A missão ARRAKIHS, com participação do Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço, vai permitir à Europa liderar a exploração do Universo de baixo brilho superficial.
Simulação da ARRAKIHS das estruturas de baixo brilho superficial no halo de uma galáxia espiral semelhante à Via Láctea. (Crédito: Alex Camazón (IEEC)/AMC)
Membros da equipa de instrumentos do ARRAKIHS a trabalhar na carga útil (payload) científica. (Crédito: Satlantis, IDR, UPM)
O Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço (IA) da Universidade do Porto integra o consórcio internacional que levará a cabo a próxima fase da missão espacial ARRAKIHS, cuja data de lançamento para o espaço, em 2030, foi esta semana oficialmente confirmada pela Agência Espacial Europeia (ESA). Esta segunda missão científica da classe FAST (F2) analisará os “restos arqueológicos” de estruturas estelares semelhantes à Via Láctea, procurando ajudar a percebercomo se formam e evoluem as galáxias no âmbito do Modelo Padrão da Cosmologia.
A decisão da ESA de avançar para uma nova fase da missão dará início à conceção e construção de um satélite e da respetiva instrumentação, a cargo de um consórcio internacional que conta com a participação de mais de 250 cientistas e engenheiros de sete Estados-membros da ESA. Liderado por Rafael Guzmán, do Instituto de Física da Cantábria (IFCA, CSIC–UC), o Consórcio da Missão ARRAKIHS (AMC) inclui investigadores da Áustria, Bélgica, Espanha, Noruega, Portugal, Suécia e Suíça, e contribuições adicionais de instituições e empresas do Reino Unido, França, Dinamarca, Países Baixos, Estados Unidos, Taiwan e Tailândia. A participação nacional é coordenada pelo investigador Polychronis Papaderos (IA & UPorto).
Portugal irá desempenhar um papel de destaque em várias áreas essenciais para o sucesso científico da missão. Da participação nacional destaca-se o cargo de investigador responsável pelas Operações dos Instrumentos e Centro de Dados Científicos (Instrument Operations and Science Data Center – IOSDC), um papel de liderança fundamental no âmbito da missão. As equipas portuguesas irão ainda desenvolver software fundamental, o qual será integrado no pipeline de processamento de dados da ARRAKIHS. Estas atividades não só vão maximizar o retorno científico da missão, como também contribuirão para consolidar as competências nacionais em tecnologias avançadas de processamento de imagem, desenvolvimento de software científico e análise de “big data”. Portugal é ainda responsável pelo desenvolvimento e fabrico do Isolamento Multicamadas (Multi-Layer Insulation – MLI) do telescópio espacial, um subsistema crítico que protegerá o satélite do ambiente térmico extremo do espaço, garantindo a estabilidade necessária para observações de elevada sensibilidade. Para Polychronis Papaderos, líder da equipa nacional, “a missão vai ajudar a estudar os ténues halos estelares que rodeiam as galáxias com um nível de sensibilidade sem precedentes. Ao revelar as assinaturas fósseis de fusões e interações passadas, a missão dar-nos-á um vislumbre fundamental sobre a forma como as galáxias acumularam a sua massa ao longo da história do Universo”.
Revelar o Universo de baixo brilho
A adoção da missão ARRAKIHS ((Analysis of Resolved Remnants of Accreted galaxies as a Key Instrument for Halo Surveys) pela ESA é uma consequência da conclusão bem sucedida dos principais marcos de conceito preliminar, incluindo a Revisão Preliminar de Projeto (PDR) do instrumento e a entrega do “Red Book”, o relatório de estudo de definição que descreve a implementação científica, técnica e programática da missão.
A ARRAKIHS foi concebida para fornecer novas perspetivas sobre uma das principais questões em aberto na astrofísica moderna: como se formam e evoluem as galáxias no âmbito do Modelo Padrão da Cosmologia. Centrar-se-á, para tal, nos halos estelares de baixo brilho superficial em torno de galáxias espirais semelhantes à Via Láctea, os quais preservam informação essencial sobre a formação e a evolução galáctica, revelando os efeitos combinados da matéria escura, das fusões de galáxias e de outros processos que moldaram o Universo.
Estruturas de baixo brilho superficial no halo de uma galáxia espiral. (Crédito: Nicolas Longeard (EPFL), AMC)
“Muitas destas estruturas são extremamente ténues e difíceis de estudar de forma sistemática com as observações existentes”, explica a coordenadora científica da missão, Rebekka Coles-Bieri (Universidade de Zurique). Desta forma, a ARRAKIHS abrirá uma nova janela observacional sobre o ainda pouco explorado Universo de baixo brilho superficial, permitindo o estudo de componentes estelares dos halos galácticos até agora ocultos
Nos últimos anos, o consórcio internacional ARRAKIHS transformou um conceito científico altamente ambicioso numa missão espacial plenamente estabelecida no Programa Científico da ESA. Este progresso foi sustentado por importantes avanços científicos e tecnológicos, incluindo o desenvolvimento de novas simulações cosmológicas de alta resolução e modelos de galáxias, o design de subsistemas essenciais do instrumento de voo, o desenvolvimento inicial da infraestrutura terrestre para dados científicos e sistemas de análise de dados, e a operação de uma câmara demonstradora instalada no Observatório Astrofísico de Javalambre, bem como a aquisição de observações cada vez mais profundas que reforçam o caso científico da missão.
O IA da Universidade do Porto tem, refira-se, um papel ativo em diversas missões atuais e futuras da ESA, reforçando a presença da ciência e da indústria aeroespacial portuguesas nesta instituição pan-europeia. “A participação de Portugal na missão ARRAKIHS coloca o país na linha da frente de uma das missões de astrofísica mais ambiciosas da ESA. Para além do seu impacto científico, o projeto criará oportunidades de formação para jovens investigadores, reforçará a colaboração internacional e contribuirá para o desenvolvimento de tecnologias espaciais avançadas e de competências em ciência de dados em Portugal”, conclui Polychronis Papaderos.
A Vice-Presidente da CCDR NORTE, Gabriela Leite, participou no Encontro Ciência e Inovação 2026, no painel “Da Ciência ao Ecossistema – Construir Vantagens Territoriais na Economia da Inovação”, dedicado ao papel das regiões na transformação do conhecimento em competitividade.
Na sua intervenção, destacou que a capacidade de um território inovar depende menos da quantidade de recursos disponíveis e mais da forma como consegue articular universidades, centros de investigação, empresas e instituições em torno de objetivos comuns.
Sublinhou ainda o papel da CCDR NORTE na construção desse ecossistema, através da definição de estratégias regionais, da promoção da cooperação entre os diferentes atores e da criação de condições para que o conhecimento científico se traduza em inovação, competitividade e desenvolvimento económico em todo o território da Região Norte.
O projeto Track2Sea desenvolverá, em parceria com a Federação Portuguesa de Remo e a Nelo Kayaks, um sistema inovador para monitorizar o desempenho dos atletas.
O projeto Track2Sea pretende otimizar a monitorização do desempenho dos remadores através da integração de diferentes tecnologias de avaliação.Foto: Ricardo Cardoso
A Faculdade de Desporto da Universidade do Porto (FADEUP) vai liderar o desenvolvimento de um sistema inovador de monitorização do desempenho no remo, no âmbito do projeto Track2Sea–Monitorização Multimodal e Interoperabilidade de Dados no Remo de Pista e Mar, apoiado pelo Comité Olímpico de Portugal através do Programa de Bolsas para Projetos de Investigação Aplicada ao Desenvolvimento Desportivo.
Coordenado pelo Professor João Paulo Vilas-Boas, diretor do laboratório Labiomep, o projeto será desenvolvido ao longo de 30 meses em parceria com a Federação Portuguesa de Remo e a Nelo Kayaks, reunindo investigação científica, desenvolvimento tecnológico e aplicação direta ao treino e à competição.
O Track2Sea pretende criar uma plataforma integrada de avaliação e monitorização do desempenho no remo de pista e de mar, capaz de reunir informação biomecânica, fisiológica e técnico-tática recolhida em diferentes contextos, do treino à competição, passando pelo laboratório. O objetivo é disponibilizar uma visão mais completa e precisa do desempenho dos atletas, contribuindo para uma tomada de decisão mais informada por parte de treinadores e remadores.
Vários remadores de elite colaboram regularmente em projetos de investigação conduzidos pela FADEUP. | Foto: Ricardo Cardoso
Para isso, serão integradas diferentes tecnologias de avaliação, incluindo sistemas de GPS, sensores inerciais, medição de força, análise vídeo e avaliação fisiológica. A combinação destes dados permitirá gerar indicadores relevantes para otimizar o treino, aperfeiçoar a técnica e apoiar a melhoria do rendimento desportivo.
Uma das áreas de especial enfoque será o Beach Sprint Rowing, disciplina que integrará o programa dos Jogos Olímpicos de Los Angeles 2028. A investigação desenvolvida no âmbito do Track2Sea procurará contribuir para uma melhor compreensão desta variante emergente da modalidade, apoiando a preparação dos atletas portugueses para este novo desafio olímpico.
A Igreja Paroquial de Nossa Senhora da Vitória, em Famalicão, recebe, no próximo domingo, 26 de julho, às 19h30, o concerto “Lux Aeterna”, pelo Coro da Banda de Alcobaça, sob direção musical de Vera Santos.
De entrada livre, o espetáculo integra a programação do Cistermúsica – Festival de Música de Alcobaça, realizado em parceria com o Município da Nazaré e a Junta de Freguesia de Famalicão.
Na sua 34.ª edição, o Cistermúsica decorre entre 26 de junho e 31 de julho, sob o tema “Ressurreição”, reunindo cerca de cinco dezenas de concertos e iniciativas culturais em vários espaços patrimoniais da região. O conceito escolhido para este ano inspira-se na ideia de renovação, transformação e renascimento, cruzando diferentes leituras artísticas, espirituais e culturais.
O concerto “Lux Aeterna” insere-se nesta linha programática, proporcionando ao público uma experiência musical marcada pela riqueza do repertório coral e pela envolvência acústica e patrimonial da Igreja Paroquial de Nossa Senhora da Vitória.
A iniciativa constitui mais uma oportunidade para aproximar o concelho da Nazaré de um dos mais prestigiados festivais de música erudita do país, reforçando a descentralização da programação cultural e o acesso da comunidade a espetáculos de elevada qualidade artística.