Economia
PORTALEGRE, A CIDADE DESPOVOADA E COM DOIS DEPUTADOS


Por Agência Lusa
Mais serviços públicos, acessibilidades e políticas fiscais atrativas são reivindicações do distrito de Portalegre, que tem no despovoamento o principal inimigo. Este é o círculo do país que menos deputados elege (dois), faltando-lhe peso político. “Por só termos dois deputados, obviamente que a nossa voz não se faz ouvir com a mesma força do que outras regiões, que têm muito mais deputados. É, sem dúvida alguma, um problema que nós aqui temos”, lamenta à agência Lusa a presidente do Câmara de Portalegre, Adelaide Teixeira.
A autarca, eleita pelo movimento Candidatura Livre e Independente por Portalegre (CLIP), defende a alteração da lei, considerando que deve ser avaliada a área geográfica de cada território em vez do número de residentes.
A lei tem de mudar, até porque se põe em causa um dia não estarmos a cumprir com aquilo que a Constituição portuguesa refere, que é exatamente a representatividade dos territórios na Assembleia da República”, alerta.
No seu entender, tem também de haver políticas governamentais que se traduzam numa verdadeira descentralização, inclusive ao nível dos serviços públicos. “Este território perdeu, nos últimos anos, muitos serviços e nós aqui precisamos de alavancar e ter aqui pessoas, jovens. Obviamente que as empresas irão ajudar, mas não é suficiente”, acrescenta.
Com 106.271 habitantes (população média em 2018) distribuídos por 15 concelhos, segundo dados do portal EyeData, o distrito perdeu 12.235 habitantes desde os Censos de 2011, quando tinha 118.506 residentes. Atualmente, após suspenso o recenseamento eleitoral e quando decorre um período de reclamações, há 96.425 eleitores inscritos neste círculo eleitoral, menos 4.764 do que os 101.189 registados no dia das legislativas de 2015, segundo dados do Ministério da Administração Interna.
Em 2015, o distrito elegeu um deputado do PS e outro do PSD.
O despovoamento e a falta de investimento em Portalegre devem-se às políticas que, durante décadas, privilegiaram o litoral, argumenta João Alves, sociólogo e pró-presidente para a Investigação e Inovação no Instituto Politécnico de Portalegre. Defensor de mais e melhores serviços públicos para a região, nomeadamente nas áreas da educação e saúde, o docente considera que a “chave” para a resolução do problema passa por um “comprometimento político mais fecundo”, que seja transversal a círculos eleitorais e a ideologias político-partidárias.
O que é necessário é, de facto, promover um reordenamento do território equilibrado, uma verdadeira articulação de políticas, neste caso europeias, que promovam, de uma maneira articulada e sustentável, um conjunto de soluções [para] a valorização do interior como ele merece”, sugere.
Sem uma autoestrada que sirva a capital de distrito e com uma estação ferroviária a cerca de 12 quilómetros da zona industrial local, os empresários vivem com “grandes constrangimentos”, desabafa o presidente do Núcleo Empresarial da Região de Portalegre (NERPOR), Jorge Pais. “Há décadas que nós, o NERPOR, temos vindo a propor e a sugerir a necessidade de medidas que contrariem esta situação, o agravamento contínuo desta situação. E, desde logo, uma delas é a questão das acessibilidades e dos eixos ferroviários e rodoviários”, evoca.
Além da aposta nas acessibilidades, o presidente do NERPOR defende um conjunto de políticas fiscais para atrair empresas para a região, em particular ao nível do Imposto sobre o Rendimento de Pessoas Coletivas (IRC).
“A questão da facilitação fiscal, de diminuição da taxa de IRC, está sucessivamente a ser apresentada como um fator que já está consagrado para a fixação de empresas no interior, mas é publicidade enganosa, é falsa”, lamenta.
O cluster aeronáutico que está a ser desenvolvido no Aeródromo Municipal de Ponte de Sor ou a monumentalidade da cidade raiana de Elvas — com as suas fortificações classificadas como Património Mundial pela UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura) – são dos poucos “balões de esperança” que surgiram recentemente para atrair investidores e pessoas para a região.
Além destes projetos, que contribuem para que a região “não desapareça do mapa”, as populações do distrito de Portalegre reivindicam, há décadas, a construção da Barragem do Pisão, no concelho de Crato, projeto já anunciado por vários governos, mas que ainda não saiu do papel.
Alentejo
Alvito lidera captação de fundos europeus no Alentejo e converte projetos em motor de desenvolvimento


O concelho de Alvito assume-se como o território com maior volume de projetos submetidos e aprovados junto da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) do Alentejo. O dado estatístico estabelece um marco no panorama da gestão do investimento público na região, colocando o município no topo da eficiência técnica na captação de fundos comunitários para alavancar a economia local.
Em duas entrevistas complementares, o Presidente da CCDR Alentejo e o Presidente da Câmara Municipal de Alvito, José Efigénio, analisam a convergência de estratégias que permitiu ao município liderar a mobilização de incentivos europeus. O alinhamento institucional entre a tutela regional e a autarquia é apontado como o fator determinante para acelerar a execução de verbas destinadas à coesão territorial, à valorização do património e ao reforço do tecido produtivo.
Alinhamento estratégico e capacidade técnica
A liderança de Alvito no aproveitamento dos quadros de financiamento europeu resulta de uma transição focada no alinhamento de prioridades económicas com as diretrizes de desenvolvimento regional. Segundo os responsáveis, a capacidade do concelho em liderar a submissão e aprovação de candidaturas reflete uma preparação técnica estruturada, capaz de transformar as caraterísticas específicas do concelho em projetos financeiros elegíveis.
Esta dinâmica de convergência entre a autarquia e a CCDR Alentejo tem garantido a viabilização de investimentos em áreas críticas como o turismo sustentável, a preservação patrimonial e a inovação no setor agroalimentar. O objetivo central passa por maximizar o impacto do capital comunitário para aumentar a competitividade territorial e travar a desertificação humana no interior alentejano.
Fixação de população e valorização do património
A aplicação das verbas comunitárias aprovadas visa dar resposta aos desafios estruturais da região. A estratégia municipal enquadrada pela CCDR Alentejo foca a criação de condições para a fixação de novos residentes, o reforço dos serviços à população e a dinamização do tecido empresarial local.
A conversão dos recursos endógenos em ativos de valor acrescentado tem permitido ao concelho projetar a sua base económica, posicionando Alvito como um caso de estudo na eficácia de gestão dos fundos de coesão no Alentejo.
Economia
Atualização: Gasóleo não desce tanto quanto esperado por causa do ISP


O Governo decidiu reduzir o desconto no ISP em cerca de um cêntimo para o gasóleo, anulando quase totalmente a descida de preço que estava prevista para os postos de abastecimento a partir de segunda-feira.
Com este ajuste fiscal, o gasóleo terá uma redução residual de apenas 0,07 cêntimos, em vez da descida significativa antecipada pelos mercados internacionais. Por outro lado, a gasolina deverá registar um aumento de 2,5 cêntimos por litro, uma vez que o Executivo optou por não alterar o valor do imposto aplicado a este combustível.
Estas variações entram em vigor entre 27 de abril e 3 de maio, embora os preços finais possam variar conforme a política comercial de cada revendedor.
Economia
Combustíveis: Gasóleo baixa e gasolina sobe na próxima semana


As previsões para a semana de 27 de abril a 3 de maio indicam uma evolução diferente para os dois combustíveis em Portugal, com base no comportamento dos mercados internacionais, o preço do gasóleo deverá registar uma descida de 4 cêntimos por litro, enquanto a gasolina deverá subir 2,5 cêntimos.
Feitas as contas, o preço médio do litro de gasóleo deverá fixar-se nos 1,928 €, o que representa uma poupança de cerca de 2 euros num depósito de 50 litros face à semana anterior. No caso da gasolina, o valor médio deverá subir para os 1,921 € por litro, tornando o abastecimento de um depósito de 50 litros aproximadamente 1 euro mais caro.
É importante recordar que estes valores são meramente indicativos, uma vez que o mercado de combustíveis em Portugal é livre e os preços finais podem variar conforme a marca, o posto de abastecimento e a localização geográfica. Se conduz um veículo a gasóleo, poderá valer a pena aguardar por segunda-feira para atestar o depósito.
Economia
Preço das casas em Portugal dispara 16,8% e ultrapassa os 2 mil euros por metro quadrado


Comprar casa em Portugal tornou-se significativamente mais caro em 2025, com o preço mediano da habitação a fixar-se nos 2.076 €/m². Segundo os dados revelados esta sexta-feira pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), este valor representa uma subida de 16,8% face ao ano de 2024, refletindo a forte pressão no mercado imobiliário nacional.
Com base em quase 165 mil vendas efetuadas ao longo do último ano, o relatório destaca que cinco regiões do país apresentam valores acima da média nacional, com a Grande Lisboa a liderar a lista ao atingir os 3.439 €/m². Seguem-se o Algarve (3.139 €/m²), a Península de Setúbal (2.596 €/m²), a Região Autónoma da Madeira (2.500 €/m²) e a Área Metropolitana do Porto (2.305 €/m²) como as zonas onde o acesso à habitação exige o maior esforço financeiro.



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