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Cultura

Na planície que imprime futuro: o laboratório criativo de Messejana

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No coração do Baixo Alentejo, onde o silêncio é denso e a terra respira o tempo das searas e dos rebanhos, há um lugar onde a tradição e a inovação se tocam com os dedos. Chama-se Buinho e é uma associação que parece ter nascido de um gesto de resistência serena ao abandono do interior. Em Messejana, freguesia do concelho de Aljustrel, floresce uma das experiências mais singulares de arte, tecnologia e regeneração comunitária em Portugal.

O Buinho não é uma associação cultural convencional. É um centro de residências criativas, um fablab rural, um espaço de coworking, uma escola sem nome, um lugar de passagem que se torna raiz. Desde 2015, quando foi criado por um grupo de empreendedores culturais e artistas, que se impôs como ponto de encontro entre criativos de todo o mundo e uma vila com pouco mais de 800 habitantes, onde o tempo parece obedecer a uma outra métrica.

É aqui que engenheiros e designers, artistas plásticos e educadores, arquitetos e artesãos vêm viver, por temporadas, para desenvolver projectos, experimentar ferramentas tecnológicas, aprender técnicas tradicionais e, acima de tudo, conviver com uma ideia de território que se quer vivo. Tudo isto acontece num espaço desenhado para o encontro: casas de taipa recuperadas, uma antiga residência senhorial, um jardim com mesas corridas, máquinas de corte a laser ao lado de mesas de madeira artesanal, quartos onde dormem nómadas digitais e oficinas onde se reaprende o uso da mão.

Ao longo do ano, passam pelo Buinho dezenas de residentes estrangeiros, sobretudo vindos da Europa e dos Estados Unidos, que encontram aqui não apenas um lugar para criar, mas uma espécie de ensaio de vida. Não é turismo rural, nem é uma incubadora urbana deslocada. É uma terceira coisa. E essa terceira coisa tem vindo a dar frutos: desde instalações artísticas em espaço público a workshops com escolas locais, desde projectos de educação digital a oficinas de bioconstrução, passando por experiências de design social e participação cidadã.

Num país em que a maior parte das estruturas de apoio à cultura se concentra no litoral, a existência do Buinho é, por si só, um ato político. A associação tem vindo a consolidar parcerias com universidades, fundações internacionais e redes europeias de residências artísticas, mas mantém um pé firme no chão onde se instala: as gentes de Messejana. E isso faz toda a diferença. Há crianças da vila que aprendem a programar com residentes alemães, há senhoras que ensinam a fiar lã a artistas de Montreal, há refeições partilhadas onde se discute permacultura, poesia ou inteligência artificial.

A energia do Buinho assenta na ideia de que não basta trazer pessoas para o interior — é preciso dar-lhes lugar para habitar e razões para ficar. Ao contrário de muitos projetos-piloto que falham por excesso de estratégia e falta de alma, o Buinho cresceu de forma orgânica, com os pés na terra e a cabeça no mundo. E isso nota-se na delicadeza com que interage com a comunidade local, no respeito pelas práticas ancestrais, na capacidade de escuta e na recusa do ruído das soluções rápidas.

É possível pensar um país mais equilibrado se houver mais lugares assim. Não como réplicas do Buinho, mas como respostas singulares a contextos concretos, com espaço para a dúvida, a beleza e o erro. O que esta pequena associação no Alentejo mostra é que o futuro não se desenha só nas capitais ou nos grandes centros de decisão. Também se desenha — e talvez com mais clareza — num banco de madeira ao sol de Messejana, com um computador ligado a uma máquina de impressão 3D e um caderno onde se rabisca um novo mundo possível.

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→ José Alberto Ferreira participa no Encontro “As Redes e a Interdisciplinaridad…

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→ José Alberto Ferreira participa no Encontro “As Redes e a Interdisciplinaridade Artística”

→ Programa disponível em https://www.dgartes.gov.pt/pt/noticia/9856

José Alberto Ferreira foi docente convidado na Universidade de Évora, na área da história e teoria do teatro, da estética e da programação cultural, entre 1996 e 2025. Desenvolve investigação na área da história do teatro, teatro de marionetas, edição, curadoria e programação. É membro colaborador do CHAIA (UÉvora). Entre outros, publicou Uma Discreta Invençam (2004) e Da Vida das Marionetas, sobre os Bonecos de Santo Aleixo (2015), Autos, Passos e Bailinhos (2007), Teatro do Vestido. Um Dicionário (2018). Colabora com várias organizações ministrando cursos e seminários. É membro da equipa consultiva da Rede Portuguesa de Arte Contemporânea. Atualmente integra a equipa da Direção Artística de Évora 2027 – Capital Europeia da Cultura.

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→ Sara Franqueira participa no Encontro “As Redes e a Interdisciplinaridade Artí…

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→ Sara Franqueira participa no Encontro “As Redes e a Interdisciplinaridade Artística”

→ Programa disponível em https://www.dgartes.gov.pt/pt/noticia/9856

Sara Franqueira é Doutora em Estudos de Teatro (FLUL) com uma tese sobre cenografia contemporânea, Mestre em Estudos Artísticos (FLUL) com um estudo sobre as relações entre a cenografia e as artes plásticas e licenciada em Arquitetura (FAUTL). Atualmente é professora de Teorias e Estéticas na Escola Superior de Teatro e Cinema e a par com a sua atividade de professora desenvolve investigação em redor de questões cenográficas contemporâneas, produzindo comunicações, artigos e ensaios sobre a visualidade e materialidade das artes performativas.
É autora de mais de 60 espaços cénicos e trabalha igualmente em projetos performativos e transdisciplinares, no desenvolvimento de espaços de exposição e em curadorias específicas destacando-se a curadoria da secção Performance Space para a edição de 2027 da Quadrienal de Praga.

Em simultâneo com a atividade de criadora e investigadora dedica-se à prática da mediação desde 2007, onde integrou a equipa do Centro de Exposições do Centro Cultural de Belém e o serviço educativo do CAM da Fundação Calouste Gulbenkian, atuando ainda como relatora ou mediadora de conversas e conferências.
É responsável pela criação e coordenação de vários projetos continuados de mediação e participação, como os “Sub21” e os “Mutantes” para a BoCA Bienal, ou o Ministério do Sensível para o CCB, assim como tem sido formadora para projetos de entidades culturais diversificadas como o PNA, a EGEAC ou a DMC.

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→ António Pinto Ribeiro participa no Encontro “As Redes e a Interdisciplinaridad…

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→ António Pinto Ribeiro participa no Encontro “As Redes e a Interdisciplinaridade Artística”

→ Programa disponível em https://www.dgartes.gov.pt/pt/noticia/9856

António Pinto Ribeiro fez a sua formação em Filosofia e doutoramento em Estudos de Cultura. A sua biografia pessoal divide-se entre o ensino, o ensaísmo e a programação cultural. Foi membro do grupo de investigação MEMOIRS – Filhos do Império e Memórias Pós-Europeias, CES (2017-2023). Foi diretor artístico e programador cultural em várias instituições culturais portuguesas, incluindo a Culturgest, a Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento, a Fundação Calouste Gulbenkian. Foi comissário-geral de Passado e Presente – Lisboa, Capital Ibero-Americana da Cultura 2017. Foi curador de várias exposições, das quais destaca: “Disturbing in the Nilo Arte Moderna e Contemporânea do Sudão” (co-curadoria com Rahiem Shadad) (Brotéria(2023), “Europa Oxalá”, co-curadoria com Katia Kameli e Aimé Mpane no Africa-Museum (Tervuren), Musée des Civilisations de l’Europe et de la Méditerranée (Marselha) e Fundação Calouste Gulbenkian (Lisboa) 2021-2023, “Bela Duarte, as côres de fogo”, CNAD (Mindelo) 2024.

Foi distinguido como Cidadão Honorário da Cidade de Buenos Aires, Cidade de Buenos Aires (2016); Ordem do Mérito Artístico e Cultural Pablo Neruda, Governo do Chile (2015); Cavaleiro das Artes e das Letras, Governo de França (2001)

É autor das várias obras das quais destaca por exemplo a cadeira. Ensaio sobre as artes do corpo; Ser feliz é imoral? Ensaios sobre cultura, cidades e distribuição; Abrigos, Condições das cidades e energia da cultura; É Março e é Natal em Ouagadougou livro de viagens; África, Os Quatro Rios, A Representação de África através da Literatura de Viagens Europeia e Norte-Americana; Peut-on Décoloniser les Musées?; Novo Mundo — Arte Contemporânea no Tempo da Pós-Memória; (no prelo) O Poder da Cultura – Questões permanentes.

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[INTERNACIONALIZAÇÃO] O TEatro Ensaio apresenta o espetáculo “Solidão dos Campos…

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[INTERNACIONALIZAÇÃO]
O TEatro Ensaio apresenta o espetáculo “Solidão dos Campos de Algodão”, de Bernard‑Marie Koltès, nos dias 5, 6 e 7 de junho, na Tuna Musical de Santa Marinha, em Vila Nova de Gaia e no dia 10 de junho na Maison du Portugal André de Gouveia, na Cité Universitaire de Paris.
A encenação é de Pedro Estorninho, com interpretação de João Delgado Lourenço e Rui de Noronha Ozório.
Dois homens, um que fornece o sonho ou os desejos de quem o procura, independentemente da matéria procurada ou da dificuldade em a conseguir.

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