Portugal
Despedida de ‘El Juli’: O Adeus Emocionante de uma Lenda do Toureio Após 25 Anos”


O mundo taurino está em choque com o anúncio surpreendente feito nesta quinta-feira por Julián López, mais conhecido como “El Juli”, uma das máximas figuras da tauromaquia. Após 25 anos de uma brilhante carreira, o famoso matador de toros revelou que deixará de torear indefinidamente após a conclusão da temporada atual.
Conhecido pela sua destreza, paixão e carisma dentro e fora das praças de touros, “El Juli” decidiu compartilhar sua decisão através de um emocionante comunicado, onde expressou sua gratidão a todos os seus fãs e profissionais do mundo taurino que o acompanharam ao longo de sua trajetória.
Embora não se trate de uma aposentadoria definitiva, o matador afirmou que este é o fim de uma etapa maravilhosa em sua vida. Durante seu comunicado, “El Juli” ressaltou que o toreo sempre foi sua inspiração e motivação, e que encerra este capítulo com alegria, pois conseguiu realizar todos os seus sonhos, superando até mesmo suas próprias expectativas.
Entre os destaques da notável carreira do matador, está o recorde de Puertas del Príncipe na feria de San Miguel de Sevilla, que terá sua última tarde anunciada no dia 1º de outubro deste ano.
O comunicado emocional deixou claro o amor profundo que “El Juli” tem pelo mundo taurino e pelos touros, que sempre foram essenciais para ele. O matador agradeceu a todos que de alguma forma fizeram parte de sua jornada, desde sua família e equipe até os ganaderos, jornalistas e colegas de profissão, que o ajudaram a crescer e a se superar dia após dia.
Ao longo de sua carreira, “El Juli” acumulou momentos inesquecíveis, triunfos, mas também teve que enfrentar desafios e obstáculos, como as dolorosas cornadas que sofreu em algumas ocasiões. No entanto, após viver todas essas experiências, ele se despede com um sentimento de gratidão e plenitude.
O futuro do matador permanece incerto, mas ele espera poder desfrutar de coisas que antes não pôde, como passar mais tempo com sua família, desfrutar de suas paixões e encarar a vida de uma nova perspectiva, sem a pressão de sua carreira.
“El Juli” concluiu sua carta agradecendo especialmente ao público, que o apoiou e exigiu o melhor dele nos momentos mais delicados. Além disso, expressou todo seu amor e admiração pelos touros, animais que sempre ocuparam um lugar especial em seu coração e que foram os mais honestos e verdadeiros em sua jornada.
Com a notícia da despedida de “El Juli”, os fãs do toureio ao redor do mundo manifestam suas homenagens e desejo de que o legado deste grande matador permaneça vivo nas memórias e no coração de todos os amantes da tauromaquia.
A última tarde de “El Juli” está marcada para o dia 1º de outubro na feria de San Miguel de Sevilla, e será um momento emocionante para todos os que tiverem a oportunidade de presenciar esse adeus histórico de um dos grandes nomes do mundo taurino.
Portugal
Startup da U.Porto aposta na iluminação sustentável produzida na região


A BOAH NOVA apresentou 17 novos modelos de candeeiros e quer consolidar a presença da marca nos Estados Unidos e na Austrália.


Os novos produtos são produzidos integralmente no Norte de Portugal, com recurso a processos manuais.
A BOAH NOVA, uma startup incubada na UPTEC–Parque de Ciência e Tecnologia da Universidade do Porto, acaba de lançar uma nova linha de iluminação doméstica que aposta na sustentabilidade e na durabilidade, procurando contrariar a lógica sazonal e a produção massificada. Os novos produtos, apresentados em parceria com a SCAR-ID, uma loja e galeria independente no Porto, são concebidos e produzidos integralmente no Norte de Portugal, em madeira e recorrendo a processos inteiramente manuais e com acabamentos à base de água.
Fundada em 2021, em Leça da Palmeira, a BOAH NOVA nasceu com o objetivo de se afirmar como uma alternativa à iluminação tradicional: “Sentíamos que grande parte da indústria estava orientada para vender mais objetos, muitas vezes de fraca qualidade, alimentados por tendências. Tudo isto tem um grande impacto ambiental, desperdício constante e um alheamento do ciclo de vida dos produtos e do impacto que têm no mundo”, esclarece Fernando Pinto Santos, fundador da BOAH NOVA.
A nova coleção, especialmente dedicada ao candeeiros de chão e de mesa, resulta de influências variadas, que vão desde referências de design do século XX à observação de formas naturais e construídas, como uma roda de moinho romana vista num museu. “Estes produtos resultam também da maturidade técnica que fomos adquirindo. Muitas das soluções que agora parecem simples só se tornaram possíveis graças ao conhecimento acumulado através de dezenas de protótipos e de muita experimentação”, salienta o fundador.
Em 2025, a marca lançou o BOAH reNOVA, um serviço que permite transformar a atmosfera de espaços como hotéis, restaurantes ou espaços comerciais através da renovação da iluminação, reutilizando a infraestrutura elétrica existente sempre que possível, o que permite eliminar custos e desperdício, além de evitar intervenções desnecessárias. Os clientes conseguem também visualizar o resultado previsto através de ferramentas de realidade aumentada antes de tomarem uma decisão definitiva.
“Para nós, o BOAH reNOVA é importante porque traduz numa solução concreta aquilo em que acreditamos enquanto empresa: melhorar os espaços sem gerar desperdício desnecessário e demonstrando que inovação e responsabilidade podem andar juntas”, refere Fernando Pinto Santos.
Até ao final de 2026, A BOAH NOVA quer investir mais na comunicação da marca e consolidar a sua presença nos mercados onde já está presente, particularmente nos Estados Unidos, no Reino Unido, na Austrália, nos Países Baixos e também em Portugal. “Queremos continuar a desenvolver produtos e serviços que desafiem algumas das práticas estabelecidas da indústria e a forma como os objetos são produzidos, distribuídos ou experienciados pelos clientes”, conclui Fernando Pinto Santos.
Portugal
UPTEC distinguida com a certificação Coração Verde da LIPOR




A UPTEC foi distinguida com a Certificação Coração Verde, da LIPOR – Associação de Municípios para a Gestão Sustentável de Resíduos do Grande Porto.
A certificação foi atribuída aos três centros da UPTEC espalhados pelo Grande Porto. LIPOR
A UPTEC – Parque de Ciência e Tecnologia da Universidade do Porto foi distinguida com a Certificação Coração Verde, atribuída pela LIPOR – Associação de Municípios para a Gestão Sustentável de Resíduos do Grande Porto. A distinção reconhece organizações que implementam boas práticas de sustentabilidade ambiental e corresponde ao nível mais elevado do modelo de certificação da LIPOR.
A distinção resulta da boa implementação de medidas e equipamentos destinados a melhorar a separação e recolha seletiva de resíduos nos espaços comuns e escritórios das empresas instaladas nos três centros da UPTEC: Asprela, Mar e Baixa.
As ações implementadas, em conjunto com a LIPOR, têm como principal objetivo aumentar a valorização de resíduos, promovendo a reciclagem de papel, plástico e vidro e reduzindo a quantidade de resíduos indiferenciados. O processo envolveu também ações de sensibilização dirigidas à comunidade da UPTEC, incentivando a adoção de boas práticas ambientais por parte das empresas, colaboradores e equipas responsáveis pela limpeza dos diferentes edifícios.
“Esta certificação reconhece um trabalho coletivo e contínuo. Mais do que instalar novos equipamentos, procurámos criar uma cultura de responsabilidade ambiental junto da nossa comunidade. Este é mais um passo para integrar a sustentabilidade no dia a dia da UPTEC e reforçar o nosso compromisso com um ecossistema de inovação que cria valor económico, social e ambiental positivo.“, afirma Isabel Martins Silva, Coordenadora de Comunicação e Sustentabilidade da UPTEC.
A certificação Coração Verde junta-se a outras iniciativas que a UPTEC tem vindo a promover para reduzir o seu impacto ambiental e sensibilizar a comunidade para práticas mais sustentáveis, como as campanhas de recolha de resíduos elétricos e eletrónicos e a distribuição de produtos agrícolas locais promovida pela AMAP na UPTEC Baixa.
A sustentabilidade está, também, presente na atividade da UPTEC, através de programas de aceleração como o ClimateLaunchpad, dedicado ao desenvolvimento de soluções para combater as alterações climáticas e cuja final nacional decorrerá no próximo dia 22 de julho, ou o BluAct, que apoia o empreendedorismo ligado à economia azul e à proteção dos oceanos.
Nesta edição do programa, foram distinguidas 98 entidades da região, elevando para 535 o número de organizações certificadas e para cerca de 850 o número de membros da comunidade Coração Verde. A cerimónia de entrega das distinções decorreu a 30 de maio de 2026, no Auditório Central de Valorização Orgânica, em Baguim do Monte.
Alentejo Central
Luís Rouxinol Jr.: um nome herdado, um caminho conquistado


Filho de uma das grandes figuras do toureio a cavalo português, Luís André da Silva Vicente cresceu entre cavalos, praças e toiros. Mas a carreira de Luís Rouxinol Jr. não se fez apenas do peso de um apelido: construiu-se com trabalho, exigência, risco e a permanente obrigação de provar, em cada arena, que existe um toureiro para além da herança.
Nascer numa família ligada à tauromaquia pode abrir as portas de uma quinta, de uma cavalariça ou de uma praça de toiros. Não garante, porém, o domínio de um cavalo diante da investida de um toiro, não elimina o medo e muito menos assegura o reconhecimento dos aficionados.
Luís André da Silva Vicente, anunciado nos cartéis como Luís Rouxinol Jr., nasceu a 15 de outubro de 1996. É o filho primogénito do cavaleiro Luís Rouxinol e pertence a uma família na qual a relação com os cavalos e com a Festa atravessa várias gerações. Antes do pai, também o avô paterno, Alfredo Vicente, cavaleiro amador, desempenhou um papel importante nos seus primeiros ensinamentos e no incentivo que recebeu quando decidiu seguir o toureio.
A primeira aproximação ao cavalo aconteceu praticamente antes de poder guardar memória dela: teria apenas um ano quando montou pela primeira vez, ao colo do pai. Ainda assim, o toureio não foi uma vocação imediatamente assumida. Durante a infância, Luís André sonhou ser futebolista — de preferência, jogador do Benfica. Os cavalos, os treinos e as corridas faziam parte do quotidiano familiar, mas eram, nessa altura, sobretudo o mundo profissional do pai.
A mudança começou por volta dos 11 anos. O desejo de acompanhar mais de perto Luís Rouxinol levou-o a aproximar-se do trabalho da quadra e a enfrentar a sua primeira vaca, montando um cavalo chamado Mustang. A partir desse momento, aquilo que até então fora uma presença familiar começou a transformar-se numa escolha pessoal. Já não bastava acompanhar o pai: começava a nascer a vontade de também ser toureiro.
De Luís André a Luís Rouxinol Jr.
A adoção do nome artístico não foi um gesto indiferente. Ao apelido Rouxinol, carregado de reconhecimento nas arenas portuguesas, acrescentou o “Júnior”. Era uma forma de assumir a continuidade familiar, mas também de distinguir dois homens e dois percursos que, embora inevitavelmente ligados, teriam de conquistar um espaço próprio.
Luís Rouxinol Jr. apresentou-se em público aos 14 anos, a 28 de maio de 2011, num festival taurino realizado em Serpa. Dessa tarde guardou um conselho do matador de toiros Vítor Mendes, curto na forma e imenso na responsabilidade: “Não sejas mais um.”
A frase poderia tornar-se no princípio orientador de toda a carreira. Para o filho de uma figura consagrada, ser apenas mais um significaria viver à sombra de um nome. O verdadeiro desafio seria demonstrar que o apelido representava uma origem, não um salvo-conduto.
Em 2012 apresentou-se como cavaleiro amador na Praça de Toiros do Campo Pequeno. Dois anos depois, a 19 de junho de 2014, regressou à arena lisboeta para prestar, com aprovação, a prova de cavaleiro praticante. Começava então uma etapa de maior responsabilidade, durante a qual atuou em praças e cartéis de crescente exigência.
Entre os momentos importantes desse período encontra-se a participação na corrida de gala à antiga portuguesa que encerrou a temporada de 2015 no Campo Pequeno. Em julho de 2016, também em Lisboa, viu-se perante um desafio inesperado: devido a uma lesão do pai, teve de o substituir na lide de um dos toiros da corrida em que ambos estavam anunciados. Foi uma prova de maturidade antes da consagração profissional.
A noite da alternativa
A data maior chegou a 20 de julho de 2017. No Campo Pequeno, a praça onde já dera passos decisivos da sua formação, Luís Rouxinol Jr. recebeu a alternativa de cavaleiro tauromáquico.
O padrinho foi o próprio pai, Luís Rouxinol. Como testemunhas estiveram António Ribeiro Telles e Manuel Ribeiro Telles Bastos. Foram lidados seis toiros da ganadaria Murteira Grave, numa corrida em que pegaram os grupos de forcados amadores de Santarém e de Coruche.
A noite possuía um simbolismo difícil de repetir. Luís Rouxinol celebrava 30 anos de alternativa e entregava ao filho o testemunho que ele próprio recebera em 1987. Três décadas separavam os dois momentos; uma mesma família, a mesma profissão e a mesma exigência uniam-nos.
Para Luís Rouxinol Jr., aquela foi a concretização de um sonho: receber a alternativa das mãos do pai, na praça que considerava a sua praça de eleição, diante do público português e frente a uma ganadaria que admirava. Mas a alternativa não representa o fim da aprendizagem. É precisamente o momento em que termina a proteção da condição de praticante e começa a verdadeira avaliação de um profissional.
Ser filho de figura
Luís Rouxinol foi, simultaneamente, o primeiro mestre, a maior referência e o avaliador mais exigente do filho. Nos treinos, na preparação dos cavalos e na análise das atuações, a relação familiar nunca apagou a disciplina profissional. Luís André encontrou no pai o exemplo de uma carreira construída com regularidade, capacidade de trabalho e presença constante nas principais praças portuguesas.
Contudo, ser filho de uma figura possui uma dupla face. Permite crescer rodeado de conhecimento, cavalos experimentados e conselhos que muitos demorariam anos a obter. Mas impõe comparações desde o primeiro minuto. Cada atuação é observada à luz do percurso paterno; cada triunfo é confrontado com o nome herdado; cada falha parece adquirir uma dimensão maior.
Luís Rouxinol Jr. teve, por isso, de construir a sua carreira sob uma pressão que não atinge todos os principiantes. O público conhecia-lhe o nome antes de conhecer verdadeiramente o seu toureio. Cabia-lhe inverter essa ordem: conseguir que os aficionados passassem a reconhecer o homem e o artista por detrás do apelido.
Afirmação nas arenas
Depois da alternativa, consolidou presença em praças e feiras de Norte a Sul do país, alternando com cavaleiros consagrados e com os principais nomes da sua geração. Em 2018 foi distinguido pela União das Freguesias de Pegões, juntamente com o ciclista Rúben Guerreiro, numa homenagem destinada a reconhecer jovens ligados à terra que se destacavam nas respetivas atividades. Nesse mesmo ano atuou novamente na Califórnia, depois de uma primeira passagem pelos Estados Unidos em 2016.
Na temporada condicionada pela pandemia, em 2020, terminou na liderança do escalafón nacional, segundo o registo biográfico da sua equipa. Em 2021 estreou-se nas Sanjoaninas, na ilha Terceira, onde foi considerado um dos grandes triunfadores da feira. A temporada ficou igualmente marcada pela atuação de 16 de outubro, em Alcochete, numa lide realizada com o cavalo Jamaica que terminou com duas voltas à arena.
Em 2022 somou 25 atuações e voltou a destacar-se na praça do Montijo, que considera uma das arenas determinantes da sua carreira. Na corrida de São Pedro conquistou o troféu José Samuel Lupi para a melhor lide a cavalo. Nesse ano participou também na corrida comemorativa dos 35 anos de alternativa de Luís Rouxinol, na qual pai e filho protagonizaram uma lide conjunta perante milhares de espectadores.
Ao longo deste percurso enfrentou exemplares de ganadarias portuguesas e espanholas de referência, entre as quais Veiga Teixeira, Palha, Murteira Grave, Sommer de Andrade, Pinto Barreiros, Dolores Aguirre, Partido de Resina e Torrestrela. A diversidade de encastes, comportamentos e graus de exigência contribuiu para uma formação que não poderia limitar-se à proteção da quadra familiar.
Madrid: a prova de Las Ventas
A dimensão internacional da carreira ganhou um capítulo decisivo a 28 de agosto de 2025, quando Luís Rouxinol Jr. confirmou a alternativa na Praça de Toiros de Las Ventas, em Madrid, considerada uma das arenas mais exigentes e influentes do mundo taurino.
Nessa corrida de rejoneio, integrou um cartel com Filipe Gonçalves, Roberto Armendáriz, Iván Magro, Ana Rita e Andrés Romero, diante de toiros de Fermín Bohórquez. Luís Rouxinol Jr. lidou o sexto toiro da noite, de nome Selectivo, com 568 quilos. A atuação terminou em silêncio, após dois avisos. A crítica espanhola registou, contudo, a decisão, a atitude e o ofício demonstrados pelo cavaleiro português.
O resultado artístico não apaga o significado da presença. Las Ventas não é apenas uma praça onde se procuram troféus: é um lugar onde se mede a consistência dos toureiros, a capacidade de suportar a pressão e a verdade com que enfrentam uma oportunidade que pode marcar toda uma carreira.
Na véspera da corrida, Luís Rouxinol Jr. participou, juntamente com Iván Magro, num encontro com os aficionados madrilenos realizado na própria arena de Las Ventas. A sessão abordou o maneio do cavalo de toureio, as particularidades das tradições equestres portuguesa e espanhola e as diferenças entre as respetivas indumentárias. Foi também uma oportunidade para apresentar em Madrid uma parte da identidade do toureio equestre português.
Luís Rouxinol Jr. pertence a uma dinastia, mas nenhuma dinastia sobrevive apenas da memória. A continuidade exige que cada geração encontre a sua própria razão para entrar na arena.
Luís André recebeu do pai o nome, os ensinamentos e uma determinada ética de trabalho. Recebeu do avô os primeiros incentivos e a ligação mais antiga aos cavalos. Mas recebeu também uma responsabilidade: provar que não está nos cartéis apenas por ser filho de Luís Rouxinol.
A sua carreira tem sido construída nesse confronto permanente entre herança e identidade. É o filho que continua a ouvir o mestre, mas é também o cavaleiro que entra sozinho na arena. Porque, quando se fecham as portas dos curros e o toiro surge na praça, desaparecem os apelidos, os conselhos e as proteções. Ficam apenas o homem, o cavalo, o toiro e a verdade daquele momento.
No final de 2025, a Casa Rouxinol anunciou o empresário Rui Palma como novo apoderado de Luís Rouxinol e do filho, abrindo uma nova etapa profissional para ambos. Para Luís Rouxinol Jr., o futuro continuará a medir-se pela capacidade de consolidar a sua presença nas principais praças, enfrentar compromissos de maior responsabilidade e afirmar uma personalidade artística própria.
O nome foi-lhe transmitido. O caminho, porém, tem de ser conquistado tarde após tarde.
Luís André da Silva Vicente é filho de Luís Rouxinol. Mas, dentro da arena, é Luís Rouxinol Jr. — cavaleiro de alternativa, homem de Pegões e protagonista de uma história que já não pertence apenas ao pai.
Portugal
(Re)naturalização dos recreios escolares vale distinção a alumna da FCUP


Proposta de Márcia Ferreira Lopes para o Colégio Efanor, em Matosinhos, conquistou Menção Especial do Prémio Nacional para o Ensino de Arquitetura, Urbanismo e Arquitetura Paisagista.


Márcia Ferreira Lopes apresentou publicamente o seu trabalho na Ordem dos Arquitetos, em Lisboa. Foto: DR
Márcia Ferreira Lopes, mestre em Arquitetura Paisagista pela Faculdade de Ciências da Universidade do Porto (FCUP), foi distinguida no dia 8 de julho com a Menção Especial do Prémio Nacional para o Ensino de Arquitetura, Urbanismo e Arquitetura Paisagista – Archiprix Portugal. Trata-se de uma das mais prestigiadas distinções nacionais nestas áreas, reunindo anualmente os melhores trabalhos de diferentes instituições de Ensino Superior do país.
Esta foi, refira-se, a primeira vez que um projeto da FCUP conquistou o galardão, depois de vários trabalhos da instituição terem estado entre os finalistas. O prémio, criado em 2012, distingue um vencedor e atribui duas menções especiais – Arquitetura Paisagista e Urbanismo – e até oito menções honrosas. O vencedor de 2026 é João Martim Fernandes, da Universidade de Coimbra.
Com o título “(Re)naturalização dos Recreios Escolares – Promovendo o Desenvolvimento Infantil/Juvenil e Sustentabilidade Urbana“, a proposta de Márcia Lopes surgiu na sequência da sua dissertação de mestrado e tem como ponto de partida a crescente artificialização dos recreios escolares. “Estes espaços continuam, em muitos casos, a apresentar extensas áreas impermeabilizadas, pouca biodiversidade e escassas oportunidades de contacto com a natureza”, observa a alumna da FCUP.
O trabalho procurou apresentar uma alternativa mais sustentável e promotora do bem-estar dos alunos. Incidiu sobre o recreio do Colégio Efanor, em Matosinhos, transformando-o num ecossistema educativo multifuncional. “O projeto reorganiza os espaços exteriores de acordo com as diferentes faixas etárias, integrando superfícies permeáveis, vegetação diversificada, zonas de recreio natural, hortas pedagógicas, salas de aula ao ar livre e áreas de aumento da diversidade”, descreve. Paralelamente, a proposta incorpora soluções de gestão sustentável da água da chuva e reforça a infraestrutura verde e azul da escola.
“Mais do que melhorar o recreio enquanto espaço de lazer, o projeto demonstra como a Arquitetura Paisagista pode contribuir para promover o bem-estar infantil, incentivar a aprendizagem em contacto com a natureza, aumentar a biodiversidade urbana e reforçar a adaptação das cidades às alterações climáticas”, reforça Márcia Lopes.
Um tema de “extrema pertinência”
Para a orientadora, Isabel Martinho da Silva, docente da FCUP, este é um tópico de “extrema pertinência”, pelo que a Menção Especial reconhece a qualidade da investigação realizada. A docente sublinha que “o contacto com recreios mais naturalizados promove o bem-estar físico e psicológico; aumenta a imunidade nas crianças e jovens, promove um melhor desenvolvimento cognitivo e uma maior empatia com o meio natural”. Para além disso, estes espaços reduzem o efeito de ilha de calor, proporcionam a gestão das águas pluviais e a recarga dos aquíferos, e aumentam a biodiversidade. “É de notar que em várias cidades, como Paris ou Barcelona, estes recreios naturalizados funcionam já como abrigos climáticos”, exemplifica a professora.
A jovem arquiteta paisagista Márcia Lopes, atualmente a trabalhar no OH Land Studio, vê a atribuição desta menção especial como uma motivação extra para continuar a desenvolver projetos “que aproximem as pessoas da natureza”. “É muito gratificante ver um tema em que acredito ser valorizado e perceber que a (re)naturalização dos recreios escolares é reconhecida como uma questão importante para o futuro das cidades e da educação”, afirma.
Márcia recebeu a notícia da atribuição desta menção com “enorme surpresa” e com “grande satisfação”, pois trata-se, diz, do “reconhecimento de muitos meses de trabalho, dedicação e aprendizagem”.
Márcia Lopes e Isabel Silva acreditam que ainda há muito trabalho a fazer e que é importante dar visibilidade à (re)naturalização dos recreios escolares. “É uma questão cada vez mais urgente”, rematam.
A entrega dos prémios decorreu numa sessão realizada na Ordem dos Arquitetos, em Lisboa, onde os premiados apresentaram publicamente o seu trabalho.



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