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Portugal

FPCEUP avalia uso problemático da Internet entre adolescentes

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Célia Sales, Carolina Cordeiro e Teresa Dias: três das investigadoras da FPCEUP ligadas ao projeto BootStRaP


O projeto BootStRaP, liderado pela Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade do Porto (FPCEUP), acaba de lançar uma publicação científica que apresenta novos dados sobre o uso problemático da Internet entre adolescentes, com base num estudo realizado em nove países e que envolveu mais de 2.500 jovens. O trabalho, que contribui para uma compreensão aprofundada dos fatores psicológicos, emocionais e cognitivos associados aos comportamentos online na adolescência, está publicado em acesso aberto na Comprehensive Psychiatry, uma revista científica internacional com revisão por pares.

A investigação do BootStRaP apoia-se em evidência acumulada que indica que os adolescentes recorrem frequentemente à Internet não apenas para entretenimento ou comunicação, mas como estratégia para lidar com o stress, a ansiedade e outras emoções negativas. A elevada acessibilidade dos ambientes digitais proporciona formas rápidas de alívio emocional que, em alguns casos, podem conduzir a dificuldades de autorregulação e a impactos negativos no sono, na aprendizagem, nas relações interpessoais e no bem-estar emocional.

Mais do que quantificar a tempo de exposição aos ecrãs, o estudo enfatiza a importância de compreender as motivações subjacentes ao uso da Internet e os mecanismos psicológicos envolvidos, nomeadamente as dificuldades em interromper a atividade online e o papel da Internet como principal estratégia de regulação emocional.

“O objetivo é compreender como o uso problemático da Internet se desenvolve através da interação entre a acessibilidade tecnológica, fatores de risco individuais, processos emocionais e capacidades de autocontrolo”, afirma Célia Sales, professora da FPCEUP, membro do Centro de Psicologia da Universidade do Porto (CPUP) e investigadora responsável pelo BootStRaP.

Avaliação em tempo real do quotidiano dos adolescentes

Uma das principais inovações metodológicas do estudo reside no facto de não se basear exclusivamente em inquéritos retrospetivos. O comportamento online, os estados emocionais e determinados processos cognitivos — como a atenção, o controlo de impulsos e a concentração — são avaliados em tempo real, através de uma aplicação móvel desenvolvida especificamente para o projeto, complementada por questionários periódicos. O processo de co-criação tecnológica desta aplicação móvel foi liderado por Hernâni Oliveira, do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto (ISPUP).

Esta abordagem permite analisar as inter-relações entre atividade online, emoções e funcionamento cognitivo em contextos reais do quotidiano, reduzindo o enviesamento associado à recordação retrospetiva.

De acordo com  as investigadoras Carolina Cordeiro (CPUP) e Teresa Dias, do Centro de Investigação e Intervenção Educativas (CIIE), sediado na FPCEUP, os adolescentes assumem um papel ativo no estudo, participando no desenvolvimento dos procedimentos de investigação e no design da aplicação.

Célia Sales, Carolina Cordeiro e Teresa Dias são três das investigadoras da FPCEUP ligadas ao projeto BootStRaP. (Foto: DR)

A equipa de investigação sublinha que a promoção do bem-estar emocional dos adolescentes exige uma abordagem integrada, que considere não apenas o tempo de exposição aos ecrãs, mas também os fatores individuais de risco e os processos de regulação emocional. O estabelecimento de limites claros entre o uso de dispositivos digitais e outras atividades essenciais do quotidiano é apontado como um elemento-chave para promover um equilíbrio saudável.

BootStRaP – Boosting Societal Adaptation and Mental Health in a Rapidly Digitalising, Post-Pandemic Europe é um projeto de investigação com a duração de cinco anos, financiado pelo programa Horizonte Europa, e desenvolvido em 14 países, incluindo Portugal, através da FPCEUP. O comportamento dos adolescentes, em concreto, é analisado em nove países europeus, recorrendo a uma aplicação móvel dedicada e a questionários periódicos, permitindo uma caracterização abrangente dos hábitos online, do bem-estar emocional, do funcionamento cognitivo e dos padrões comportamentais em contextos da vida real.



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Megaprojeto eólico em Santiago do Cacém ao serviço da IA: Quercus alerta para impactos ambientais subavaliados 

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Data Center de Sines pode vir a consumir 20% da eletricidade do país

A Quercus  manifesta a sua preocupação relativamente a mais um mega-empreendimento de energias renováveis à beira de se tornar realidade, sem que tenha sido feita uma verdadeira avaliação dos impactes ambientais. Destinado a abastecer o Data Center de Sines, o Parque Eólico do Sudoeste, a instalar no município de Santiago do Cacém, está em consulta pública até 18 de agosto. Ao todo será ocupada uma área de 1098,4 hectares, o equivalente a mais de 1000 campos de futebol.

Parque eólico dificilmente trará benefícios aos consumidores 

Segundo o promotor, a Hyperion Renewables Sines, Unipessoal Lda., o projeto configura uma Unidade de Produção para Autoconsumo (UPAC) destinada a alimentar diretamente o Data Center de Sines, que quando estiver na sua máxima capacidade operacional poderá vir a consumir no futuro 20% da eletricidade utilizada em Portugal. Está prevista a instalação de 23 aerogeradores, com potência unitária de 6,0 MW, prevendo-se uma produção anual de cerca de 386,4 GWh. O projeto inclui ainda um sistema de armazenamento (BESS), com 61 contentores de baterias de lítio, capacidade total de 200 MWh e potência de 50 MW.

O promotor justifica o projeto invocando a redução de custos energéticos, a diversificação da matriz energética nacional, a segurança de abastecimento e o cumprimento das metas europeias de redução de emissões.

A Quercus reconhece a importância destes compromissos climáticos, embora considere que a energia a produzir dificilmente trará benefícios para a fatura energética das famílias portuguesas ou reforçará a rede elétrica nacional. Apesar de estar prevista a possibilidade de disponibilização de excedentes da UPAC para comunidades de energia ou indústrias locais, tendo em conta o elevado consumo energético dos data centers, acreditamos que o cenário mais provável é que esta central sirva única e exclusivamente para alimentar esta infraestrutura industrial.

Além disso, é incompreensível que um projeto desta envergadura não preveja como contrapartida a redução significativa da fatura da energia para todos os munícipes dos dois concelhos afetados pelo projeto, Santiago do Cacém e Sines, assim como outros apoios às comunidades locais. 

Consideramos também que é fundamental saber se está prevista a desmantelação do parque eólico quando os aerogeradores alcançarem o fim da sua vida útil e a reposição dos valores naturais afetados por forma a garantir que no futuro que o passivo ambiental não é imputado ao país nem dos municípios em causa, mas sim a quem beneficiou com a implementação desta mega infraestrutura.

Impactos ambientais menosprezados pelo promotor

O documento em consulta pública  reconhece uma extensa lista de impactes negativos ao longo de todo o ciclo de vida do projeto. Estes são sistematicamente classificados como “pouco significativos”, apesar da sua natureza e extensão:

  • Destruição de habitats protegidos: a área de estudo integra habitats naturais classificados, incluindo montados de sobro e azinho, charnecas secas europeias, medronhais e salgueirais junto a linhas de água;
  • Afetação de sobreiros e azinheiras, espécies protegidas por lei, cujo abate é condicionado por decreto-lei;
  • Perda de fauna, com destaque para avifauna e quirópteros (morcegos), por efeito de exclusão, perturbação e mortalidade, incluindo atropelamento e esmagamento durante a obra;
  • Interferência direta em linhas de água, com risco de assoreamento, aumento da turbidez e contaminação por derrames de óleos e combustíveis;
  • Afetação de áreas de RAN e REN, ainda que “pequenas e localizadas”;
  • Perda de solo e compactação, resultante da desmatação, decapagem e circulação de máquinas pesadas;
  • Poluição sonora com impacto direto na qualidade de vida das comunidades locais.

Gralha ou copy-paste? Um lapso que expõe o problema de fundo

Existe uma gralha muito reveladora no documento em consulta pública: na página 96, refere-se que a produção de energia se fará “a partir de uma fonte não poluente e renovável (o sol)“. Este erro não aparenta ser um simples lapso, mas sim uma prova de que este documento pode ter resultado de um copy-paste apressado a partir de outro processo, provavelmente relativo a um projeto de produção solar fotovoltaica.

Este não é um pormenor de somenos. É sintoma de uma “indústria” de estudos de impacte ambiental produzidos em série, com pouco rigor e escrutínio, para viabilizar, o mais rapidamente possível, projetos de grande escala.

A Quercus não se opõe às energias renováveis, pelo contrário. Reconhece o seu papel indispensável na transição energética e na resposta à crise climática. O que está aqui em causa não é o princípio, é o modelo. Projetos desta escala não deveriam avançar sem uma avaliação séria entre os impactes impostos ao território e os benefícios efetivamente devolvidos ao país. 

Para que Portugal continue a apostar nas renováveis com legitimidade e apoio social, é necessário rever o enquadramento atual: as empresas que promovem este tipo de infraestruturas, sobretudo quando destinadas a indústrias intensivas em consumo de energia, devem assumir obrigações concretas e vinculativas.

08 de agosto de 2026



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CCDR NORTE contribui para Plano de Valorização e Sustentabilidade do DouroA CC…

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CCDR NORTE contribui para Plano de Valorização e Sustentabilidade do Douro

A CCDR NORTE integrou o grupo que elaborou o Plano Executivo para a Gestão Sustentável e Valorização do Setor Vitivinícola da Região Demarcada do Douro, recentemente entregue ao Governo.

O documento propõe medidas para:
Reforçar a competitividade da fileira vitivinícola
Valorizar os vinhos DOP Douro e Porto
Apoiar os viticultores
Promover o enoturismo
Preservar a paisagem e a sustentabilidade ambiental

Para Paulo Ramalho, Vice-Presidente da CCDR NORTE, o futuro do Douro passa pelo diálogo, pela criação de valor e pela articulação entre todos os agentes do setor.

Um passo importante para garantir um Douro mais competitivo, sustentável e preparado para os desafios do futuro.

Saiba mais em https://www.ccdr-n.pt/noticia/destaque/ccdr-norte-integra-elaboracao-do-plano-para-reforcar-competitividade-e-sustentabilidade-do-douro



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Portugal

Boletins Climatológicos de Julho

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O IPMA publicou os resumos dos boletins climatológicos relativos a Portugal continental, Açores e Madeira referentes ao mês de julho de 2026. Tratam-se das versões preliminares com os dados disponibilizados até ao momento, sendo os documentos finais publicados em meados do mês.

PORTUGAL CONTINENTAL
Julho de 2026 muito quente e extremamente seco
A classificação do mês de julho de 2026 resulta da continuação da temperatura do ar muito acima da média, situação relacionada com a ocorrência de uma onda de calor e, pelo défice muito acentuado de precipitação. Estas condições tiveram reflexos na redução da água disponível no solo e no agravamento, de forma generalizada, da seca meteorológica em todo o território de Portugal continental.

Temperatura do ar
O valor médio da temperatura média do ar registou um valor de 24.04°C, correspondendo a uma anomalia de +1.41°C em relação ao período de referência 1991-2020, fazendo deste o 7º julho mais quente desde 1931. O valor médio da temperatura máxima do ar foi de 31.46°C, 1.96°C acima do normal, correspondendo ao 6º valor mais elevado desde 1931. A temperatura mínima do ar teve um valor médio de 16.61°C, cerca de +0.86°C, acima da normal.

A temperatura bastante elevada na primeira semana de julho (valores de anomalias positivas superiores a 8°C na temperatura máxima do ar nos dias 3 a 5) esteve associada a uma onda de calor que ocorreu entre os dias 29 de junho e 11 de julho e que abrangeu grande parte do território continental. O episódio de onda de calor registado constitui um dos mais relevantes registados em Portugal Continental desde 1981, uma vez que apresenta a maior magnitude (tendo em conta o total da série de ondas de calor) e a segunda com maior extensão espacial.Importa referir que atualmente a onda de calor é classificada com recurso à informação que deriva do período da normal climatológica 1991-2020.

Neste período foram registados 2 novos extremos absolutos do maior valor da temperatura máxima do ar (dia 4 julho) e 5 novos extremos absolutos do maior valor da temperatura mínima do ar (dias 3 e 4). O valor mais elevado da temperatura máxima do ar, 44.3°C, foi registado no dia 3 de julho em Mora.

Precipitação
8.º julho mais seco desde 1931 e o mais seco deste século. O valor médio da quantidade de precipitação total mensal foi de apenas 0.8 mm, correspondendo a menos de 8% do valor normal para o mês.

No final do mês verificou-se um agravamento generalizado da situação de seca meteorológica em Portugal continental, estendendo-se a todo o território e refletindo a persistência de temperaturas elevadas e a escassez de precipitação observadas durante julho.

 

ARQUIPÉLAGO DOS AÇORES
Julho de 2026 foi conseiderado frio e muito chuvoso.
A relação entre os desvios médios da temperatura do ar e os desvios relativos da quantidade de precipitação nas estações do IPMA nos Açores, para julho desde o ano 2000, mostra que julho de 2026 foi relativamente frio e muito chuvoso.
Os totais mensais de precipitação observados nos Açores estiveram muito acima dos terceiros quartis das respetivas distribuições para o período 1999-2025, ultrapassando os valores absolutos da série nas estações das Flores, Graciosa e S. Maria.

ARQUIPÉLAGO DA MADEIRA
Nas quatro estações de referência (Funchal/Observatório, Chão do Areeiro, Santana e Porto Santo), o mês de julho de 2026 caracterizou-se por valores médios de temperatura do ar superiores à normal e por quantidades de precipitação acumulada inferiores à normal (período de referência 1991 – 2020).

Temperatura do ar
Durante o mês de julho, as quatro estações de referência registaram valores médios de temperatura do ar acima da normal. Destacou-se a estação do Porto Santo, que registou o valor médio mais elevado para o mês de julho desde 1961, correspondendo a uma anomalia positiva de +1.3°C. As estações do Funchal/Observatório e de Santana registaram, cada uma, o 2º valor mais elevado de temperatura média do ar para o mês de julho desde 1961, com anomalias positivas de 1.1°C e 1.2°C, respetivamente.
Foram ainda registados dois novos extremos para o maior valor de temperatura máxima do ar, nas estações do Porto Moniz e Selvagem Grande.

Precipitação
Relativamente à precipitação, as quatro estações de referência registaram quantidades acumuladas inferiores aos respetivos valores da normal.



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O Vice-Presidente da CCDR NORTE, Paulo Ramalho, participou no programa “Faça Chu…

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O Vice-Presidente da CCDR NORTE, Paulo Ramalho, participou no programa “Faça Chuva Faça Sol”, da RTP2, onde abordou os principais desafios e oportunidades que se colocam ao mundo rural e, em particular, ao setor agrícola.

Ao longo da entrevista, destacou a importância de valorizar a agricultura, promover a inovação, reforçar a sustentabilidade e criar condições para o desenvolvimento dos territórios rurais, sublinhando o papel estratégico destes setores para a coesão e competitividade da Região Norte.

O episódio já está disponível na RTP Play.




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