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Portugal

U.Porto e Dimas & Silva dão nova vida ao pó da cortiça

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O processo de produção de cortiça gera, todos os anos, grandes quantidades de um subproduto pouco aproveitado, mas com grande potencial: o pó de cortiça. Esse é um tema que preocupa o setor, quer do lado da indústria quer do lado da ciência e investigação. Nesse sentido, uma parceria entre a empresa Dimas & Silva e um grupo de investigadores da Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto (FFUP), UCIBIO e do CIIMAR – Centro Interdisciplinar de Investigação Marinha e Ambiental da U.Porto, chegou a bom porto e vai, agora, começar a tratar de levar a solução desenvolvida ao mercado.

O Cork2Cosmetics foi um verdadeiro arregaçar de mangas destes dois grupos com áreas de saber distintas, mas com um objetivo comum: pensar numa solução para “explorar plenamente o potencial do pó da cortiça” e, com isso, maximizar o seu valor económico, como refere Isabel Martins de Almeida, investigadora do Laboratório de Tecnologia Farmacêutica da FFUP e líder do projeto. E vão fazê-lo através da incorporação do pó em produtos cosméticos, “dando uma nova vida a este recurso negligenciado”.

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Este é um modelo de colaboração que a U.Porto incentiva, juntando empresas e indústria em projetos. Depois, se os resultados forem exploráveis e de interesse comercial, é negociada a licença de exploração dos resultados de investigação, que foi o que aconteceu neste caso: um “verdadeiro exemplo de sucesso de um projeto de Investigação & Desenvolvimento empresarial em regime de co promoção”, refere a U.Porto Inovação.

Sediada em Mozelos, Santa Maria da Feira, a Dimas & Silva é uma empresa familiar especializada na produção de granulados de cortiça (a base da sua atividade industrial) mostrou interesse em explorar industrial e comercialmente a invenção e, com a mediação da equipa da U.Porto Inovação, deram-se início às negociações. “Este processo de licenciamento foi liderado por uma equipa muito experiente e empenhada da U.Porto Inovação, envolvendo ativamente todos os parceiros”, conta Isabel Martins de Almeida.

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O acordo entre as partes foi assinado em 2025, e pretende “estabelecer a U.Porto e a Dimas & Silva [que já são cotitulares no registo de patente desta invenção]  como parceiros de negócio, com detalhes específicos em sede de divisão de receitas”, contam os representantes da empresa.

Segundo Isabel Martins de Almeida, “este licenciamento concretiza a translação industrial de novas tecnologias geradas na FFUP o que, para além de ser muito gratificante para a equipa de investigação, representa uma valorização económica do conhecimento e um incentivo tecnológico e económico para as indústrias do setor corticeiro e cosmético, contribuindo para a afirmação de Portugal como um cluster de inovação na área cosmética”.

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O que fazer aos subprodutos da cortiça?

Portugal é o maior produtor de cortiça do mundo, responsável por mais de 50% da produção mundial. Segundo dados da Filcork – Associação Interprofissional da Fileira da Cortiça, em 2025 Portugal produziu perto de 3,5 milhões de arrobas, o que equivale a 52 mil toneladas. Além disso, também é o maior exportador de cortiça e produtos derivados. Esse processo de produção gera, todos os anos, grandes quantidades de pó de cortiça.

A invenção desenvolvida na FFUP demonstrou que esse material tem potencial “como ingrediente absorvente de óleo, corante, esfoliante e fotoprotetor” e, por isso, pode ser usado tanto em produtos de maquilhagem como em protetores solares com cor ou produtos matificantes.

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“A partir do pó, obtiveram-se extratos aquosos com atividade antioxidante, anti-inflamatória e anti-senescência, adequados a produtos de cuidado da pele como hidratantes e anti-envelhecimento” explica Honorina Cidade, que supervisionou o estudo deste processo extrativo.

A solução “made in” U.Porto tem várias vantagens em relação a outras soluções. Além de requerer um “processamento mínimo”, o pó de cortiça é produzido em grandes quantidades e a partir de uma fonte renovável e sustentável, o que lhe confere “uma clara vantagem em relação a muitos outros subprodutos agroindustriais”, nota Sandra Mota, estudante de doutoramento que realizou grande parte deste trabalho experimental.

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Já na área da cosmética, as vantagens na formulação dos produtos são várias: esfoliação suave, efeito potenciador do fator de proteção solar e propriedades corantes naturais. Ou seja, o pó da cortiça “é um ingrediente ecológico e versátil, interessante para uma grande diversidade de produtos cosméticos”.

O processo de obtenção dos extratos aquosos também é simples e, por isso, facilmente transposto para a escala industrial. Isso foi, também, um ponto importante para a Dimas & Silva, que viu de forma clara “o potencial de concretizar uma ideia num produto comercializável”.

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De olhos num futuro mais sustentável

As preocupações ambientais estão presentes em ambos os lados – empresa e cientistas. Estando, atualmente, no que referem como “um novo momento da sua história, com uma visão orientada para a sustentabilidade e para a inovação responsável” o Cork2Cosmetic é, assim, “uma iniciativa de economia circular que reforça o compromisso da empresa com práticas sustentáveis e a valorização dos recursos naturais”, referem os representantes da Dimas & Silva.

A maioria dos requisitos regulamentares e técnicos já foi abordada pela equipa da FFUP, incluindo a “avaliação da irritação cutânea em modelos de pele reconstruída e a reprodutibilidade adequada dos lotes”, explica Isabel Martins de Almeida.

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Também já foi garantida a qualidade microbiológica, através da “submissão do pó a um tratamento térmico específico, sem comprometer a estabilidade química”. O pó da cortiça foi testado em diferentes formulações cosméticas: sólidas, líquidas e semissólidas.

É necessário, no entanto, e como refere Isabel Almeida, “uma cadeira de abastecimento adequada para levar o pó de cortiça ao mercado”, ponto para o qual são fundamentais as parcerias com fornecedores da indústria cosmética. A Dimas & Silva vai continuar a colaborar com a equipa na investigação, nomeadamente na otimização do processo e da infraestrutura industrial para obter um material de alta qualidade.

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Os próximos passos procuram levar a invenção “para os mercados internacionais”, concluem.

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Portugal

Estudantes da FMUP foram aos Pirinéus aprender a salvar vidas

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Os estudantes do Mestrado em Assistência Integral em Urgências e Emergências da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP) participaram, no final do mês de março, numa formação intensiva em contexto real de montanha, na região de Benasque, no coração dos Pirinéus Aragoneses.

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Ao longo de três dias, estudantes e membros do staff do Centro Pluridisciplinar de Simulação (SIM-FMUP) foram desafiados a aplicar conhecimentos teóricos em cenários exigentes, no âmbito da unidade curricular de Medicina de Montanha. A iniciativa decorreu em colaboração com o Instituto de Estudos Médicos de Barcelona.

O programa teve início com uma componente técnica em ambiente controlado, num rocódromo, onde os participantes treinaram técnicas de escalada vertical, rapel e execução de nós – competências fundamentais para intervenções em terrenos de difícil acesso.

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Já durante a noite, os estudantes enfrentaram um exercício de orientação que integrou a simulação de um cenário com múltiplas vítimas em contexto de busca e resgate em montanha, colocando à prova a capacidade de decisão sob pressão.

Preparação fundamental em cenários extremos

No segundo dia, a formação prosseguiu em zonas de maior altitude, com presença de neve, onde foram realizados exercícios de busca e resgate em avalanche, articulados com a simulação de diferentes cenários clínicos em ambiente extremo.

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Já o último dia ficou marcado por um exercício complexo de resgate em altura, envolvendo três vítimas localizadas num vale de difícil acesso. Os estudantes foram responsáveis por toda a operação desde a aproximação ao local até à estabilização clínica e evacuação em segurança.

“A forte componente prática é uma das vertentes diferenciadoras deste curso, que permitiu aos estudantes treinar procedimentos complexos na escola de Benasque, sob a orientação de profissionais que se dedicam exclusivamente ao resgate de vítimas de acidente em alta montanha”, sublinha Cristina Granja, diretora do SIM-FMUP.

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Destinado a médicos e enfermeiros, o Mestrado em Assistência Integral em Urgências e Emergências volta a abrir candidaturas entre os dias 12 de junho e 22 de julho de 2026.

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Portugal

Universidade do Porto está na Ásia a abrir novas portas para o mundo

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Uma delegação da Universidade do Porto, liderada pelo Reitor António de Sousa Pereira, encontra-se na Ásia, numa missão institucional que tem como objetivo reforçar e aprofundar parcerias académicas e científicas com algumas das mais prestigiadas instituições da região.

Com passagem por Macau, Coreia do Sul e Japão, a missão arrancou no início do mês, com uma visita à Universidade de Macau, instituição com a qual a U.Porto mantém, há vários anos, uma profícua colaboração científica e académica . Relação que foi agora reforçada com a assinatura de um acordo que estabelece a coorientação de doutorandos em áreas científicas estratégicas, promovendo a formação avançada em contexto internacional.

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No âmbito da visita, foram igualmente celebrados vários memorandos de entendimento entre unidades da U.Porto — nomeadamente as faculdades de Ciências (FCUP) e de Engenharia (FEUP) e o INESC TEC — e estruturas científicas da Universidade de Macau. Estas parcerias visam “potenciar as vantagens e competências próprias de cada instituição, de modo a estabelecer uma plataforma internacional de elevado nível para a cooperação em investigação científica” em domínios de elevada especialização, com destaque para a microeletrónica e as tecnologias de ponta.

Para António de Sousa Pereira, os acordos alcançados representam “um reforço significativo da presença internacional da U.Porto e da sua capacidade de atrair e formar talento altamente qualificado em colaboração com parceiros de excelência”.

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O Reitor da U.Porto sublinhou ainda a “importância estratégica da ligação a instituições de países de língua portuguesa, no quadro da afirmação global da Universidade”.

O Reitor da Universidade de Macau, Song Yonghua, realçou, por sua vez, que estes acordos irão “lançar bases sólidas para a promoção da formação de quadros qualificados com uma visão internacional e para o desenvolvimento de investigação científica de elevado impacto”.

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Durante a visita, a delegação da U.Porto teve ainda a oportunidade de conhecer de perto infraestruturas científicas da Universidade de Macau, incluindo laboratórios de investigação em circuitos integrados e microeletrónica, bem como projetos inovadores e patentes desenvolvidas na instituição.

Da Coreia do Sul ao Japão

A comitiva seguiu depois para a Coreia do Sul, onde reuniu, nos dias 7 e 8 de abril com responsáveis da Seoul National University e da Korea University, ambas classificadas  no “top 100” – nas posições 41 e 79, respetivamente – do prestigiado “QS World University Ranking”, e membros do reconhecido grupo SKY, que é uma referência de excelência no sistema universitário sul-coreano e com forte projeção internacional.

Estes encontros permitiram explorar oportunidades de colaboração em diversas vertentes, nomeadamente nos domínios da investigação, inovação e educação, bem como reforçar o diálogo estratégico entre as partes.

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Refira-se que a cooperação entre a U.Porto e a Coreia do Sul tem vindo a consolidar-se nos últimos anos, através da implementação de mobilidades no âmbito do programa Erasmus+. E promete crescer no futuro, face ao crescente interesse da Coreia do Sul por Portugal (visível, por exemplo, na implementação de de voos diretos entre Seul e Lisboa, operados pela Korean Air) e à recente associação formal do país ao Horizonte Europa, tornando-se o primeiro país asiático a integrar o principal programa europeu de financiamento à investigação e inovação.

A delegação da U.Porto encontra-se agora no Japão, onde tem reuniões agendadas com três universidades reconhecidas pela qualidade académica, pela forte aposta na investigação, pela oferta de programas em inglês. Será por isso uma oportunidade para aprofundar a cooperação académica, promover mobilidade e desenvolver novos projetos conjuntos.

O périplo arrancou esta segunda-feira, com visitas à Waseda University e à Sophia University, e terminará no dia 15 de abril, com um encontro na Kyoto University, a 46.ª melhor do mundo de acordo com a QS.

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Para além do Reitor, integram a comitiva da U.Porto os Vice-Reitores José Castro Lopes e Joana Carvalho, Rui Calçada (Diretor da FEUP), Fernando Silva (Diretor do Departamento de Ciência de Computadores da FCUP), Luís Antunes (docente da FCUP e Diretor do Centro de Competências em Cibersegurança e Privacidade da U.Porto), João Claro (Presidente do INESC TEC e docente da FEUP) e João Carlos Ribeiro (Administrador da U.Porto).

Agulhas apontadas a oriente

Esta missão inserem-se então na estratégia que a U.Porto vem implementando no sentido de aprofundar a sua presença e cooperação na região Ásia-Pacífico, promovendo parcerias sustentadas com instituições de excelência e criando novas oportunidades de colaboração académica e científica de impacto global.

Recentemente, uma outra delegação da U.Porto, liderada pela Vice-Reitora Joana Carvalho, viajou até Hong Kong para participar na APAIE 2026, um dos maiores e mais influentes encontros internacionais dedicados à internacionalização do ensino superior na região Ásia‑Pacífico.

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Para além das instituições da Greater Bay Area (GBA), que constituíram um foco central da missão, foram estabelecidos contactos com universidades e redes de cooperação da Coreia do Sul, Japão, Singapura, entre outras.

“Para a U.Porto, aprofundar relações nesta região significa reforçar a ligação a polos de conhecimento de fronteira e abrir novas oportunidades para os nossos estudantes, docentes e investigadores”, apontava então Joana Carvalho, sobre um conjunto de encontros que permitiram explorar novas oportunidades de mobilidade, investigação conjunta, formação avançada e colaboração institucional.

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Portugal

‘Da Janela Vejo Verde’ patente ao público no Bairro do Castelo

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“Da Janela Vejo Verde” é a nova exposição de Eva Carolina, inaugurada na Casa do Artista – Galeria Porta dos Figos, situada no histórico Bairro do Castelo de Lamego.

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Resultado de uma parceria entre o Município de Lamego, a VAAGO e a artista, esta mostra parte da memória, da infância e da ligação ao território, transformando estas experiências em linguagem artística, afirmando, ao mesmo tempo, Lamego como espaço de criação e encontro.

A cerimónia de inauguração contou com a presença do Vice-Presidente Hugo Maravilha.

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A exposição está patente ao público até ao próximo dia 28 de junho, de terça-feira a domingo. A entrada é livre.



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Economia

Preço do gás natural dispara mais de 8% após tensões no Estreito de Ormuz

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O preço do gás natural de referência na Europa (TTF) registou, esta segunda feira, uma subida de 8,60%, fixando-se nos 47,66 euros por megawatt-hora (MWh).

Esta escalada surge na sequência do fracasso das negociações entre os EUA e o Irão e do anúncio de Donald Trump sobre a intenção de bloquear a circulação de embarcações no Estreito de Ormuz, um ponto vital para o abastecimento energético global.

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O mercado reagiu com forte volatilidade, chegando a registar um pico de 49,52 euros na abertura da sessão, refletindo a instabilidade geopolítica e o receio de ruturas no fornecimento de combustível.

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