Sociedade
ACIDENTES EM MEIO AQUÁTICO

O socorro e a componente técnica no teatro de operações, o papel dos agentes de proteção civil e da comunicação social nos acidentes em meio aquático serão os grandes temas em debate e reflexão. A organização é da responsabilidade da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Odemira e do Município de Odemira.
Com cerca de 50 km de costa atlântica, com escarpas e falésias, dezenas de praias e areais isolados, com grande presença humana para fruição balnear, caminhadas e pesca desportiva, o litoral odemirense é frequentemente alvo de notícia devido a acidentes em meio aquático. A par da faixa litoral, também a albufeira de Santa Clara e o rio Mira são foco de preocupação para os agentes de socorro e proteção civil.
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A pessoa continua lá. Com a sua história. Com as suas emoções. Com a sua identidade. A vida não se pode esconder atrás da demência. Saiba mais em: https://www.sns.gov.pt/demencias/. #Saúde #SNS #Demências #SaúdeMental
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Portugal
Megaprojeto eólico em Santiago do Cacém ao serviço da IA: Quercus alerta para impactos ambientais subavaliados

Data Center de Sines pode vir a consumir 20% da eletricidade do país
A Quercus manifesta a sua preocupação relativamente a mais um mega-empreendimento de energias renováveis à beira de se tornar realidade, sem que tenha sido feita uma verdadeira avaliação dos impactes ambientais. Destinado a abastecer o Data Center de Sines, o Parque Eólico do Sudoeste, a instalar no município de Santiago do Cacém, está em consulta pública até 18 de agosto. Ao todo será ocupada uma área de 1098,4 hectares, o equivalente a mais de 1000 campos de futebol.
Parque eólico dificilmente trará benefícios aos consumidores
Segundo o promotor, a Hyperion Renewables Sines, Unipessoal Lda., o projeto configura uma Unidade de Produção para Autoconsumo (UPAC) destinada a alimentar diretamente o Data Center de Sines, que quando estiver na sua máxima capacidade operacional poderá vir a consumir no futuro 20% da eletricidade utilizada em Portugal. Está prevista a instalação de 23 aerogeradores, com potência unitária de 6,0 MW, prevendo-se uma produção anual de cerca de 386,4 GWh. O projeto inclui ainda um sistema de armazenamento (BESS), com 61 contentores de baterias de lítio, capacidade total de 200 MWh e potência de 50 MW.
O promotor justifica o projeto invocando a redução de custos energéticos, a diversificação da matriz energética nacional, a segurança de abastecimento e o cumprimento das metas europeias de redução de emissões.
A Quercus reconhece a importância destes compromissos climáticos, embora considere que a energia a produzir dificilmente trará benefícios para a fatura energética das famílias portuguesas ou reforçará a rede elétrica nacional. Apesar de estar prevista a possibilidade de disponibilização de excedentes da UPAC para comunidades de energia ou indústrias locais, tendo em conta o elevado consumo energético dos data centers, acreditamos que o cenário mais provável é que esta central sirva única e exclusivamente para alimentar esta infraestrutura industrial.
Além disso, é incompreensível que um projeto desta envergadura não preveja como contrapartida a redução significativa da fatura da energia para todos os munícipes dos dois concelhos afetados pelo projeto, Santiago do Cacém e Sines, assim como outros apoios às comunidades locais.
Consideramos também que é fundamental saber se está prevista a desmantelação do parque eólico quando os aerogeradores alcançarem o fim da sua vida útil e a reposição dos valores naturais afetados por forma a garantir que no futuro que o passivo ambiental não é imputado ao país nem dos municípios em causa, mas sim a quem beneficiou com a implementação desta mega infraestrutura.
Impactos ambientais menosprezados pelo promotor
O documento em consulta pública reconhece uma extensa lista de impactes negativos ao longo de todo o ciclo de vida do projeto. Estes são sistematicamente classificados como “pouco significativos”, apesar da sua natureza e extensão:
- Destruição de habitats protegidos: a área de estudo integra habitats naturais classificados, incluindo montados de sobro e azinho, charnecas secas europeias, medronhais e salgueirais junto a linhas de água;
- Afetação de sobreiros e azinheiras, espécies protegidas por lei, cujo abate é condicionado por decreto-lei;
- Perda de fauna, com destaque para avifauna e quirópteros (morcegos), por efeito de exclusão, perturbação e mortalidade, incluindo atropelamento e esmagamento durante a obra;
- Interferência direta em linhas de água, com risco de assoreamento, aumento da turbidez e contaminação por derrames de óleos e combustíveis;
- Afetação de áreas de RAN e REN, ainda que “pequenas e localizadas”;
- Perda de solo e compactação, resultante da desmatação, decapagem e circulação de máquinas pesadas;
- Poluição sonora com impacto direto na qualidade de vida das comunidades locais.
Gralha ou copy-paste? Um lapso que expõe o problema de fundo
Existe uma gralha muito reveladora no documento em consulta pública: na página 96, refere-se que a produção de energia se fará “a partir de uma fonte não poluente e renovável (o sol)“. Este erro não aparenta ser um simples lapso, mas sim uma prova de que este documento pode ter resultado de um copy-paste apressado a partir de outro processo, provavelmente relativo a um projeto de produção solar fotovoltaica.
Este não é um pormenor de somenos. É sintoma de uma “indústria” de estudos de impacte ambiental produzidos em série, com pouco rigor e escrutínio, para viabilizar, o mais rapidamente possível, projetos de grande escala.
A Quercus não se opõe às energias renováveis, pelo contrário. Reconhece o seu papel indispensável na transição energética e na resposta à crise climática. O que está aqui em causa não é o princípio, é o modelo. Projetos desta escala não deveriam avançar sem uma avaliação séria entre os impactes impostos ao território e os benefícios efetivamente devolvidos ao país.
Para que Portugal continue a apostar nas renováveis com legitimidade e apoio social, é necessário rever o enquadramento atual: as empresas que promovem este tipo de infraestruturas, sobretudo quando destinadas a indústrias intensivas em consumo de energia, devem assumir obrigações concretas e vinculativas.
08 de agosto de 2026
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