Portugal
A Primavera começa mais cedo este ano?


A Primavera começa este ano no dia 20 de Março pelas 9h37m, segundo o Observatório Astronómico de Lisboa. Mas não é certo e sabido que a Primavera começa sempre no dia 21? Então o que é que aconteceu para que esta estação se tenha antecipado este ano? Estará a Terra a acelerar na sua viagem de translação à volta do Sol? Nada disso. Mas, para podermos perceber o fenómeno, precisamos de caracterizar o que é que determina o início da Primavera.
Em termos astronómicos, o início desta estação é definido pelo momento em que ocorre o equinócio boreal no hemisfério norte, ou o equinócio austral no hemisfério sul. A palavra equinócio provem das palavras latinas aequus (igual) e nox (noite), ou seja, significa noites iguais. Isto acontece quando a orbita aparente do Sol (isto é, o movimento aparente do Sol para um observador na Terra) cruza o plano que resulta da projecção do equador terrestre no horizonte celeste. Por outras palavras, refere-se aos momentos em que o dia e a noite têm a mesma duração, ou seja, 12 horas.
Ao longo de um ano terrestre, isto verifica-se duas vezes em cada hemisfério: no início da Primavera e no início do Outono. Note-se que estas estações ocorrem inversamente em cada hemisfério: o início da Primavera no hemisfério norte coincide com o início do Outono no hemisfério sul e vice-versa.
Para um mesmo hemisfério, no nosso caso o norte, os dois equinócios ocorrem exactamente em lados opostos da órbita da Terra à volta do Sol. Contudo, as datas em que acontecem não dividem o ano em partes iguais! Não é difícil calcular, a partir das datas médias verificadas para os equinócios e da duração média do ano (média porque temos de ter em conta os anos bissextos), que o equinócio da Primavera ocorre 179,25 dias depois do equinócio de Outono, e que este último se encontra 186 dias após a Primavera que o precede. Isto explica-se pelo facto de a orbita da Terra à volta do Sol ser elíptica e não circular, como sabemos desde 1609 graças a Kepler (1571 – 1630), e pelo facto de a Terra se encontrar mais próxima do Sol (o periélio) nos primeiros dias de Janeiro. Ora acontece que esta maior proximidade ao Sol, faz com que a velocidade (escalar) da Terra nesta altura do ano seja a maior de toda a sua órbita e, tal como é predito pela segunda lei de Kepler, ela se mova mais rapidamente em direcção ao equinócio da Primavera do que quando se aproxima do equinócio de Outono, depois de passar pelo ponto em que o nosso planeta se encontra mais distante do Sol (o afélio, a 5 de Julho).
Curiosamente, Ptolomeu (90 – 168 d.C.) também notou a desigualdade na duração das estações, mas tentou explicar a observação a partir de uma órbita circular do Sol ao redor da Terra, mas não centrada exactamente nesta, ou seja, uma orbita contendo um epiciclo.
Acresce ao que se disse atrás que o período entre dois equinócios primaveris é cerca de 6 horas maior do que um ano comum (365 dias). Assim, a Primavera de um dado ano inicia-se 6 horas mais tarde do que a Primavera do ano comum anterior, no calendário gregoriano. Ao fim de 3 anos, verifica-se um adiantamento de cerca de 18 horas. Contudo, o acerto no calendário introduzido pelo ano bissexto, produz um atraso aparente de 6 horas. Ao longo de um mesmo século, o equinócio tende a ocorrer mais cedo até que ocorram acertos no calendário por sequência de 7 anos comuns. De facto, neste século só houve dois anos em que a Primavera ocorreu a 21 (2003 e 2007) e prevê-se que a mesma se inicie no dia 19 de Março em 2040.
António Piedade
António Piedade é Bioquímico e Comunicador de Ciência. Publicou mais 700 artigos e crónicas de divulgação científica na imprensa portuguesa e 20 artigos em revistas científicas internacionais. É autor de nove livros de divulgação de ciência, entre os quais se destacam “Íris Científica” (Mar da Palavra, 2005 – Plano Nacional de Leitura),”Caminhos de Ciência” com prefácio de Carlos Fiolhais (Imprensa Universidade de Coimbra, 2011) e “Diálogos com Ciência” (Ed. Trinta por um Linha, 2019 – Plano Nacional de Leitura) prefaciado por Carlos Fiolhais. Organiza regularmente ciclos de palestras de divulgação científica, entre os quais, o já muito popular “Ciência às Seis”, no Rómulo Centro Ciência Viva da Universidade de Coimbra. Profere regularmente palestras de divulgação científica em escolas e outras instituições


Portugal
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Portugal
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Portugal
Docente da FCNAUP simplifica a avaliação da massa gorda dos atletas


O docente da Faculdade de Ciências da Nutrição e Alimentação da Universidade do Porto (FCNAUP), Tiago Ribeiro da Silva, defendeu com distinção, no dia 8 de julho, a tese de doutoramento em Nutrição Clínica “From Methods to Applications: Molecular-Level Body Composition Assessment in Athletes / Dos métodos às aplicações: avaliação da composição corporal a nível molecular em atletas”, a qual pode modificar a avaliação da composição corporal de atletas.
O trabalho demorou três anos até estar concluído e baseou-se em dados de mais de 600 atletas de alto rendimento, recolhidos, de 2006 a 2025, pela FCNAUP e pela Faculdade de Motricidade Humana (FMH) da Universidade de Lisboa, onde Tiago Ribeiro da Silva é investigador afiliado, no Centro Interdisciplinar para o Estudo da Performance Humana (CIPER).
O projeto procurou simplificar o método considerado como referência para a avaliação da composição corporal de atletas, conhecido como modelo de quatro compartimentos (4C), que divide o peso corporal em massa gorda, água corporal total, massa mineral óssea e massa residual (proteínas e glicogénio). Este modelo necessita de uma balança e de mais três aparelhos diferentes, obrigando o atleta a passar várias horas num laboratório e tornando o processo pouco prático. “São modelos multicomportamentais muito dispendiosos e demorados”, reforça Tiago Ribeiro da Silva.
“O objetivo [desta tese de doutoramento] foi tentar facilitar este modelo de referência para algo mais acessível, usando métodos que estão disponíveis, quer a nível de clubes desportivos, quer de faculdades”, explica o docente, cuja pesquisa teve a orientação de Analiza Silva (FMH), Vítor Hugo Teixeira e Rui Poinhos (FCNAUP).
Com este estudo, Tiago Ribeiro da Silva propõe substituir duas das medições do modelo 4C. Uma delas passa por eliminar a medição do volume do corpo através da pletismografia por deslocamento de ar (conhecido como BODPOD), substituída por uma equação nova, criada e desenhada especificamente para atletas, feita a partir do exame de densitometria óssea (DEXA) que é usado para medir o osso. Esta possibilidade assenta no facto de os atletas constituírem “uma população cujo corpo se afasta das assunções [pressupostos] em que foram baseados os métodos tradicionais”, justifica o docente da FCNAUP.
Neste estudo, o investigador propõe também “substituir a diluição de deutério por um tipo específico de bioimpedância que efetua um modelo biofísico para cada pessoa”, garantindo, assim, uma medição mais rápida da água corporal do atleta.


Um dos slides da defesa da tese de doutoramento “From Methods to Applications: Molecular-Level Body Composition Assessment in Athletes”, de Tiago Ribeiro da Silva. Foto: DR
A tese de doutoramento inclui ainda um artigo focado no exame de DEXA em atletas e na sua análise através de um software que divide o corpo em regiões (braços, pernas, tronco). Tiago Ribeiro da Silva concluiu que “a marcação automática do aparelho precisa sempre de ser revista e corrigida à mão”. E sugere que, “quando se acompanha um atleta ao longo de uma época, a análise ao exame seja feita sempre pela mesma pessoa para que as pequenas diferenças reflitam mudanças reais”.
Uma avaliação mais rápida
Além de se tratar de um contributo para a comunidade científica – uma vez que ,”mesmo a nível internacional, há muito poucos trabalhos sobre o método de referência” -, o investigador considera que esta tese de doutoramento “vai ter muita aplicabilidade no terreno”. “Um atleta profissional não pode despender de uma manhã inteira num laboratório e, com este método, bastam 20 minutos”, acrescenta Ribeiro da Silva.
“Se os investigadores conseguirem validar mais métodos de referência e criarem mais equações para serem usadas no terreno, isso vai permitir que a Ciência evolua. Por exemplo, neste momento não há equações [fórmulas para estimar a massa gorda] para o rugby ou para as jogadoras de futebol feminino”, exemplifica o docente das unidades curriculares Nutrição e Exercício Físico (2ºano) e Alimentação para Atletas (3ºano) da Licenciatura em Ciências da Nutrição da FCNAUP.
A FCNAUP tem contribuído para o avanço do conhecimento numa área científica e técnica em que, nos últimos anos, existiu um grande crescimento da participação dos nutricionistas, e na qual muitos antigos alunos ocupam hoje posições de referência em clubes e seleções em diversas partes do mundo.
Desde a adolescência que Tiago Ribeiro da Silva, 27 anos, natural de Sátão, Viseu, tinha interesse pela nutrição e pela composição corporal. “Quando me candidatei ao ensino superior, só coloquei a FCNAUP como opção”, recorda. Conciliar o ensino e a investigação são os seus objetivos futuros. “Os estudantes são a melhor parte do meu trabalho”, confessa o docente.
Refira-se, por fim, que esta tese – cuja defesa teve como membros do júri Pedro Graça (diretor da FCNAUP), Grant Tinsley (Texas Terch University, USA), Manuel Coelho e Silva (Universidade de Coimbra), Nuno Borges e Teresa Amaral (FCNAUP) – deu já origem a quatro estudos publicados em revistas internacionais.
Portugal
Curso de avaliação de stocks pesqueiros


O IPMA realizou, entre os dias 6 e 10 de julho, o curso Introduction to Stock Assessment with Stock Synthesis (SS3), no âmbito das atividades do Programa Nacional de Amostragem Biológica (PNAB).
A formação foi ministrada por María José Zúñiga Basualto e Mauricio Mardones Inostroza e reuniu investigadores, técnicos e estudantes de doutoramento envolvidos na avaliação de recursos pesqueiros.
Durante cinco dias, os participantes aprofundaram conhecimentos sobre a utilização do Stock Synthesis (SS3), uma das principais ferramentas internacionais para a avaliação quantitativa de stocks pesqueiros. O programa combinou sessões teóricas e práticas, abordando temas como a construção e diagnóstico de modelos, análises de sensibilidade, estrutura espacial, abordagem ecossistémica e estratégias de gestão.
Esta iniciativa contribuiu para o reforço das competências técnicas das equipas do IPMA e do PNAB, promovendo a aplicação de metodologias de referência internacional que apoiam avaliações científicas mais robustas e a gestão sustentável dos recursos marinhos.



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