Portugal
iUP25k 2026 premeia ideia para descarbonizar o calor industrial

O calor industrial representa cerca de 25% do consumo global de energia, dos quais 80% provém de combustíveis fósseis. O resultado? Uma significativa emissão de CO₂ por ano – mais de oito gigatoneladas – e uma exposição da indústria a custos energéticos elevados e preços voláteis. Encontrar uma solução foi o que motivou João Pedro Freitas e Vicente Portela da Silva, ambos estudantes da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP), a embarcar no projeto Latent Energy Systems, o grande vencedor da 12.ª edição do iUP25k – Concurso de Ideias de Negócio da Universidade do Porto.
“O projeto dedica-se à descarbonização do setor de calor industrial, propondo uma bateria térmica inovadora que armazena eletricidade renovável, produzida localmente ou proveniente da rede, e fornece calor quando a indústria precisa”, explicam os inventores. Esta solução fornece, assim, “uma alternativa sustentável às caldeiras convencionais a gás natural, possibilitando armazenamento e fornecimento de calor sem emissões e a baixo custo”.
Para a equipa, que conta com a orientação de Adélio Mendes, professor na FEUP, e Tânia Lopes, investigadora na mesma faculdade, o iUP25k foi um “excelente ponto de partida”, que lhes permitiu saltar do ambiente académico para uma perspetiva mais orientada para o mercado. A cereja no topo do bolo foi conquistar o primeiro lugar e, com ele, veio “uma motivação extra e a credibilidade necessária para levar o projeto em frente e atrair os parceiros certos”.
Além do prémio monetário, João Pedro Freitas e Vicente Portela da Silva terão acesso à School of Startups (Foundations e Entrepreneurs) da UPTEC, para aprofundarem os conceitos e ações de mercado, algo que consideram “vital para transformar a ideia num negócio escalável”. O prémio em dinheiro será canalizado para “custos operacionais de arranque, como o desenvolvimento da identidade de marca, ações de disseminação e consultoria legal para a futura constituição da empresa”.
A equipa está focada em concluir a integração do protótipo que já têm iniciada num edifício do campus da Sonae, o que lhes permitirá validar a tecnologia em ambiente real. “Em paralelo, vamos avançar com o desenvolvimento e construção do nosso MVP (Produto Mínimo Viável) com uma capacidade de armazenamento de 150 kWh. Este será o passo intermédio crucial para demonstrar a viabilidade do sistema antes de escalarmos para as potências de larga escala que o mercado industrial exige.”, concluem.
Impulsionar a inovação em oncologia
No segundo lugar desta edição do iUP25k ficou o projeto LION Therapeutics, desenvolvido por cinco investigadores do LAQV/REQUIMTE, da Faculdade de Ciências da U.Porto (FCUP): Sara Reis, Ivo Dias, Xavier Correia, Hugo Almeida e Maria Cardoso.
A LION está a desenvolver uma terapia de nova geração para o cancro do pâncreas, um dos tipos de cancro mais letais e com opções terapêuticas limitadas – mas que também pode ser utilizada noutros cancros igualmente difíceis de tratar. Esta tecnologia pioneira “atua sobre o recetor da vitamina D através de moduladores baseados em ácido litocólico”, explicam os investigadores. A abordagem combina “design molecular inovador com processos de síntese escaláveis, permitindo terapias mais seguras, com elevado potencial de aplicação clínica e industrial”, acresentam.
“Hoje o cancro pancreático ainda é uma sentença e nós queremos transformar o futuro das suas terapias” – referiram os investigadores durante o momento de pitch. Assim, consideram que a distinção no iUP25k foi um “importante reconhecimento da qualidade científica, do potencial de inovação e da relevância desta tecnologia”.

Maria Cardoso, Ivo Dias, Sara Reis, Xavier Correia e Hugo Almeida são os investigadores responsáveis pelo LION Therapeutics, segundo classificado do iUP25k 2026. (Foto: DR)
Os prémios conquistados serão aplicados em duas vertentes complementares: o pecuniário servirá para reforçar a estratégia de desenvolvimento pré-clínico, “apoiando estudos biológicos adicionais, a validação farmacológica da abordagem terapêutica e proteção da propriedade industrial”, referiram.
A equipa também terá acesso ao School of Startups e a consultoria especializada em empreendedorismo – providenciada pela Astrolábio, parceira desta edição do iUP25k – o que permitirá fortalecer as competências da equipa em negócio, estratégia e valorização tecnológica.
A equipa vai continuar a validação biológica da tecnologia em modelos celulares de cancro pancreático, de modo a aprofundar a compreensão do seu mecanismo de ação. Ao mesmo tempo, vão continuar à procura de oportunidades de financiamento e parcerias estratégicas que permitam “acelerar a transição para estudos pré-clínicos mais avançados, de modo a gerar a evidência científica necessária para valorizar a tecnologia e preparar futuras negociações de licenciamento e desenvolvimento industrial”, concluem.
Usar o leite materno para cicatrizar feridas difíceis
A fechar o pódio desta edição do concurso de ideias da U.Porto ficou o projeto Matera, um “produto inovador inspirado no potencial regenerativo do leite materno e destinado ao tratamento de feridas cirúrgicas de difícil cicatrização em doentes oncológicos”. A explicação é de Carla Abreu, investigadora da Faculdade de Medicina da U.Porto (FMUP) e responsável pela ideia.
Ao contrário das soluções atualmente disponíveis, que se focam principalmente na gestão e proteção do local da ferida, o Matera “pretende ir mais além”, explica Carla Abreu, “promovendo ativamente a regeneração dos tecidos e ajudando o organismo a retomar o processo natural de cicatrização”. Estas feridas podem permanecer abertas durante semanas ou meses, aumentando o risco de infeção e obrigando a muitas consultas, tratamentos e, por vezes, novas intervenções cirúrgicas.
O Matera pretende, assim, “reduzir o tempo de recuperação, a necessidade de cuidados prolongados e também o impacto na qualidade de vida dos doentes”, utilizando componentes bioativos do leite materno integrados num hidrogel avançado, explorando assim um recurso biológico feminino acessível, mas atualmente subvalorizado.

Carla Abreu e o rosto do projeto Matera, que fechou o pódio do iUP25k 2026. (Foto: DR)
Para Carla Abreu, o terceiro lugar no iUP25k representa uma importante validação externa para o projeto Matera. “Embora a ideia já venha a ser discutida em ambiente académico, o reconhecimento por parte de um júri reforçou a confiança no seu potencial de inovação e real impacto clínico”, diz a investigadora que regressou recentemente à academia após vários anos na indústria.
O prémio será utilizado para preparar candidaturas e identificar oportunidades de financiamento para gerar a prova de conceito experimental da tecnologia. Na School of Startups pretende “adquirir competências em empreendedorismo e validação de negócio”.
A curto prazo, o projeto Matera vai estar focado na consolidação do plano científico e experimental do projeto e na submissão de candidaturas a programas de financiamento.
“O objetivo será obter os recursos necessários para o desenvolvimento experimental do projeto, bem como para a realização de estudos pré-clínicos, criando condições mais favoráveis à constituição de uma start-up e captação de investimento privado”.
“O iUP25k está em linha com o compromisso da U.Porto com a inovação”
Realizada no passado dia 2 de junho, no Auditório da UPTEC Asprela I, a final do iUP25k 2026 fechou com chave de ouro mais uma edição de uma iniciativa que é já vista como um dos mais emblemáticos eventos de promoção do empreendedorismo na instituição. Ao longo de 12 edições, o iUP25k já recebeu mais de 440 candidaturas e atribuiu um total de 300 mil euros em prémios.
Este ano, o concurso contou com o apoio da Caixa Geral de Depósitos, da Astrolábio e da UPTEC – Parque de Ciência e Tecnologia da U.Porto e o júri foi constituído por Abel Reis (Astrolábio), Rita Matis (Faber VC) e Susana Pinheiro (UPTEC).
Recorde-se que, durante três dias, as equipas participaram no BIP Ignition, que lhes permitiu não só obter consultoria especializada e aconselhamento sobre como melhorar os seus projetos, mas também acompanhamento dos pitchs para a sessão final. Esta tarefa esteve a cargo da Astrolábio.

Vencedores do iUP25k 2026. (Foto: DR)
“Sei que os pitches foram todos de extrema qualidade e felicito todos por isso. Fazer estas apresentações permite-vos chegar a mais gente, e isso é muito importante” referiu Pedro Rodrigues, Vice-Reitor da U.Porto para a Investigação e Inovação, no momento em que anunciou os vencedores.
Pedro Rodrigues acrescentou que “o iUP25k é uma das iniciativas da Universidade do Porto em linha com o compromisso da instituição com a inovação”. O Vice-Reitor referiu ainda que a U.Porto é “um ecossistema muito alargado, que faz muitas coisas e tem muitas portas abertas”, incentivado as equipas a estarem atentas a todas as oportunidades que possam surgir.
“É importante que conheçam a Universidade como um todo e que isso incentive o surgimento de novas ideias, projetos e empresas com impacto”, concluiu.
Portugal
Requalificação dos laboratórios do SNMB em Matosinhos

Na manhã de ontem, 31 de julho, o IPMA inaugurou a requalificação dos laboratórios do Sistema Nacional de Monitorização de Moluscos Bivalves (SNMB) no seu Polo de Matosinhos, resultante da parceria com o Centro Interdisciplinar de Investigação Marinha e Ambiental (CIIMAR). O evento contou com a presença do Secretário de Estado das Pescas e do Mar, Salvador Malheiro, e da presidente da Câmara Municipal de Matosinhos, Luísa Salgueiro, entre outros convidados.
Considerado pelo presidente do instituto, José Guerreiro, “um momento de viragem que marca o IPMA”, a abertura destes laboratórios representa “uma opção pela proximidade às comunidades para quem e com quem trabalhamos, em particular no setor da pesca e aquacultura”, assim como “um caminho de abertura e parceria com a comunidade científica, nomeadamente com os laboratórios associados, na convicção que, em conjunto, acrescentamos valor”.
Trata-se de “uma escolha na política de investimento público de um laboratório de Estado no apoio científico e tecnológico à economia azul” e “o cumprir de um compromisso com os operadores económicos do Norte e Centro. Palavra dada é palavra honrada”, assegurou o presidente do IPMA.
Contando agora com novos laboratórios, mais postos de trabalho e áreas de apoio melhoradas, o próximo desafio no Polo de Matosinhos será a requalificação geral do edifício.
Portugal
#ExplorarONorte | Viagem Medieval em Terra de Santa MariaSanta Maria da Feira …

#ExplorarONorte | Viagem Medieval em Terra de Santa Maria
Santa Maria da Feira regressa à Idade Média com mais uma edição da Viagem Medieval, que decorre até 9 de agosto, transformando o centro histórico da cidade num espaço de recriação histórica e de valorização do património.
Ao longo do evento, o Castelo e as ruas envolventes recuperam ambientes, personagens, ofícios e práticas associados à época medieval. Cavaleiros, mercadores, artesãos, músicos e saltimbancos integram uma programação que cruza história, cultura, gastronomia e artes performativas.
Mais do que uma recriação do passado, a Viagem Medieval propõe uma experiência de contacto com a história e com o património, aproximando diferentes gerações da identidade e da memória do território.
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Ainda não existe um tratamento eficaz para 70% dos casos de cancro do pulmão.N…

Ainda não existe um tratamento eficaz para 70% dos casos de cancro do pulmão.
Neste artigo, Teresa Almodovar, pneumologista no IPO Lisboa, afirma que «a prevenção continua a ser a arma mais eficaz contra este tipo de cancro».
A especialista sublinha que «85% dos casos são reflexo dos hábitos tabágicos, os restantes serão azares de genética e exposição ambiental (onde o tabaco também entra)».
Neste Dia Mundial do Cancro do Pulmão, descubra o que está a ser feito no combate a esta doença e de que forma o estilo de vida pode ser a resposta para travar a mortalidade até haver uma cura.
Leia o artigo completo: https://ffms.pt/pt-pt/atualmentes/7-perguntas-sobre-o-cancro-do-pulmao
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São da U.Porto as melhores teses de doutoramento do ano em Ecologia

Trabalhos sobre florestas kelp e ecossistemas de água doce mereceram prémio atribuído pela Sociedade Portuguesa de Ecologia.

Bianca Reis e Joana Nogueira conquistaram o primeiro e segundo prémios, respetivamente. Foto: DR
Bianca Reis e Joana Nogueira, ambas doutoradas pela Faculdade de Ciências da Universidade do Porto (FCUP), venceram, respetivamente, o primeiro e o segundo lugar do Prémio de Doutoramento em Ecologia – Fundação Amadeu Dias 2026. A investigação que desenvolveram demonstra a importância da inovação metodológica, da monitorização a longo prazo e de uma colaboração científica multidisciplinar para a promoção de uma gestão robusta e sustentável dos ecossistemas aquáticos.
O trabalho de Bianca Reis, realizado no âmbito do Programa Doutoral em Biologia, teve como objetivo compreender o funcionamento, as vulnerabilidades e o potencial de restauro das florestas ibéricas de kelp face às alterações climáticas. Para tal, a investigadora do Centro Interdisciplinar de Investigação Marinha e Ambiental (CIIMAR) recorreu a uma abordagem multidisciplinar, que integrou trabalho de campo, experiências laboratoriais e o desenvolvimento de uma ferramenta inovadora de medição in situ da produtividade de ecossistemas marinhos.
Bianca Reis procurou perceber de que forma o aumento da temperatura dos oceanos, a tropicalização, a redução do afloramento costeiro e o aumento da herbivoria estão a transformar os recifes temperados. Os resultados demonstraram que as florestas de kelp associadas a águas mais frias apresentam maior produtividade primária e maior capacidade de absorção de carbono, desempenhando um papel determinante no ciclo de carbono azul.
“Revelou ainda que a limitação de nutrientes poderá comprometer o recrutamento de espécies boreais em cenários climáticos futuros e mostrou que os peixes poderão exercer uma pressão herbívora superior à dos ouriços-do-mar, algo inédito no Atlântico que traz novos desafios à gestão das áreas marinhas protegidas”, pode ler-se num comunicado da Sociedade Portuguesa de Ecologia, instituição que atribui o galardão.
A tese com o título “KelpAbilities: From kelp ecosystem functions and vulnerabilities to its restoration“, defendida a 10 de novembro de 2025, contribuiu também para otimizar técnicas de restauro através do método green gravel, identificando condições que favorecem o crescimento inicial do kelp.
Estudo para contribuir para a conservação de ecossistemas de água doce
Já Joana Nogueira, doutorada em Biodiversidade, Genética e Evolução, conquistou o segundo lugar, com uma tese focada na conservação dos ecossistemas de água doce.
A investigadora do Centro de Investigação em Biodiversidade e Recursos Genéticos (CIBIO/InBio) recorreu a uma abordagem inovadora de Planeamento Sistemático da Conservação. Combinou dados de campo, bases de dados de espécies, técnicas de DNA ambiental e a análise de interações ecológicas entre diferentes grupos taxonómicos, para identificar novas formas de definir prioridades de conservação para os ecossistemas de água doce.
Com este planeamento, Joana Nogueira procurou melhorar a conservação deste tipo de ecossistemas, sub-representado nas Áreas Protegidas europeias e apoiar a sua expansão. Os resultados obtidos demonstraram que muitas áreas atualmente consideradas prioritárias podem ter perdido uma parte do seu valor de conservação devido à utilização de dados desatualizados e à falta de uma monitorização regular.
O estudo revelou ainda que a integração de interações entre espécies, como a relação entre mexilhões de água doce e os peixes de que dependem para completarem o seu ciclo de vida, permite selecionar áreas com maior representatividade ecológica – o que revela também lacunas na atual Rede Natura 2000.
A junção de métodos convencionais com DNA ambiental demonstrou ser igualmente eficaz na deteção de espécies, incluindo as ameaçadas ou de difícil observação, possuindo um grande potencial para apoiar a sua conservação em regiões com menor capacidade de monitorização. A tese “Prioritising Freshwater Biodiversity in a Changing World: From the Mediterranean Hotspot to the European Union” foi defendida a 28 de novembro de 2025.
Em terceiro lugar, ficou o trabalho de Miguel Gandra, da Universidade do Algarve, que demonstrou o potencial da combinação de tecnologias avançadas e ferramentas analíticas inovadoras de monitorização in-situ para a conservação da megafauna marinha.
Para além de um prémio monetário, no valor de 3.000, 2.000 e 1.000 euros respetivamente, os três premiados terão ainda um bónus de um ano com quotas pagas.
O prémio recebeu 11 candidaturas elegíveis, de doutorados com teses defendidas nas Universidades dos Açores, Algarve, Évora, Lisboa e Porto.
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