Portugal
UPTEC premeia startup dedicada a componentes eletrónicos biodegradáveis




A EcoWires, uma solução que utiliza materiais sustentáveis para desenvolver eletrónica flexível, venceu o Prémio de Melhor Startup no Pitch Day que assinalou o encerramento da 13.ª edição da Escola de Startups da UPTEC – Parque de Ciência e Tecnologia da U.Porto, um programa apoiado pela Fundação Santander.
Rita Martins e Inês Freitas, fundadoras do projeto e estudantes do Programa Doutoral em Engenharia Química e Biológica da Faculdade de Engenharia da U.Porto (FEUP) , desenvolveram uma tecnologia de impressão altamente escalável para eletrónica flexível, que substitui o plástico e as tintas à base de metais, tipicamente utilizadas no desenvolvimento de circuitos flexíveis, pela celulose e tintas de carbono. O projeto foi premiado com a melhor pontuação atribuída pelo júri composto por Tiago Ilharco (NCREP), Sérgio Rodrigues (COREangels), Cristiana Cruz (CM Porto) e Luis Reis (Altice Labs).
Já no ano passado, as duas jovens investigadoras da FEUP tinham conseguido o segundo lugar na edição nacional do ClimateLaunchpad, a maior competição de ideias cleantech do mundo.
Além do júri, também o público teve a oportunidade de votar naquele que considerou ser o melhor pitch desta edição da Escola de Startups: a QCertify, uma plataforma que identifica automaticamente toda a criptografia existente numa organização e implementa novas proteções de criptografia pós-quântica.
O Prémio de Melhor Evolução, que destacou o percurso de um dos projetos empresariais ao longo do programa, foi para a MUTU, uma plataforma SaaS orientada para uma colaboração mais eficiente entre fornecedores.
Durante o Pitch Day, subiram a placo 10 de 21 projetos que integraram a última edição da Escola de Startups. Ao longo de três meses, os participantes tiveram a oportunidade de integrar workshops práticos acerca de temas como análise de mercado, diferenciação, propriedade intelectual e treino de pitch, além de usufruírem de mentoria individual com especialistas e de acesso aos espaços de trabalho da UPTEC.
Ao longo das 13 edições do programa de aceleração da UPTEC, já foram apoiados 540 empreendedores e mais de 240 ideias de negócio, das quais resultaram mais de 80 empresas.
Esta edição da Escola de Startups para Emprendedores foi financiada pelo PRR (Plano de Recuperação e Resiliência).
Portugal
Roteiro gastronómico por Mora: uma viagem pelos sabores autênticos do Alentejo


Mora – Conhecer o concelho de Mora é muito mais do que visitar monumentos, percorrer aldeias históricas ou descobrir o Fluviário. É também sentar-se à mesa e experimentar uma gastronomia onde a simplicidade dos ingredientes se transforma em pratos de enorme riqueza de sabores, mantendo vivas receitas transmitidas de geração em geração.
A cozinha morense é um reflexo da identidade alentejana. O pão, o azeite, os coentros, a carne de porco, a caça, o borrego e os produtos da horta são a base de uma gastronomia que privilegia a autenticidade em detrimento da sofisticação.
O roteiro pode começar na vila de Mora, onde restaurantes como Afonso, O Alentejano ou Helder Ganhão mantêm viva a tradição da cozinha regional. Entre as especialidades destacam-se as migas de espargos com carne do alguidar, consideradas um dos pratos emblemáticos do concelho, a sopa de cação, o ensopado de borrego, a carne de porco preto, o javali assado e diversas receitas de caça durante a época própria.
A poucos quilómetros, em Cabeção, a gastronomia ganha novos protagonistas. A tradição cinegética faz desta vila um dos melhores locais para provar lebre, pombo bravo e perdiz, preparados segundo receitas antigas. O restaurante A Palmeira, reconhecido há décadas pela cozinha de caça, tornou-se uma referência regional, enquanto outros espaços da vila continuam a preservar a autenticidade da culinária alentejana.
Seguindo para Brotas, a mesa continua ligada aos sabores da terra. Aqui predominam pratos tradicionais confeccionados lentamente, como ensopados, carnes grelhadas e migas acompanhadas por produtos locais, num ambiente tipicamente alentejano.
Em Pavia, a gastronomia alia-se ao património histórico. Depois de visitar a Anta-Capela de São Dinis ou a Igreja Matriz, vale a pena conhecer O Forno, onde a cozinha regional continua a ser protagonista através de pratos de forno, carnes assadas e receitas tradicionais preparadas com produtos locais.
Ao longo de todo o concelho, os petiscos merecem igualmente destaque. Os enchidos artesanais, os queijos de ovelha, as azeitonas temperadas, o pão alentejano acabado de cozer e o azeite de produção regional constituem uma excelente introdução à refeição.
Nas sobremesas, a tradição mantém-se. A sericaia com Ameixa d’Elvas DOP, as encharcadas, as filhós, os bolos de mel e outras receitas conventuais encerram a refeição com os sabores característicos do Alentejo.
Os vinhos da região acompanham naturalmente este percurso gastronómico, com especial destaque para os produzidos na sub-região de Reguengos e noutras zonas do Alentejo, onde predominam tintos encorpados e brancos frescos que harmonizam com a cozinha regional.
A gastronomia assume hoje um papel tão importante na promoção turística que o Município organiza anualmente o Mês das Migas, iniciativa que reúne restaurantes de Mora, Cabeção, Brotas, Pavia e Malarranha, incentivando residentes e visitantes a descobrir diferentes interpretações daquele que é considerado um dos pratos mais representativos do concelho.
Mais do que um simples roteiro de restaurantes, percorrer o concelho de Mora através da gastronomia é descobrir uma forma de estar. É perceber que, no Alentejo, a mesa continua a ser um lugar de encontro, de partilha e de identidade, onde cada prato conta uma história e cada refeição preserva uma herança cultural que continua bem viva.
Portugal
Pavia: a vila onde a Pré-História, a História e a alma alentejana se encontram


Pavia (Mora) – Há localidades que se distinguem pela imponência dos seus monumentos. Outras conquistam pela autenticidade das suas gentes. Pavia reúne ambas as qualidades. Situada no concelho de Mora, em pleno Alentejo Central, esta pequena vila guarda um património histórico singular que atravessa milhares de anos de ocupação humana, preservando uma identidade profundamente ligada à paisagem, à cultura e à memória.
Considerada o mais antigo núcleo populacional do atual concelho de Mora, Pavia apresenta vestígios de ocupação desde a Pré-História. A região é particularmente rica em monumentos megalíticos, testemunhando a presença de comunidades que aqui viveram há mais de cinco mil anos. O exemplo mais emblemático é a célebre Anta de Pavia, um monumento funerário erguido entre o IV e o III milénio antes de Cristo, posteriormente transformado, no século XVII, na Capela de São Dinis. Este raro reaproveitamento de um dólmen como templo cristão faz deste monumento um dos mais originais do património português e um verdadeiro símbolo da vila.
A história medieval de Pavia inicia um novo capítulo em 1287, quando D. Dinis lhe concedeu carta de foral. Durante vários séculos foi sede de concelho, desempenhando um papel relevante na organização administrativa da região. A tradição local refere mesmo que as origens do nome poderão estar relacionadas com um grupo de colonos provenientes da cidade italiana de Pavia, hipótese transmitida pela tradição histórica local, embora continue a ser objeto de estudo pelos historiadores.
O património religioso da vila encontra na Igreja Matriz de São Paulo um dos seus maiores expoentes. Construída no início do século XVI por iniciativa de D. Vasco Coutinho, Conde de Redondo, apresenta características arquitetónicas singulares, conjugando o gótico tardio com influências mudéjares, sendo atualmente classificada como Monumento Nacional. A sobriedade do edifício e a sua imponência fazem dele uma das igrejas mais interessantes do Alentejo.
Mas Pavia não vive apenas da sua história antiga. A vila foi também casa de duas figuras marcantes da cultura portuguesa. O médico e escritor Fernando Namora exerceu aqui medicina rural, experiência que marcou profundamente a sua obra literária e o seu olhar sobre o mundo alentejano. Também o pintor Manuel Ribeiro de Pavia, que adotou o nome da terra como assinatura artística, eternizou nas suas telas os trabalhadores, os campos e o quotidiano das gentes do Alentejo. A sua Casa-Museu permanece como um espaço de preservação da sua obra e da memória coletiva da vila.
Percorrer Pavia é descobrir ruas tranquilas de casario branco, largos onde o tempo parece abrandar e uma paisagem dominada por sobreiros, azinheiras e vastas planícies agrícolas. É um Alentejo autêntico, onde o património arqueológico convive naturalmente com a vida quotidiana e onde cada pedra parece guardar um fragmento da história de Portugal.
Hoje, Pavia afirma-se como um destino de turismo cultural e patrimonial, integrando o conjunto de localidades do concelho de Mora que valorizam o megalitismo, a literatura, a arte e a identidade alentejana. Para quem procura conhecer um território onde a história começou muito antes da fundação de Portugal, esta pequena vila oferece uma viagem rara através de milhares de anos de civilização.
Pavia demonstra que a grandeza de um lugar não se mede pela sua dimensão, mas pela profundidade da sua memória. Entre monumentos pré-históricos, património classificado, tradição e cultura, a vila continua a preservar um legado que faz dela uma das mais notáveis joias históricas do Alentejo.
Portugal
Casa do Barro: onde a alma da olaria continua a moldar o futuro de São Pedro do Corval


São Pedro do Corval – No coração do Alentejo, entre os campos que conduzem ao Alqueva e à vila medieval de Monsaraz, existe um espaço onde o tempo parece ganhar outra dimensão. A Casa do Barro – Centro Interpretativo da Olaria não é apenas um museu. É um testemunho vivo da história, da identidade e do saber-fazer de uma comunidade que transformou a terra em arte ao longo de séculos.
Instalada numa antiga olaria cuidadosamente recuperada, a Casa do Barro nasceu com um propósito claro: preservar, valorizar e divulgar uma das mais importantes tradições artesanais portuguesas. O edifício mantém elementos originais da atividade oleira, permitindo ao visitante compreender, de forma autêntica, como o barro era preparado, moldado e transformado em peças utilitárias e decorativas.
São Pedro do Corval é reconhecido como o maior centro oleiro da Península Ibérica. A aldeia reúne atualmente cerca de duas dezenas de olarias em atividade, onde mestres oleiros continuam a trabalhar segundo técnicas transmitidas de geração em geração, produzindo louça tradicional, cerâmica vidrada e peças decorativas que hoje são apreciadas muito para além das fronteiras nacionais.
O percurso expositivo da Casa do Barro foi concebido em torno dos quatro elementos fundamentais da olaria — terra, água, fogo e ar. Ao longo da visita é possível conhecer os diferentes tipos de barro utilizados na região, observar antigos fornos a lenha, rodas de oleiro, tanques de preparação da argila e diversos equipamentos que recriam todas as etapas do ciclo de produção da cerâmica. Cada espaço revela a estreita ligação entre a natureza, o trabalho humano e a criatividade dos artesãos.
Mais do que preservar memórias, o centro assume também uma missão pedagógica e cultural. Recebe visitantes, promove oficinas, exposições e atividades que aproximam novas gerações de um património que continua plenamente vivo. O objetivo é garantir que a tradição oleira permaneça sustentável, valorizando simultaneamente os artesãos que ainda hoje fazem do barro o seu modo de vida.
Quem visita São Pedro do Corval percebe rapidamente que a olaria não é apenas uma atividade económica. É a linguagem da aldeia. As fachadas das oficinas, o cheiro da terra húmida, o calor dos fornos e o movimento paciente das mãos dos oleiros fazem parte da paisagem quotidiana, conferindo ao lugar uma identidade muito própria.
A Casa do Barro constitui, assim, a porta de entrada ideal para compreender esta realidade. Não se limita a contar a história da olaria; explica a forma como uma comunidade construiu a sua identidade em torno do barro, preservando um património material e imaterial que continua a distinguir o concelho de Reguengos de Monsaraz e todo o Alentejo.
Para quem procura conhecer a verdadeira essência de São Pedro do Corval, a visita à Casa do Barro – Centro Interpretativo da Olaria é um ponto de partida obrigatório: um lugar onde cada peça de barro conta uma história e onde a tradição continua, todos os dias, a ser moldada pelas mãos dos seus artesãos.
Portugal
Penamacor e o Madeiro: a chama que une gerações no coração da Beira Baixa


Penamacor — No silêncio frio das noites de inverno da Beira Baixa, há uma chama que resiste ao tempo e à mudança. É o Madeiro de Penamacor, uma das mais marcantes tradições natalícias do interior de Portugal, onde a comunidade se reúne em torno de uma fogueira monumental que simboliza muito mais do que calor: representa identidade, memória e continuidade.
Todos os anos, na véspera de Natal, a vila transforma-se. Dias antes, grupos de jovens percorrem os campos e os montes circundantes em busca dos maiores troncos que conseguem transportar. O ritual não é apenas logístico — é iniciático. Participar na recolha do madeiro é, para muitos, um sinal de passagem, uma forma de pertença a uma herança coletiva que atravessa séculos.
No Largo, o fogo é aceso ao cair da noite. As chamas elevam-se, iluminando as fachadas antigas de granito e criando uma atmosfera quase ancestral. À volta do Madeiro, juntam-se famílias inteiras, emigrantes que regressam à terra nesta época e visitantes que procuram autenticidade. Conversa-se, partilham-se histórias, recordam-se ausentes. O frio da serra é vencido pelo calor humano.
A tradição do Madeiro, comum a várias localidades da Beira Interior, ganha em Penamacor uma dimensão particularmente forte, pela mobilização comunitária e pela forma como se mantém viva, sem artificialismos. Aqui, não é um espetáculo para turistas — é um ato vivido, profundamente enraizado na cultura local.
Para os mais velhos, o Madeiro é memória viva de outros tempos, quando a eletricidade era escassa e o fogo era centro da vida social. Para os mais novos, é um momento de encontro num mundo cada vez mais digital e disperso. Entre uns e outros, constrói-se uma ponte geracional que garante a continuidade da tradição.
Num país onde tantas práticas ancestrais se diluem ou desaparecem, Penamacor afirma-se como guardiã de um património imaterial que resiste. O Madeiro não é apenas uma fogueira de Natal — é um símbolo de comunidade, de resistência cultural e de pertença.
E enquanto as chamas arderem no centro da vila, Penamacor continuará a dizer, em silêncio, que há tradições que não se apagam.



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