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Tauromaquia

TAUROMAQUIA | ESTREIA PROMISSORA

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A tauromaquia volta a escrever uma página de emoção e continuidade este fim de semana com o debute da filha de Morante de la Puebla, num momento carregado de simbolismo e expectativa.

A jovem dá os primeiros passos públicos no mundo dos toiros na Puerta del Río, trazendo consigo um apelido maior da história recente do toureio e despertando natural curiosidade entre aficionados e profissionais.

Mais do que um nome, trata-se de uma estreia que reforça a ligação entre gerações e mantém viva a herança taurina, num ambiente onde tradição, identidade e futuro se cruzam.

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Portugal

Entrada do Toiro volta a marcar Benavente com a força da tradição ribatejana

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Benavente voltou este ano a viver um dos momentos mais intensos e aguardados da sua Festa da Amizade — Sardinha Assada: a entrada do toiro bravo pelas ruas da vila. Num cenário de grande participação popular, campinos, cavaleiros amadores, cabrestos e centenas de pessoas deram corpo a uma tradição profundamente ligada à identidade ribatejana e à memória colectiva desta terra.

A entrada do toiro não é apenas um momento taurino. É uma imagem viva de Benavente. É o som dos cascos no asfalto, a concentração dos campinos, o respeito pelo animal, a expectativa do público e a emoção de uma vila inteira que se reúne para assistir a uma prática antiga, feita de coragem, disciplina e conhecimento transmitido de geração em geração.

Ao longo do percurso, a destreza dos campinos voltou a ser determinante. Cabe-lhes conduzir o toiro bravo com segurança, firmeza e serenidade, num equilíbrio difícil entre tradição, risco e domínio técnico. Cada movimento exige atenção. Cada gesto tem significado. Cada metro percorrido confirma a ligação profunda entre o homem, o cavalo, o campo e a festa.

A Festa da Amizade — Sardinha Assada é uma das grandes referências populares de Benavente e do Ribatejo. Durante três dias, a vila enche-se de música, convívio, largadas, tertúlias, sardinha assada, pão, vinho e milhares de visitantes. Mas a entrada do toiro continua a ser um dos instantes mais simbólicos: aquele em que a tradição sai do campo e entra no coração da vila.

Para muitos benaventenses, este é um momento de pertença. Para quem vem de fora, é uma oportunidade de testemunhar uma manifestação cultural que não se explica apenas por palavras. Vê-se, ouve-se e sente-se. Está no silêncio atento antes da passagem do toiro, nos rostos junto às grades, nos campinos que avançam com segurança e no orgulho de uma comunidade que preserva as suas raízes.

Este ano, mais uma vez, Benavente mostrou que a tradição continua viva quando é vivida em conjunto. A entrada do toiro bravo voltou a ser mais do que um acontecimento da festa: foi uma afirmação da cultura ribatejana, da alma da lezíria e da força de uma vila que sabe celebrar a amizade sem esquecer a sua história.

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Tauromaquia

Sol e Toiros

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PS impede reposição do IVA da Tauromaquia nos 6%

A tauromaquia popular portuguesa tem, há décadas, um espelho onde se revê, se explica e se celebra: o programa Sol e Toiros. Mais do que um simples espaço televisivo dedicado às lides e às praças, trata-se de um verdadeiro arquivo vivo da cultura taurina nacional, onde a tradição ganha imagem, som e memória.

Desde a sua criação, o programa assumiu uma missão clara: dar palco à tauromaquia na sua expressão mais autêntica — a que nasce nas vilas, nas associações locais, nos grupos de forcados, nas tertúlias e nas festas populares. Não é apenas a grande corrida mediática que ali encontra lugar. É também o festival de beneficência, a novilhada de oportunidade, a corrida integrada nas festas de verão, a homenagem ao antigo cavaleiro ou ao ganadeiro que dedicou a vida ao campo bravo.

O mérito maior de Sol e Toiros está precisamente nessa abrangência. Ao percorrer o país taurino de norte a sul — do Ribatejo ao Alentejo, da Beira Baixa ao litoral — o programa documenta uma realidade cultural que ultrapassa a arena. Mostra o campo, as ganadarias, a preparação do toiro bravo, o treino dos forcados, a emoção de quem vive a festa desde dentro.

Num país onde a tauromaquia é simultaneamente tradição enraizada e tema de debate contemporâneo, o programa tem desempenhado um papel relevante na preservação da memória. Cada reportagem, cada entrevista, cada excerto de corrida constitui um registo histórico. Daqui a décadas, muitos momentos fundamentais da tauromaquia popular portuguesa serão revisitados através destas imagens.

Há também uma dimensão pedagógica que importa sublinhar. Sol e Toiros explica a técnica da lide, contextualiza a pega, clarifica as diferenças entre estilos de cavaleiros e ganadarias. Dá voz aos protagonistas — cavaleiros, matadores, forcados, ganadeiros — permitindo que o público compreenda a complexidade e o rigor que sustentam cada espectáculo.

Mas talvez o elemento mais marcante do programa seja a proximidade. Não há distância fria na abordagem. Há respeito pela tradição, conhecimento do meio e uma linguagem que fala para aficionados e curiosos. O programa não impõe; acompanha. Não simplifica; contextualiza.

Num tempo de consumo rápido e fragmentado, manter um espaço dedicado à tauromaquia popular é, em si mesmo, um acto de resistência cultural. Significa reconhecer que as identidades regionais continuam vivas, que as festas locais têm significado e que a herança rural permanece parte integrante da sociedade portuguesa.

Sol e Toiros não é apenas televisão. É testemunho. É ponte entre gerações. É o registo de uma cultura que se vive ao som da banda, sob o sol quente das tardes de verão, na expectativa silenciosa que antecede a saída do toiro.

Enquanto houver praças cheias de emoção, grupos de forcados prontos a avançar e ganadarias que preservam a bravura do campo, haverá histórias para contar. E enquanto houver histórias para contar, programas como Sol e Toiros continuarão a cumprir uma função essencial: dar imagem à memória e voz à tradição.

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Portugal

Forcados Amadores de Monsaraz: vinte e dois anos a honrar a terra e a palavra

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Foto: Daniela Sadio

Em 2004, nasceu em Monsaraz um grupo de homens decidido a assumir uma responsabilidade maior do que eles próprios: perpetuar a tradição da forcadagem com verdade, coragem e identidade alentejana. Hoje, em 2026, celebram-se vinte e dois anos de actividade dos Forcados Amadores de Monsaraz — dezasseis anos de entrega total, de suor na arena e de fidelidade a um compromisso que não se escreve, cumpre-se.

Monsaraz não é apenas cenário. É raiz. A vila muralhada, virada para o grande lago do Alqueva e para o horizonte sem fim do Alentejo, molda homens de carácter firme. Ali, a palavra dada tem peso. E quando um forcado veste a jaqueta com o emblema de Monsaraz ao peito, leva consigo mais do que um símbolo — leva uma comunidade inteira.

O vídeo que assinala estes dezasseis anos é mais do que um desfile de pegas bem conseguidas. É uma narrativa de crescimento. Vêem-se as primeiras formações, os rostos ainda jovens, a aprendizagem feita com humildade. Vê-se a consolidação, as noites de treino, os momentos de dúvida, as lesões superadas, os regressos determinados. E vê-se, acima de tudo, a maturidade de um grupo que soube ganhar o seu espaço com trabalho e seriedade.

A forcadagem é um acto colectivo. Há um homem que avança para a cara do toiro, é certo. Mas atrás dele estão sete que sustentam a decisão, que garantem que a coragem individual se transforma em força de grupo. É essa união que o vídeo capta com particular nitidez: os olhares antes da investida, o silêncio concentrado, o abraço depois da pega concretizada. A confiança absoluta uns nos outros.

Ao longo destes dezasseis anos, os Forcados Amadores de Monsaraz enfrentaram ganadarias exigentes, pisaram praças emblemáticas, representaram a sua terra com dignidade. Conheceram triunfos claros e momentos difíceis — porque a arena não perdoa erros. Mas levantaram-se sempre. E essa capacidade de superação é talvez a maior marca do grupo.

Importa lembrar que a forcadagem portuguesa é singular no universo taurino. Não há armas, não há morte na arena. Há confronto frontal, técnica, coragem física e domínio emocional. Há risco real, assumido de peito aberto. E há uma estética de bravura que distingue Portugal e que encontra, em grupos como o de Monsaraz, uma expressão autêntica.

Mais do que um percurso desportivo, estes dezasseis anos representam um legado. Muitos dos fundadores já passaram o testemunho. Novos forcados vestem agora a jaqueta com a mesma responsabilidade. A tradição não se cristaliza — renova-se.

Em 2026, celebrar dezasseis anos é afirmar que a aposta feita em 2010 foi acertada. Que houve visão, determinação e amor à arte. Que Monsaraz continua a gerar homens dispostos a avançar quando o clarim soa.

Porque ser forcado não é procurar protagonismo. É honrar um grupo, uma terra e uma história.

E há dezasseis anos que Monsaraz honra essa história dentro da arena.

Foto: Daniela Sádio

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Carlos Papafina

PAC, raça brava e “fundos climáticos”: há desvio ou há ruído?

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Por Carlos Papafina

A polémica reacendeu-se nas últimas semanas. A plataforma Basta de Touradas acusa o Estado de estar a “desviar milhões de euros” de fundos destinados à gestão ambiental e climática para financiar criadores de touros de lide. A expressão é forte. Sugere irregularidade, favorecimento e uso indevido de verbas públicas num momento em que a crise climática exige respostas estruturais.

Mas a questão central impõe-se: há base factual para falar em desvio?

Uma leitura rigorosa dos diplomas legais e do enquadramento europeu mostra que a narrativa é mais complexa – e menos escandalosa – do que tem sido apresentada.

O que está realmente em causa

O financiamento referido enquadra-se no Plano Estratégico da Política Agrícola Comum 2023-2027 (PEPAC), instrumento nacional que executa as regras da Política Agrícola Comum da União Europeia.

No domínio C.1 — Gestão Ambiental e Climática — inclui-se uma intervenção denominada “Manutenção de Raças Autóctones”. Esta medida não foi criada para a raça brava nem para a tauromaquia. Trata-se de um mecanismo europeu antigo, destinado à preservação de recursos genéticos animais.

A classificação das raças autóctones compete à Direção-Geral de Alimentação e Veterinária, enquanto os pagamentos são operacionalizados pelo Instituto de Financiamento da Agricultura e Pescas, no âmbito do Plano Estratégico da Política Agrícola Comum.

Não existe qualquer referência normativa a espetáculos tauromáquicos como critério de elegibilidade. O critério é técnico: manutenção de efetivos reprodutores de raças autóctones com determinado grau de ameaça genética.

A classificação “em risco”

Em 2023, a raça bovina brava passou a constar na lista de raças autóctones com grau de ameaça que permite acesso ao apoio de manutenção.

Importa clarificar o significado de “em risco”: trata-se de uma categoria técnica baseada em indicadores populacionais e de variabilidade genética. Não é uma classificação cultural, ética ou política.

A política agrícola europeia financia a preservação de património genético rural, independentemente da finalidade económica do animal. A mesma lógica aplica-se a raças como a Mirandesa, a Maronesa ou a Barrosã.

Discordar da tauromaquia é legítimo. Mas a elegibilidade para apoio não depende da utilização cultural do animal — depende da sua classificação zootécnica.

Há desvio de verbas ambientais?

A palavra “desvio” pressupõe ilegalidade ou uso indevido de fundos.

Até ao momento, não foi apresentada qualquer evidência documental de:

violação das regras da PAC;

manipulação administrativa;

decisão fora das competências legais da autoridade nacional;

utilização de verbas para fim diferente do previsto no regulamento.

O eixo “Gestão Ambiental e Climática” da PAC não se limita a políticas de carbono ou energia. Inclui conservação de solos, pastagens extensivas, biodiversidade agrícola e recursos genéticos.

A manutenção de raças autóctones integra há décadas esse conceito alargado de sustentabilidade rural.

Pode discutir-se se o modelo é o mais adequado. Mas isso é debate político, não prova de fraude.

Os números avançados

A plataforma ativista estima que os criadores possam receber entre 1,5 e 2 milhões de euros anuais.

Contudo, esses valores resultam de um cálculo teórico baseado no número total de animais e no valor máximo por cabeça normal. Não correspondem necessariamente à execução real.

Na prática:

nem todos os animais são elegíveis;

nem todos os criadores apresentam candidatura;

os pagamentos dependem de validação e controlo;

os montantes variam conforme critérios técnicos.

Até ao momento, não foi divulgado relatório oficial que confirme o valor global apresentado como facto consumado.

O debate que importa

O financiamento público da tauromaquia é um tema sensível e merece discussão séria. Há argumentos éticos, culturais e económicos que dividem a sociedade portuguesa.

Mas a crítica política deve assentar em rigor factual.

Confundir uma medida europeia de conservação genética com um “desvio climático” pode gerar mobilização emocional, mas fragiliza o debate público.

Se o objetivo é questionar o modelo de financiamento da PAC, essa é uma discussão estrutural sobre prioridades agrícolas.

Se o objetivo é provar irregularidade administrativa, a prova continua por demonstrar.

Conclusão

Num país onde a confiança nas instituições é frágil, a responsabilidade na comunicação pública é essencial.

A classificação da raça brava foi feita por entidade competente, através de instrumento legal publicado. Os apoios enquadram-se nas regras da PAC aplicáveis a múltiplas raças autóctones. Não há, até prova em contrário, evidência de ilegalidade.

A divergência é ideológica. A acusação de desvio é jurídica.

E entre uma e outra há uma diferença que importa preservar.

O debate sobre tauromaquia continuará. Mas deve fazê-lo com dados, não com rótulos.

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