Alentejo
Os nove do Ateneu do Catorze

A freguesia de São Luís, no concelho de Odemira, de dois mil habitantes, alberga um espaço cultural com um conceito único e que junta nove artistas, promovendo exposições, concertos, teatro cinema e poesia.
“Não conheço nenhum projeto assim. Conheço as Oficinas do Convento, em Montemor-o-Novo, que pode ter algumas parecenças”, diz à Lusa Maya Fernandes Kempe, que faz esculturas em cerâmica e é uma das fundadoras do projeto.
Chamado Ateneu do Catorze, formado em 2017 por quatro pessoas, o projeto ocupa todo o espaço de uma antiga loja e habitação de um ex-comerciante conhecido por Catorze. Ali tudo é aproveitado, ou vai ser, sejam os espaços de salga de carne ou para guardar o bacalhau o azeite, seja o antigo galinheiro, agora em obras para se transformar no atelier de Tiago Jesus, ceramista.
Foi professor, morou sempre em Corroios, perto de Lisboa, e vive há seis anos em São Luís, uma aldeia ao lado do Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina (PNSACV). Ele mesmo está a fazer a obra, tentando manter a estrutura original, usando materiais reciclados.
Dos nove artistas que povoam o Ateneu nenhum é de São Luís. Chegaram de Lisboa ou Porto, chegaram de Berlim ou Manchester, une-os o brilho nos olhos de quem está a fazer uma coisa que gosta e a fazê-lo num sítio que gosta.
Além dos ateliers o espaço também serve para iniciativas culturais abertas à comunidade, mas Maya Kempe, alemã, diz que a pandemia de covid-19 interrompeu tudo. Antes, em 2018 e 2019, fizeram exposições, concertos, peças de teatro, sessões de poesia. Ali mas também na igreja, junto da sede da autarquia, no clube recreativo.
“As pessoas aderiram, antes da pandemia. Mas agora não temos feito nada”, precisa à Lusa, explicando que o trabalho continua nos ateliers, espaços de trabalho individual, mas também de criação de projetos em conjunto, de sinergias e troca de ideias.
Nem sempre lá estão todos, nem sempre há um artista convidado já que o Ateneu também é uma residência artística, nem sempre há uma exposição aproveitando a montra da antiga loja, como a que está por estes dias de Maja Escher, alemã, professora na escola António Arroio, em Lisboa (trabalhos em barro sobre temas da natureza).
O Ateneu preserva objetos do antigo dono e com eles fez um pequeno museu e vai trabalhando na recuperação do espaço, devagarinho, como diz Maya Kempe. E ao mesmo tempo lá está Ana Baleia a fazer design de figurinos, a própria Maya a fazer esculturas de mulheres em cerâmica ou de sementes ampliadas, também em cerâmica, lá está Crystal Kershaw, inglesa, que trabalha em pintura, escultura, joalharia e “materiais que gosta” desde que não sejam de plástico.
Nem todos os artistas estão sempre presentes, alguns, como Sérgio Fernandes (companhia Teatro Só), têm espetáculos fora.
Na Ribeira da Azenha, perto de Vila Nova de Milfontes, no extremo norte do concelho de Odemira, Sara Serrão também não está sempre no edifício que já foi uma escola primária (construção do Estado Novo) e que agora alberga o projeto Oficina na Escola.
É agora ali um centro de produção e valorização do artesanato e produtos locais, onde se vendem também produtos da Associação de Artesãos do Concelho de Odemira (CACO). Na antiga sala de aulas, explica Sara Serrão à Lusa, fazem-se ‘workshops’, no antigo alpendre há um atelier de cerâmica onde se fazem “pequenas oficinas ao fim de semana, onde os habitantes da localidade desenvolvem ideias à volta do barro”.
Apesar da pandemia de covid-19 ter impedido que o projeto, começasse em setembro e se desenvolvesse como queria, há também oficinas, como de costura ou desenho e vai em breve arrancar um coro local.
Sara Serrão diz que “há apetência das pessoas para fazerem atividades à margem das suas vidas profissionais”, mas há também outros “alunos” para a escola, os “nómadas digitais”, que não residindo na localidade passam ali grandes temporadas.
Ribeira da Azenha fica dentro do PNSACV e perto passam os trilhos pedestres (e cicláveis) do projeto Rota Vicentina, uma associação para a promoção do turismo de natureza na costa alentejana e vicentina, que vai de Santiago do Cacém a Lagos.
O projeto, diz Sara Serrão, “estruturou uma aproximação à região que não havia” e procura juntar “o que ainda há de cultura local com o interesse de locais e não locais”, e tenta “aglomerar microagentes da cultura local”.
Marta Cabral, diretora do Rota Vicentina confirma. O projeto começou centrado nos percursos pedestres, que era “uma lacuna no território” e que permitia aceder ao mercado do turismo de caminhantes, mas foi-se adaptando e desenvolvendo nos últimos oito anos, entrando a questão da cultura quando foi percetível o grande sucesso dos percursos junto ao mar e a necessidade de “dar mais consistência” aos trilhos do interior.
A ideia foi “investir na componente cultural, na identidade rural do Alentejo, explorar as paisagens, o montando, as hortas e os campos cultivados”, diz à Lusa.
Marta Cabral lembra que da Rota Vicentina nasceu o projeto “ID Rota Vicentina”, apoiado por agentes locais e pelo Programa de Valorização Económica dos Recursos Endógenos (PROVERE, fundos europeus) e que consiste basicamente numa aliança entre o turismo e a cultura, sempre associada à sustentabilidade.
É algo trabalhado durante mais de um ano, salienta a responsável, explicando que dele resultou também uma agenda, um manifesto e uma semana ID Rota Vicentina. “Pensámos que os recursos culturais podiam entrar no sistema turístico”.
Marta Cabral salienta que a caminhada é uma atividade “a explodir” em todo o mundo, que o trabalho da Rota Vicentina é também promover um turismo sustentável e ordenado, quer ao longo da costa quer no interior, e sensibilizar as pessoas para a importância do PNSACV. “Isto não é uma coisa qualquer, é um parque natural”.
É por isso que, diz, a preocupa o “enorme problema” da agricultura intensiva que acontece em parte do PNSACV, nomeadamente entre Vila Nova de Milfontes e Zambujeira.
A Rota já em 2016 alertava para o “enorme problema” e desde então as coisas pioraram. “Estamos francamente desiludidos com a estratégia, ou falta dela, para o território. Sentimos que o investimento aqui está a ser ignorado e vandalizado pelas políticas do Governo”.
E acrescenta. “Somos ignorados. A comunidade tem de ter uma palavra a dizer, tem de ser envolvida. E isso não está a acontecer”.
Em resumo, diz a responsável do projeto Rota Vicentina, tem de haver razoabilidade nos investimentos que se fazem no sudoeste alentejano. Porque “não se pode eleger uma região para ser completamente terraplanada”.
Viana do Alentejo
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Vila Viçosa
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ERMIDA DE SÃO JOÃO BAPTISTA DA CARRASQUEIRA | VILA VIÇOSA REFORÇA A SUA APOSTA NO PATRIMÓNIO
Foi inaugurada a obra de reabilitação da Ermida de São João Baptista da Carrasqueira (também conhecida como Ermida de São João do Carrascal). O monumento do século XVI passa agora a funcionar como o espaço central de receção aos visitantes do concelho, marcando o “ponto de partida” para os circuitos de turismo religioso na região.
A cerimónia oficial contou com a honrosa presença do Presidente da Câmara Municipal, Dr. Inácio Esperança, e do Secretário de Estado da Cultura, Dr. Alberto Santos.
Este projeto estratégico foi viabilizado através de uma parceria entre o Município de Vila Viçosa e a Fábrica da Igreja Paroquial de Nossa Senhora da Conceição, que confiou a gestão deste património classificado à autarquia por um período de 20 anos. Um passo crucial para a valorização da identidade cultural e económica do nosso território.




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Reguengos de Monsaraz
ExpoReg | ProgramaEntre 13 e 16 de agosto, o Parque de Feiras e Exposições re…

ExpoReg | Programa
Entre 13 e 16 de agosto, o Parque de Feiras e Exposições recebe a 32.ª edição da ExpoReg – Exposição de Atividades Económicas.
Este ano, o certame foca-se no tema “O Futuro do Turismo no Concelho” e promete dinamizar fortemente Reguengos de Monsaraz.
O evento conta com um programa abrangente, desenhado para todos os públicos, que inclui:
Concertos de Nuno Ribeiro, Daniela Mercury, Lorena Santos y David Jiménez, Luís Caeiro e vários DJs.
Competições de dressage e saltos, gala equestre e tauromaquia.
Conferências dedicadas ao turismo e ao desenvolvimento territorial.
Espaços dedicados à inovação empresarial, agricultura, pecuária e juventude.
A entrada é livre nos dias 13, 15 e 16 de agosto. Para o dia 14, os bilhetes já se encontram disponíveis online na BOL, nos Postos de Turismo e, nos dias do evento, nas bilheteiras do recinto. Entrada gratuita para menores de 12 anos (inclusive).
Dada a extensa oferta de atividades diárias e os diferentes horários de funcionamento dos pavilhões, convidamos a consultar o programa completo e detalhado.
Programa completo – https://bit.ly/4gbaz0n
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Alentejo Litoral
Dia Internacional da Juventude | 12 de agostoO Município de Sines assinala o …

Dia Internacional da Juventude | 12 de agosto
O Município de Sines assinala o Dia Internacional da Juventude com um programa diversificado de atividades desportivas, recreativas e musicais, distribuídas entre a Avenida Vasco da Gama e o Castelo de Sines.
Durante o dia, a Avenida Vasco da Gama recebe atividades integradas no programa Sines em Movimento, que decorrerão ao longo de todo o dia.
O programa inclui ainda a Buggy Experience, um insuflável aquático, snorkeling arqueológico, aulas de patinagem e um sunset com animação do DJ Miguel Angelo.
A partir das 22h00, o Castelo de Sines recebe o programa noturno, com atuações dos DJs Surraz, L.C e, a partir da 01h00, Rifox.
12 de agosto
Avenida Vasco da Gama (programa diurno)
Castelo de Sines (programa noturno)
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