Alentejo Central
Romaria a Cavalo: Tradição secular une Moita e Viana do Alentejo em abril

Centenas de romeiros percorrem 170 quilómetros entre Moita e Viana do Alentejo, de 21 a 26 de abril, numa tradição recuperada que cruza o montado alentejano até ao Santuário de Nossa Senhora D’Aires.
A 24.ª edição do evento é lançada oficialmente no dia 28 de fevereiro, às 18h00, na Bolsa de Turismo de Lisboa (BTL). A apresentação, no espaço de Turismo do Alentejo e Ribatejo, reúne os municípios da Moita e Viana do Alentejo e as associações de romeiros e equestres que organizam o certame.
O trajeto começa na Igreja de Nossa Senhora da Boa Viagem, na Moita, seguindo por caminhos de terra batida até Alcáçovas, antes da chegada ao destino final, Nossa Senhora D’Aires, no dia 25 de abril. Atualmente, a Romaria substitui o cariz exclusivamente religioso por uma vertente de lazer e convívio entre participantes de todo o país.
A iniciativa, retomada em 2001 após um interregno de mais de 70 anos, recria a antiga jornada dos lavradores da Moita que se deslocavam com os seus animais ao Santuário de Nossa Senhora D’Aires para pedir proteção e boas colheitas.
Alentejo Central
O Santo Graal: a relíquia que nunca deixou de ser procurada

Há objectos que pertencem à História. Outros pertencem à imaginação. O Santo Graal habita um território mais raro e persistente: aquele onde a fé, a literatura e o desejo humano de acreditar se confundem até se tornarem inseparáveis.
Durante séculos, reis, monges, cavaleiros, arqueólogos, escritores e aventureiros procuraram o cálice associado à Última Ceia de Cristo. Nenhuma descoberta foi conclusiva. Nenhuma prova resistiu definitivamente ao escrutínio histórico. E, no entanto, poucas narrativas sobreviveram com tanta força ao desgaste do tempo como a do Santo Graal.
A sua permanência atravessa a Idade Média, as Cruzadas, o romantismo europeu, o cinema contemporâneo e a cultura popular. O Graal continua vivo porque nunca foi totalmente encontrado — e talvez porque nunca tenha sido apenas um objecto.
A Bíblia não refere o destino do cálice utilizado por Jesus na Última Ceia. Os Evangelhos mencionam o vinho partilhado entre Cristo e os discípulos, mas silenciam tudo o que aconteceu ao recipiente após a crucificação. Foi precisamente esse vazio que abriu espaço à imaginação medieval.
Entre os séculos XII e XIII, numa Europa marcada por guerras religiosas, peregrinações e uma profunda obsessão por relíquias sagradas, começaram a surgir narrativas que procuravam preencher aquilo que as Escrituras não explicavam. O Graal nasce, assim, menos da História documentada do que da necessidade humana de prolongar o sagrado para além dos textos bíblicos.
Uma das tradições mais difundidas atribui o Graal a José de Arimateia, a figura que, segundo os Evangelhos, reclamou o corpo de Cristo após a crucificação. De acordo com essa versão, José teria recolhido no cálice o sangue de Jesus e levado a relíquia para terras britânicas, onde esta passaria a integrar uma linhagem espiritual e misteriosa.
Mas o mito nunca teve uma forma única. Em algumas versões, o Graal é um cálice. Noutras, um recipiente sagrado. Em certas tradições germânicas, chega mesmo a transformar-se numa pedra mística dotada de poderes sobrenaturais. Essa fluidez revela uma característica essencial da lenda: o Graal adapta-se às inquietações de cada época.
Foi na literatura medieval que o mito ganhou verdadeira dimensão cultural. A primeira grande referência surge em Perceval ou o Conto do Graal, escrito por Chrétien de Troyes no final do século XII. A obra, inacabada, introduz um objecto misterioso associado a uma busca espiritual conduzida por cavaleiros.
Pouco depois, o poeta francês Robert de Boron aprofundou essa tradição, ligando explicitamente o Graal à Última Ceia e a José de Arimateia. A partir daí, o mito fundiu-se definitivamente com o ciclo arturiano e com a figura do rei Artur, transformando-se numa das grandes narrativas espirituais da Europa medieval.
Nas cortes feudais, entre manuscritos iluminados, mosteiros e castelos, o Graal deixou de ser apenas uma relíquia. Tornou-se uma metáfora da pureza, da redenção e da procura interior. A sua busca exigia mais do que coragem física: exigia transformação moral.
Ao longo dos séculos, várias instituições religiosas e militares passaram a ser associadas à guarda do Graal. Entre elas destacaram-se os Ordem dos Cavaleiros Templários, cuja aura de secretismo ajudou a alimentar inúmeras teorias posteriores. Embora não exista qualquer prova histórica que ligue directamente os Templários ao Santo Graal, a associação tornou-se uma das mais persistentes da cultura ocidental.
Esse ambiente de mistério favoreceu também o aparecimento de relíquias reivindicadas como autênticas. Em Valência, o chamado Santo Cálice conservado na Catedral de Valência continua a ser apresentado por muitos fiéis como o verdadeiro cálice da Última Ceia. Estudos históricos indicam que a taça superior poderá remontar aos primeiros séculos da era cristã, embora a ligação directa a Cristo permaneça impossível de demonstrar.
Também em Génova, o chamado Sacro Catino foi venerado durante séculos como sendo o Graal. Mais tarde descobriu-se que o objecto não era uma esmeralda, como se acreditava, mas sim vidro islâmico medieval.
Já no século XX, o chamado Cálice de Antioquia despertou entusiasmo internacional antes de os especialistas concluírem tratar-se de uma peça litúrgica posterior, provavelmente concebida como lamparina cerimonial.
A multiplicação destas relíquias está intimamente ligada ao contexto das Cruzadas. As campanhas militares no Médio Oriente permitiram o saque e transporte de milhares de objectos religiosos para a Europa. Muitos desses artefactos passaram a ser associados à vida de Cristo, aumentando o prestígio espiritual e económico das cidades e igrejas que os possuíam.
Mas talvez o verdadeiro poder do Graal nunca tenha dependido da sua autenticidade histórica.
No século XIX, durante o romantismo europeu, o mito conheceu um novo renascimento. O compositor Richard Wagner transformou a lenda numa epopeia espiritual na ópera Parsifal, reforçando a dimensão mística da busca. Mais tarde, o cinema e a literatura contemporânea voltariam a reinventar o Graal para novas gerações, desde as aventuras arqueológicas de Hollywood até às teorias conspirativas modernas.
Hoje, historiadores tendem a olhar para o Santo Graal menos como uma relíquia concreta e mais como uma construção cultural extraordinariamente poderosa. Um mito capaz de sobreviver precisamente porque nunca pertenceu inteiramente ao domínio da prova.
Talvez seja essa a razão da sua permanência. O Santo Graal não representa apenas um objecto perdido da tradição cristã. Representa algo mais profundo e universal: a procura humana pelo absoluto, pela verdade e pelo sentido.
Cada época recriou o Graal à imagem das suas próprias inquietações. Para os cavaleiros medievais, era a pureza espiritual. Para os românticos, o mistério transcendental. Para o mundo contemporâneo, tornou-se símbolo da eterna tensão entre fé, História e imaginação.
E talvez seja precisamente por isso que a busca nunca terminou.
Vila Viçosa
INFANTIS FUTEBOL 9 – CDVV SAGRAM-SE CAMPEÕES DISTRITAISO Município de Vila Viç…

INFANTIS FUTEBOL 9 – CDVV SAGRAM-SE CAMPEÕES DISTRITAIS
O Município de Vila Viçosa partilha este importante feito com todos os munícipes e e endereça especial felicitação a todos os atletas dos Infantis Futebol 9, assim como a toda a equipa técnica d’ O Calipolense – Clube Desportivo de Vila Viçosa, fazendo votos que seja um início de um percurso futebolístico repleto de muitos sucessos.
PARABÉNS INFANTIS! UM ORGULHO PARA VILA VIÇOSA!
#cmvv #vilavicosa #calipolense #infantis #campeoes #distritais #orgulho #portugal




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Alentejo Central
Estrada da Horta da Azeda em Alcácer já tem circulação normalizada após reparação

A circulação rodoviária na Estrada da Horta da Azeda, em Alcácer do Sal, foi totalmente restabelecida após a conclusão dos trabalhos de reparação no piso da descida junto à rotunda de acesso ao bairro do Forno da Cal.
Este troço, que tinha sido requalificado entre março e abril para reparar os danos causados por fenómenos meteorológicos extremos, sofreu um abatimento parcial pouco tempo depois. A empresa responsável pela obra inicial assumiu a correção da anomalia, garantindo agora a segurança na via.
No entanto, a intervenção ainda não está totalmente finalizada: a pintura da sinalização horizontal foi adiada devido à chuva intensa que atinge a região, ficando dependente da melhoria do tempo para que o pavimento seque e permita a aderência das tintas.
Alentejo Central
Infantário de Portalegre descobre os saberes tradicionais de Nisa em visita pedagógica

Nisa reafirma-se como um destino de eleição para o turismo pedagógico, tendo recebido este sábado as crianças do Infantário de São Lourenço, de Portalegre, para uma jornada de descoberta do património local.
O roteiro dos mais pequenos centrou-se em dois pilares da identidade nisense: o Centro de Artes & Ofícios e a Casa das Memórias. Nestes espaços, o grupo teve a oportunidade de observar ao vivo o trabalho das Academias dos Bordados e das Cantarinhas, contactando diretamente com técnicas ancestrais de artesanato que definem o concelho.
Esta iniciativa sublinha a estratégia da autarquia em transformar os saberes tradicionais em ferramentas de aprendizagem ativa, promovendo a transmissão de identidade entre as gerações mais novas e consolidando Nisa como um território vivo de partilha cultural.
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