Connect with us

Portugal

“Um investigador precisa de possuir espírito de missão”

Published

on


Engenharia costeira, recursos hídricos e energia do mar são os três pilares de investigação de Francisco Taveira Pinto, Professor Catedrático e atual Diretor do Departamento de Engenharia Civil e Georrecursos (DECG) da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP), recentemente distinguido com o Prémio de Excelência Científica 2025, no âmbito das celebrações do Dia da FEUP 2026.

O galardão visa fomentar a participação dos docentes e investigadores da FEUP em atividades de investigação científica, estimulando a criação de novos conhecimentos com relevância para a sociedade e afirmando a instituição como uma escola de investigação de nível internacional na área da Engenharia.

Premeia o esforço de liderança e participação em projetos de investigação científica, a angariação de financiamento para as atividades de investigação científica, a produção de publicações científicas com impacto nas áreas de intervenção da FEUP e ainda o licenciamento de tecnologias ou outros resultados de I&D que originem direitos de propriedade intelectual.

Coordenador do Núcleo de Hidráulica, Recursos Hídricos e Ambiente do Instituto para a Construção Sustentável (ICS) da FEUP e especialista em Hidráulica e Recursos Hídricos (Engenharia Costeira e Portuária) pela Ordem dos Engenheiros, assim como Vice-Presidente da Assembleia Geral da Parceria Portuguesa para a Água, Francisco Taveira Pinto conta já com 35 anos ao serviço da Faculdade de Engenharia.

O que representa para si receber o Prémio de Excelência Científica da FEUP e que significado atribui a este reconhecimento no contexto do seu percurso académico e científico?

Receber este Prémio de Excelência Científica da FEUP é para mim um reconhecimento não só pelo trabalho científico mais recente, que esteve em avaliação, mas também por um percurso académico já com alguns anos e cujo resultado se materializou neste mesmo prémio. Como tive oportunidade de referir na cerimónia em que o prémio me foi entregue, embora esteja personalizado em mim, como coordenador de um grupo, ele constitui também o reconhecimento do trabalho de uma equipa que muito contribuiu para este resultado.

Não posso deixar também de referir que é um exemplo de que é possível conciliar as várias componentes de um docente universitário: a docência, a investigação, a transferência de conhecimento e a gestão universitária.

Docente da FEUP recebeu o Prémio de Excelência Científica no âmbito das celebrações do Dia da FEUP 2026, que decorreram no Terminal de Cruzeiros do Porto de Leixões. (Foto: DR)

A sua investigação tem contribuído de forma significativa para as áreas da engenharia costeira, recursos hídricos e energia do mar. Que impacto considera que este trabalho pode ter na sociedade e na resposta a desafios globais atuais?

A área de especialização do grupo de investigação sempre foi a engenharia costeira e portuária, área de grande importância para qualquer país, no que aos portos e à proteção costeira diz respeito. Atualmente, e cada vez mais, esta área tem tido maior relevância, fruto do crescimento económico e dos problemas associados às alterações climáticas e ainda dos impactos que as tempestades têm no frágil ecossistema costeiro.

Por outro lado, as questões energéticas estão cada vez mais na ordem do dia, pelo que o grupo decidiu há pouco mais de 10 anos apostar também na investigação de vários aspetos associados à energia do mar, que é uma fonte de eletricidade de grande dimensão e que coloca também desafios imensos à Engenharia.

São áreas de intervenção e de ação críticas para a sociedade e que a procuram ajudar na resposta aos desafios globais muito atuais, associados aos riscos costeiros, ao impacto na economia do mar e à necessidade de se usarem e rentabilizarem novas fontes de energia renovável.

Ao longo da sua carreira, tem liderado projetos, orientado estudantes e colaborado com instituições nacionais e internacionais. Como encara o papel da liderança científica na promoção de uma investigação de excelência?

O papel e a qualidade da liderança de um grupo dependem muito da própria qualidade dos seus elementos. Tenho tido a sorte de ter trabalhado com docentes e investigadores excecionais e empenhados.

A minha função de coordenação torna-se mais fácil, mas, ao mesmo tempo, mais exigente pois acabo por ter a responsabilidade de definir uma visão, orientar e estimular todo o trabalho presente e futuro da equipa. De referir também a importância da escolha das áreas temáticas de investigação, pois são elas que atraem mais recursos humanos e mais financiamento. Sem isso, não há equipa.

“É necessário ter vontade e proatividade para enveredar por uma carreira científica”

(Foto: DR)

Na sua perspetiva, quais são os principais fatores que permitem a uma instituição como a FEUP afirmar-se como uma escola de investigação de nível internacional?

Eu costumo dizer que a FEUP tem recursos humanos de excelência, que a ajudam a afirmar-se como uma escola de referência a nível nacional e internacional, mas, por outro lado, digo também que tem capacidade para fazer mais e melhor. Contudo, o modelo de funcionamento não permite atuar a esse nível e obter ainda melhores resultados, apesar da qualidade das infraestruturas e dos seus recursos humanos.

Que conselhos deixaria às novas gerações de investigadores que pretendem desenvolver uma carreira científica com impacto e relevância?

Podendo dar alguns conselhos, começaria por referir que é necessário ter vontade e proatividade para enveredar por uma carreira científica com impacto e relevância, ou seja, na prática é preciso ser curioso e possuir espírito de missão. Por outro lado, é importante a inserção num grupo dinâmico, minimamente organizado e coordenado, que garanta a tal visão e apoie a proatividade.

Como complemento, e no mundo em que vivemos, é fundamental a inserção em redes internacionais e contactos com escolas de referência que ajudam a enriquecer o investigador e o grupo. Só assim é possível desenvolver uma carreira científica com impacto e relevância.

Sobre Francisco Taveira Pinto

Licenciado em Engenharia Civil (1989), com Provas de Aptidão Pedagógica e Capacidade Científica com a temática “Transporte de Sedimentos sob a Acção de Ondas e Correntes” (1993), é ainda Doutorado, sob o tema “Análise das Oscilações e dos Campos de Velocidades na Proximidade de Quebra-mares Submersos sob a Ação da Agitação Marítima” (2002), e Agregado (2007) pela Universidade do Porto.

Foi Presidente da Direção do Instituto de Hidráulica e Recursos Hídricos da FEUP, Diretor da Secção de Hidráulica, Recursos Hídricos e Ambiente, Diretor do Laboratório de Hidráulica, membro da comissão executiva da EUCC-The Coastal Union Mediterranean Centre, Barcelona, Espanha, Presidente da Comissão Diretiva e da Assembleia Geral da Associação Portuguesa de Recursos Hídricos (APRH) e Coordenador da Especialização em Hidráulica e Recursos Hídricos da Ordem dos Engenheiros. Foi secretário da Comissão Executiva e Vice-Presidente da EUCC-The Coastal Union e Presidente do Comité de Hidráulica Marítima da International Association for Hydro-Environment Engineering and Research (IAHR).

O principal interesse de investigação é a hidráulica marítima, a engenharia costeira e a energia do mar (440 publicações, 4355 citações, 236 registos Scopus, h-index 36 – 12/2025), tendo participado em diversos projetos nacionais e europeus. Esteve envolvido na organização de várias conferências nacionais e internacionais, nomeadamente os congressos Littoral da Federação Eurocoast, International Conference on Coastal Conservation and Management e CoastLab.

É coordenador do grupo de investigação do DECG-FEUP sobre Energia do Mar e Estruturas Hidráulicas, incluído no CIIMAR, que se dedica à modelação numérica e física de protótipos de extração de energia das ondas, e.g. Waveroler, Wavecat, CorPower, CECO, bem como ao estudo da interação da agitação marítima com estruturas hidráulicas costeiras. Foi editor de vários proceedings de conferências, bem como membro de várias comissões científicas e organizadoras de eventos. Foi coordenador de vários projetos de I&D e de consultoria. No âmbito do Programa Doutoral em Engenharia Civil e do Mestrado Integrado de Engenharia Civil, supervisionou 13 teses de doutoramento e 70 dissertações de mestrado. É revisor de várias revistas científicas internacionais.



Source link

Continue Reading

Portugal

Como e o que deve comer uma grávida? Quais são os benefícios da amamentação?Os…

Published

on


Como e o que deve comer uma grávida? Quais são os benefícios da amamentação?

Os primeiros mil dias de vida, desde a gravidez até aos dois anos da criança, são decisivos para o crescimento, o desenvolvimento saudável e a prevenção de doenças na idade adulta.

Em «Alimentação e Nutrição nos Primeiros 1000 Dias de Vida», a nutricionista Maria Ana Kadosh explica porquê.

O livro está disponível na livraria online da Fundação, com 50% de desconto e portes grátis para o continente e ilhas: https://ffms.pt/pt-pt/livraria/alimentacao-e-nutricao-os-primeiros-1000-dias-de-vida



Link no Facebook

Continue Reading

Portugal

Relatório do SGIFR revela que a vulnerabilidade estrutural da paisagem permanece por resolver sendo um dos principais problemas nos fogos florestais

Published

on


A redução do número de ignições e a melhoria da resposta operacional não impediram que cerca de 271 mil hectares ardessem em Portugal em 2025. Para a Quercus, os dados demonstram que o país continua excessivamente dependente do combate e ainda não conseguiu concretizar uma verdadeira política de prevenção estrutural, baseada na gestão integrada, sustentável e continuada da paisagem.

O Relatório de Atividades de 2025 do Sistema de Gestão Integrada de Fogos Rurais (SGIFR) evidencia progressos na coordenação institucional, no planeamento e na capacidade de resposta aos incêndios rurais. No entanto, confirma também que os fatores que tornam o território vulnerável aos grandes incêndios permanecem, em larga medida, por resolver.

Em 2025 registaram-se 8.252 incêndios rurais, o terceiro valor mais baixo desde 2001 e uma redução de cerca de 65% face à média do período entre 2001 e 2017. Apesar desta evolução positiva, arderam aproximadamente 271 mil hectares, o quarto valor mais elevado desde 2001.

A concentração da área ardida num número muito reduzido de ocorrências é particularmente preocupante: apenas 44 incêndios foram responsáveis por cerca de 91% da área ardida nacional.

Estes dados demonstram que reduzir as ignições, embora seja indispensável, não é suficiente. O principal desafio consiste em evitar que um pequeno número de ocorrências evolua para incêndios de grande dimensão, sobretudo durante períodos de elevada perigosidade meteorológica e em territórios marcados pelo abandono rural, pela acumulação e continuidade de combustíveis e pela insuficiente gestão integrada das atividades agrícola, florestal e pastoril.

Um território transformado num “mar” de combustível

Esta vulnerabilidade é particularmente evidente nas serras do Centro e do Norte, onde extensas áreas contínuas de eucalipto e pinheiro-bravo, frequentemente pouco geridas, coexistem com a ausência de descontinuidades agrícolas, pastoris ou de vegetação autóctone.

A homogeneização da paisagem cria autênticos “mares” de combustível, favorecendo a propagação rápida e intensa dos incêndios. Este modelo reduz ainda a diversidade ecológica, fragiliza os ecossistemas e compromete a sua capacidade de recuperação após o fogo.

Para a Quercus, os resultados de 2025 confirmam que a reforma do sistema avançou mais rapidamente na governação, no planeamento e na resposta imediata do que na transformação efetiva da paisagem.

Embora o relatório estime em 53% a implementação global do Programa Nacional de Ação 2020–2030, os principais atrasos continuam a verificar-se precisamente nas medidas com maior capacidade para reduzir o risco a longo prazo.

Entre estas encontram-se a valorização económica dos espaços rurais, a mobilização e organização da propriedade, a criação de mosaicos agroflorestais, a expansão do pastoreio extensivo, a recuperação das áreas ardidas e a remuneração dos serviços prestados pelos ecossistemas. São domínios que o próprio relatório reconhece como insuficientemente desenvolvidos ou abaixo da trajetória prevista.

Mais hectares intervencionados não significam necessariamente menor risco

Os dados relativos à gestão de combustível devem também ser interpretados com prudência. Em 2025 foram reportados cerca de 196 mil hectares intervencionados, mas 62% deste valor resulta da inclusão, pela primeira vez, de medidas agroflorestais e pastoris financiadas pelo Plano Estratégico da Política Agrícola Comum (PEPAC) e pelo Fundo Ambiental.

Embora estas atividades possam contribuir para reduzir a carga de combustível e aumentar a diversidade da paisagem, esta alteração metodológica limita a comparação direta com os anos anteriores.

Além disso, o número de hectares intervencionados não permite, por si só, avaliar a localização estratégica, a continuidade espacial, a manutenção ao longo do tempo ou a eficácia real das intervenções na redução do risco de incêndio.

Para a Quercus, a prevenção não pode resumir-se à limpeza periódica dos povoamentos ou à abertura de faixas lineares de gestão de combustível. É necessária uma diversificação e reconversão progressiva das áreas mais vulneráveis, através da recuperação de mosaicos com usos agrícolas e pastoris, florestas autóctones, galerias ripícolas e outras formações naturais adaptadas às condições de cada território.

Impactos ecológicos continuam subavaliados

A avaliação dos incêndios rurais deve também atribuir maior importância à dimensão ecológica. Para além da área ardida e das perdas económicas imediatas, é necessário monitorizar a severidade do fogo e os impactos sobre os habitats, as espécies, os solos e os recursos hídricos.

A erosão dos solos, a degradação das linhas de água, a expansão de espécies invasoras e a capacidade de regeneração dos ecossistemas devem integrar de forma sistemática a avaliação dos incêndios e das políticas públicas de prevenção e recuperação.

A prevenção estrutural exige que os indicadores de execução sejam acompanhados por resultados territoriais mensuráveis, incluindo a redução da carga e da continuidade de combustível, a diversificação dos usos do solo, o restauro dos ecossistemas, a proteção do solo e da água e a diminuição comprovada da exposição das populações e do património natural.

Seis vítimas mortais e 3,6 milhões de toneladas de carbono emitidas

Em 2025, os incêndios rurais em Portugal provocaram seis vítimas mortais, emitiram cerca de 3,6 milhões de toneladas de carbono para a atmosfera e causaram perdas económicas diretas estimadas em 85 milhões de euros.

Perante estes impactos, a Quercus considera urgente acelerar a gestão ativa da paisagem, garantir financiamento plurianual e previsível e apoiar atividades económicas que assegurem a manutenção permanente e sustentável dos territórios rurais.

Portugal está hoje mais preparado para prevenir e controlar a maioria dos incêndios de pequena dimensão. Contudo, enquanto não forem enfrentadas as vulnerabilidades estruturais do território — o abandono rural, a falta de gestão, a homogeneização dos usos do solo e a degradação dos ecossistemas —, os progressos operacionais continuarão a coexistir com grandes incêndios e elevados impactos ecológicos, económicos e sociais.

A prevenção eficaz não se faz apenas combatendo melhor. Faz-se transformando e gerindo a paisagem antes de o fogo começar.

23 de julho de 2026



Source link

Continue Reading

Portugal

Quercus alerta para riscos ambientais do relatório sobre o novo aeroporto de Lisboa

Published

on


Maior Aquífero da Península Ibérica em risco com localização do novo Aeroporto pois coloca em causa abastecimento de água às populações do distrito de Setúbal 

A Quercus manifesta profunda preocupação face ao relatório técnico recentemente divulgado sobre o novo aeroporto da região de Lisboa, considerando que a informação apresentada deve ser analisada com o máximo rigor científico e sujeita a um amplo escrutínio público, tendo em conta os significativos impactes ambientais, territoriais e climáticos associados a esta infraestrutura.

A associação reafirma que qualquer decisão sobre a localização do novo aeroporto deve assentar numa avaliação independente, transparente e sustentada, compatível com a proteção do ambiente, da saúde pública, dos recursos naturais e do ordenamento do território.

Um dos aspetos que mais preocupa a Quercus prende-se com a proximidade ao maior aquífero da Península Ibérica. A importância estratégica deste sistema aquífero tornou-se recentemente evidente para a sociedade portuguesa, uma vez que dele depende o abastecimento de água de grande parte da população do distrito de Setúbal. Qualquer intervenção que comprometa a sua qualidade ou disponibilidade poderá ter consequências muito graves para a segurança hídrica da região.

Ao longo dos últimos anos, a Quercus tem alertado para os riscos ambientais associados às diferentes soluções aeroportuárias analisadas, nomeadamente a destruição e fragmentação de habitats, a pressão sobre ecossistemas sensíveis, os impactes na avifauna, o aumento do ruído e das emissões atmosféricas, bem como os efeitos sobre os recursos hídricos, a paisagem e a biodiversidade. No caso de Alcochete, a associação considera que a solução continua a levantar sérias preocupações ambientais, devido aos seus potenciais impactos sobre valores naturais de elevada relevância ecológica.

Embora o relatório procure minimizar a movimentação de terras através da definição da plataforma aeroportuária à cota de 50,25 metros, estimando cerca de 25 milhões de metros cúbicos de escavação e 20 milhões de metros cúbicos de aterro, esta continua a representar uma intervenção de enorme dimensão. Mesmo procurando um equilíbrio entre materiais de corte e aterro, esta operação implicará uma alteração profunda da topografia natural, da morfologia dos solos e do funcionamento dos ecossistemas existentes.

Outro dos aspetos que merece particular atenção é o desvio previsto da Ribeira do Vale Cobrão. A intervenção, que abrange aproximadamente 36 hectares, prevê a criação de canais abertos destinados a assegurar a continuidade hidráulica e ecológica do sistema hídrico. No entanto, qualquer insuficiência no dimensionamento destes canais ou a ocorrência de fenómenos hidrológicos extremos poderá comprometer não só o equilíbrio ecológico da bacia hidrográfica, como também a segurança operacional do próprio aeroporto e da futura ligação ferroviária.

A Quercus recorda ainda que a política aeroportuária nacional não pode ser analisada de forma isolada, ignorando a necessidade de reduzir a pressão sobre a Área Metropolitana de Lisboa, reforçar a ferrovia e promover uma mobilidade compatível com os compromissos climáticos assumidos por Portugal. Neste contexto, a associação continua a defender o aproveitamento do Aeroporto de Beja durante o período de transição, bem como uma estratégia que privilegie a substituição dos voos de curta distância por ligações ferroviárias sempre que tal seja possível.

Perante a dimensão dos riscos identificados, a Quercus considera indispensável que qualquer decisão sobre o novo aeroporto seja precedida de uma avaliação ambiental particularmente rigorosa, de um processo de discussão pública verdadeiramente informado e de uma ponderação séria dos custos ecológicos, sociais, económicos e climáticos associados à solução escolhida. A associação continuará a acompanhar este processo com atenção e a intervir sempre que estejam em causa a proteção dos valores naturais, dos recursos hídricos e o interesse público ambiental.

24 de julho de 2026



Source link

Continue Reading

Portugal

A um dia do prazo, Portugal arrisca falhar a transposição da Diretiva Europeia sobre reparação de bens

Published

on


Quercus alerta para mais um atraso na promoção da economia circular e defende medidas urgentes para garantir a promoção do direito à reparação

A um dia do prazo legal, 31 de julho, Portugal continua sem concluir a transposição da Diretiva (UE) 2024/1799 do Parlamento Europeu e do Conselho de 13 de junho de 2024 relativa a regras comunitárias para promover a reparação de bens. Num país onde são  produzidos anualmente cerca de 165000 toneladas de resíduos de equipamentos elétricos e eletrónicos (dados de 2024) e onde existem taxas de reciclagem/reutilização se encontram abaixo das metas europeias, como nas “Lâmpadas” onde existiu uma taxa de reciclagem/reutilização  em 2025 de 40% abaixo da meta estabelecida de 80% e onde os “Equipamentos de grandes dimensões” têm uma taxa de quase 50% quando já seria desejável estar nos 80% (de acordo com o Relatório do Estado do Ambiente 2025), a Quercus considera que este atraso representa a falta de priorização de uma economia verdadeiramente circular, incumprindo com o próprio PAEC este ano aprovado.

A Diretiva (UE) 2024/1799 constitui uma das principais iniciativas da União Europeia para promover uma economia circular, incentivando a reparação de produtos em vez da sua substituição prematura. À beira do fim do prazo para a sua transposição, a ausência de medidas concretas por parte do Governo levanta sérias preocupações quanto ao cumprimento das obrigações europeias e ao compromisso de Portugal com a transição para modelos de produção e consumo mais sustentáveis.

As consequências de um novo atraso 

Enquanto a lei não entrar em vigor, os consumidores portugueses continuam sem o quadro legal que lhes garante o direito a reparar equipamentos como eletrodomésticos, telemóveis e tablets a preços razoáveis, com peças sobressalentes disponíveis e sem cláusulas contratuais que dificultem o recurso a reparadores independentes. Segundo dados da DECO Proteste (publicados a 31 março 2026), os consumidores portugueses gastam em média 1 200 euros por ano a substituir equipamentos que poderiam ter sido reparados por uma fração desse valor, um encargo que a nova legislação visa atenuar.

Cada mês de atraso traduz-se em mais equipamentos descartados que poderiam ter sido reparados, mais recursos naturais críticos desperdiçados, incluindo metais raros e outras matérias-primas que Portugal, como país fortemente importador, não pode dar-se ao luxo de continuar a desperdiçar.

As propostas da Quercus

Perante este cenário, a Quercus insta o Governo a:

  • Apresentar de imediato uma proposta de transposição da diretiva, minimizando o vazio legal após 31 de julho;
  • Criar o ponto de contacto nacional e a plataforma nacional de reparação previstos na diretiva, interligada com a futura plataforma europeia em linha, para que os consumidores possam encontrar facilmente reparadores certificados na sua área;
  • Assegurar a fiscalização efetiva da proibição de cláusulas contratuais e de técnicas de hardware ou software que impeçam a reparação, garantindo que os reparadores independentes podem utilizar peças de segunda mão, compatíveis ou produzidas por impressão 3D, tal como a diretiva exige;
  • Obrigar os reparadores a disponibilizar, de forma gratuita e em suporte duradouro, o Formulário Europeu de Informações sobre as Reparações, com prazos, preços e condições claros antes da celebração de qualquer contrato de reparação;
  • Criar um sistema de incentivos à reparação, como cupões ou apoios financeiros diretos ao consumidor, à semelhança de exemplos já implementados noutros países europeus, como Áustria e França,
  • Reforçar a capacidade de fiscalização da Direção-Geral do Consumidor para garantir o cumprimento efetivo das novas regras junto de fabricantes e distribuidores;
  • Envolver ativamente as organizações da sociedade civil, associações de consumidores e o setor da reparação independente no processo de regulamentação;
  • Adotar uma estratégia transversal para pôr fim ao padrão recorrente de atrasos na transposição de diretivas ambientais, que já expõe o país a múltiplos processos de infração e sanções financeiras.

“Portugal não pode continuar a acumular processos de infração e condenações por incumprimento de diretivas ambientais. Já pagámos 10 milhões de euros e uma sanção diária por não executarmos um acórdão sobre a Diretiva Habitats, não podemos permitir que esta diretiva relativa à reparação seja o próximo capítulo desta mesma história. Cada atraso tem um custo real, em resíduos, em recursos naturais e em dinheiro dos contribuintes”, afirma Alexandra Azevedo, presidente da Quercus.

A Quercus continuará a acompanhar de perto este processo legislativo e a pressionar para que Portugal cumpra os compromissos assumidos junto da União Europeia em matéria de economia circular.

30 de julho de 2026



Source link

Continue Reading

ÚLTIMAS 48 HORAS

Social Media Auto Publish Powered By : XYZScripts.com