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Agricultura

Produtores de Serpa contestam acordo Mercosul: “Uma troca de interesses industriais pelo sacrifício da agricultura”

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A Direção da APROSERPA – Associação de Produtores da Região de Serpa manifestou a sua firme rejeição ao Acordo Comercial entre a União Europeia e o Mercosul, classificando-o como uma ameaça direta à sobrevivência do setor primário no sul da Europa. Para a associação alentejana, o tratado privilegia os interesses da indústria europeia em detrimento da agricultura, criando condições de concorrência que consideram impossíveis de enfrentar pelos produtores locais.

Um dos pontos mais críticos apontados pela APROSERPA é o “ataque à pecuária”, exemplificado pela entrada de carne de porco com taxa aduaneira zero. A associação alerta que esta medida estabelece um “preço de referência” artificialmente baixo, baseado em custos de produção sul-americanos que não refletem as exigências laborais e ambientais da Europa. Além disso, os produtores consideram “moralmente inaceitável” que o Parlamento Europeu autorize a entrada de alimentos que não cumprem os rigorosos padrões de segurança alimentar exigidos aos agricultores portugueses.

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O impacto na produção de cereais é outro dos pilares da contestação. Segundo a associação, o acordo coloca uma “lápide” sobre os cereais do Alentejo ao garantir milho a preços de saldo para a indústria, retirando qualquer incentivo à produção nacional de sequeiro. Sem escoamento, estas culturas perdem viabilidade, eliminando uma ferramenta crucial de rotação de solos e condenando o território ao abandono.

Este cenário de inviabilidade económica da pecuária extensiva e dos cereais traz ainda, segundo a APROSERPA, um risco acrescido para a segurança do território: o aumento dos incêndios. A associação defende que o abandono das terras e o fim da gestão do combustível natural feita pelo pastoreio deixarão o Alentejo mais vulnerável às chamas. Os produtores de Serpa recusam, por isso, a narrativa oficial de que o setor está protegido, apelando a uma revisão profunda das condições do tratado.

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Agricultura

Beja recebe primeira edição do “Saber e Sabores do Azeite Novo” em março

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O Mercado Municipal de Beja vai acolher, nos dias 6 e 7 de março, a primeira edição do evento “Saber e Sabores do Azeite Novo”. Esta iniciativa, promovida pelo CEBAL – Centro de Biotecnologia Agrícola e Agro-Alimentar do Alentejo, surge com o propósito de valorizar e promover o azeite produzido durante a campanha de 2025/2026, destacando a frescura e as propriedades únicas do produto acabado de sair do lagar.

A organização deste encontro resulta de uma colaboração estratégica entre o CEBAL e o CEPAAL – Centro de Estudos e Promoção do Azeite do Alentejo, contando ainda com o apoio institucional da Câmara Municipal de Beja e do próprio Mercado Municipal. O evento pretende ser um ponto de encontro entre o conhecimento científico e técnico sobre o setor e o prazer da degustação, permitindo aos produtores e consumidores uma partilha direta sobre a qualidade e a importância económica do azeite na região alentejana.

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Ao focar-se no “azeite novo”, o programa sublinha as características sensoriais mais intensas do produto nesta fase, como o frutado e o picante, incentivando o consumo consciente e a valorização de um dos pilares da Dieta Mediterrânica. Este certame reforça o papel de Beja como um centro nevrálgico do setor olivícola, unindo a inovação tecnológica da biotecnologia à tradição secular do cultivo da oliveira.

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Agricultura

Universidade de Évora desafia alunos do secundário a desenhar o futuro da agricultura

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A Universidade de Évora (UÉ) lançou, no passado dia 11 de fevereiro, a segunda edição do DigitAgroChallenge, uma iniciativa que visa atrair alunos do ensino secundário para as Ciências Agrárias através da tecnologia e inovação. Integrado no projeto +AGRODIGITECH@SUL e financiado pelo PRR, o desafio foca-se na digitalização e sustentabilidade do setor agroalimentar, áreas cruciais para o futuro da agricultura em Portugal.

Nesta edição, a UÉ acolhe estudantes do 12.º ano das Escolas Secundárias André de Gouveia e Gabriel Pereira. A sessão de abertura contou com o Pró-Reitor Augusto Peixe, que apresentou a conferência “O Agrofuturo Começa Agora”, e com o docente Gottlieb Basch, que discutiu a redução da pegada ecológica no setor. O roteiro do desafio continua a 22 de abril com novas sessões temáticas, culminando num questionário online entre equipas de várias instituições, onde os vencedores serão premiados pelo seu mérito e conhecimentos adquiridos.

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Agricultura

Sanidade animal e alterações climáticas dominam debate da CAP no Baixo Alentejo

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O presidente da Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP), Álvaro Mendonça e Moura, aproveitou a sua passagem por Beja este sábado para lançar um alerta sobre a sanidade animal, defendendo a criação urgente de um plano de prevenção contra doenças pecuárias. Em destaque está a dermatose nodular bovina, uma patologia que, embora ainda não tenha chegado a Portugal, já causou prejuízos severos em França. Para o líder da CAP, o aumento destas ameaças está diretamente ligado às alterações climáticas, sendo imperativo que o país se organize antecipadamente para evitar impactos devastadores nos efetivos pecuários.

Nesse sentido, está já agendada para o próximo dia 19 uma reunião estratégica entre a Direção-Geral da Alimentação e Veterinária (DGAV), a CAP e as organizações de produtores para a sanidade animal. O objetivo deste encontro será realizar um ponto de situação rigoroso sobre os riscos iminentes e desenhar soluções conjuntas. A preocupação foi partilhada durante o Conselho Consultivo Regional realizado com associações do Baixo Alentejo, onde os criadores manifestaram receio de que, mais cedo ou mais tarde, estas doenças cruzem a fronteira.

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Além das questões sanitárias, a reunião em Beja serviu para a CAP reforçar exigências estruturantes para a região, nomeadamente a aceleração da construção dos blocos de rega de Ficalho e Amareleja. Álvaro Mendonça e Moura classificou estes projetos como fundamentais e de concretização prioritária. O debate estendeu-se ainda a temas como as limitações da Rede Natura, o acordo Mercosul e os desafios da nova Política Agrícola Comum (PAC), num dia que terminou com uma sessão de esclarecimento aos agricultores locais no auditório do NERBE, em parceria com a FAABA e a ACOS.

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Agricultura

CAP reúne em Beja para debater crise climática e apoios aos cereais de sequeiro

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Beja recebe hoje um importante ciclo de debates promovido pela Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP), com o objetivo de analisar os principais desafios que o setor enfrenta na região do Baixo Alentejo. O programa arrancou durante a manhã no Cine-Teatro Pax Júlia, com a realização de um Conselho Consultivo Regional, um fórum de auscultação entre a confederação e as suas organizações filiadas para definir prioridades estratégicas, tanto a nível local como nacional. Em destaque na agenda estão temas de grande impacto macroeconómico, como as implicações do Acordo Mercosul e o estado atual das propostas para a Política Agrícola Comum (PAC).

Os trabalhos estendem-se ao longo do dia, focando-se nas preocupações imediatas dos produtores locais, severamente afetados pelas condições climatéricas adversas das últimas semanas. Questões como a sanidade animal, a gestão dos recursos hídricos e os apoios aos cereais de sequeiro dominam as discussões, num momento em que o setor agrícola reclama maior clareza sobre o Pedido Único e as Medidas Agroambientais (MAA). O encontro serve para alinhar posições sobre como as intempéries recentes estão a comprometer a condicionalidade das explorações e a viabilidade das culturas tradicionais do sul do país.

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O dia encerra com uma sessão de esclarecimento aberta a todos os agricultores, marcada para as 16h00 no auditório do NERBE. Esta iniciativa, organizada em parceria com a FAABA e a ACOS, conta com a presença da direção e de técnicos da CAP para prestar apoio direto aos profissionais do setor. É uma oportunidade para os agricultores do Baixo Alentejo esclarecerem dúvidas sobre calendários de pagamentos e novas regulamentações, reforçando a articulação entre as bases e as estruturas de decisão nacional num período de particular vulnerabilidade para a agricultura alentejana.

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