Tauromaquia
TAUROMAQUIA | ESTREIA PROMISSORA
A tauromaquia volta a escrever uma página de emoção e continuidade este fim de semana com o debute da filha de Morante de la Puebla, num momento carregado de simbolismo e expectativa.
A jovem dá os primeiros passos públicos no mundo dos toiros na Puerta del Río, trazendo consigo um apelido maior da história recente do toureio e despertando natural curiosidade entre aficionados e profissionais.
Mais do que um nome, trata-se de uma estreia que reforça a ligação entre gerações e mantém viva a herança taurina, num ambiente onde tradição, identidade e futuro se cruzam.
Tauromaquia
Sol e Toiros

A tauromaquia popular portuguesa tem, há décadas, um espelho onde se revê, se explica e se celebra: o programa Sol e Toiros. Mais do que um simples espaço televisivo dedicado às lides e às praças, trata-se de um verdadeiro arquivo vivo da cultura taurina nacional, onde a tradição ganha imagem, som e memória.
Desde a sua criação, o programa assumiu uma missão clara: dar palco à tauromaquia na sua expressão mais autêntica — a que nasce nas vilas, nas associações locais, nos grupos de forcados, nas tertúlias e nas festas populares. Não é apenas a grande corrida mediática que ali encontra lugar. É também o festival de beneficência, a novilhada de oportunidade, a corrida integrada nas festas de verão, a homenagem ao antigo cavaleiro ou ao ganadeiro que dedicou a vida ao campo bravo.
O mérito maior de Sol e Toiros está precisamente nessa abrangência. Ao percorrer o país taurino de norte a sul — do Ribatejo ao Alentejo, da Beira Baixa ao litoral — o programa documenta uma realidade cultural que ultrapassa a arena. Mostra o campo, as ganadarias, a preparação do toiro bravo, o treino dos forcados, a emoção de quem vive a festa desde dentro.
Num país onde a tauromaquia é simultaneamente tradição enraizada e tema de debate contemporâneo, o programa tem desempenhado um papel relevante na preservação da memória. Cada reportagem, cada entrevista, cada excerto de corrida constitui um registo histórico. Daqui a décadas, muitos momentos fundamentais da tauromaquia popular portuguesa serão revisitados através destas imagens.
Há também uma dimensão pedagógica que importa sublinhar. Sol e Toiros explica a técnica da lide, contextualiza a pega, clarifica as diferenças entre estilos de cavaleiros e ganadarias. Dá voz aos protagonistas — cavaleiros, matadores, forcados, ganadeiros — permitindo que o público compreenda a complexidade e o rigor que sustentam cada espectáculo.
Mas talvez o elemento mais marcante do programa seja a proximidade. Não há distância fria na abordagem. Há respeito pela tradição, conhecimento do meio e uma linguagem que fala para aficionados e curiosos. O programa não impõe; acompanha. Não simplifica; contextualiza.
Num tempo de consumo rápido e fragmentado, manter um espaço dedicado à tauromaquia popular é, em si mesmo, um acto de resistência cultural. Significa reconhecer que as identidades regionais continuam vivas, que as festas locais têm significado e que a herança rural permanece parte integrante da sociedade portuguesa.
Sol e Toiros não é apenas televisão. É testemunho. É ponte entre gerações. É o registo de uma cultura que se vive ao som da banda, sob o sol quente das tardes de verão, na expectativa silenciosa que antecede a saída do toiro.
Enquanto houver praças cheias de emoção, grupos de forcados prontos a avançar e ganadarias que preservam a bravura do campo, haverá histórias para contar. E enquanto houver histórias para contar, programas como Sol e Toiros continuarão a cumprir uma função essencial: dar imagem à memória e voz à tradição.
Portugal
Forcados Amadores de Monsaraz: vinte e dois anos a honrar a terra e a palavra

Em 2004, nasceu em Monsaraz um grupo de homens decidido a assumir uma responsabilidade maior do que eles próprios: perpetuar a tradição da forcadagem com verdade, coragem e identidade alentejana. Hoje, em 2026, celebram-se vinte e dois anos de actividade dos Forcados Amadores de Monsaraz — dezasseis anos de entrega total, de suor na arena e de fidelidade a um compromisso que não se escreve, cumpre-se.
Monsaraz não é apenas cenário. É raiz. A vila muralhada, virada para o grande lago do Alqueva e para o horizonte sem fim do Alentejo, molda homens de carácter firme. Ali, a palavra dada tem peso. E quando um forcado veste a jaqueta com o emblema de Monsaraz ao peito, leva consigo mais do que um símbolo — leva uma comunidade inteira.
O vídeo que assinala estes dezasseis anos é mais do que um desfile de pegas bem conseguidas. É uma narrativa de crescimento. Vêem-se as primeiras formações, os rostos ainda jovens, a aprendizagem feita com humildade. Vê-se a consolidação, as noites de treino, os momentos de dúvida, as lesões superadas, os regressos determinados. E vê-se, acima de tudo, a maturidade de um grupo que soube ganhar o seu espaço com trabalho e seriedade.
A forcadagem é um acto colectivo. Há um homem que avança para a cara do toiro, é certo. Mas atrás dele estão sete que sustentam a decisão, que garantem que a coragem individual se transforma em força de grupo. É essa união que o vídeo capta com particular nitidez: os olhares antes da investida, o silêncio concentrado, o abraço depois da pega concretizada. A confiança absoluta uns nos outros.
Ao longo destes dezasseis anos, os Forcados Amadores de Monsaraz enfrentaram ganadarias exigentes, pisaram praças emblemáticas, representaram a sua terra com dignidade. Conheceram triunfos claros e momentos difíceis — porque a arena não perdoa erros. Mas levantaram-se sempre. E essa capacidade de superação é talvez a maior marca do grupo.
Importa lembrar que a forcadagem portuguesa é singular no universo taurino. Não há armas, não há morte na arena. Há confronto frontal, técnica, coragem física e domínio emocional. Há risco real, assumido de peito aberto. E há uma estética de bravura que distingue Portugal e que encontra, em grupos como o de Monsaraz, uma expressão autêntica.
Mais do que um percurso desportivo, estes dezasseis anos representam um legado. Muitos dos fundadores já passaram o testemunho. Novos forcados vestem agora a jaqueta com a mesma responsabilidade. A tradição não se cristaliza — renova-se.
Em 2026, celebrar dezasseis anos é afirmar que a aposta feita em 2010 foi acertada. Que houve visão, determinação e amor à arte. Que Monsaraz continua a gerar homens dispostos a avançar quando o clarim soa.
Porque ser forcado não é procurar protagonismo. É honrar um grupo, uma terra e uma história.
E há dezasseis anos que Monsaraz honra essa história dentro da arena.
Foto: Daniela Sádio
Carlos Papafina
PAC, raça brava e “fundos climáticos”: há desvio ou há ruído?

Por Carlos Papafina
A polémica reacendeu-se nas últimas semanas. A plataforma Basta de Touradas acusa o Estado de estar a “desviar milhões de euros” de fundos destinados à gestão ambiental e climática para financiar criadores de touros de lide. A expressão é forte. Sugere irregularidade, favorecimento e uso indevido de verbas públicas num momento em que a crise climática exige respostas estruturais.
Mas a questão central impõe-se: há base factual para falar em desvio?
Uma leitura rigorosa dos diplomas legais e do enquadramento europeu mostra que a narrativa é mais complexa – e menos escandalosa – do que tem sido apresentada.
O que está realmente em causa
O financiamento referido enquadra-se no Plano Estratégico da Política Agrícola Comum 2023-2027 (PEPAC), instrumento nacional que executa as regras da Política Agrícola Comum da União Europeia.
No domínio C.1 — Gestão Ambiental e Climática — inclui-se uma intervenção denominada “Manutenção de Raças Autóctones”. Esta medida não foi criada para a raça brava nem para a tauromaquia. Trata-se de um mecanismo europeu antigo, destinado à preservação de recursos genéticos animais.
A classificação das raças autóctones compete à Direção-Geral de Alimentação e Veterinária, enquanto os pagamentos são operacionalizados pelo Instituto de Financiamento da Agricultura e Pescas, no âmbito do Plano Estratégico da Política Agrícola Comum.
Não existe qualquer referência normativa a espetáculos tauromáquicos como critério de elegibilidade. O critério é técnico: manutenção de efetivos reprodutores de raças autóctones com determinado grau de ameaça genética.
A classificação “em risco”
Em 2023, a raça bovina brava passou a constar na lista de raças autóctones com grau de ameaça que permite acesso ao apoio de manutenção.
Importa clarificar o significado de “em risco”: trata-se de uma categoria técnica baseada em indicadores populacionais e de variabilidade genética. Não é uma classificação cultural, ética ou política.
A política agrícola europeia financia a preservação de património genético rural, independentemente da finalidade económica do animal. A mesma lógica aplica-se a raças como a Mirandesa, a Maronesa ou a Barrosã.
Discordar da tauromaquia é legítimo. Mas a elegibilidade para apoio não depende da utilização cultural do animal — depende da sua classificação zootécnica.
Há desvio de verbas ambientais?
A palavra “desvio” pressupõe ilegalidade ou uso indevido de fundos.
Até ao momento, não foi apresentada qualquer evidência documental de:
violação das regras da PAC;
manipulação administrativa;
decisão fora das competências legais da autoridade nacional;
utilização de verbas para fim diferente do previsto no regulamento.
O eixo “Gestão Ambiental e Climática” da PAC não se limita a políticas de carbono ou energia. Inclui conservação de solos, pastagens extensivas, biodiversidade agrícola e recursos genéticos.
A manutenção de raças autóctones integra há décadas esse conceito alargado de sustentabilidade rural.
Pode discutir-se se o modelo é o mais adequado. Mas isso é debate político, não prova de fraude.
Os números avançados
A plataforma ativista estima que os criadores possam receber entre 1,5 e 2 milhões de euros anuais.
Contudo, esses valores resultam de um cálculo teórico baseado no número total de animais e no valor máximo por cabeça normal. Não correspondem necessariamente à execução real.
Na prática:
nem todos os animais são elegíveis;
nem todos os criadores apresentam candidatura;
os pagamentos dependem de validação e controlo;
os montantes variam conforme critérios técnicos.
Até ao momento, não foi divulgado relatório oficial que confirme o valor global apresentado como facto consumado.
O debate que importa
O financiamento público da tauromaquia é um tema sensível e merece discussão séria. Há argumentos éticos, culturais e económicos que dividem a sociedade portuguesa.
Mas a crítica política deve assentar em rigor factual.
Confundir uma medida europeia de conservação genética com um “desvio climático” pode gerar mobilização emocional, mas fragiliza o debate público.
Se o objetivo é questionar o modelo de financiamento da PAC, essa é uma discussão estrutural sobre prioridades agrícolas.
Se o objetivo é provar irregularidade administrativa, a prova continua por demonstrar.
Conclusão
Num país onde a confiança nas instituições é frágil, a responsabilidade na comunicação pública é essencial.
A classificação da raça brava foi feita por entidade competente, através de instrumento legal publicado. Os apoios enquadram-se nas regras da PAC aplicáveis a múltiplas raças autóctones. Não há, até prova em contrário, evidência de ilegalidade.
A divergência é ideológica. A acusação de desvio é jurídica.
E entre uma e outra há uma diferença que importa preservar.
O debate sobre tauromaquia continuará. Mas deve fazê-lo com dados, não com rótulos.
Tauromaquia
Praças de Toiros Afetadas pelas Chuvadas

As intensas chuvadas que se têm feito sentir um pouco por todo o país nos últimos dias provocaram constrangimentos significativos em várias praças de toiros nacionais, algumas das quais se encontram inundadas ou com danos visíveis nas infraestruturas.
Estes espaços, que são património cultural, histórico e identitário de muitas localidades, sofreram impactos ao nível da arena, currais, acessos e zonas técnicas, levantando legítimas preocupações quanto à sua recuperação e operacionalidade para a temporada que se avizinha.
Neste momento, é fundamental manifestar solidariedade para com os municípios, empresas, trabalhadores e todos os agentes ligados à tauromaquia que enfrentam mais este desafio. A preservação das praças de toiros é também a preservação da memória coletiva, da economia local e das tradições que continuam a mobilizar milhares de aficionados em todo o país.
Apelamos a uma avaliação célere dos danos e à mobilização dos meios necessários para que estas praças possam ser recuperadas em segurança, garantindo condições dignas para os espetáculos e para todos os que deles fazem parte.
A tauromaquia portuguesa já superou muitas adversidades ao longo da sua história. Com união, responsabilidade e respeito pelo património, saberá também ultrapassar este momento difícil.
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