Portugal
Apagão na sequência do temporal: 58 mil clientes continuam sem luz no país

A E-Redes confirmou que, ao final da tarde de hoje, cerca de 58 mil clientes em Portugal continental permaneciam sem abastecimento de energia elétrica. A situação mais crítica concentra-se na região fustigada pela depressão Kristin, onde 50 mil habitações e empresas continuam sem luz. O distrito de Leiria é o mais afetado (38 mil clientes), mas a situação é também preocupante em Santarém, onde cerca de 8 mil clientes aguardam a reposição do serviço.
No distrito de Castelo Branco e em Coimbra, o número de clientes afetados estabilizou nos 2 mil por cada região. Segundo a E-Redes, a queda de árvores sobre as linhas de alta e média tensão, aliada à dificuldade de acesso das equipas de reparação devido a estradas cortadas e inundações, tem impedido uma reposição mais célere.
Impacto acumulado das três depressões
Este cenário de falta de energia soma-se ao rasto de destruição deixado pelas depressões Kristin, Leonardo e Marta, que já provocaram 14 vítimas mortais e forçaram o Governo a prolongar a situação de calamidade até 15 de fevereiro. Além da eletricidade, as comunicações e o abastecimento de água continuam comprometidos em várias localidades isoladas do Alentejo e Ribatejo, onde o solo saturado continua a provocar a queda de postes e infraestruturas.
A E-Redes garante que mantém centenas de operacionais no terreno, reforçados por equipas vindas de zonas menos afetadas, mas alerta que a persistência da chuva e do vento dificulta o uso de meios de elevação para reparações aéreas em segurança.
Portugal
Caixa Geral de Depósitos premeia melhores estudantes da U.Porto

Portugal
Ciências da Nutrição celebrou 50 anos a olhar para o futuro

A Faculdade de Ciências da Nutrição e Alimentação da Universidade do Porto (FCNAUP) festejou 50 anos num dia cheio de emoções e com vários momentos festivos. A sessão comemorativa de meio século do primeiro curso dedicado às Ciências da Nutrição do país (criado em 31 de maio de 1976) encheu o Anfiteatro Norberto Teixeira Santos, na manhã de segunda-feira, 1 de junho.
Num discurso, em formato de balanço de dois mandatos como diretor da FCNAUP, Pedro Graça recordou que a profissão de nutricionista nasceu no Porto com “uma nova forma de olhar para a relação entre os alimentos e a saúde”.
“Nos anos 70, isto foi verdadeiramente extraordinário, revolucionário para o pensamento na altura”, sublinhou. À conjugação entre “sorte e oportunidade”, juntou-se a “grandeza de pensamento” de “homens do bem comum” que estiveram à frente da criação do curso, como Emílio Peres, Norberto Teixeira Santos, Manuel Pinheiro Hargreaves e Francisco Gonçalves Ferreira.
Referindo-se à FCNAUP como a Escola de Nutrição do Porto – “uma construção consolidada e construída ao longo do tempo” com profissionais formados que alcançaram “prestigio nacional e internacional com um modo de pensar e de fazer próprio” –, Pedro Graça recordou que a maior parte dos serviços de nutrição do País, “do Minho ao Algarve, ou aos Açores, é liderada por alumni”, bem como “grande parte dos docentes de instituições de ensino superior na área de nutrição em Portugal ou dos bastonários” da Ordem dos Nutricionistas.
Pedro Graça destacou a notoriedade da instituição que, entre 2018 e 2025, viu crescer o número total de estudantes 118 por cento, bem como o de estudantes estrangeiros, que atingiu os 23% em 2024, e ainda o da produção científica (ocupa a sexta posição).

Pedro Graça fez o balanço dos seus dois mandatos como diretor da FCNAUP e lançou os projetos que prometem marcar o futuro da instituição a curto prazo. (Foto: DR)
Uma nova Clínica, um Bar/Laboratório e a homenagem a Pedro Graça
Sobre o futuro que “será certamente mais digital, mais interligado, mais internacional, com melhor comunicação de ciência”, Pedro Graça anunciou a abertura da Clínica Universitária de Nutrição, em setembro, e do bar/cantina que funcionará como “um laboratório alimentar que pretende servir a comunidade”.
No final de um discurso emocionado, o Diretor da FCNAUP deixou um apelo ao país onde mais de metade da população adulta tem excesso de peso, e no qual um milhão sofre de diabetes e de hipertensão: “Necessita de pensar na sua alimentação e nos profissionais que atuam sobre este determinante maior da nossa qualidade de vida e de longevidade”, vincou.
“O que distingue esta casa são as pessoas”
A presidente da Associação de Estudantes da FCNAUP, Diana Fonseca, tomou igualmetne a palavra para destacar os milhares de histórias, de sonhos, de conquistas” que representam estes 50 anos.
“O que distingue verdadeiramente esta casa são as pessoas”, sublinhou a representante dos estudantes, evocando a frase do escritor moçambicano, Mia Couto: “O mais importante não é a casa onde moramos, mas onde, em nós, a casa mora”.
Num discurso emotivo, Diana Fonseca deixou uma homenagem ao diretor, Pedro Graça: “Mais do que dirigir uma instituição, tem ajudado a dar voz à importância da alimentação e da saúde no nosso país, aproximando a nutrição das pessoas e mostrando que aquilo que fazemos aqui dentro pode realmente transformar vidas lá fora”.

Diana Fonseca, presidente da Associação de Estudantes, homenageou Pedro Graça, diretor da FCNAUP. Foto/DR
Sara Rodrigues, comissária das comemorações dos 50 anos, recordou por sua vez os 44 anos em que a Faculdade lutou por instalações próprias numa analogia com a crise da habitação:
“Como jovem adulta continuava a reivindicar a sua autonomia, fruto de uma crise habitacional que não lhe permitia ter casa própria. Foi vivendo em casa de familiares próximos [Hospital de São João e FEUP], convivendo bem com todos eles e estreitando até relações”, mas foi “com a chegada da meia-idade que viu os seus desejos concretizados e pode finalmente gozar de um espaço seu”.
Os 50 anos desta Escola de Nutrição do Porto significam “celebrar meio século de pensamento em nutrição em Portugal” a partir de uma instituição que além de conhecimento, “construiu uma comunidade de profissionais capazes de deixar marca na sociedade”. “Se os primeiros 50 anos foram marcados pela construção e consolidação da escola, os próximos 50 anos serão definidos pela nossa capacidade de continuar a inovar, a servir a sociedade e a formar novas gerações de nutricionistas para um mundo em permanente transformação”, exortou Sara Rodrigues.

Sara Rodrigues, comissária das comemorações dos 50 anos, apresentou a exposição “50 Anos de Pensamento em Nutrição: 76 obras desde 1976”. (Foto: DR)
A encerrar a sessão, o Reitor da U. Porto realçou o contributo “pela afirmação nacional e internacional desta instituição bem como para o crescente reconhecimento das Ciências da Nutrição e da Alimentação na nossa vida individual e coletiva”.
António de Sousa Pereira citou a filósofa alemã Hannah Arendt, que definiu “o labor, o trabalho e a ação como características fundamentais da condição humana. A alimentação inclui-se na primeira atividade por ser essencial ao processo biológico e metabólico do ser humano”.
Uma mesa redonda para o futuro
A cerimónia contou ainda com uma Mesa Redonda a partir da frase do médico pediatra e um dos fundadores da FCNAUP, Norberto Teixeira Santos: “O difícil mesmo é termos um bom plano”.
Durante uma hora, Graça Freitas (ex-Diretora Geral da Saúde), António Guerra (médico pediatra e antigo docente), Maria João Gregório (diretora do Programa Nacional para a Promoção da Alimentação Saudável da DGS), numa conversa moderada por Pedro Graça, falaram sobre o passado, o presente e futuro da saúde e da nutrição.
“Os planos são intenções que muitas vezes não passam disso. O planeamento é o óbvio da concretização de um conjunto de ideias”, frisou Graça Freitas. “O mais difícil é escolher um bom plano, mantendo-o ao longo do tempo”, reforçou António Guerra, que enalteceu “a visão estratégica” e o “contributo para a construção das bases das Ciências da Nutrição” de Norberto Teixeira Santos.
Maria João Gregório, antiga estudante e docente da FCNAUP, congratulou-se com a Casa que finalmente a instituição conquistou e a necessidade de continuar a “manter a proximidade” durante este crescimento.
Num curso onde a maioria dos estudantes são mulheres, falou-se ainda nos desafios na liderança da profissão de nutricionista. “Ser líder hoje é difícil e para as mulheres ainda é um bocadinho mais”. “Há uma cultura que encaminha as mulheres para lugares que não são de chefia”, lamentou Graça Freitas.
Prémios e homenagens a quem fez parte da história
O Dia da FCNAUP 2026 foi também pretexto para premiar e homenagear estudantes, docentes, ex-docentes e técnicos da instituição.
Ana Beatriz Pacheco recebeu o Prémio Professor Doutor Norberto Teixeira Santos pela melhor média na Licenciatura em Ciências da Nutrição no ano 2024/2025; e Nuno Silva Martins recebeu o Prémio Doutor Emílio Peres (relativo ao mesmo ano letivo) pelo elevado desempenho das unidades curriculares de Alimentação Humana, Composição Nutricional de Alimentos e Nutrição Humana.
Também foram homenageados os estudantes da Comissão de Curso do 1º Ciclo em Ciências da Nutrição: Bruno Oliveira, Leonor Fonseca, Patrícia Ângelo e Rita Matos; e os que se destacaram nas áreas de Cultura (Diana Lopes), Desporto (Francisco Jardim, Miguel Carneiro, Joana Monteiro), Voluntariado (Ana Rita Cavaco); e da Comissão de Mentores do ano 2025/2026: Mafalda Ribeiro, Andreia Matos, Francisca Costa, Eva Venâncio e Joana Mendes.
Os 50 anos da FCNAUP atribuíram ainda outras distinções a colegas da U.Porto que se destacaram: Alejandro Santos, docente e investigador da FCNAUP (25 anos de dedicação e serviço); José Miranda Coelho, Diretor dos Serviços de Ação Social da Universidade do Porto (SASUP) pela colaboração institucional, e Bela Franchini (Prémio Funcionário do Ano).
Outro dos momentos altos do dia foi a homenagem a quem presidiu aos Conselhos Diretivo, Executivo, Científico, Pedagógico e de Representantes ao longo deste meio século: Ada Rocha, Luiza Kent-Smith, Maria Daniel Vaz de Almeida, Flora Correia, Nuno Borges, Olívia Pinho e Pedro Moreira. Também a assistente operacional, Fernanda Cardoso, e a antiga diretora de serviços administrativos, Meibel Baptista, foram homenageadas.
Almoço temático, uma exposição e uma obra evocativa
O dia prosseguiu com o almoço temático “50 Anos ao Balcão”, que estreou o bar/cantina, preparado por estudantes do Mestrado em Ciências Gastronómicas que recriaram pratos tradicionais do Porto de uma forma mais saudável.
A tarde ficou igualmente marcada pela abertura da exposição documental “50 Anos de Pensamento em Nutrição-76 obras desde 1976” (patente até outubro) que convida a conhecer livros, artigos e patentes, de criação científica da FCNAUP no último meio século.

A exposição documental “50 Anos de Pensamento em Nutrição”, está patente até outubro com entrada livre. Foto: DR
Outro momento emotivo e simbólico, foi a inauguração da obra “Raízes do Sonho”, da autora de Olívia Pinho, Professora Emérita da U.Porto, que esculpiu os bustos de Emílio Peres e Norberto Teixeira Santos, para além de cinco peças em cerâmica que representam a água, o solo, as raízes, as folhas e as espigas de trigo – o símbolo da FCNAUP.
Portugal
“Aterros de Resíduos Não Urbanos, Indústria e Construção: que futuro?” Foi o tem…

“Aterros de Resíduos Não Urbanos, Indústria e Construção: que futuro?” Foi o tema do seminário que assinalou o 5.º aniversário da APERA, e que reuniu em Lisboa decisores públicos, setor empresarial e especialistas para uma reflexão essencial sobre os desafios e soluções na gestão de resíduos em Portugal.
A iniciativa contou com a presença da Vice-Presidente da CCDR Norte, Gabriela Leite, que sublinhou que o financiamento deve ser encarado como um investimento estratégico, capaz de impulsionar a competitividade, a coesão territorial e a qualidade de vida. Reforçou ainda que o caminho passa por projetos estruturados, maturidade nas intervenções e uma visão integrada para a região.
Num contexto exigente, marcado pelo esgotamento de capacidade, custos elevados e necessidade de valorização dos resíduos, destacou-se a importância de acelerar a transição de um modelo centrado no aterro para uma abordagem assente na economia circular, prevenção e reutilização.
O seminário evidenciou também o papel essencial da cooperação entre entidades, da articulação institucional e da construção de confiança com os territórios e as comunidades.
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