Portugal
Reportagem – JMJ2023 : “Esta é a juventude do Papa”
Após ter passado por 12 países, quatro continentes, dois papas, juntando sempre mais de um milhão de participantes, a Jornada Mundial da Juventude chegou a Portugal, no passado dia 2 de agosto e desde então que Lisboa se tornou numa capital atrativa para jovens provindos de todos os cantos do mundo.
“Esta é a juventude do Papa”, foi a expressão que mais se ouviu durante a sessão de acolhimento que decorreu ontem no parque Eduardo VII, em Lisboa. Milhares de jovens, esperaram horas e horas, pela chegada do Papa e pelos míseros segundos em que iriam estar a poucos metros do sumo pontífice. O desejo de muitos era conseguir uma foto, estar a poucos metros do papa ou a sós, numa confissão, oportunidade dada aos jovens participantes das jornadas.










Cânticos, cor, emoção, muito calor e algum nervosismo e desespero, todos sabiam que o papa viria a qualquer momento, mas ninguém sabia por onde ele iria entrar, muitos questionavam se estavam estrategicamente bem posicionados, se estariam ou não mais perto de todos os outros.
Por volta das 17h20, o Santo Padre chegou e o maior desafio era permanecer em pé perante toda a agitação que se tinha instalado no Parque Eduardo VII, havia quem sorrisse, acenasse, quem chorasse, a verdade é que todos gritavam e proclamavam que eram o futuro, o futuro do país, da Europa e do Mundo, ” Esta é a juventude do Papa”.
Após o discurso do Sumo pontífice, a festa tinham acabado de começar, com a demonstração do melhor de Portugal, do melhor de ser português, a atuar estiveram presentes personalidades como a Mariza, que nos trouxe o fado e vindos diretamente de Aldeia Nova de São Bento, o Rancho de Cantadores, a acompanhar o cantor Alentejano Buba Espinho, que em conjunto partilharam um pouco da herança e magnitude do Cante Alentejano com o resto do mundo, e outros artistas .
Não nos podemos esquecer dos voluntários, também eles provindos de vários países, que se asseguraram que a cerimónia fosse um sucesso, garantindo que ninguém passava fome, nem sede e que todos estavam plenos e prontos para aguardar a chegada do Santo padre.
As jornadas continuam até ao próximo dia 6 de agosto, onde se realizará a despedida na Base Aérea de Figo Maduro, em Lisboa, de seguida o Papa Francisco partirá para Roma e fará parte das histórias que muitos destes jovens contarão aos netos.
Portugal
Atraso na implementação e fiscalização do artigo 23 do RGGR sobre desperdício alimentar

O que é o Regime Geral de Gestão de Resíduos (RGGR)?
O RGGR, ou Regime Geral de Gestão de Resíduos, é o principal diploma legal em Portugal que estabelece o enquadramento para a gestão de resíduos. Essencialmente, é um conjunto de regras e princípios que governam como os resíduos devem ser geridos, desde a sua produção até ao seu destino final.
O seu objetivo principal é garantir a proteção do ambiente e da saúde humana, promovendo uma hierarquia de operações de gestão de resíduos que dá prioridade à prevenção, preparação para reutilização e reciclagem, em detrimento da incineração com valorização energética e, por último, a deposição em aterro.
O Decreto-Lei n.º 24/2024, de 26 de março trouxe alterações importantes à legislação que abrange os resíduos urbanos, consolidando aspetos como o desperdício alimentar e a separação na origem dos biorresíduos no RGGR.
Artigo 23.º
Prevenção do desperdício alimentar
1 – Os estabelecimentos de restauração com produção de biorresíduos superior a 9 t/ano adotam, até 31 de dezembro de 2023, medidas para combater o desperdício de alimentos.
2 – As indústrias agroalimentares, empresas de catering, supermercados e hipermercados que empreguem mais de 10 pessoas adotam, até 31 de dezembro de 2023, medidas para combater o desperdício de alimentos.
3 – As entidades abrangidas pelo número anterior, bem como as entidades que integram a fase da produção primária na cadeia de abastecimento alimentar e os agregados familiares, contribuem com a informação prevista na Decisão de Execução (UE) 2019/2000, da Comissão, de 28 de novembro de 2019, que estabelece um modelo para a comunicação de dados sobre resíduos alimentares e para a apresentação de relatórios de controlo da qualidade em conformidade com a Diretiva 2008/98/CE, do Parlamento Europeu e do Conselho, de 19 de novembro de 2008, com vista ao acompanhamento do fenómeno do desperdício alimentar.
O que está em causa neste atraso?
Num contexto desafiante para a nossa sociedade em que, por um lado, a compra de alimentos representa uma despesas notável para as famílias, e ,por outro lado, centenas de toneladas de biorresíduos (restos alimentares) são enviados para aterro sem qualquer valorização e não podendo também contribuir para a fertilização dos solos, parece muito grave que não se implemente a legislação em vigor em matéria de resíduos e, mais especificamente, na prevenção do desperdício alimentar.
A falta de fiscalização sobre a implementação de planos contra o desperdício alimentar no setor da restauração, catering, indústria agroalimentar e retalho alimentar nos leva a uma estagnação grave do setor que de forma sistemática, e com poucas exceções, não cumpre com a legislação em vigor. Existe também um grave atraso na fiscalização da separação dos biorresíduos neste setor, também obrigatório por lei, e da respetiva seletiva. A combinação destes dois aspetos provoca que anualmente sejam enviado para aterro um volume de restos alimentares que poderia ser evitando.
As empresas do setor em questão poderias ser um exemplo na implementação de políticas ambientais, com benefícios económicos, sociais e ambientais, mas ainda estão muito aquém do desejável.
O Regime Geral de Gestão de Resíduos sofreu várias alterações ao longo do tempo, sendo a aprovação do Decreto-Lei n.º 24/2024, de 26 de março uma das mais relevantes dos últimos anos. Esta revisão veio aumentar a ambição da legislação existente na área dos biorresíduos e da prevenção do desperdício alimentar, mas não existe um acompanhamento posterior pela Autoridade Nacional dos Resíduos sobre a sua efetiva implementação.
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Portugal
Quercus alerta ocultação de eucaliptal ardido e pede correções

QUERCUS alerta que mais de dois terços do eucaliptal ardido estão ocultos das estatísticas nacionais e propõe medidas de correção
O 5.º relatório provisório de incêndios rurais do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), publicado em setembro, revelou que é já o 4º ano com maior área ardida, desde 1996 (ano com dados disponíveis), com 254.296 ha ardidos em Portugal.
Importa realçar que no período homólogo e relativamente ao ano com maior área ardida, este valor é superior em cerca de 20 mil hectares.
No entanto a análise recente da Carta de Uso e Ocupação do Solo (COS) e da Carta de Ocupação do Solo Conjuntural (COSc), produzidas pela Direção-Geral do Território (DGT) com base em imagens de satélite do programa europeu Copernicus (Sentinel-2), evidencia deficiências estruturais que estão a comprometer a leitura da realidade florestal portuguesa e que comprometem os dados oficiais.
Senão vejamos: A COS, atualizada apenas de 5 em 5 anos, e os ortofotomapas que lhe dão suporte, cuja última edição remonta a 2018, apresentam um desfasamento significativo face ao território real, e para agravar esta situação, a COSc, de carácter anual, sofre do mesmo problema técnico pois classifica como “mato” vastas áreas de eucaliptal jovem, em regeneração ou em rotação após corte, mascarando assim a verdadeira extensão desta cultura florestal.
Para demonstrarmos este desfasamento importa dar exemplos concretos:
Incêndio de Arouca – No incêndio de Arouca, em 2024, arderam 6.500 hectares. A ocupação real da área afetada era superior a 80% de eucaliptal, sobretudo jovem. Contudo, a informação oficial classifica 62% da área como “fogo de mato”. Mais de metade dos eucaliptos surgem no satélite como “Transitional Woodland-shrubland”, ocultando estatisticamente a dimensão real do eucaliptal ardido, pois a área ardida é bastante superior e não está devidamente classificada e contabilizada.
Incêndio de Pedrógão – os relatórios do European Forest Fire Information System (EFFIS) assinalam 80% de “mato”, numa área onde 90% correspondia a eucaliptos jovens ou regenerações naturais.
Desta forma, podemos afirmar que mais de dois terços do eucaliptal existente em áreas ardidas fica ocultado das estatísticas nacionais por classificações incorretas, tendo como exemplo Povoamentos florestais que são registados como “mato” em várias fases do ciclo do eucalipto: até aos 5 a 8 anos de idade, até atingirem 5 metros de altura, após cortes sucessivos ou em estado de regeneração, estimando a QUERCUS que em incêndios de grandes dimensões dezenas de milhares de hectares de plantações sejam reportados à população apenas como “mato”, desvalorizando o risco e o impacto real nos territórios e comunidades.
Portugal continua, assim, a apresentar dados oficiais que desvirtuam a realidade florestal, alimentando uma perceção estatística e política incorreta sobre a dimensão do eucaliptal. Esta prática tem consequências graves na prevenção e combate aos incêndios, na avaliação ambiental e na definição de políticas públicas.
A QUERCUS recomenda a retificação urgente do protocolo de análise, garantindo a identificação correta das espécies florestais e uma atualização mais próxima do tempo real e defende que as plantações de eucalipto (e outras espécies florestais de rápido crescimento) passem a estar sujeitas a licenciamento obrigatório e georreferenciação em plataforma oficial do Estado, permitindo uma monitorização transparente e eficaz da ocupação do solo e da evolução do risco de incêndio.
A classificação atual da ocupação do solo em Portugal está a ocultar de forma sistemática a realidade do eucaliptal. Sem medidas urgentes de correção e de transparência, como a QUERCUS propõe, o país continuará a viver com uma narrativa oficial que distorce a realidade e compromete fortemente a segurança de pessoas e bens, assim como, um ordenamento do território e gestão florestal sustentável.
Portugal
ZERO – Associação Sistema Terrestre Sustentável

Nos últimos anos, a reutilização tem sido promovida como uma das soluções mais eficazes para reduzir o consumo de plásticos de uso único e diminuir a quantidade de resíduos que enviamos para aterro ou incineração. Mas será que tudo o que nos dizem ser reutilizável o é de facto?
A resposta é simples: não necessariamente. Nem todos os copos, embalagens ou recipientes que encontramos em cafés, take-away ou supermercados podem ser considerados reutilizáveis. A chave está em perceber se estão integrados num sistema que garante que o objeto é usado várias vezes e depois retorna ao ciclo.
O que torna um objeto realmente reutilizável
Um copo ou embalagem só pode ser considerado reutilizável se cumprir alguns critérios essenciais:
- Integração num sistema de reutilização
O objeto deve fazer parte de um circuito organizado, seja da própria empresa ou de uma rede local, que garanta que ele volta ao ponto de origem ou a outro ponto de recolha autorizado. - Garantia de circulação múltipla
É fundamental que o recipiente seja usado repetidamente, e não apenas trocado por outro depois de uma utilização. Quanto mais vezes circular, menor o seu impacto ambiental. - Depósito ou incentivo ao retorno
Um sistema de reutilização eficaz incentiva o consumidor a devolver o objeto — por exemplo, através de depósitos ou descontos em compras futuras. Sem esta lógica, o objeto corre o risco de ser descartado como se fosse descartável.
Como identificar se um produto é realmente reutilizável
Ao deparar-se com um copo ou recipiente “reutilizável”, pergunte-se:
- Existe um depósito ou incentivo ao retorno?
- Há pontos de recolha claros e acessíveis?
- O sistema garante que o objeto irá circular várias vezes?
- Há informação clara sobre limpeza, manutenção e reutilização?
Se a resposta a estas perguntas for negativa, o produto não pode ser considerado reutilizável, por mais que pareça mais sustentável que o descartável.
Por que é importante distinguir
A reutilização genuína é uma ferramenta poderosa de prevenção de resíduos. Mas, se confundirmos produtos que só parecem reutilizáveis com sistemas que de facto funcionam, corremos o risco de criar um falso sentimento de sustentabilidade, sem reduzir de forma real o consumo de plástico ou a produção de resíduos.
Para a ZERO, reutilizar é reduzir: cada copo ou embalagem que circula de facto várias vezes evita a produção de novos objetos, diminui a quantidade de resíduos e contribui para um modelo de economia circular eficiente.
A responsabilidade é de todos
Consumidores, empresas e entidades reguladoras têm um papel importante:
- Consumidores: procurar informação sobre os sistemas de retorno e privilegiar produtos com circuito garantido.
- Empresas: adotar sistemas de reutilização robustos, com depósito ou incentivos claros, e comunicar de forma transparente.
- Legislação e municípios: apoiar políticas que promovam a reutilização de verdade, incluindo normativas e campanhas de sensibilização.
Um copo ou embalagem só é realmente reutilizável quando circula várias vezes e retorna ao sistema. Sem depósito, incentivo ao retorno ou circuito garantido, não passa de um produto que parece sustentável, mas que na prática não evita resíduos.
Se queremos construir um futuro com menos lixo e mais economia circular, precisamos de olhar para a reutilização com rigor, garantindo que cada objeto cumpre o seu papel e não apenas a sua aparência.
Portugal
Jantar Comemorativo Aniversário 40 anos

No passado dia 31 de outubro, celebrámos 40 anos de dedicação à defesa do ambiente e à conservação da natureza em Portugal. O jantar comemorativo reuniu associados, colaboradores, voluntários e parceiros, num momento de reconhecimento e partilha, que assinalou quatro décadas de trabalho contínuo ao serviço da sustentabilidade, da biodiversidade e da cidadania ambiental. Neste vídeo partilhamos algumas imagens e os melhores momentos desta celebração, que reflete o percurso de uma associação independente, apartidária e comprometida com a proteção dos valores naturais do nosso país.
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