Portugal
Alumni da U.Porto vencem Prémio Jornalismo em Saúde


Liliana da Silva Costa e Sofia Martins, ambas recém-licenciadas em Ciências da Comunicação pela Universidade do Porto, são as vencedoras do Prémio Jornalismo em Saúde 2026 – categoria “Mérito Universitário Revelação” -, atribuído pela Associação Portuguesa da Indústria Farmacêutica (Apifarma) e pelo Clube de Jornalistas .
O galardão distinguiu um dossiê publicado pelas duas autoras em março de 2025, no JPN – JornalismoPortoNet , o jornal online do curso de Ciências da Comunicação, sediado na Faculdade de Letras da U.Porto (FLUP). Dedicado à saúde feminina, o trabalho reúne artigos sobre diferentes dimensões da saúde das mulheres, cruzando testemunhos pessoais com contributos de especialistas.
Ao longo de cinco publicações, o dossiê aborda temas como a Síndrome do Ovário Poliquístico, a saúde materna no período pós-parto, a endometriose, a perimenopausa e a infertilidade.
O projeto teve como objetivo ampliar a visibilidade de temas ligados à saúde feminina, contribuindo para uma representação mais atenta das experiências das mulheres e para uma maior consciencialização sobre realidades ainda pouco valorizadas.
Um reconhecimento que vai além do trabalho
Para Sofia Martins, o prémio conquistado é gratificante, “não só pela valorização do esforço e trabalho, mas sobretudo pela visibilidade dada a temas que, infelizmente, ainda são muito desvalorizados e, por vezes, até ridicularizados”.
Liliana da Silva Costa partilha do mesmo sentimento, destacando que o dossiê nasceu precisamente da vontade de falar do que raramente é discutido: “saber que o trabalho teve impacto e foi reconhecido nesta área mostrou-nos que vale a pena continuar a fazer jornalismo com tempo, cuidado e atenção às histórias das pessoas”.
As duas autoras sempre definiram como objetivo central criar um espaço de partilha onde as mulheres se sentissem reconhecidas e representadas. Segundo Sofia Martins, a distinção é por isso uma “confirmação de que esse caminho é o certo”, rumo a uma “consciencialização mais atenta” e a uma partilha de informação essencial para compreender a saúde feminina e tudo o que ela implica.
As histórias que ficam
Ao longo da preparação dos artigos, as autoras foram confrontadas com testemunhos que as marcaram profundamente. A coragem das mulheres que partilharam as suas experiências é descrita por Sofia Martins como “um exemplo e uma inspiração”, enquanto Liliana da Silva Costa destaca sobretudo os relatos ligados à endometriose: “impressionou-me perceber como tantas mulheres convivem durante anos com dor, falta de diagnóstico ou sentimentos de culpa sem terem espaço para falar sobre isso de forma aberta”.
Sofia Martins identifica a saúde materna e a perimenopausa como os temas que mais a tocaram, por serem “bastante banalizados, mas extremamente complexos”. No que diz respeito ao pós-parto, sublinha a dificuldade de gerir, em simultâneo, o cansaço físico e emocional, a dor e a culpa, e a importância de reconhecer que é possível, e necessário, pedir ajuda a profissionais que se dedicam à consultoria nesta área, como é o caso da especialista Patrícia Cardoso.
Quanto à perimenopausa, o que mais sensibilizou a jovem jornalista foi descobrir que os sintomas podem surgir muito cedo, provocando mudanças físicas e psicológicas difíceis de compreender, sobretudo em fases mais jovens da vida. A frustração de ver esses sintomas reduzidos a “uma mera paranoia”, descrita pela entrevistada Catarina Pinto, foi uma das realidades que o dossiê quis contrariar.
O jornalismo como ferramenta de mudança
Quando questionadas sobre o papel do jornalismo na visibilidade da saúde feminina, as autoras são unânimes: a informação rigorosa e acessível é indispensável.
Para Liliana da Silva Costa, é essencial “ouvir especialistas, mas também dar espaço às experiências reais de quem vive essas situações”, trazendo os temas para o debate público “de forma informada, acessível e humana”.
Sofia Martins reforça que a partilha de testemunhos é fundamental para promover a empatia e a discussão: “não podemos ter empatia por algo que desconhecemos ou não entendemos”.
A aposta na desmistificação de conceitos ainda tabu e na exposição clara de assuntos complexos foi apontada como uma responsabilidade que o jornalismo não pode ignorar. O dossiê é visto pelas próprias como um exemplo que esperam ver replicado em projetos futuros, contribuindo para que as mulheres se sintam cada vez mais ouvidas e representadas.
Sobre o prémio
Atribuído anualmente pela Apifarma e pelo Clube de Jornalistas, o Prémio Jornalismo em Saúde distingue trabalhos jornalísticos que contribuam para a divulgação rigorosa de temas ligados à saúde, valorizando abordagens que promovam a literacia, a sensibilização pública e o debate informado.
Com esta distinção, o JPN soma a quinta vitória na categoria “Mérito Universitário Revelação”, depois dos prémios recebidos em 2020, 2021, 2022 e 2025.
Portugal
Quercus alerta para riscos ambientais do relatório sobre o novo aeroporto de Lisboa

Maior Aquífero da Península Ibérica em risco com localização do novo Aeroporto pois coloca em causa abastecimento de água às populações do distrito de Setúbal
A Quercus manifesta profunda preocupação face ao relatório técnico recentemente divulgado sobre o novo aeroporto da região de Lisboa, considerando que a informação apresentada deve ser analisada com o máximo rigor científico e sujeita a um amplo escrutínio público, tendo em conta os significativos impactes ambientais, territoriais e climáticos associados a esta infraestrutura.
A associação reafirma que qualquer decisão sobre a localização do novo aeroporto deve assentar numa avaliação independente, transparente e sustentada, compatível com a proteção do ambiente, da saúde pública, dos recursos naturais e do ordenamento do território.
Um dos aspetos que mais preocupa a Quercus prende-se com a proximidade ao maior aquífero da Península Ibérica. A importância estratégica deste sistema aquífero tornou-se recentemente evidente para a sociedade portuguesa, uma vez que dele depende o abastecimento de água de grande parte da população do distrito de Setúbal. Qualquer intervenção que comprometa a sua qualidade ou disponibilidade poderá ter consequências muito graves para a segurança hídrica da região.
Ao longo dos últimos anos, a Quercus tem alertado para os riscos ambientais associados às diferentes soluções aeroportuárias analisadas, nomeadamente a destruição e fragmentação de habitats, a pressão sobre ecossistemas sensíveis, os impactes na avifauna, o aumento do ruído e das emissões atmosféricas, bem como os efeitos sobre os recursos hídricos, a paisagem e a biodiversidade. No caso de Alcochete, a associação considera que a solução continua a levantar sérias preocupações ambientais, devido aos seus potenciais impactos sobre valores naturais de elevada relevância ecológica.
Embora o relatório procure minimizar a movimentação de terras através da definição da plataforma aeroportuária à cota de 50,25 metros, estimando cerca de 25 milhões de metros cúbicos de escavação e 20 milhões de metros cúbicos de aterro, esta continua a representar uma intervenção de enorme dimensão. Mesmo procurando um equilíbrio entre materiais de corte e aterro, esta operação implicará uma alteração profunda da topografia natural, da morfologia dos solos e do funcionamento dos ecossistemas existentes.
Outro dos aspetos que merece particular atenção é o desvio previsto da Ribeira do Vale Cobrão. A intervenção, que abrange aproximadamente 36 hectares, prevê a criação de canais abertos destinados a assegurar a continuidade hidráulica e ecológica do sistema hídrico. No entanto, qualquer insuficiência no dimensionamento destes canais ou a ocorrência de fenómenos hidrológicos extremos poderá comprometer não só o equilíbrio ecológico da bacia hidrográfica, como também a segurança operacional do próprio aeroporto e da futura ligação ferroviária.
A Quercus recorda ainda que a política aeroportuária nacional não pode ser analisada de forma isolada, ignorando a necessidade de reduzir a pressão sobre a Área Metropolitana de Lisboa, reforçar a ferrovia e promover uma mobilidade compatível com os compromissos climáticos assumidos por Portugal. Neste contexto, a associação continua a defender o aproveitamento do Aeroporto de Beja durante o período de transição, bem como uma estratégia que privilegie a substituição dos voos de curta distância por ligações ferroviárias sempre que tal seja possível.
Perante a dimensão dos riscos identificados, a Quercus considera indispensável que qualquer decisão sobre o novo aeroporto seja precedida de uma avaliação ambiental particularmente rigorosa, de um processo de discussão pública verdadeiramente informado e de uma ponderação séria dos custos ecológicos, sociais, económicos e climáticos associados à solução escolhida. A associação continuará a acompanhar este processo com atenção e a intervir sempre que estejam em causa a proteção dos valores naturais, dos recursos hídricos e o interesse público ambiental.
24 de julho de 2026
Portugal
A um dia do prazo, Portugal arrisca falhar a transposição da Diretiva Europeia sobre reparação de bens

Quercus alerta para mais um atraso na promoção da economia circular e defende medidas urgentes para garantir a promoção do direito à reparação
A um dia do prazo legal, 31 de julho, Portugal continua sem concluir a transposição da Diretiva (UE) 2024/1799 do Parlamento Europeu e do Conselho de 13 de junho de 2024 relativa a regras comunitárias para promover a reparação de bens. Num país onde são produzidos anualmente cerca de 165000 toneladas de resíduos de equipamentos elétricos e eletrónicos (dados de 2024) e onde existem taxas de reciclagem/reutilização se encontram abaixo das metas europeias, como nas “Lâmpadas” onde existiu uma taxa de reciclagem/reutilização em 2025 de 40% abaixo da meta estabelecida de 80% e onde os “Equipamentos de grandes dimensões” têm uma taxa de quase 50% quando já seria desejável estar nos 80% (de acordo com o Relatório do Estado do Ambiente 2025), a Quercus considera que este atraso representa a falta de priorização de uma economia verdadeiramente circular, incumprindo com o próprio PAEC este ano aprovado.
A Diretiva (UE) 2024/1799 constitui uma das principais iniciativas da União Europeia para promover uma economia circular, incentivando a reparação de produtos em vez da sua substituição prematura. À beira do fim do prazo para a sua transposição, a ausência de medidas concretas por parte do Governo levanta sérias preocupações quanto ao cumprimento das obrigações europeias e ao compromisso de Portugal com a transição para modelos de produção e consumo mais sustentáveis.
As consequências de um novo atraso
Enquanto a lei não entrar em vigor, os consumidores portugueses continuam sem o quadro legal que lhes garante o direito a reparar equipamentos como eletrodomésticos, telemóveis e tablets a preços razoáveis, com peças sobressalentes disponíveis e sem cláusulas contratuais que dificultem o recurso a reparadores independentes. Segundo dados da DECO Proteste (publicados a 31 março 2026), os consumidores portugueses gastam em média 1 200 euros por ano a substituir equipamentos que poderiam ter sido reparados por uma fração desse valor, um encargo que a nova legislação visa atenuar.
Cada mês de atraso traduz-se em mais equipamentos descartados que poderiam ter sido reparados, mais recursos naturais críticos desperdiçados, incluindo metais raros e outras matérias-primas que Portugal, como país fortemente importador, não pode dar-se ao luxo de continuar a desperdiçar.
As propostas da Quercus
Perante este cenário, a Quercus insta o Governo a:
- Apresentar de imediato uma proposta de transposição da diretiva, minimizando o vazio legal após 31 de julho;
- Criar o ponto de contacto nacional e a plataforma nacional de reparação previstos na diretiva, interligada com a futura plataforma europeia em linha, para que os consumidores possam encontrar facilmente reparadores certificados na sua área;
- Assegurar a fiscalização efetiva da proibição de cláusulas contratuais e de técnicas de hardware ou software que impeçam a reparação, garantindo que os reparadores independentes podem utilizar peças de segunda mão, compatíveis ou produzidas por impressão 3D, tal como a diretiva exige;
- Obrigar os reparadores a disponibilizar, de forma gratuita e em suporte duradouro, o Formulário Europeu de Informações sobre as Reparações, com prazos, preços e condições claros antes da celebração de qualquer contrato de reparação;
- Criar um sistema de incentivos à reparação, como cupões ou apoios financeiros diretos ao consumidor, à semelhança de exemplos já implementados noutros países europeus, como Áustria e França,
- Reforçar a capacidade de fiscalização da Direção-Geral do Consumidor para garantir o cumprimento efetivo das novas regras junto de fabricantes e distribuidores;
- Envolver ativamente as organizações da sociedade civil, associações de consumidores e o setor da reparação independente no processo de regulamentação;
- Adotar uma estratégia transversal para pôr fim ao padrão recorrente de atrasos na transposição de diretivas ambientais, que já expõe o país a múltiplos processos de infração e sanções financeiras.
“Portugal não pode continuar a acumular processos de infração e condenações por incumprimento de diretivas ambientais. Já pagámos 10 milhões de euros e uma sanção diária por não executarmos um acórdão sobre a Diretiva Habitats, não podemos permitir que esta diretiva relativa à reparação seja o próximo capítulo desta mesma história. Cada atraso tem um custo real, em resíduos, em recursos naturais e em dinheiro dos contribuintes”, afirma Alexandra Azevedo, presidente da Quercus.
A Quercus continuará a acompanhar de perto este processo legislativo e a pressionar para que Portugal cumpra os compromissos assumidos junto da União Europeia em matéria de economia circular.
30 de julho de 2026
Portugal
Requalificação dos laboratórios do SNMB em Matosinhos

Na manhã de ontem, 31 de julho, o IPMA inaugurou a requalificação dos laboratórios do Sistema Nacional de Monitorização de Moluscos Bivalves (SNMB) no seu Polo de Matosinhos, resultante da parceria com o Centro Interdisciplinar de Investigação Marinha e Ambiental (CIIMAR). O evento contou com a presença do Secretário de Estado das Pescas e do Mar, Salvador Malheiro, e da presidente da Câmara Municipal de Matosinhos, Luísa Salgueiro, entre outros convidados.
Considerado pelo presidente do instituto, José Guerreiro, “um momento de viragem que marca o IPMA”, a abertura destes laboratórios representa “uma opção pela proximidade às comunidades para quem e com quem trabalhamos, em particular no setor da pesca e aquacultura”, assim como “um caminho de abertura e parceria com a comunidade científica, nomeadamente com os laboratórios associados, na convicção que, em conjunto, acrescentamos valor”.
Trata-se de “uma escolha na política de investimento público de um laboratório de Estado no apoio científico e tecnológico à economia azul” e “o cumprir de um compromisso com os operadores económicos do Norte e Centro. Palavra dada é palavra honrada”, assegurou o presidente do IPMA.
Contando agora com novos laboratórios, mais postos de trabalho e áreas de apoio melhoradas, o próximo desafio no Polo de Matosinhos será a requalificação geral do edifício.
Portugal
#ExplorarONorte | Viagem Medieval em Terra de Santa MariaSanta Maria da Feira …

#ExplorarONorte | Viagem Medieval em Terra de Santa Maria
Santa Maria da Feira regressa à Idade Média com mais uma edição da Viagem Medieval, que decorre até 9 de agosto, transformando o centro histórico da cidade num espaço de recriação histórica e de valorização do património.
Ao longo do evento, o Castelo e as ruas envolventes recuperam ambientes, personagens, ofícios e práticas associados à época medieval. Cavaleiros, mercadores, artesãos, músicos e saltimbancos integram uma programação que cruza história, cultura, gastronomia e artes performativas.
Mais do que uma recriação do passado, a Viagem Medieval propõe uma experiência de contacto com a história e com o património, aproximando diferentes gerações da identidade e da memória do território.
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