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Projetos de reflorestação


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FCUP ajuda a desenvolver ímanes avançados para tecnologias do futuro


Projeto coordenado pela startup alemã alqem, acaba de angariar 8 milhões de euros para acelerar a descoberta de materiais baseados em Inteligência Artificial.


A equipa da FCUP é composta por Leonor Garcia (à esquerda), Ana Pires e André Pereira. Foto: SIC.FCUP
Uma equipa de investigadores da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto (FCUP) está a ajudar no desenvolvimento e validação de novos materiais magnéticos com aplicação direta em veículos elétricos, turbinas eólicas, robótica e sistemas de defesa.
O trabalho é coordenado pela alqem, uma startup DeepTech alemã que acaba de angariar 8 milhões de euros numa ronda de financiamento pre-seed, para acelerar a descoberta destes materiais baseados em Inteligência Artificial (IA).
A alqem utiliza IA e validação laboratorial para descobrir a próxima geração de materiais avançados, começando por ímanes sem terras raras. O objetivo é reduzir a dependência energética face à China, já que 90% destes ímanes permanentes (que utilizam terras raras) são produzidos neste país e as recentes restrições à exportação transformaram o abastecimento destes materiais numa questão geopolítica de primeira ordem.
“Esta colaboração representa um desafio científico multidisciplinar, uma vez que conjuga ferramentas avançadas de ciência computacional com a síntese e caracterização experimental de materiais, promovendo uma interação contínua entre previsões teóricas e resultados laboratoriais”, comenta André Pereira, docente da FCUP e investigador do IFIMUP – Instituto de Física de Materiais Avançados, Nanotecnologia e Fotónica.
O motor de descoberta da alqem já gerou um conjunto de candidatos a ímanes sem terras raras, cujo desempenho previsto foi validado através de dados experimentais.
Resultados promissores alcançados na FCUP
A equipa da FCUP, que tem um contrato de prestação de serviços com a alqem, é responsável pela síntese destes materiais candidatos e pela sua caracterização experimental. Para isso, os investigadores recorrem a um conjunto de técnicas complementares que permitem avaliar as suas propriedades estruturais, químicas e magnéticas. “Esta caracterização é fundamental para validar as previsões dos modelos e aprofundar a compreensão da relação entre composição, estrutura e propriedades dos materiais”, explica o docente da FCUP.
Os resultados até ao momento são, segundo o investigador, “extremamente promissores”: “Verifica-se uma excelente concordância entre as previsões dos modelos e os resultados experimentais obtidos na FCUP.” Para além de André Pereira, integram também a equipa da FCUP a investigadora Ana Pires e a bolseira de investigação, Leonor Garcia.
A combinação entre previsões teóricas e validação experimental permite não só aumentar a confiança na identificação de novos materiais, como também acelerar o seu desenvolvimento e otimização. Desta forma, é possível reduzir o número de ensaios experimentais necessários e contribuir para uma investigação mais eficiente e orientada para aplicações tecnológicas.
Materiais que irão impulsionar a próxima era tecnológica
“Pela primeira vez, dispomos de um mapa do universo dos materiais. Não apenas de alguns compostos conhecidos, mas de centenas de milhões de possibilidades que podemos agora explorar de forma sistemática e trazer para o mundo. Materiais que poderão tornar os veículos elétricos mais eficientes, as turbinas eólicas mais potentes e as cadeias de abastecimento críticas independentes do controlo de um único país”, afirma Hanh Nguyen, CEO da alqem.
Entre os parceiros de investigação da alqem estão também a LMU Munique, a Universidade Técnica de Munique (TU Munich), o Instituto Superior Técnico e a Universidade de Coimbra.


Fundadores da alqem (da esquerda para a direita): Tiago Cerqueira (CTO), Hanh Nguyen, CEO da alqem e Milan Allan (da LTU Munich). Foto: DR
O trabalho desta startup é apoiado por uma estreita colaboração com o Instituto Max Planck para a Física Química dos Sólidos, em Dresden, dedicada ao desenvolvimento de materiais magnéticos de nova geração. A colaboração é liderada por Claudia Felser, diretora do Instituto e vice-presidente da Sociedade Max Planck, que integra igualmente o conselho científico da alqem, juntamente com Miguel Marques, docente da Universidade Ruhr de Bochum) e Michael Viertler, antigo Senior Partner e Managing Partner da McKinsey em Munique.
A última grande descoberta ocorreu há mais de 40 anos. Agora, com estes avanços e com a colaboração da FCUP, espera-se chegar a um íman permanente inovador, sem terras raras, que permita acelerar a tecnologia do futuro.
Portugal
Há homens que não morrem enquanto houver quem os escute


Hoje morreu Luís Represas.
Escrevo estas palavras com um peso que dificilmente consigo explicar. Não porque Portugal tenha perdido apenas um dos seus maiores músicos. Escrevo-as porque sinto que perdi um homem cuja presença foi cruzando, de forma quase inexplicável, vários momentos da minha própria vida.
Conheci Luís Represas pouco tempo depois de um dos episódios mais marcantes da minha carreira como jornalista: o massacre do Cemitério de Santa Cruz, em Díli. Regressava de um tempo em que a violência parecia ter substituído a humanidade e, curiosamente, encontrei um homem que procurava precisamente o contrário: devolver esperança através da música.
Lembro-me de ser um período particularmente delicado da sua vida. Apesar disso, nunca lhe ouvi uma palavra de revolta. Havia uma serenidade difícil de explicar, como se acreditasse que a música pudesse dizer aquilo que as palavras já não conseguiam.
Pouco tempo depois surgiu o desafio lançado pelo então Presidente da República para escrever uma canção que marcaria esse tempo. Recordo-me de olhar para aquele momento e perceber que alguns artistas não são apenas intérpretes da sua época; tornam-se parte da memória de um país.
Ao longo das décadas, as nossas vidas continuaram a cruzar-se.
Muitas vezes foi por razões profissionais. Eu estava a fazer a cobertura de um evento; ele chegava para subir ao palco. Cumprimentávamo-nos com a naturalidade de quem já não precisa de apresentações. Bastavam poucos minutos de conversa para perceber que o tempo não lhe tinha retirado aquilo que mais admirava nele: a simplicidade.
Mas houve encontros ainda mais curiosos.
Daqueles improváveis que a vida, por vezes, oferece. Lugares onde ninguém esperaria encontrar Luís Represas e onde, de repente, lá estava ele. Sorridente. Disponível. Sem pressas. Como se a fama fosse apenas um detalhe da sua existência e nunca a sua identidade.
Esses encontros ensinaram-me mais sobre o homem do que muitos concertos ensinaram sobre o artista.
Vivemos numa época em que tantas figuras públicas parecem construir personagens para sobreviver à exposição mediática. Luís Represas nunca precisou disso. Era exatamente a mesma pessoa diante de milhares de espectadores ou numa conversa tranquila, longe dos holofotes.
Talvez seja essa a razão pela qual tantas gerações se reconheceram na sua música.
Não cantava para impressionar.
Cantava para chegar às pessoas.
E chegava.
Hoje, quando releio as notícias da sua partida, dou por mim a recordar não apenas a voz que encheu teatros, nem apenas o músico extraordinário que marcou a história da música portuguesa.
Recordo o homem.
A forma como olhava nos olhos quando conversava. A tranquilidade com que escutava. A educação, cada vez mais rara, com que tratava todos, independentemente da importância que tivessem.
Há artistas que deixam discos.
Outros deixam prémios.
Luís Represas deixa muito mais do que isso.
Deixa uma forma de estar. Uma maneira de compreender que o talento nunca precisa de ser maior do que a humanidade.
Hoje Portugal despede-se de um dos seus maiores músicos.
Eu despeço-me de alguém que tive o privilégio de encontrar em diferentes momentos da vida e que, em todos eles, confirmou exatamente aquilo que o público via em palco: um homem íntegro, generoso e profundamente humano.
As vozes calam-se.
As canções ficam.
E algumas pessoas, mesmo depois de partirem, continuam a acompanhar-nos em silêncio.
Adeus, Luís.
Obrigado pela música.
Obrigado pela amizade possível.
E obrigado por nos lembrares, ao longo de tantos anos, que a maior obra de um artista é, afinal, a pessoa que escolhe ser
Portugal
Forcados Amadores de Monsaraz: duas décadas de coragem, amizade e identidade alentejana


Fundado por um grupo de amigos unidos pela afición e pelo desejo de representar a sua terra, o Grupo de Forcados Amadores de Monsaraz tornou-se uma presença reconhecida nas arenas portuguesas e levou já o nome do concelho além-fronteiras.
Há gestos que duram apenas alguns segundos, mas que exigem anos de preparação, confiança e coragem. A pega de caras é um deles. Diante do toiro, o forcado enfrenta a investida sem armas, contando apenas com a sua determinação e com a força dos companheiros que seguem atrás de si. É neste espírito de entrega coletiva que se construiu a história do Grupo de Forcados Amadores de Monsaraz.
O grupo nasceu da vontade de um conjunto de jovens e amigos ligados à freguesia de Monsaraz, num território onde a cultura tauromáquica permanece profundamente associada à vida social, às festas populares e à identidade do mundo rural alentejano. A apresentação oficial aconteceu no dia 23 de julho de 2004, numa corrida realizada propositadamente em Monsaraz e que marcou também a estreia da própria freguesia na organização de um espetáculo desta natureza.
Sob o comando do cabo fundador Mário Gomes, os novos Amadores de Monsaraz alternaram nessa primeira corrida com o histórico Grupo de Forcados Amadores de Montemor, que assumiu o papel de padrinho da formação. A presença dos montemorenses representou uma importante ligação entre gerações e entre dois grupos profundamente enraizados na tradição tauromáquica alentejana.
Desde essa noite inaugural, os Forcados de Monsaraz foram construindo o seu percurso com base numa ideia simples, mas exigente: nenhum homem pega sozinho. Ainda que o forcado da cara assuma o primeiro contacto com o animal, o sucesso depende da coesão de toda a formação — primeiras e segundas ajudas, rabillador e restantes elementos. Cada pega é, por isso, uma demonstração de coragem individual, mas sobretudo de confiança coletiva.
Ao longo da sua história, o grupo foi liderado por diferentes cabos, responsáveis não apenas pela escolha dos forcados da cara e pela orientação técnica das pegas, mas também pela transmissão dos valores internos da formação. Mário Gomes foi sucedido, em 2008, por David Rodrigues, um dos elementos fundadores e o homem que pegou o primeiro toiro da história do grupo. Durante dez temporadas, David Rodrigues realizou 36 pegas e conduziu a formação até à comemoração do seu décimo aniversário, em agosto de 2014.
Ricardo Cardoso assumiu posteriormente o comando, iniciando uma nova etapa de consolidação e renovação. Em 15 de agosto de 2024, o testemunho passou para João Tiago Calado Ramalho, natural de Reguengos de Monsaraz e elemento do grupo desde 2018, tornando-se o quarto cabo da história dos Amadores de Monsaraz.
A renovação das gerações é uma das condições essenciais para a sobrevivência de qualquer grupo de forcados. Os mais antigos transmitem aos mais novos a técnica, o sentido de responsabilidade e uma forma particular de estar dentro e fora da arena. Vestir a jaqueta não representa apenas a participação num espetáculo: significa assumir o nome de uma terra, respeitar os companheiros e compreender que cada atuação compromete a imagem de todo o grupo.
A projeção dos Amadores de Monsaraz ultrapassou entretanto as praças portuguesas. Em março de 2025, o grupo realizou uma digressão pelo México, participando em corridas nas praças de Jalos e Autlán. Alexandre Sardinha, Rui Caeiro, Hugo Beato, Gustavo Perdiz e o cabo João Tiago Ramalho estiveram entre os forcados da cara, numa deslocação que confirmou a dimensão internacional alcançada pela formação alentejana.
Mais do que os resultados alcançados ou o número de toiros pegados, o percurso do Grupo de Forcados Amadores de Monsaraz mede-se pela capacidade de permanecer unido. Num grupo desta natureza, as vitórias são partilhadas, mas também o são as dificuldades, as lesões e os momentos de incerteza. A arena revela publicamente aquilo que foi construído longe das bancadas: nos treinos, nas deslocações, nos convívios e na aprendizagem silenciosa entre gerações.
A ligação à população de Reguengos de Monsaraz constitui igualmente uma das bases desta história. O grupo representa uma comunidade que reconhece na forcadagem valores como a valentia, a entreajuda, o compromisso e a lealdade. Valores antigos que, independentemente das transformações sociais e do debate em torno da tauromaquia, continuam a explicar a força simbólica destas formações no Alentejo.
A 23 de julho de 2026, o Grupo de Forcados Amadores de Monsaraz completa 22 anos de existência. Duas décadas depois da primeira corrida, permanece vivo o projeto iniciado por um grupo de amigos que quis levar o nome de Monsaraz para dentro das arenas. Hoje, cada vez que oito homens avançam em direção ao centro da praça, não levam apenas uma jaqueta e uma cinta vermelha. Levam consigo uma história, uma terra e o peso de todos aqueles que, desde 2004, ajudaram a construir o grupo.
Portugal
Roteiro gastronómico por Mora: uma viagem pelos sabores autênticos do Alentejo


Mora – Conhecer o concelho de Mora é muito mais do que visitar monumentos, percorrer aldeias históricas ou descobrir o Fluviário. É também sentar-se à mesa e experimentar uma gastronomia onde a simplicidade dos ingredientes se transforma em pratos de enorme riqueza de sabores, mantendo vivas receitas transmitidas de geração em geração.
A cozinha morense é um reflexo da identidade alentejana. O pão, o azeite, os coentros, a carne de porco, a caça, o borrego e os produtos da horta são a base de uma gastronomia que privilegia a autenticidade em detrimento da sofisticação.
O roteiro pode começar na vila de Mora, onde restaurantes como Afonso, O Alentejano ou Helder Ganhão mantêm viva a tradição da cozinha regional. Entre as especialidades destacam-se as migas de espargos com carne do alguidar, consideradas um dos pratos emblemáticos do concelho, a sopa de cação, o ensopado de borrego, a carne de porco preto, o javali assado e diversas receitas de caça durante a época própria.
A poucos quilómetros, em Cabeção, a gastronomia ganha novos protagonistas. A tradição cinegética faz desta vila um dos melhores locais para provar lebre, pombo bravo e perdiz, preparados segundo receitas antigas. O restaurante A Palmeira, reconhecido há décadas pela cozinha de caça, tornou-se uma referência regional, enquanto outros espaços da vila continuam a preservar a autenticidade da culinária alentejana.
Seguindo para Brotas, a mesa continua ligada aos sabores da terra. Aqui predominam pratos tradicionais confeccionados lentamente, como ensopados, carnes grelhadas e migas acompanhadas por produtos locais, num ambiente tipicamente alentejano.
Em Pavia, a gastronomia alia-se ao património histórico. Depois de visitar a Anta-Capela de São Dinis ou a Igreja Matriz, vale a pena conhecer O Forno, onde a cozinha regional continua a ser protagonista através de pratos de forno, carnes assadas e receitas tradicionais preparadas com produtos locais.
Ao longo de todo o concelho, os petiscos merecem igualmente destaque. Os enchidos artesanais, os queijos de ovelha, as azeitonas temperadas, o pão alentejano acabado de cozer e o azeite de produção regional constituem uma excelente introdução à refeição.
Nas sobremesas, a tradição mantém-se. A sericaia com Ameixa d’Elvas DOP, as encharcadas, as filhós, os bolos de mel e outras receitas conventuais encerram a refeição com os sabores característicos do Alentejo.
Os vinhos da região acompanham naturalmente este percurso gastronómico, com especial destaque para os produzidos na sub-região de Reguengos e noutras zonas do Alentejo, onde predominam tintos encorpados e brancos frescos que harmonizam com a cozinha regional.
A gastronomia assume hoje um papel tão importante na promoção turística que o Município organiza anualmente o Mês das Migas, iniciativa que reúne restaurantes de Mora, Cabeção, Brotas, Pavia e Malarranha, incentivando residentes e visitantes a descobrir diferentes interpretações daquele que é considerado um dos pratos mais representativos do concelho.
Mais do que um simples roteiro de restaurantes, percorrer o concelho de Mora através da gastronomia é descobrir uma forma de estar. É perceber que, no Alentejo, a mesa continua a ser um lugar de encontro, de partilha e de identidade, onde cada prato conta uma história e cada refeição preserva uma herança cultural que continua bem viva.



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