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Agricultura

Primeira aldeia regenerativa da Europa nasce no Alentejo com tecnologia, tokens e comunidade

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Em Abela, uma pequena localidade no concelho de Santiago do Cacém, está a nascer um dos projetos mais inovadores da Europa em matéria de sustentabilidade e regeneração ecológica: uma aldeia regenerativa, tecnológica e comunitária, financiada por tokens digitais, que promete redefinir o modo como vivemos, produzimos e nos relacionamos com a terra. A iniciativa chama-se Traditional Dream Factory (TDF) e está a transformar um antigo centro de criação de aves num modelo de habitação partilhada, arquitetura bioclimática e gestão descentralizada, com forte aposta na agricultura regenerativa e na interligação entre natureza, tecnologia e comunidade.

Com um investimento inicial de 400 mil euros angariados através da venda de $TDF – um token digital que funciona como activo de acesso e co-governação – a TDF prepara-se para uma nova fase de expansão, que inclui a construção de 14 suites, uma piscina biológica, um restaurante farm-to-table, 23 casas de madeira, estúdios para artistas e zonas de acolhimento de longa duração. O objetivo é criar uma comunidade permanente de 300 residentes até 2026. Esta nova ronda de financiamento pretende captar cerca de um milhão de euros adicionais, mantendo o modelo de financiamento através de criptoativos e contributos voluntários.

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Desde 2021, mais de três mil pessoas já passaram pela TDF, entre visitantes, voluntários e nómadas digitais interessados em práticas agrícolas regenerativas, bioconstrução e formas alternativas de gestão do território. O projeto integra-se num movimento mais vasto de regeneração ecológica — e de finanças regenerativas — que defende a valorização da terra, não apenas como recurso económico, mas como bem comum intergeracional. Segundo Samuel Delesque, empreendedor francês e cofundador da TDF, “não somos donos da terra, pertencemos-lhe. O nosso trabalho é deixá-la mais viva do que a encontrámos”.

O conceito de aldeia regenerativa assenta na ideia de restaurar ecossistemas degradados, melhorar a retenção de água, reduzir emissões de carbono, aumentar a biodiversidade e aplicar modelos de permacultura e agrofloresta. Em Abela, foram já plantadas mais de quatro mil árvores, construídas lagoas e valas de retenção de água, desenvolvida uma horta orgânica e iniciada uma produção de cogumelos que poderá chegar aos 300 quilos semanais. Pela primeira vez, todo o consumo de água da comunidade foi assegurado sem recurso a poços, devido à recarga natural dos aquíferos — um indicador prático de que a regeneração hidrológica está a dar frutos.

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A aldeia está estruturada como uma Organização Autónoma Descentralizada (DAO), modelo emergente de governação digital que utiliza blockchain para garantir participação, transparência e autonomia nas decisões. A DAO faz parte da OASA Network, uma associação sem fins lucrativos sediada na Suíça, que reconhece juridicamente estas formas de organização descentralizada e promove a criação de comunidades regenerativas em todo o mundo. A OASA, que conta com membros de vários países europeus, está também a apoiar projetos semelhantes no Egipto e na Suécia.

A aposta na tecnologia não se limita ao financiamento. Na TDF utilizam-se ferramentas como o Open Forest Protocol para monitorizar as florestas regeneradas, sensores para medir os níveis de retenção de água, eDNA para rastrear biodiversidade e, mais recentemente, modelos de inteligência artificial que ajudam na gestão dos espaços comuns e na comunicação entre membros. Em articulação com startups agro-inovadoras, estão a ser testados sistemas de agricultura vertical, hidroponia de baixo impacto e desenho agroflorestal assistido por computador.

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Apesar do carácter disruptivo do projeto, a ligação à comunidade local tem sido positiva. Os promotores sublinham o acolhimento caloroso por parte dos habitantes de Abela, com quem têm procurado manter laços de colaboração e partilha: eventos culturais com artistas da região, cinema ao ar livre, oficinas e parcerias com técnicos e produtores locais. O antigo aviário, que servia de espaço para festas populares, continua a desempenhar uma função social, agora reconvertido como núcleo comunitário de uma aldeia que se quer aberta, inclusiva e inspiradora.

O impacto económico é outro dos pontos valorizados pelos fundadores. A TDF quer ser também um catalisador de oportunidades, sobretudo para os jovens da região, oferecendo formação em tecnologias digitais, impressão 3D, permacultura, construção sustentável e empreendedorismo social. Ao atrair criadores, engenheiros, artistas e famílias com consciência ecológica, acredita-se que o projeto pode contribuir para o repovoamento do interior alentejano, dando resposta a desafios como a desertificação, o isolamento e a perda de vitalidade económica de muitas zonas rurais.

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Portugal foi escolhido para este protótipo europeu por reunir um conjunto de factores únicos: beleza natural, riqueza cultural, clima ameno, território subvalorizado e uma rede crescente de eco-aldeias, nómadas digitais e comunidades alternativas. A localização, a menos de duas horas de Lisboa e próxima da costa alentejana, facilita o acesso e reforça o apelo internacional do projeto.

A Traditional Dream Factory propõe, assim, um novo paradigma: uma economia de baixo impacto, uma habitação partilhada sem especulação, uma relação de pertença com a terra e uma gestão comunitária apoiada pela tecnologia. Numa época marcada pela crise climática, perda de biodiversidade e fragmentação social, esta aldeia regenerativa nasce como um laboratório vivo de esperança — uma fábrica de sonhos ancorada no real.

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Agricultura

Operação “Campo Seguro” da GNR termina com 47 detidos e apreensão de nove toneladas de produtos agrícolas

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A GNR anunciou este sábado o balanço final da Operação “Campo Seguro”, uma ofensiva nacional de fiscalização que resultou na detenção de 47 pessoas e na identificação de outras 95.

Entre 1 de julho de 2025 e 15 de fevereiro de 2026, a força de segurança intensificou o patrulhamento em explorações agrícolas e florestais para combater o furto de maquinaria e produtos, tendo ainda detetado quatro crimes de tráfico de seres humanos em contexto laboral.

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No total de mais de seis mil ações de patrulhamento e fiscalização, os militares apreenderam cerca de nove toneladas de produtos agrícolas em vários distritos do país. O maior volume de apreensões concentrou-se no Alentejo, com destaque para Beja e Évora, onde foram recuperados mais de seis mil quilos de azeitona. A operação estendeu-se também ao Algarve e ao Ribatejo, com a apreensão de quantidades significativas de alfarroba, abacate, cortiça e pinha mansa, reforçando a estratégia de prevenção contra a criminalidade no mundo rural.

Para além da vertente criminal, que registou 379 furtos durante este período, a iniciativa focou-se na sensibilização para a segurança no transporte de mercadorias e na redução da sinistralidade com veículos agrícolas.

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Agricultura

Reguengos de Monsaraz recebe atendimento descentralizado de apoio ao agricultor e empresário

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O Monte ACE promove, esta sexta-feira, uma sessão de atendimento especializado no Gabinete de Apoio ao Agricultor e Empresário de Reguengos de Monsaraz para impulsionar o desenvolvimento económico local.

A iniciativa decorre entre as 10h00 e as 12h30, no edifício dos Paços do Concelho, onde técnicos daquela associação de desenvolvimento rural estarão disponíveis para prestar esclarecimentos e suporte técnico a profissionais do setor.

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Integrada na Estratégia de Desenvolvimento Local, a ação conta com a colaboração do programa LEADER e de diversas entidades regionais, disponibilizando ainda canais de contacto diretos através do telefone 266 490 090 ou do e-mail dlbcrural@monte-ace.pt para informações adicionais.

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Agricultura

Tratores Agrícolas: Crescimento de 35% em março

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Os tratores agrícolas virificaram um aumento de 35,0% no mês de março, com a matrícula de 451 unidades, enquanto no plano acumulado do primeiro trimestre do ano, o setor apresenta uma subida de 7,7%, totalizando 1.099 tratores novos a entrar ao serviço.

Entre as marcas com maior volume de vendas entre janeiro e março, a Solis lidera com 137 unidades, seguida pela New Holland com 122 e pela Deutz-Fahr com 113 matrículas.

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O segmento dos reboques agrícolas apresentou um desempenho ainda mais expressivo, com um aumento de 71,3% em março, correspondendo a 185 unidades. No cômputo dos primeiros três meses de 2026, este mercado cresceu 23,0% face ao período homólogo, com um total de 449 reboques matriculados.

Finalmente, o mercado de quadriciclos e empilhadores telescópicos da categoria T, homologados como veículos agrícolas, registou um crescimento de 67,5% em março, com 330 novas unidades.

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No acumulado de janeiro a março, estas categorias somaram 771 unidades, o que representa um acréscimo de 27,6% em comparação com o ano anterior. Os dados, com origem no IMT, confirmam uma tendência de recuperação e dinamismo no investimento em equipamento agrícola em Portugal durante o início de 2026.

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Agricultura

CAP e APED exigem medidas urgentes para travar perda de competitividade frente a Espanha

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A Confederação dos Agricultores de Portugal e a Associação Portuguesa de Empresas de Distribuição apelaram hoje ao Governo por um pacote de medidas eficaz que reduza custos de contexto e equilibre a concorrência com o mercado espanhol.

Em comunicado conjunto, as duas entidades expressaram forte preocupação com a escalada dos preços da energia e dos combustíveis, agravada pela instabilidade no Médio Oriente. Segundo a CAP e a APED, o atual enquadramento fiscal e regulatório nacional está a penalizar a produção e a distribuição, criando assimetrias que fragilizam o tecido produtivo português e o poder de compra das famílias.

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As associações alertam que a inação governamental compromete o acesso a bens essenciais e a confiança dos consumidores. Apesar das diferenças setoriais, ambas convergem na necessidade de um apoio concreto à produção nacional para garantir um mercado mais dinâmico e sustentável.

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