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Agricultura

Opinião: Dependência alimentar e o desmantelamento da agricultura europeia

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O debate em torno do acordo UE–Mercosul tem-se concentrado nos ganhos imediatos de exportação, nas tarifas que caem e nos mercados que se abrem. Mas a agricultura não funciona à escala do trimestre económico nem do comunicado optimista. Funciona em ciclos longos, em territórios, em gerações. É precisamente nessa escala — a do médio prazo — que começam a desenhar-se as consequências mais sérias para a agricultura e para os agricultores europeus.

Ao reduzir a produção interna e substituir alimentos europeus por importações, a União Europeia caminha para uma maior dependência alimentar externa. Esta dependência não é apenas comercial; é estratégica.

A história recente demonstrou como crises geopolíticas, conflitos armados, pandemias ou choques energéticos podem interromper cadeias globais de abastecimento. Uma Europa menos produtora e mais importadora:

fica exposta à volatilidade dos mercados internacionais;

perde capacidade de resposta em situações de crise;

transfere o controlo da sua alimentação para terceiros.

A segurança alimentar deixa de ser uma garantia estrutural e passa a ser uma variável externa.

O efeito dominó sobre as pequenas explorações

As pequenas e médias explorações agrícolas europeias são as primeiras a sentir o impacto da concorrência internacional em condições desiguais. Não têm escala, margem financeira nem capacidade logística para competir com produtos importados a baixo custo.

A médio prazo, o cenário é previsível:

redução dos preços pagos à produção;

quebra de rendimentos agrícolas;

abandono progressivo da actividade;

concentração da produção em poucas explorações de grande escala.

Este processo não é apenas económico. É social e territorial. Quando uma exploração fecha, fecha também uma forma de vida, um saber acumulado, uma presença humana no território.

Desmantelamento silencioso do mundo rural

O abandono agrícola acelera a desertificação humana de vastas regiões da Europa. Menos agricultores significa:

menos população activa no interior;

menos serviços públicos viáveis;

maior risco de incêndios e degradação ambiental;

perda de paisagem agrícola e biodiversidade gerida.

A agricultura europeia sempre foi mais do que produção alimentar. É ordenamento do território, coesão social e identidade cultural. A sua erosão tem efeitos que nenhum acordo comercial consegue compensar.

Agricultura estratégica ou sector descartável?

Ao aceitar acordos que fragilizam sectores inteiros, a UE envia um sinal político claro: a agricultura deixa de ser tratada como um pilar estratégico e passa a ser vista como um sector ajustável, sacrificável em nome de equilíbrios comerciais mais amplos.

Este posicionamento é particularmente contraditório num contexto em que se exige aos agricultores:

mais sustentabilidade;

mais investimento ambiental;

mais adaptação climática;

mais redução de emissões.

Exigir mais enquanto se protege menos é uma equação insustentável.

A perda de autonomia tem custos duradouros

Quando uma exploração agrícola desaparece, não regressa facilmente. A médio prazo, a Europa arrisca-se a perder capacidade produtiva instalada, conhecimento técnico local e autonomia alimentar. Recuperar essa capacidade, em cenário de crise, seria lento, caro e incerto.

Além disso, a concentração da produção em grandes operadores e em países terceiros reduz a diversidade dos sistemas alimentares, tornando-os mais frágeis a choques externos.

As consequências do actual rumo comercial não se medem apenas em litros exportados ou tarifas eliminadas. Medem-se em explorações que fecham, territórios que se esvaziam e autonomia que se perde.

A médio prazo, a dependência alimentar externa, o desmantelamento das pequenas explorações e a fragilização do mundo rural colocam em causa um dos pilares fundamentais da Europa: a capacidade de produzir o que consome.

A questão central não é se a Europa deve comerciar — deve. A questão é se pode dar-se ao luxo de trocar segurança alimentar, coesão territorial e soberania agrícola por ganhos comerciais de curto prazo.

Se essa for a escolha, o custo não será imediato. Mas será profundo, duradouro e, muito provavelmente, irreversível.

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EDIA debate sustentabilidade e valorização do setor do olival na Ovibeja

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O programa Alqueva Sustentável promove na próxima quarta-feira, 29 de abril, uma sessão dedicada aos desafios e oportunidades do setor do olival, a decorrer no stand da EDIA na Ovibeja, pelas 17h30.

O encontro foca-se na adoção de práticas agrícolas eficientes e resilientes como motor de valorização do território e criação de valor económico. O debate contará com a participação de Marta Barradas, coordenadora de sustentabilidade do Clube de Produtores Continente, e do produtor Eugénio Tavares de Almeida, proporcionando uma partilha de perspetivas entre a produção e a distribuição sobre a viabilidade das explorações.

A iniciativa, desenvolvida em parceria pela EDIA, NERBE/AEBAL e NERE, pretende demonstrar como a sustentabilidade e a produtividade podem ser dimensões complementares no modelo agrícola moderno. Co-financiado pelo Alentejo 2030, o projeto Alqueva Sustentável discute a gestão de recursos, biodiversidade e competitividade no contexto do regadio de Alqueva.

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Governo investe 150 milhões de euros para travar incêndios através da pastorícia

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O Governo vai disponibilizar 30 milhões de euros anuais, durante os próximos cinco anos, para apoiar pastores e rebanhos que ajudem a reduzir a carga combustível e o risco de fogos florestais.

O plano, apresentado hoje em Porto de Mós pelos ministros da Agricultura e do Ambiente, foca-se na revitalização do pastoreio extensivo como ferramenta natural de prevenção de incêndios. Para atrair novos profissionais, o programa oferece um prémio de instalação de 30 mil euros, pagos ao longo de cinco anos, além de apoios específicos para a aquisição de animais, com bónus para raças autóctones, e para a transformação de matos em áreas de pastagem.

Segundo a ministra Maria da Graça Carvalho, o objetivo é reverter o abandono da profissão e combater a desertificação do interior, utilizando os rebanhos para limpar o terreno de forma sustentável.

O programa será financiado pelo Fundo Ambiental e executado através do IFAP, prometendo o Governo um processo de candidatura e pagamento “mais simples e rápido” para garantir que a ajuda chegue eficazmente aos produtores e contribua para a biodiversidade e coesão territorial.

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Agricultura

Secretário de Estado das Florestas visita Ferreira do Zêzere esta sexta-feira

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O Secretário de Estado das Florestas, Rui Ladeira, realiza esta sexta-feira, dia 17 de abril, uma visita oficial ao concelho de Ferreira do Zêzere, com o objetivo acompanhar as políticas de gestão sustentável e prevenção de incêndios, áreas estratégicas para o território.

O programa, com início às 9h30, inclui passagens pelos Paços do Concelho, pelo Perímetro Florestal do Castro e por uma unidade de biomassa. O ponto alto da visita será uma reunião de trabalho às 11h00, na Câmara Municipal, com os madeireiros locais, visando discutir os desafios e a valorização do setor florestal na região.

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Operação “Campo Seguro” da GNR termina com 47 detidos e apreensão de nove toneladas de produtos agrícolas

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A GNR anunciou este sábado o balanço final da Operação “Campo Seguro”, uma ofensiva nacional de fiscalização que resultou na detenção de 47 pessoas e na identificação de outras 95.

Entre 1 de julho de 2025 e 15 de fevereiro de 2026, a força de segurança intensificou o patrulhamento em explorações agrícolas e florestais para combater o furto de maquinaria e produtos, tendo ainda detetado quatro crimes de tráfico de seres humanos em contexto laboral.

No total de mais de seis mil ações de patrulhamento e fiscalização, os militares apreenderam cerca de nove toneladas de produtos agrícolas em vários distritos do país. O maior volume de apreensões concentrou-se no Alentejo, com destaque para Beja e Évora, onde foram recuperados mais de seis mil quilos de azeitona. A operação estendeu-se também ao Algarve e ao Ribatejo, com a apreensão de quantidades significativas de alfarroba, abacate, cortiça e pinha mansa, reforçando a estratégia de prevenção contra a criminalidade no mundo rural.

Para além da vertente criminal, que registou 379 furtos durante este período, a iniciativa focou-se na sensibilização para a segurança no transporte de mercadorias e na redução da sinistralidade com veículos agrícolas.

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