Cultura
Últimas Notícias do Sapiens


Carregamos connosco a história dos nossos ancestrais pelo que faz todo o sentido conhecermos a nossa história natural. Parafraseando o início e o título do livro de Condemi e Savatier (2018), “Últimas notícias do sapiens”, o sapiens (o sábio), é um animal singular. É a única espécie que modifica o ambiente ao ponto de influenciar a própria evolução, assim como a das outras espécies. O impacto da nossa existência no planeta é de tal ordem que a era que hoje vivemos denomina se Antropoceno, literalmente, era humana. E depois de cerca de sete milhões de anos em que houve coexistência de várias espécies de humanos, hoje somos a única espécie viva. Estamos anormalmente sós.
Há toda uma série de perguntas sobre a nossa história evolutiva que deveria interessar a todos. Para além de que, o passado do sapiens elucida sobre o seu futuro, o nosso. E quais os nossos apanágios? Desde logo, temos um cérebro que é três vezes maior do que aquele que seria de esperar num primata do nosso tamanho corporal, ou seja, uma das nossas grandes características distintivas reside no cérebro, não só é enorme como tem uma complexidade ímpar. Importa frisar que esta característica está intimamente ligada à nossa dieta e à forma como nos deslocamos. Atualmente somos os únicos primatas bípedes. É uma tríada evolutiva chave: cérebro-dieta- locomoção.
Os fósseis são a pista mais real sobre quem eram os nossos ancestrais, e como e porquê nos tornámos na espécie que hoje somos. Nos últimos tempos os métodos de abordagem dos ossos dos nossos ancestrais, um dos tipos de fósseis mais frequentes, permitiram descodificar a informação neles guardada, nalguns casos há milhares de anos. Efetivamente os ossos podem ser considerados como um repositório de memórias que necessitam de softwares sofisticados para o desvendar. A descodificação do ADN antigo, mitocondrial e nuclear, é uma boa ilustração desses avanços tecnológicos. Foi conseguido o feito incrível de conseguir aceder ao ADN nuclear dos fósseis de Atapuerca, nomeadamente da Sima de los Huesos, com cerca de 400 mil anos. Não obstante, não podemos esperar que esta barreira cronológica seja indefinidamente ultrapassada pois a preservação de ADN em fósseis com mais de 1 milhão de anos, a acontecer, será ínfima. Mas Atapuerca, uma serra perto de Burgos, em Espanha, é um lugar chave para conhecer a história evolutiva da nossa espécie, designadamente desde há cerca de 1,5 milhões de anos. E muito recentemente foi publicado um outro estudo fantástico, desta feita relativo a Gran Dolina e ao Homo antecessor, um dos primeiros habitantes desta serra mítica e mediática, que viveu há cerca de 1 milhão de anos.
Atualmente, a análise de proteínas antigas com espectrometria de massa, uma abordagem comumente conhecida como paleoproteómica, permite ultrapassar a barreira cronológica do ADN antigo pois as proteínas antigas sobrevivem durante muito mais tempo que o ADN antigo, permitindo aceder a filogenias baseadas em dados moleculares para além dos limites de degradação do ADN. A análise de paleoproteínas do esmalte dentário de um dente de Homo antecessor permitiu aceder a informação genética com 800 mil anos. As proteínas sugerem que o H. antecessor era um parente próximo do último ancestral comum dos humanos, Neandertais e Denisovianos. Estas três espécies, a nossa, os Neandertais e os Denisovianos, coexistiram na Europa e na Ásia nos últimos 70 mil anos. Muito recentemente foi confirmado que as indústrias líticas dos primeiros homens modernos europeus e dos neandertais coexistiram por mais de 100 mil anos. Para além disso, foi confirmado que estes nossos parentes mais recentes, os Neandertais, já possuíam linguagem. Com base numa investigação baseadas em TC (tomografia computorizada) de alta resolução, que permitiu recriar as estruturas 3D do ouvido do Homo sapiens e dos Neandertais e de fosséis da Sima de los Huesos, ficou a saber se que as capacidades auditivas dos Neandertais se aproximavam das nossas.
Ainda um outro estudo recente, mostra que, tal como nós, os Neandertais desmamavam os bebés sensivelmente na mesma altura e também introduziam os alimentos sólidos na dieta das crianças por volta dos 5-6 meses. Ou seja, mais uma prova que, comportamentalmente, eram muito parecidos connosco, e que os padrões de crescimento eram igualmente similares. Este tipo de descobertas foi conseguido com base na análise minuciosa de dentes de leite de três crianças de Neandertal. Relembre-se que várias descobertas arqueológicas têm demonstrado que os Neandertais também eram artistas: poderiam pintar grutas e usar colares, por exemplo. Se acrescentarmos a tudo isto o facto de os genomas destas duas espécies estarem hoje descodificados, temos hoje a certeza que nós, sapiens, nos cruzámos com outras espécies, designadamente com os Neandertais. Eles estão assim entre nós pois cerca de 2% do material genético do nosso genoma, das populações não africanas, é de Neandertal.
Esta é apenas uma pequena nota sobre notícias atuais do sapiens. Importa não esquecer que o sapiens vai continuar a evoluir. E, sobretudo, o sapiens vai ter mesmo que continuar a ser verdadeiramente sábio para conseguir sobreviver nesta nova era em que as pandemias representam um desafio complexo.
Eugénia Cunha
Eugénia Cunha é Professora catedrática convidada do Departamento Ciências da Vida, FCTUC. Diretora do Instituto Nacional de Medicina Legal e Ciências Forenses, Delegação do Sul, Lisboa.


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CARTAZ → MÚSICA → ALCOBAÇAGrandes orquestras, uma celebração de Amália e novas…


CARTAZ → MÚSICA → ALCOBAÇA
Grandes orquestras, uma celebração de Amália e novas vozes do jazz → a não perder, entre hoje e 23 de julho, no Cistermúsica, Alcobaça
Da Sinfonia do Novo Mundo ao jazz contemporâneo, sem esquecer o legado de Amália, o programa dos próximos dias do Cistermúsica cruza gerações e geografias. Entre hoje e 23 de julho, “o festival leva o público a um círculo perfeito, ligando o Novo Mundo de Dvořák à América de Amália Rodrigues; passando pelo jazz contemporâneo português e britânico e pela música vocal do Renascimento. Entre jovens talentos internacionais, artistas consagrados e projetos inéditos, a programação reúne alguns dos concertos mais aguardados desta edição”.
→ conheça o programa em www.cistermusica.com/pt
O Cistermúsica – Festival de Música de Alcobaça é organizado pela ABA – Banda de Alcobaça Associação de Artes
Apoio: República Portuguesa – Cultura, Juventude e Desporto / Direção-Geral das Artes









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CARTAZ → INSTALAÇÃO → FUNDÃOMEMÓRIA E O LUGAR é um projeto que ganha a sua for…


CARTAZ → INSTALAÇÃO → FUNDÃO
MEMÓRIA E O LUGAR é um projeto que ganha a sua forma numa estreita interseção com as características materiais e imateriais, simbólicas e afetivas, específicas de cada lugar onde acontece. Parte de encontros com várias pessoas do Fundão, da cidade e de diferentes aldeias, que partilharam as suas histórias de viagem, as suas trajetórias, os seus sonhos e aventuras de percursos de migração. “Uma escuta atenta da vida de cada um de tempos mais e menos recentes que revelam a memória coletiva de uma comunidade ainda muito presente”.
“Retratos e imagens de arquivo projetadas em cubos e uma peça sonora, difundida em rádio para escuta individual com auscultadores, criam narrativas e compõem novas memórias do lugar”.
→ um projeto do Teatro Só, a decorrer entre hoje e o próximo domingo (17 a 19 de julho), das 21h às 24h, na Praça do Município, Fundão
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Partilhamos algumas imagens da residência da Orquestra Juvenil Ibero-Americana 2…


Partilhamos algumas imagens da residência da Orquestra Juvenil Ibero-Americana 2026!
De 14 a 20 de julho, 78 jovens instrumentistas dos 15 países que participam no Programa de Cooperação Ibero-Americana Iberorquestras Juvenis estarão reunidos na Colômbia para uma semana de ensaios, aprendizagem e intercâmbio artístico.
Portugal está representado na OJI 2026 pelas jovens instrumentistas Sílvia Adolfo (violoncelo) e Luana Carvalho (oboé).
Durante esta residência, chefes de naipe da Orquestra Sinfónica Nacional da Colômbia acompanharão este processo formativo, partilhando a sua experiência, conhecimentos e percurso artístico.
Sob a direção da maestra María Camila Barboza, a OJI 2026 interpretará um repertório composto por seis obras representativas da região, incluindo a Suite Alentejana Nº 1, do compositor português Luís de Freitas Branco.
Concertos de entrada livre:
Cajicá
18 de julho de 2026
19:00
Auditório do Instituto Municipal de Cultura e Turismo de Cajicá
Bogotá
20 de julho de 2026
11:00
Teatro Colón
#OJI2026 #OrquestraJuvenilIberoAmericana #IberorquestrasJuvenis #CooperaçãoIberoAmericana
Iberorquestas Juveniles Plan Nacional de Música para la Convivencia Instituto Municipal de Cultura y Turismo de Cajicá
Caucamerata Fundación
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A DGARTES, através do Diretor-Geral das Artes, Américo Rodrigues, é o organismo responsável pela implementação do Programa Iberorquestras Juvenis em Portugal, promovendo a educação musical inclusiva, a prática orquestral e a valorização da diversidade cultural do espaço Ibero-Americano dirigido a crianças, adolescentes e jovens.









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[EDIÇÃO]→ Livro “Lusitana Musica” é apresentado hoje em Braga, com o apoio da …


[EDIÇÃO]
→ Livro “Lusitana Musica” é apresentado hoje em Braga, com o apoio da DGARTES
Hoje (16 julho), às 18h30, o livro LUSITANA MUSICA de Tiago Manuel da Hora, editado pelo MPMP, Património Musical Vivo, será apresentado na Livraria Centésima Página (Braga). Nesta sessão, ao lado do autor estará o jornalista Miguel Carvalho. A entrada é livre.
Depois da sua rubrica na revista Glosas e do programa homónimo na RTP Antena 2, Tiago Manuel da Hora publica “Lusitana Musica”, um livro sobre o sector da gravação discográfica em Portugal no século XX. Um livro que pretende, nas palavras do autor, “viajar por alguns recantos da nossa discografia, reavivando assim a memória de alguns leitores, estimulando a curiosidade de outros, e fixar para a memória futura uma parte relevante da nossa história da música das últimas décadas”.
→ saiba + no nosso website
© Diana Tinoco





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