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Curiosidade Tauromáquica: o simbolismo do dia 5 de janeiro no início da temporada

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Nos tempos mais tradicionais da tauromaquia portuguesa, o dia 5 de janeiro assinalava simbolicamente o regresso da atividade taurina após a pausa das festas natalícias. Em muitas localidades do Ribatejo e do Alentejo, era nesta altura que se retomavam as tertúlias taurinas, reunindo forcados, cavaleiros, ganadeiros e aficionados para fazer o balanço do ano anterior e começar a projetar as primeiras corridas da nova temporada, que então arrancava mais cedo do que nos dias de hoje.

Era igualmente comum que, neste período, diversas ganadarias abrissem as portas a amigos e aficionados para visitas de campo, permitindo observar os toiros que poderiam vir a sair à praça meses mais tarde. Estes encontros informais foram, ao longo dos anos, palco de decisões e compromissos que marcaram épocas e ficaram associados a corridas memoráveis em praças como Lisboa, Santarém ou Évora.

Uma tradição simples, mas carregada de simbolismo, que reflete um tempo em que janeiro era o mês de sonhar a temporada, quando a tauromaquia se construía sobretudo na conversa, na memória e na paixão, muito antes de ganhar forma nos cartéis oficiais.

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Desporto Universitário: U.Porto reina na praia e no rio

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Alterações de trânsito e de estacionamento em Vila Nova de Santo André, entre 11 e 13 de junho, devido à realização do III Duatlo Jovem de Santo André – Câmara Municipal de Santiago do Cacém

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O sentido de pertença começa na infância. Neste Dia da Criança, olhamos para a a…

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O sentido de pertença começa na infância. Neste Dia da Criança, olhamos para a arte e para a comunidade como verdadeiros motores da inclusão.

Em Viana do Castelo, o Projeto Mosaico cruza a criação artística com a educação não formal para combater o abandono escolar, redesenhando a relação das crianças com a escola. Mais do que reter alunos, trata-se de os envolver.

Deslize os slides para perceber como este investimento junta todas as peças do ecossistema educativo.







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O conselho de Francesco Farioli aos estudantes: “Estejam preparados!”

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O que surgiu primeiro: a filosofia ou o futebol? Foi a partir desta pergunta que Francesco Farioli conduziu a conversa com a comunidade académica, numa das “Conversas que Inspiram” dedicada ao cruzamento entre pensamento crítico, liderança, percurso pessoal e tomada de decisão.

Perante a lotação máxima do Anfiteatro Nobre, e do Anfiteatro 1 (onde a sessão também foi transmitida), o treinador do FC Porto partilhou episódios do seu percurso, sublinhando que os caminhos profissionais raramente são lineares e que a incerteza pode ser também um espaço de descoberta.

A sessão foi aberta pela Diretora da FLUP, Paula Pinto Costa, e conduzida pelos docentes José Meirinhos, diretor do Departamento de Filosofia, e Mattia Riccardi, presidente do Instituto de Filosofia, que orientaram a conversa.

Quando a filosofia encontra novos caminhos

Farioli revelou que, em criança, sonhou ser astronauta, influenciado pelo fascínio pelos filmes sobre o espaço. Mais tarde, imaginou-se engenheiro, mas disciplinas como a matemática e a física acabariam por se tornar, nas suas palavras, “um inimigo a combater”. 

A mudança de direção surgiu através da filosofia. O primeiro contacto marcante aconteceu com Epicuro e com a ideia de que nunca é demasiado cedo nem demasiado tarde para procurar a sabedoria, princípio presente na Carta a Meneceu, atribuída ao filósofo grego.  

O verdadeiro “enamoramento” por esta disciplina chegaria, contudo, com Kant. Farioli recordou uma frase do filósofo alemão escrita no quadro pela sua professora que representou um marco decisivo na forma como passou a olhar para a filosofia: “Duas coisas me enchem a alma de crescente admiração e respeito, quanto mais e persistentemente delas me ocupa a reflexão: o céu estrelado por cima de mim e a lei moral em mim”.  

Neste sentido, destacou também a importância dos professores na capacidade de despertar curiosidade, interpretação, debate e motivação. Contou que, a partir desse momento numa aula de filosofia, “não sabia o que queria fazer, mas sabia o que queria ser”, referindo-se ao desejo de comunicar, transmitir conhecimento e tornar outras pessoas apaixonadas por uma ideia. 

Devido ao elevado interesse manifestado pelo público, a sessão das “Conversas que Inspiram” com Francesco Farioli contou também com transmissão em direto para o Anfiteatro 1 da FLUP. (Foto: DR)

No entanto, a escolha pela filosofia não surgiu sem dúvidas. O treinador recordou a ansiedade provocada pelas incertezas sobre a empregabilidade e pelas expectativas associadas ao futuro. Adicionalmente, o início da sua carreira também no futebol foi feito de obstáculos.  

Depois de uma conversa difícil com um treinador, em que lhe foi dito que, apesar de trabalhador, dificilmente conseguiria chegar longe, Farioli optou por continuar a investir em si mesmo e na sua reinvenção. Começou como treinador de guarda-redes nas categorias inferiores, acumulando funções, conduzindo centenas de quilómetros pela Toscânia para treinar diferentes equipas. 

O unir de duas paixões contra a corrente

Durante as longas viagens que fazia, começou a procurar uma forma de unir os seus dois interesses: a filosofia e o futebol. O seu intuito não foi imediatamente compreendido no meio académico, por se tratarem de áreas aparentemente distantes, mas Farioli insistiu.  

Procurou um docente com quem se sentia confortável para partilhar a ideia, aprofundou leituras que o ajudaram a estabelecer ligações entre áreas ainda pouco exploradas academicamente e, assim, nasceu a sua tese: “A filosofia do jogo: a estética do futebol e o papel do guarda-redes”. 

Entre memórias do percurso académico e experiências no futebol, Francesco Farioli deixou aos estudantes da FLUP uma mensagem centrada na preparação, curiosidade e reinvenção. (Foto: DR)

O valor da incerteza e da verdade

Aos estudantes, deixou uma mensagem clara: não é necessário ter todas as respostas demasiado cedo. “Muitos de nós não sabemos o que seremos daqui a dez anos e está tudo bem”, afirmou. Para Farioli, os desvios, as mudanças rápidas e os momentos de dúvida não significam necessariamente estar perdido.  

Pelo contrário, são estes que estimulam uma crucial capacidade de adaptação e reinvenção. “Têm a capacidade de se reinventar, de se ajustarem, de mudarem e de guiarem a vossa identidade”, defendeu. 

A partir da sua experiência no futebol, Farioli refletiu também sobre liderança, ego e vida em comunidade. Comparou uma equipa a uma sociedade, já que tal como os cidadãos, “os jogadores vivem dentro de regras, limites e responsabilidades partilhadas”. Estar numa equipa implica, por isso, aprender a limitar a liberdade individual em nome de um objetivo comum.  

Na sua visão, a beleza do futebol está na oportunidade de “reduzir o caos e organizar a imprevisibilidade”. Para o treinador, liderar passa por criar ordem sem eliminar a criatividade, por orientar sem apagar a identidade de cada pessoa e por ajudar os jogadores a compreenderem quando devem assumir o protagonismo e quando devem entregá-lo a outros. Essa ideia, sublinhou, aplica-se também à vida académica e profissional. 

O Anfiteatro Nobre ficou completo com a presença de estudantes, docentes, técnicos e público externo, numa sessão que contou também com vários meios de comunicação. (Foto: DR)

Questionado sobre liderança e gestão de equipas, o treinador destacou valores como transparência, honestidade e justiça. “Nunca esconder a verdade, nem ter receio de conversas difíceis” foram ideias centrais da sua intervenção.  

Para Farioli, estes valores são a base para a construção de confiança e tomada de melhores decisões. Liderar, disse, “não depende de uma fórmula perfeita”, mas da “coerência entre aquilo que se é e aquilo que os outros veem”. Explicou que “não se trata de ser perfeito, mas de conseguirmos ser suficientemente fiel a nós próprios”. 

Criatividade e resiliência: dentro e fora do campo

A curiosidade surgiu como outro eixo fundamental da conversa. Farioli partilhou que procura incentivar os jogadores a serem curiosos e criativos, não apenas dentro do campo, mas também na forma como observam o mundo. Referiu, por exemplo, que já recorreu a conteúdos de Carl Sagan para oferecer à equipa uma perspetiva mais ampla sobre o ego, o coletivo e o lugar de cada um dentro de algo maior. 

No final da sessão, Francesco Farioli ofereceu à FLUP uma camisola especial do equipamento do FC Porto. (Foto: DR)

No final, deixou aos estudantes um conselho que resumiu a sua experiência: estar preparado. “Não subestimem nenhum momento nem nenhuma oportunidade que vão viver”, afirmou, num tom próximo, como “um irmão mais velho”.

Para Farioli, “um sonho, uma conquista ou uma viragem” podem estar mais perto do que se imagina. O essencial é trabalhar, manter a curiosidade, preparar-se com seriedade e “estar disponível para agarrar a oportunidade quando ela surgir” 

A sessão reafirmou as “Conversas que Inspiram” como um espaço de partilha entre a comunidade académica e convidados cujos percursos permitem aproximar conhecimento, experiência e reflexão. Francesco Farioli demonstrou como a filosofia pode inspirar percursos profissionais fora dos caminhos mais tradicionais, evidenciando a capacidade das Humanidades para formar trajetórias inesperadas e extraordinárias.



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