Portugal
Cerca de 40 concelhos do interior Norte e Centro e do Algarve em risco máximo

Cerca de 40 concelhos do interior Norte e Centro e da região do Algarve apresentam hoje risco máximo de incêndio, segundo o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA).
Em risco muito elevado estão mais de 50 municípios dos distritos de Bragança, Vila Real, Viseu, Guarda, Castelo Branco, Coimbra, Leiria, Santarém, Portalegre, Beja e Faro.
Em risco elevado o IPMA colocou hoje mais de 70 concelhos dos distritos de Vila Real, Porto, Aveiro, Coimbra, Viseu, Santarém, Lisboa, Portalegre, Setúbal, Évora, Beja e Faro.
O risco de incêndio determinado pelo IPMA tem cinco níveis, que vão de reduzido a máximo.
Os cálculos são obtidos a partir da temperatura do ar, humidade relativa, velocidade do vento e quantidade de precipitação nas últimas 24 horas.
O período crítico de incêndios dura até final de setembro e, até lá, é proibido fazer queimadas extensivas ou queima de amontoados sem autorização, usar fogareiros ou grelhadores em todo o espaço rural, e fumar ou fazer qualquer tipo de lume nos espaços florestais.
É proibido ainda lançar balões de mecha acesa ou foguetes ou fazer trabalhos na floresta que possam originar faíscas.
Para hoje, o IPMA prevê chuva fraca ou chuvisco no litoral a norte do Cabo Carvoeiro até meio da manhã, persistindo no Minho, e uma descida da temperatura máxima, que será acentuada no interior Norte e Centro.
As temperaturas máximas vão variar entre os 20º (Viana do Castelo) e os 35º (Faro) e as mínimas entre os 12º (Guarda) e os 20º (Faro).
Portugal
São da U.Porto as melhores teses de doutoramento do ano em Ecologia

Trabalhos sobre florestas kelp e ecossistemas de água doce mereceram prémio atribuído pela Sociedade Portuguesa de Ecologia.

Bianca Reis e Joana Nogueira conquistaram o primeiro e segundo prémios, respetivamente. Foto: DR
Bianca Reis e Joana Nogueira, ambas doutoradas pela Faculdade de Ciências da Universidade do Porto (FCUP), venceram, respetivamente, o primeiro e o segundo lugar do Prémio de Doutoramento em Ecologia – Fundação Amadeu Dias 2026. A investigação que desenvolveram demonstra a importância da inovação metodológica, da monitorização a longo prazo e de uma colaboração científica multidisciplinar para a promoção de uma gestão robusta e sustentável dos ecossistemas aquáticos.
O trabalho de Bianca Reis, realizado no âmbito do Programa Doutoral em Biologia, teve como objetivo compreender o funcionamento, as vulnerabilidades e o potencial de restauro das florestas ibéricas de kelp face às alterações climáticas. Para tal, a investigadora do Centro Interdisciplinar de Investigação Marinha e Ambiental (CIIMAR) recorreu a uma abordagem multidisciplinar, que integrou trabalho de campo, experiências laboratoriais e o desenvolvimento de uma ferramenta inovadora de medição in situ da produtividade de ecossistemas marinhos.
Bianca Reis procurou perceber de que forma o aumento da temperatura dos oceanos, a tropicalização, a redução do afloramento costeiro e o aumento da herbivoria estão a transformar os recifes temperados. Os resultados demonstraram que as florestas de kelp associadas a águas mais frias apresentam maior produtividade primária e maior capacidade de absorção de carbono, desempenhando um papel determinante no ciclo de carbono azul.
“Revelou ainda que a limitação de nutrientes poderá comprometer o recrutamento de espécies boreais em cenários climáticos futuros e mostrou que os peixes poderão exercer uma pressão herbívora superior à dos ouriços-do-mar, algo inédito no Atlântico que traz novos desafios à gestão das áreas marinhas protegidas”, pode ler-se num comunicado da Sociedade Portuguesa de Ecologia, instituição que atribui o galardão.
A tese com o título “KelpAbilities: From kelp ecosystem functions and vulnerabilities to its restoration“, defendida a 10 de novembro de 2025, contribuiu também para otimizar técnicas de restauro através do método green gravel, identificando condições que favorecem o crescimento inicial do kelp.
Estudo para contribuir para a conservação de ecossistemas de água doce
Já Joana Nogueira, doutorada em Biodiversidade, Genética e Evolução, conquistou o segundo lugar, com uma tese focada na conservação dos ecossistemas de água doce.
A investigadora do Centro de Investigação em Biodiversidade e Recursos Genéticos (CIBIO/InBio) recorreu a uma abordagem inovadora de Planeamento Sistemático da Conservação. Combinou dados de campo, bases de dados de espécies, técnicas de DNA ambiental e a análise de interações ecológicas entre diferentes grupos taxonómicos, para identificar novas formas de definir prioridades de conservação para os ecossistemas de água doce.
Com este planeamento, Joana Nogueira procurou melhorar a conservação deste tipo de ecossistemas, sub-representado nas Áreas Protegidas europeias e apoiar a sua expansão. Os resultados obtidos demonstraram que muitas áreas atualmente consideradas prioritárias podem ter perdido uma parte do seu valor de conservação devido à utilização de dados desatualizados e à falta de uma monitorização regular.
O estudo revelou ainda que a integração de interações entre espécies, como a relação entre mexilhões de água doce e os peixes de que dependem para completarem o seu ciclo de vida, permite selecionar áreas com maior representatividade ecológica – o que revela também lacunas na atual Rede Natura 2000.
A junção de métodos convencionais com DNA ambiental demonstrou ser igualmente eficaz na deteção de espécies, incluindo as ameaçadas ou de difícil observação, possuindo um grande potencial para apoiar a sua conservação em regiões com menor capacidade de monitorização. A tese “Prioritising Freshwater Biodiversity in a Changing World: From the Mediterranean Hotspot to the European Union” foi defendida a 28 de novembro de 2025.
Em terceiro lugar, ficou o trabalho de Miguel Gandra, da Universidade do Algarve, que demonstrou o potencial da combinação de tecnologias avançadas e ferramentas analíticas inovadoras de monitorização in-situ para a conservação da megafauna marinha.
Para além de um prémio monetário, no valor de 3.000, 2.000 e 1.000 euros respetivamente, os três premiados terão ainda um bónus de um ano com quotas pagas.
O prémio recebeu 11 candidaturas elegíveis, de doutorados com teses defendidas nas Universidades dos Açores, Algarve, Évora, Lisboa e Porto.
Portugal
Investigadora da FMUP representa Comissão Europeia em organização internacional

Joana Marques integra Conselho de Cientistas da International Human Frontiers in Science Program Organization (HFSP).

Joana Marques terá como missão representar os países europeus que não pertencem ao G7 junto da HFSP. Foto: FMUP
Joana Marques, da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP), foi nomeada representante da Comissão Europeia (CE) no Conselho de Cientistas da International Human Frontiers in Science Program Organization (HFSP), para um mandato de dois anos (2026-2028), que poderá ser renovado por mais dois.
“Para mim, esta nomeação tem um significado muito especial, uma vez que representa um reconhecimento do meu percurso profissional, dedicado à investigação científica, já lá vão 26 anos. Colaboro com a Comissão Europeia, como perita, desde 2014, e esta nomeação advém também do trabalho que tenho feito como avaliadora, não só para a CE, mas para várias outras agências de financiamento de países europeus”, reage Joana Marques.
Para a FMUP, enquanto instituição, esta nomeação é também importante porque “mostra que os seus investigadores têm representação internacional e um papel relevante a exercer no seio desta prestigiada instituição de ensino superior”.
O seu significado é tão mais pertinente considerando “o investimento recente na contratação de investigadores, que têm como objetivo contribuir para avanços científicos em investigação clínica e de translação, e contribuir para melhorar os cuidados de saúde e apoiar os profissionais de saúde na sua importante missão”.
A missão de Joana Marques, está direcionada para a representação dos países europeus que não pertencem ao G7. “Pretende-se que o membro que representa a Comissão Europeia possa também colaborar na divulgação das oportunidades de financiamento junto dos países que representa e promover a investigação interdisciplinar, que é um dos principais desígnios da HFSPO”, indica.
De acordo com Joana Marques, o Conselho de Cientistas faz recomendações ao Conselho de Curadores/Administração (“Board of Trustees”) sobre vários assuntos relacionados com a missão científica da organização, nomeadamente os programas de financiamento, o processo de revisão e seleção de projetos e bolsas a serem financiados, assim como as nomeações para o prémio “HFSP Nakasone Award”, para o qual emite uma recomendação.
Até hoje, a HFSPO financiou 1.280 projetos de investigação científica, envolvendo investigadores de 73 nacionalidades e 31 investigadores galardoados com o Prémio Nobel nas várias áreas do saber.
Portugal
Doutoranda da FEUP vence prémio ibérico em Ciências Planetárias

Isabel Santos de Sousa recebeu o Pedro Nunes Award 2025, atribuído pela Europlanet Iberia à melhor dissertação de mestrado em Ciências Planetárias e Exploração.

Isabel Santos de Sousa frequenta atualmente o Programa Doutoral em Engenharia Química e Biológica da FEUP.
A estudante Isabel Santos de Sousa, do Programa Doutoral em Engenharia Química e Biológica da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP), foi distinguida com o Pedro Nunes Award – Best Iberian Master’s Thesis in Planetary Sciences & Exploration 2025, atribuído pela comunidade Europlanet Iberia à melhor dissertação de mestrado na área das Ciências Planetárias e Exploração espacial apresentada em Portugal e Espanha.
O prémio reconhece o trabalho desenvolvido no âmbito do seu mestrado em Bioengenharia na FEUP, concluído no último ano letivo. A distinção foi oficialmente anunciada durante o encontro científico da Sociedade Astronómica Espanhola (SEA 2026), integrando os prémios atribuídos pela Europlanet Iberia a jovens investigadores da comunidade científica ibérica.
A dissertação premiada, intitulada “Sustainable Space Habitats: Cyanobacterial Biomass as Feedstock for Fungal Biotechnology”, explora o potencial da utilização de biomassa de cianobactérias como matéria-prima para aplicações biotecnológicas em habitats espaciais sustentáveis.
Em concreto, este trabalho explora o uso do fungo Aspergillus niger para sistemas de suporte de vida, tecnologias que serão usadas para produzir localmente e de forma sustentável os recursos que os astronautas precisam para viver na Lua ou em Marte.
O trabalho foi desenvolvido em colaboração com investigadoras do Centro de Astrofísica da Universidade do Porto (CAUP), do Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço (IA), do Centro Interdisciplinar de Investigação Marinha e Ambiental (CIIMAR) e do Instituto de Investigação e Inovação em Saúde (i3S).
Atualmente, Isabel prossegue o seu percurso académico como estudante de doutoramento e investigadora na área da astrobiologia e biotecnologia espacial, mantendo a ligação à FEUP através do seu programa doutoral.
O comité da Europlanet Iberia destacou a “extraordinária qualidade” e o “imenso valor científico” da dissertação, considerando o trabalho uma contribuição de referência para a comunidade científica planetária ibérica.
O Pedro Nunes Award é atribuído anualmente pela Europlanet Iberia, o nó ibérico da Europlanet Society, organização internacional dedicada à promoção das Ciências Planetárias e da exploração do Sistema Solar. O galardão reconhece a melhor tese de mestrado apresentada numa instituição portuguesa ou espanhola nas áreas das Ciências Planetárias e Exploração espacial.
Portugal
FBAUP abre nova especialização em Fotografia e Cinema

Curso dirigido a artistas, investigadores, designers, cineastas, fotógrafos e outros profissionais da cultura vai abrir no próximo ano letivo. Inscrições abertas.

O curso vai explorar as relações históricas, estéticas, técnicas e conceptuais entre a Fotografia e o Cinema. Foto: DR
A Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto (FBAUP) vai lançar, no ano letivo 2026/2027, a nova Especialização em Fotografia e Cinema, uma formação avançada que articula criação artística, investigação e reflexão crítica.
Assente numa abordagem interdisciplinar, este novo curso explora as relações históricas, estéticas, técnicas e conceptuais entre a Fotografia e o Cinema, proporcionando uma experiência formativa que combina uma forte componente prática com o desenvolvimento de competências analíticas sobre a cultura visual, os arquivos e as práticas contemporâneas de produção, edição, exposição e disseminação da imagem.
Concebida como um espaço de experimentação e desenvolvimento de projetos autorais, a formação aposta no cruzamento entre a Fotografia, o Cinema e outras áreas do conhecimento, contexto de investigação da FBAUP e da U.Porto. Para tal, promove o contacto direto com investigadores, artistas e instituições culturais, preparando os estudantes para intervir de forma crítica e criativa nos atuais territórios da imagem.
Dirigido a artistas, investigadores, designers, cineastas, fotógrafos e outros profissionais da cultura, o curso oferece uma formação especializada para quem procura aprofundar práticas artísticas e expandir o seu pensamento sobre as imagens e os seus contextos de produção e circulação.
O corpo docente integra professores da FBAUP e especialistas convidados com experiência académica e profissional nas áreas da Fotografia, do Cinema e da cultura visual.
O curso decorre em regime presencial, com aulas em horário pós-laboral, entre as 19h00 e as 23h00.
Com candidaturas abertas, em fase única, até 31 de agosto de 2026, a Especialização em Fotografia e Cinema representa uma nova oportunidade de formação para todos os que pretendem desenvolver projetos na área e consolidar uma prática crítica e interdisciplinar no campo da imagem.
Para mais informações, consultar a página do curso.
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