A bioincrustação marinha — fenómeno que resulta da acumulação de organismos em superfícies submersas, como cascos de navios e estruturas marítimas — continua a representar um desafio técnico, económico e ambiental para o setor marítimo. As soluções atualmente utilizadas recorrem frequentemente a biocidas convencionais, associados a problemas de persistência ambiental, bioacumulação e toxicidade para organismos marinhos não-alvo. É neste contexto que surge o projeto NanoBioEscudo, uma iniciativa que conta com a participação da Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto (FFUP) e que pretende desenvolver uma nova geração de tintas anti-incrustantes sustentáveis, eficientes e economicamente viáveis, através da combinação de nanotecnologia e moléculas inspiradas na natureza.

O projeto aposta numa abordagem integrada, que vai desde a investigação laboratorial até à validação em ambiente real. A participação da U.Porto é liderada pela docente e investigadora Marta Correia da Silva, do Laboratório de Química Orgânica e Farmacêutica da FFUP, e do Grupo de Produtos Naturais Marinhos e Química Medicinal do Centro Interdisciplinar de Investigação Marinha e Ambiental da U.Porto (CIIMAR).

A equipa esteve envolvida no desenvolvimento e patenteamento de moléculas anti-incrustantes inspiradas na natureza (NIAFs), consideradas uma alternativa promissora aos biocidas convencionais, graças à sua elevada eficácia, biodegradabilidade e menor ecotoxicidade. No entanto, apesar do potencial demonstrado, estas moléculas apresentavam desafios relacionados com a sua formulação e libertação precoce na água do mar.

O NanoBioEscudo pretende precisamente ultrapassar essas limitações, através da imobilização das moléculas em nanomateriais inteligentes desenvolvidos pela empresa SMALLMATEK e micromateriais biogénicos, desenvolvidos na Universidade de Aveiro, promovendo uma libertação mais controlada e reduzindo o impacto ambiental dos revestimentos marítimos.

O apoio financeiro do Compete 2030 via Fundo Estrutural do FEDER, no âmbito do programa de Inovação e Transição Digital (COMPETE2030-FEDER-01194000; Ref.ª: 17414) permitiu a aquisição de um novo equipamento de síntese química pela equipa da FFUP e do CIIMAR, garantindo um aumento muito significativo da capacidade de produção destes aditivos anti-incrustantes inspirados na natureza — de apenas 100 miligramas para 10 gramas. Este upgrade representa um marco importante para a valorização da investigação desenvolvida e para a aproximação da tecnologia a uma futura aplicação industrial.