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Portugal

Apenas 15 municípios permanecem em risco extremo

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Portugal tem hoje 15 concelhos em risco extremo de infeção face à semana anterior, após a saída de 104 municípios desta lista, segundo os dados da Direção-Geral da Saúde (DGS).

Há uma semana, Portugal tinha 119 dos 308 concelhos em risco extremo devido ao número de casos de covid-19, o que representava 38,6% do total. Hoje esse valor situa-se nos 4,8%.

O boletim epidemiológico da Direção-Geral da Saúde (DGS) hoje divulgado reporta a um período de incidência cumulativa a 14 dias entre 03 e 16 de fevereiro.

Há duas semanas estavam em risco extremo 219 dos 308 concelhos.

Na nota explicativa dos dados por concelhos é referido que a incidência cumulativa “corresponde ao quociente entre o número de novos casos confirmados nos 14 dias anteriores ao momento de análise e a população residente estimada”.

Os 15 municípios que permanecem em risco extremo são Aljustrel, Gavião, Manteigas, Resende, Arronches, Boticas, Rio Maior, Castanheira de Pera, Castelo de Vide, Monchique, Moura, Sernancelhe, Setúbal, Ferreira do Alentejo e Penela.

Dez concelhos tiveram zero casos de infeção: Lajes das Flores, Lajes do Pico, Povoação, Santa Cruz da Graciosa, Santa Cruz das Flores, Mourão, Nordeste, Corvo, S. Roque do Pico e Calheta (Açores).

Os municípios de Castanheira de Pera (2.410), Resende (2.259) e Arronches (2.199) são os concelhos com maior incidência acumulada.

Portugal registou hoje 61 mortes relacionadas com a covid-19 e 549 novos casos de infeção com o novo coronavírus, o número mais baixo desde 06 de outubro, segundo a Direção-Geral da Saúde (DGS).

O boletim epidemiológico da DGS revela também que estão internados 3.322 doentes (mais seis do que no domingo), dos quais 627 em cuidados intensivos, menos 11.

A 06 de outubro foram reportados 427 casos.

Os novos casos de infeção nas últimas 24 horas representam metade dos novos casos reportados no domingo. Por norma, as segundas-feiras registam valores mais baixos.

Já no que respeita ao número de mortos, desde 10 de novembro, dia em que morreram 62 pessoas com covid-19, que Portugal não registava valores tão baixos.

Quanto aos internamentos o valor de hoje está próximo dos registados no dia 07 de janeiro, quando os dados indicavam 3.333 pessoas internadas com covid-19.

Os dados divulgados hoje indicam ainda que 2.187 pessoas foram dadas como recuperadas, fazendo subir para 701.409 o número total de recuperados desde o início da pandemia em Portugal, em março de 2020.

Há 22 dias consecutivos que o número de recuperados supera o de novas infeções.

Os casos ativos em Portugal continuam a registar uma diminuição. Hoje Portugal tem 80.642 casos ativos, menos 1.699.

Desde março de 2020, Portugal já registou 16.023 mortes associadas à covid-19 e 798.074 casos de infeção pelo coronavírus SARS-CoV-2.

As autoridades de saúde têm em vigilância 79.699 contactos, menos 6.702 relativamente ao dia anterior, mantendo-se a tendência decrescente desde o dia 30 de janeiro.

De acordo com os últimos dados da Direção-Geral da Saúde, Portugal tem atualmente 680.257 pessoas vacinadas: 432.414 com a primeira dose e 247.843 com a segunda dose.

Lusa

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Portugal

UPTEC distinguida com a certificação Coração Verde da LIPOR

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A certificação foi atribuída aos três centros da UPTEC espalhados pelo Grande Porto. LIPOR


A UPTEC – Parque de Ciência e Tecnologia da Universidade do Porto foi distinguida com a Certificação Coração Verde, atribuída pela LIPOR – Associação de Municípios para a Gestão Sustentável de Resíduos do Grande Porto. A distinção reconhece organizações que implementam boas práticas de sustentabilidade ambiental e corresponde ao nível mais elevado do modelo de certificação da LIPOR.

A distinção resulta da boa implementação de medidas e equipamentos destinados a melhorar a separação e recolha seletiva de resíduos nos espaços comuns e escritórios das empresas instaladas nos três centros da UPTEC: Asprela, Mar e Baixa.

As ações implementadas, em conjunto com a LIPOR, têm como principal objetivo aumentar a valorização de resíduos, promovendo a reciclagem de papel, plástico e vidro e reduzindo a quantidade de resíduos indiferenciados. O processo envolveu também ações de sensibilização dirigidas à comunidade da UPTEC, incentivando a adoção de boas práticas ambientais por parte das empresas, colaboradores e equipas responsáveis pela limpeza dos diferentes edifícios.

Esta certificação reconhece um trabalho coletivo e contínuo. Mais do que instalar novos equipamentos, procurámos criar uma cultura de responsabilidade ambiental junto da nossa comunidade. Este é mais um passo para integrar a sustentabilidade no dia a dia da UPTEC e reforçar o nosso compromisso com um ecossistema de inovação que cria valor económico, social e ambiental positivo., afirma Isabel Martins Silva, Coordenadora de Comunicação e Sustentabilidade da UPTEC.

A certificação Coração Verde junta-se a outras iniciativas que a UPTEC tem vindo a promover para reduzir o seu impacto ambiental e sensibilizar a comunidade para práticas mais sustentáveis, como as campanhas de recolha de resíduos elétricos e eletrónicos e a distribuição de produtos agrícolas locais promovida pela AMAP na UPTEC Baixa.

A sustentabilidade está, também, presente na atividade da UPTEC, através de programas de aceleração como o ClimateLaunchpad, dedicado ao desenvolvimento de soluções para combater as alterações climáticas e cuja final nacional decorrerá no próximo dia 22 de julho, ou o BluAct, que apoia o empreendedorismo ligado à economia azul e à proteção dos oceanos.

Nesta edição do programa, foram distinguidas 98 entidades da região, elevando para 535 o número de organizações certificadas e para cerca de 850 o número de membros da comunidade Coração Verde. A cerimónia de entrega das distinções decorreu a 30 de maio de 2026, no Auditório Central de Valorização Orgânica, em Baguim do Monte.



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Alentejo Central

Luís Rouxinol Jr.: um nome herdado, um caminho conquistado

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Filho de uma das grandes figuras do toureio a cavalo português, Luís André da Silva Vicente cresceu entre cavalos, praças e toiros. Mas a carreira de Luís Rouxinol Jr. não se fez apenas do peso de um apelido: construiu-se com trabalho, exigência, risco e a permanente obrigação de provar, em cada arena, que existe um toureiro para além da herança.

Nascer numa família ligada à tauromaquia pode abrir as portas de uma quinta, de uma cavalariça ou de uma praça de toiros. Não garante, porém, o domínio de um cavalo diante da investida de um toiro, não elimina o medo e muito menos assegura o reconhecimento dos aficionados.

Luís André da Silva Vicente, anunciado nos cartéis como Luís Rouxinol Jr., nasceu a 15 de outubro de 1996. É o filho primogénito do cavaleiro Luís Rouxinol e pertence a uma família na qual a relação com os cavalos e com a Festa atravessa várias gerações. Antes do pai, também o avô paterno, Alfredo Vicente, cavaleiro amador, desempenhou um papel importante nos seus primeiros ensinamentos e no incentivo que recebeu quando decidiu seguir o toureio.

A primeira aproximação ao cavalo aconteceu praticamente antes de poder guardar memória dela: teria apenas um ano quando montou pela primeira vez, ao colo do pai. Ainda assim, o toureio não foi uma vocação imediatamente assumida. Durante a infância, Luís André sonhou ser futebolista — de preferência, jogador do Benfica. Os cavalos, os treinos e as corridas faziam parte do quotidiano familiar, mas eram, nessa altura, sobretudo o mundo profissional do pai.

A mudança começou por volta dos 11 anos. O desejo de acompanhar mais de perto Luís Rouxinol levou-o a aproximar-se do trabalho da quadra e a enfrentar a sua primeira vaca, montando um cavalo chamado Mustang. A partir desse momento, aquilo que até então fora uma presença familiar começou a transformar-se numa escolha pessoal. Já não bastava acompanhar o pai: começava a nascer a vontade de também ser toureiro.

De Luís André a Luís Rouxinol Jr.

A adoção do nome artístico não foi um gesto indiferente. Ao apelido Rouxinol, carregado de reconhecimento nas arenas portuguesas, acrescentou o “Júnior”. Era uma forma de assumir a continuidade familiar, mas também de distinguir dois homens e dois percursos que, embora inevitavelmente ligados, teriam de conquistar um espaço próprio.

Luís Rouxinol Jr. apresentou-se em público aos 14 anos, a 28 de maio de 2011, num festival taurino realizado em Serpa. Dessa tarde guardou um conselho do matador de toiros Vítor Mendes, curto na forma e imenso na responsabilidade: “Não sejas mais um.”

A frase poderia tornar-se no princípio orientador de toda a carreira. Para o filho de uma figura consagrada, ser apenas mais um significaria viver à sombra de um nome. O verdadeiro desafio seria demonstrar que o apelido representava uma origem, não um salvo-conduto.

Em 2012 apresentou-se como cavaleiro amador na Praça de Toiros do Campo Pequeno. Dois anos depois, a 19 de junho de 2014, regressou à arena lisboeta para prestar, com aprovação, a prova de cavaleiro praticante. Começava então uma etapa de maior responsabilidade, durante a qual atuou em praças e cartéis de crescente exigência.

Entre os momentos importantes desse período encontra-se a participação na corrida de gala à antiga portuguesa que encerrou a temporada de 2015 no Campo Pequeno. Em julho de 2016, também em Lisboa, viu-se perante um desafio inesperado: devido a uma lesão do pai, teve de o substituir na lide de um dos toiros da corrida em que ambos estavam anunciados. Foi uma prova de maturidade antes da consagração profissional.

A noite da alternativa

A data maior chegou a 20 de julho de 2017. No Campo Pequeno, a praça onde já dera passos decisivos da sua formação, Luís Rouxinol Jr. recebeu a alternativa de cavaleiro tauromáquico.

O padrinho foi o próprio pai, Luís Rouxinol. Como testemunhas estiveram António Ribeiro Telles e Manuel Ribeiro Telles Bastos. Foram lidados seis toiros da ganadaria Murteira Grave, numa corrida em que pegaram os grupos de forcados amadores de Santarém e de Coruche.

A noite possuía um simbolismo difícil de repetir. Luís Rouxinol celebrava 30 anos de alternativa e entregava ao filho o testemunho que ele próprio recebera em 1987. Três décadas separavam os dois momentos; uma mesma família, a mesma profissão e a mesma exigência uniam-nos.

Para Luís Rouxinol Jr., aquela foi a concretização de um sonho: receber a alternativa das mãos do pai, na praça que considerava a sua praça de eleição, diante do público português e frente a uma ganadaria que admirava. Mas a alternativa não representa o fim da aprendizagem. É precisamente o momento em que termina a proteção da condição de praticante e começa a verdadeira avaliação de um profissional.

Ser filho de figura

Luís Rouxinol foi, simultaneamente, o primeiro mestre, a maior referência e o avaliador mais exigente do filho. Nos treinos, na preparação dos cavalos e na análise das atuações, a relação familiar nunca apagou a disciplina profissional. Luís André encontrou no pai o exemplo de uma carreira construída com regularidade, capacidade de trabalho e presença constante nas principais praças portuguesas.

Contudo, ser filho de uma figura possui uma dupla face. Permite crescer rodeado de conhecimento, cavalos experimentados e conselhos que muitos demorariam anos a obter. Mas impõe comparações desde o primeiro minuto. Cada atuação é observada à luz do percurso paterno; cada triunfo é confrontado com o nome herdado; cada falha parece adquirir uma dimensão maior.

Luís Rouxinol Jr. teve, por isso, de construir a sua carreira sob uma pressão que não atinge todos os principiantes. O público conhecia-lhe o nome antes de conhecer verdadeiramente o seu toureio. Cabia-lhe inverter essa ordem: conseguir que os aficionados passassem a reconhecer o homem e o artista por detrás do apelido.

Afirmação nas arenas

Depois da alternativa, consolidou presença em praças e feiras de Norte a Sul do país, alternando com cavaleiros consagrados e com os principais nomes da sua geração. Em 2018 foi distinguido pela União das Freguesias de Pegões, juntamente com o ciclista Rúben Guerreiro, numa homenagem destinada a reconhecer jovens ligados à terra que se destacavam nas respetivas atividades. Nesse mesmo ano atuou novamente na Califórnia, depois de uma primeira passagem pelos Estados Unidos em 2016.

Na temporada condicionada pela pandemia, em 2020, terminou na liderança do escalafón nacional, segundo o registo biográfico da sua equipa. Em 2021 estreou-se nas Sanjoaninas, na ilha Terceira, onde foi considerado um dos grandes triunfadores da feira. A temporada ficou igualmente marcada pela atuação de 16 de outubro, em Alcochete, numa lide realizada com o cavalo Jamaica que terminou com duas voltas à arena.

Em 2022 somou 25 atuações e voltou a destacar-se na praça do Montijo, que considera uma das arenas determinantes da sua carreira. Na corrida de São Pedro conquistou o troféu José Samuel Lupi para a melhor lide a cavalo. Nesse ano participou também na corrida comemorativa dos 35 anos de alternativa de Luís Rouxinol, na qual pai e filho protagonizaram uma lide conjunta perante milhares de espectadores.

Ao longo deste percurso enfrentou exemplares de ganadarias portuguesas e espanholas de referência, entre as quais Veiga Teixeira, Palha, Murteira Grave, Sommer de Andrade, Pinto Barreiros, Dolores Aguirre, Partido de Resina e Torrestrela. A diversidade de encastes, comportamentos e graus de exigência contribuiu para uma formação que não poderia limitar-se à proteção da quadra familiar.

Madrid: a prova de Las Ventas

A dimensão internacional da carreira ganhou um capítulo decisivo a 28 de agosto de 2025, quando Luís Rouxinol Jr. confirmou a alternativa na Praça de Toiros de Las Ventas, em Madrid, considerada uma das arenas mais exigentes e influentes do mundo taurino.

Nessa corrida de rejoneio, integrou um cartel com Filipe Gonçalves, Roberto Armendáriz, Iván Magro, Ana Rita e Andrés Romero, diante de toiros de Fermín Bohórquez. Luís Rouxinol Jr. lidou o sexto toiro da noite, de nome Selectivo, com 568 quilos. A atuação terminou em silêncio, após dois avisos. A crítica espanhola registou, contudo, a decisão, a atitude e o ofício demonstrados pelo cavaleiro português.

O resultado artístico não apaga o significado da presença. Las Ventas não é apenas uma praça onde se procuram troféus: é um lugar onde se mede a consistência dos toureiros, a capacidade de suportar a pressão e a verdade com que enfrentam uma oportunidade que pode marcar toda uma carreira.

Na véspera da corrida, Luís Rouxinol Jr. participou, juntamente com Iván Magro, num encontro com os aficionados madrilenos realizado na própria arena de Las Ventas. A sessão abordou o maneio do cavalo de toureio, as particularidades das tradições equestres portuguesa e espanhola e as diferenças entre as respetivas indumentárias. Foi também uma oportunidade para apresentar em Madrid uma parte da identidade do toureio equestre português.

Luís Rouxinol Jr. pertence a uma dinastia, mas nenhuma dinastia sobrevive apenas da memória. A continuidade exige que cada geração encontre a sua própria razão para entrar na arena.

Luís André recebeu do pai o nome, os ensinamentos e uma determinada ética de trabalho. Recebeu do avô os primeiros incentivos e a ligação mais antiga aos cavalos. Mas recebeu também uma responsabilidade: provar que não está nos cartéis apenas por ser filho de Luís Rouxinol.

A sua carreira tem sido construída nesse confronto permanente entre herança e identidade. É o filho que continua a ouvir o mestre, mas é também o cavaleiro que entra sozinho na arena. Porque, quando se fecham as portas dos curros e o toiro surge na praça, desaparecem os apelidos, os conselhos e as proteções. Ficam apenas o homem, o cavalo, o toiro e a verdade daquele momento.

No final de 2025, a Casa Rouxinol anunciou o empresário Rui Palma como novo apoderado de Luís Rouxinol e do filho, abrindo uma nova etapa profissional para ambos. Para Luís Rouxinol Jr., o futuro continuará a medir-se pela capacidade de consolidar a sua presença nas principais praças, enfrentar compromissos de maior responsabilidade e afirmar uma personalidade artística própria.

O nome foi-lhe transmitido. O caminho, porém, tem de ser conquistado tarde após tarde.

Luís André da Silva Vicente é filho de Luís Rouxinol. Mas, dentro da arena, é Luís Rouxinol Jr. — cavaleiro de alternativa, homem de Pegões e protagonista de uma história que já não pertence apenas ao pai.



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Portugal

(Re)naturalização dos recreios escolares vale distinção a alumna da FCUP

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Márcia Ferreira Lopes apresentou publicamente o seu trabalho na Ordem dos Arquitetos, em Lisboa. Foto: DR


Márcia Ferreira Lopes, mestre em Arquitetura Paisagista pela Faculdade de Ciências da Universidade do Porto (FCUP), foi distinguida no dia 8 de julho com a Menção Especial do Prémio Nacional para o Ensino de Arquitetura, Urbanismo e Arquitetura Paisagista – Archiprix Portugal. Trata-se de uma das mais prestigiadas distinções nacionais nestas áreas, reunindo anualmente os melhores trabalhos de diferentes instituições de Ensino Superior do país.

Esta foi, refira-se, a primeira vez que um projeto da FCUP conquistou o galardão, depois de vários trabalhos da instituição terem estado entre os finalistas. O prémio, criado em 2012, distingue um vencedor e atribui duas menções especiais – Arquitetura Paisagista e Urbanismo – e até oito menções honrosas. O vencedor de 2026 é João Martim Fernandes, da Universidade de Coimbra.

Com o título “(Re)naturalização dos Recreios Escolares – Promovendo o Desenvolvimento Infantil/Juvenil e Sustentabilidade Urbana“, a proposta de Márcia Lopes surgiu na sequência da sua dissertação de mestrado e tem como ponto de partida a crescente artificialização dos recreios escolares. “Estes espaços continuam, em muitos casos, a apresentar extensas áreas impermeabilizadas, pouca biodiversidade e escassas oportunidades de contacto com a natureza”, observa a alumna da FCUP.  

O trabalho procurou apresentar uma alternativa mais sustentável e promotora do bem-estar dos alunos. Incidiu sobre o recreio do Colégio Efanor, em Matosinhos, transformando-o num ecossistema educativo multifuncional. “O projeto reorganiza os espaços exteriores de acordo com as diferentes faixas etárias, integrando superfícies permeáveis, vegetação diversificada, zonas de recreio natural, hortas pedagógicas, salas de aula ao ar livre e áreas de aumento da diversidade”, descreve. Paralelamente, a proposta incorpora soluções de gestão sustentável da água da chuva e reforça a infraestrutura verde e azul da escola. 

“Mais do que melhorar o recreio enquanto espaço de lazer, o projeto demonstra como a Arquitetura Paisagista pode contribuir para promover o bem-estar infantil, incentivar a aprendizagem em contacto com a natureza, aumentar a biodiversidade urbana e reforçar a adaptação das cidades às alterações climáticas”, reforça Márcia Lopes.  

Um tema de “extrema pertinência”

Para a orientadora, Isabel Martinho da Silva, docente da FCUP, este é um tópico de “extrema pertinência”, pelo que a Menção Especial reconhece a qualidade da investigação realizada. A docente sublinha que “o contacto com recreios mais naturalizados promove o bem-estar físico e psicológico; aumenta a imunidade nas crianças e jovens, promove um melhor desenvolvimento cognitivo e uma maior empatia com o meio natural”. Para além disso, estes espaços reduzem o efeito de ilha de calor, proporcionam a gestão das águas pluviais e a recarga dos aquíferos, e aumentam a biodiversidade. “É de notar que em várias cidades, como Paris ou Barcelona, estes recreios naturalizados funcionam já como abrigos climáticos”, exemplifica a professora.

A jovem arquiteta paisagista Márcia Lopes, atualmente a trabalhar no OH Land Studio, vê a atribuição desta menção especial como uma motivação extra para continuar a desenvolver projetos “que aproximem as pessoas da natureza”. “É muito gratificante ver um tema em que acredito ser valorizado e perceber que a (re)naturalização dos recreios escolares é reconhecida como uma questão importante para o futuro das cidades e da educação”, afirma.  

Márcia recebeu a notícia da atribuição desta menção com “enorme surpresa” e com “grande satisfação”, pois trata-se, diz, do “reconhecimento de muitos meses de trabalho, dedicação e aprendizagem”.  

Márcia Lopes e Isabel Silva acreditam que ainda há muito trabalho a fazer e que é importante dar visibilidade à (re)naturalização dos recreios escolares. “É uma questão cada vez mais urgente”, rematam.  

A entrega dos prémios decorreu numa sessão realizada na Ordem dos Arquitetos, em Lisboa, onde os premiados apresentaram publicamente o seu trabalho.



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CIBIO participou em estudo que poderá ajudar a proteger o coelho ibérico

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CIBIO participou em estudo que poderá ajudar a proteger o coelho ibérico























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