Economia
Protesto em Lisboa denuncia a Navigator Company por envolvimento em exportações para Israel e aponta impacto ambiental
Ativistas solidárias com o Coletivo de Libertação da Palestina, o Climáximo e a Greve Climática Estudantil de Lisboa realizaram uma ação de protesto direcionada à sede da The Navigator Company, em Lisboa. A empresa, reconhecida como a sexta maior exportadora de Portugal para Israel, está no centro de críticas pela sua participação na produção de pasta celulósica e papel.
Na fachada do edifício pode-se ler a palavra “Genocida” em tinta vermelha, acompanhada da fixação de cartazes que proclamavam a mensagem: “Quem lucra com o apartheid é cúmplice de genocídio.” Os ativistas expuseram fotografias do atual conflito em Gaza, evidenciando a conexão direta entre as atividades comerciais da Navigator Company e os eventos dramáticos na Palestina.
A Navigator Company acusada pela Climáximo de lucrar diretamente com o apartheid sionista e a limpeza étnica do povo palestiniano. A empresa é alvo de críticas por sua participação em trocas comerciais que são percebidas como uma forma de normalização desses eventos. A Navigator Company é apontada como uma das maiores emissores de CO2 em Portugal, contribuindo para a monocultura eucaliptal e para o colapso ambiental global.
A ação em Lisboa faz parte de uma série de iniciativas que visam empresas portuguesas envolvidas em exportações para Israel. Com mais de 930 empresas em Portugal mantendo relações comerciais com Israel, os ativistas exortam os cidadãos portugueses a cessarem o apoio a empresas envolvidas no que classificam como genocídio na Palestina. O movimento exige que empresas como a Navigator Company cancelem todas as exportações para o estado sionista ou empresas israelitas, e solicita boicote, desinvestimento e sanções a organizações cúmplices da ocupação. A ação também enfatiza a urgência do fim da ocupação da Palestina e a autodeterminação do povo palestiniano.
Economia
Alentejo regista aumento do risco de pobreza e ultrapassa média nacional em 2024

O Alentejo registou em 2024 uma taxa de risco de pobreza de 17,9%, um valor superior à média nacional, que se fixou nos 15,4%, segundo o Estudo às Condições de Vida e Rendimento 2025, divulgado pelo Instituto Nacional de Estatística (INE). Ao contrário da tendência do país, onde o indicador recuou 1,2 pontos percentuais, a região alentejana viu agravada a incidência da pobreza entre 2023 e 2024. O fenómeno repetiu-se apenas no Centro e no Oeste e Vale do Tejo, enquanto no resto do território se verificou uma redução.
No panorama nacional, a Grande Lisboa apresentou o valor mais baixo do país, com uma taxa de 12,2%, enquanto o Algarve também ficou abaixo da média, atingindo 15,1%. De acordo com o relatório, a linha de pobreza nacional em 2024 correspondeu a rendimentos anuais inferiores a 8.679 euros por adulto equivalente. No Alentejo, a mediana dos rendimentos por adulto equivalente situou-se nos 13.866 euros. Considerando uma linha de pobreza ajustada ao contexto regional, o risco de pobreza no Alentejo desce para 15,1%, o que evidencia diferenças no custo de vida e nos níveis de rendimento entre regiões.
O estudo mostra ainda que o risco de pobreza permanece mais elevado entre a população desempregada: a nível nacional, 42,6% dos desempregados estavam em situação de pobreza em 2024. Entre a população empregada, o valor desce para 8,6%, mas mantém-se mais elevado nos agregados com crianças e em famílias monoparentais. Já em relação ao risco de pobreza ou exclusão social — indicador que combina pobreza monetária, privação material severa e reduzida intensidade laboral — o Alentejo apresenta 19,7% da população nesta situação em 2025, um número acima da média nacional (18,6%). Apenas a Grande Lisboa e o Algarve registaram valores mais baixos do que o país no seu conjunto.
O INE destaca ainda o papel das transferências sociais como instrumento determinante na redução da pobreza. Em 2024, estas prestações contribuíram para reduzir a taxa nacional em 5,4 pontos percentuais. Sem apoios sociais como pensões ou prestações de combate à exclusão, mais de 40% da população residente estaria em risco de pobreza. O estudo tem como referência os rendimentos de 2024 e recorre à classificação territorial NUTS II.
Economia
Montepio Geral em fase decisiva: eleições entram na reta final com crescente mobilização de associados

A Montepio Geral – Associação Mutualista aproxima-se do final de um dos processos eleitorais mais relevantes da sua história recente. A votação para a nova Assembleia de Representantes termina a 19 de dezembro e deverá definir o rumo estratégico da instituição para os próximos anos, num momento considerado sensível para o setor mutualista.
Com o prazo a esgotar-se, intensifica-se o apelo à participação dos associados, numa eleição marcada por debates sobre transparência, supervisão da gestão e reforço do papel democrático dentro da Mutualista. Tiago Mota Saraiva, líder da candidatura “Mais Mutualismo, Mais Futuro”, tem sublinhado que este ciclo eleitoral representa “uma oportunidade para recentrar a Associação Mutualista nos seus valores fundadores” e garantir um modelo mais participativo e alinhado com os interesses efetivos dos membros.
A reta final da campanha tem sido marcada por um crescimento expressivo dos apoios públicos à Lista B, vindos de diferentes áreas da sociedade portuguesa, sinal do impacto nacional que o futuro da Mutualista continua a suscitar. Entre os nomes que declararam apoio contam-se figuras das áreas da economia, política, ciência, cultura, saúde e habitação — desde o economista Francisco Louçã à arquiteta Helena Roseta, passando pelos músicos A Garota Não e Ivan Lins, ou profissionais da saúde e dirigentes do setor social.
Esta diversidade de apoios reflete a amplitude do debate que atravessa a Mutualista e a importância do papel da futura Assembleia de Representantes, órgão com competências reforçadas de acompanhamento, fiscalização e orientação estratégica. A Lista B tem defendido que o órgão deve assumir um papel mais ativo no escrutínio da gestão, promovendo mecanismos de transparência e uma maior ligação às necessidades sociais, económicas e habitacionais dos associados.
A dois dias do fecho da votação, o apelo à participação torna-se determinante. A eleição poderá redefinir prioridades, influenciar o equilíbrio interno e determinar o modelo de governação da Montepio Geral – Associação Mutualista num contexto em que as instituições de base mutualista enfrentam novos desafios de sustentabilidade, confiança e relevância social.
O desfecho deste processo eleitoral será conhecido após 19 de dezembro, marcando um momento decisivo para o futuro da maior associação mutualista do país.
Baixo Alentejo
Municípios de Beja ajustam participação no IRS e vão receber menos 1 milhão em 2026

Seis dos catorze municípios do distrito de Beja vão manter, no próximo ano, a taxa máxima de participação no IRS, enquanto outros optam por aliviar a contribuição dos munícipes, reduzindo a percentagem que retêm deste imposto. A distribuição revela dinâmicas distintas entre concelhos, com Ourique e Moura a destacarem-se como os que mais abdicam da receita.
No distrito de Beja, nenhum município renuncia totalmente à participação no IRS, mas há casos de reduções significativas. Ourique mantém a taxa nos 2,5%, enquanto Moura, que até agora retinha os 5% máximos, reduz para metade em 2026. Barrancos segue o mesmo caminho e desce de 5% para 3%.
Todos os anos, as autarquias podem ficar com uma parte do IRS liquidado pelos residentes, até ao limite de 5%, devendo comunicar a decisão à Autoridade Tributária até 31 de dezembro do ano anterior. Quando optam por reduzir ou abdicar desta participação, o benefício recai diretamente sobre os contribuintes locais, que veem aumentar o rendimento disponível. Entre 2019 e 2024, a renúncia parcial ou total de municípios a esta taxa representou mais de 951 milhões de euros devolvidos às famílias a nível nacional.
No distrito de Beja, seis câmaras continuam a reter a totalidade permitida por lei: Aljustrel, Beja, Cuba, Ferreira do Alentejo, Serpa e Vidigueira. Já Almodôvar, Alvito e Castro Verde ficam-se pelos 4%. Mais abaixo, Mértola e Barrancos fixam a taxa nos 3%, enquanto Odemira se posiciona nos 3,5%. A percentagem mais baixa do distrito é aplicada por Ourique e, a partir de 2026, também por Moura, ambas com 2,5%.
Com este conjunto de decisões, estima-se que os municípios do distrito de Beja recebam menos 1,02 milhões de euros em 2026, consequência direta da diminuição voluntária de receita por parte das autarquias, que optam por aliviar a carga fiscal dos munícipes.
Baixo Alentejo
PSD acusa CIMBAL de distorcer motivos do corte de 60 milhões na Linha Casa Branca–Beja

A Distrital de Beja do PSD veio a público contestar de forma contundente a atuação de António José Brito, presidente da Comunidade Intermunicipal do Baixo Alentejo (CIMBAL), relativamente ao anúncio do corte de 60 milhões de euros no financiamento destinado à modernização da Linha Ferroviária Casa Branca–Beja. Os sociais-democratas acusam o autarca de conduzir o debate de forma “instrumentalizada”, omitindo o papel determinante da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Alentejo (CCDR Alentejo), entidade responsável pela redução da verba de 80 para 20 milhões de euros. António José Brito já reagiu, garantindo que o PSD está a “desviar atenções do essencial”.
Na posição divulgada, o PSD de Beja recorda que a própria Infraestruturas de Portugal qualificou o corte como uma decisão “unilateral” da CCDR, sublinhando que o Ministério das Infraestruturas não interveio no processo. Para o partido, o facto de António José Brito dirigir críticas preferencialmente ao Governo, “silenciando o papel da CCDR”, constitui um gesto “grave” que prejudica o esclarecimento público.
Os sociais-democratas acusam ainda o presidente da CIMBAL de privilegiar a defesa partidária e institucional em detrimento da defesa dos 13 municípios da comunidade intermunicipal. Consideram “incompreensível” o alegado silêncio face à decisão tomada pela CCDR, presidida por António Ceia da Silva.
O PSD exige a reposição integral do financiamento inicialmente previsto — 80 milhões de euros — apelando a que António José Brito adote uma posição “firme e intransigente” na defesa dos interesses do Baixo Alentejo.
Contactado pelo O Atual, o presidente da CIMBAL lamenta que o PSD esteja a “desviar atenções do essencial” e reafirma a necessidade de o Ministério das Infraestruturas clarificar como pretende compensar o corte financeiro agora verificado. Defende que a tutela da Infraestruturas de Portugal terá de articular com o Ministério do Planeamento e Coesão, responsável pelas CCDR e pelo programa Alentejo 2030.
António José Brito admite compreender a “defesa do Governo feita pelo PSD”, mas sublinha que a discussão não deve ser reduzida à luta partidária. “O Baixo Alentejo precisa muito mais do que isso”, afirma.
O autarca reitera que o processo terá de ser esclarecido de forma completa e acredita que a CCDR Alentejo e o programa Alentejo 2030 poderão dar esse contributo “sem penalizar outros setores da região”.
Sublinha ainda que a eletrificação da Linha Casa Branca–Beja “não pode continuar a ser sucessivamente adiada”, alertando para um projeto “absolutamente fundamental” que acumula atrasos e incertezas: “Isso é responsabilidade dos vários Governos”, frisa.
Brito conclui lembrando que “a responsabilidade nunca foi dos municípios do Baixo Alentejo”, insistindo que o foco deve estar na resolução do problema e não em disputas políticas laterais.
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