de uma nova economia rural — assente no turismo de natureza, nas energias renováveis, no agroalimentar de qualidade e no trabalho remoto — são eixos em que Penamacor tenta agora firmar um novo caminho. Há quem veja neste território um espaço ideal para lançar iniciativas criativas, sustentáveis e com impacto social. Outros veem-no como refúgio — um regresso ao essencial num tempo que pede silêncio, natureza e comunidade.
A questão central, porém, permanece: como garantir que esta vontade de reinvenção não fica refém de boas intenções? Para tal, Penamacor precisa de redes, investimento e visão. Precisa de infraestruturas que permitam atrair talento e manter população jovem. Precisa de políticas nacionais para o interior que não sejam apenas declarações de intenção. Precisa, acima de tudo, de tempo. Porque o tempo é o que estes territórios nunca tiveram em seu favor: sempre com pressa de serem salvos ou esquecidos.
O que está em causa não é apenas o destino de uma vila beirã, mas a resposta à pergunta maior: pode Portugal reinventar o seu interior, e torná-lo não apenas habitável, mas desejável? Penamacor ensaia uma resposta. E talvez por isso mereça ser escutada com atenção.
Beiras
Furtos de combustível em máquinas agrícolas e motas disparam no interior de Portugal

A GNR registou 1700 furtos de combustível no último ano, uma redução ligeira face a 2024, mas alerta para o aumento preocupante de assaltos a veículos motorizados e maquinaria agrícola em zonas isoladas.
O balanço anual da Guarda Nacional Republicana (GNR) revela uma tendência mista no crime de furto de combustíveis em Portugal. Embora o número total de ocorrências tenha descido (menos 44 casos face ao ano anterior), esta quebra foi impulsionada exclusivamente pela redução de 10% nos incidentes em postos de abastecimento. Em sentido inverso, os furtos em veículos motorizados subiram para 325 casos, enquanto os desvios em depósitos e máquinas agrícolas ou industriais atingiram as 290 ocorrências.
A geografia do crime mostra disparidades acentuadas. Enquanto distritos como Lisboa (-25%) e Aveiro (-21%) registaram descidas, o interior e o norte do país enfrentam uma realidade oposta. Os aumentos mais expressivos verificaram-se na Guarda (+80%), Bragança (+50%) e Castelo Branco (+33%), dados que, segundo a corporação, exigem respostas adaptadas a cada localidade.
No plano judicial, a atividade operacional resultou na detenção de 40 pessoas e na identificação de 599 suspeitos ao longo de 2025, um aumento face aos 561 registados em 2024. As autoridades associam esta criminalidade diretamente à flutuação dos preços dos combustíveis, notando que o período da tarde é o mais crítico para a ocorrência destes ilícitos.
Para mitigar os riscos, a GNR recomenda o reforço de sistemas de videovigilância em postos de abastecimento e aconselha os proprietários de motociclos a optarem por parques iluminados. No setor primário e industrial, o alerta foca-se na necessidade de evitar o estacionamento de maquinaria em locais isolados durante a noite, onde a vulnerabilidade dos depósitos é maior.
Beiras
ASAE trava venda de óleo alimentar por azeite em Moimenta da Beira

Numa operação de combate à fraude alimentar perto de Moimenta da Beira, a ASAE apreendeu dez mil litros de óleo vendido como azeite, armas de fogo e 200 mil euros ocultados pelos suspeitos.
A Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE) desmantelou, nas últimas semanas, uma rede de comercialização fraudulenta que operava através das redes sociais. A investigação culminou no cumprimento de 13 mandados de busca em habitações, armazéns e viaturas, confirmando que os suspeitos vendiam óleo alimentar comum sob o rótulo enganoso de azeite virgem.
Durante a diligência, os inspetores apreenderam cerca de 10.000 litros de substância oleica já embalada, milhares de rótulos falsos e 340 litros de vinho licoroso sem registo legal. A operação revelou ainda uma vertente criminal mais ampla com a apreensão de quatro armas de fogo e munições. Num momento de tensão durante a fiscalização, os suspeitos tentaram esconder em silvados adjacentes cerca de 200 mil euros em numerário, verba alegadamente proveniente do ilícito.
Três indivíduos foram constituídos arguidos no âmbito deste processo. As amostras do produto apreendido foram enviadas para o Laboratório de Segurança Alimentar da ASAE, onde serão submetidas a análises físico-químicas e sensoriais para avaliar possíveis riscos para a saúde pública. A autoridade reforça o alerta aos consumidores para desconfiarem de ofertas com preços excessivamente baixos, garantindo que manterá a fiscalização ativa em todo o território nacional.
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Quatro sapadores de Seia detidos por violação e perseguição a colega de trabalho

A Polícia Judiciária deteve quatro sapadores florestais do Município de Seia, com idades entre 40 e 51 anos, suspeitos de violar e coagir sexualmente um colega de 61 anos, em contexto laboral, desde 2018.
O Departamento de Investigação Criminal da Guarda da Polícia Judiciária (PJ) efetuou ontem as detenções no âmbito de um inquérito dirigido pelo DIAP da Guarda. Os arguidos são suspeitos da prática de crimes de violação, coação, coação sexual agravada e perseguição contra um assistente operacional que desempenhava funções de vigilância florestal na mesma equipa.
Segundo as autoridades, os crimes ocorreram de forma reiterada e “quase diária” desde setembro de 2018. Os atos violentos e as ações vexatórias terão sido perpetrados em locais isolados onde o grupo desenvolvia a sua atividade profissional, resultando num impacto severo no estado de saúde da vítima.
A investigação teve origem numa denúncia apresentada pelo lesado junto da GNR de Seia. Os quatro detidos serão presentes hoje a primeiro interrogatório judicial para que sejam determinadas as medidas de coação. A PJ sublinha que o caso prossegue sob investigação, mantendo o dever de proteção à vítima dada a gravidade dos factos relatados.
Beiras
IPBeja estreia doutoramento em consórcio com cinco politécnicos

O Instituto Politécnico de Beja e outros cinco politécnicos nacionais receberam luz verde da A3ES para lançar o novo Doutoramento em Ciências do Desporto, um marco no subsistema politécnico com arranque em 2026/2027.
O novo ciclo de estudos resulta de uma parceria estratégica entre os institutos politécnicos de Beja, Santarém, Viana do Castelo, Castelo Branco, Coimbra e Guarda. Este consórcio permite a partilha de recursos humanos, laboratórios e equipamentos de ponta, garantindo uma massa crítica científica robusta para a formação de investigadores ao mais alto nível académico.
Com um limite de 20 vagas, o programa foca-se na inovação tecnológica, integrando áreas como inteligência artificial e realidade virtual aplicadas ao desporto. O plano curricular aborda também desafios sociais contemporâneos, incluindo o envelhecimento ativo, o desporto adaptado e as políticas públicas de saúde, refletindo a natureza aplicada do ensino politécnico.
As candidaturas estarão abertas a mestres, licenciados e profissionais de relevo nas áreas das Ciências do Desporto e da Saúde. A dispersão das atividades curriculares pelas seis instituições permitirá aos doutorandos beneficiar das especialidades de cada escola e das respetivas unidades de investigação e desenvolvimento.
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