Agricultura
Cotações de borrego registam subida generalizada no Alentejo no arranque de 2026
O mercado de ovinos em Portugal iniciou o ano com uma tendência de valorização, registando aumentos nas cotações médias de quase todas as categorias de borrego entre os dias 5 e 11 de janeiro de 2026. Segundo os dados do Sistema de Informação de Mercados Agrícolas (SIMA), as subidas foram mais acentuadas nos animais mais pesados, com os exemplares superiores a 28 kg a registarem um aumento médio de 0,178 €/kg vivo. Em contraste, a categoria de borregos com menos de 12 kg não sofreu alterações, mantendo os valores da semana anterior.
No Alentejo, o cenário foi de crescimento transversal, com variações significativas entre as diversas áreas de mercado. O Alentejo Norte registou uma das maiores subidas no escalão de 13 a 21 kg, com um acréscimo de 0,65 €/kg vivo. Em Beja e Évora, as cotações mais frequentes subiram em todos os níveis de peso, acompanhadas por uma valorização das ovelhas reprodutoras, que em Beja registaram um aumento de 15 euros por unidade. Os mercados de Elvas e Estremoz também acompanharam esta dinâmica positiva, com incrementos que oscilaram entre os 0,15 e os 0,35 €/kg vivo.
Apesar da subida dos preços no produtor neste início de ano, os indicadores de produção relativos a 2025 revelam uma contração no setor. Os dados acumulados até outubro do ano passado mostram uma redução no número de abates de ovinos e caprinos aprovados para consumo face ao período homólogo de 2024. Esta quebra na oferta, tanto em número de unidades como em peso total, poderá estar a contribuir para a pressão em alta nos preços verificada atualmente. No plano europeu, Portugal mantém-se alinhado com as tabelas comparativas da Comissão Europeia, refletindo a volatilidade do mercado comum.No setor dos caprinos, o comportamento foi distinto, registando-se uma descida na cotação média do cabrito com menos de 10 kg na Beira Litoral e no Ribatejo.
Nas restantes regiões do país, os preços mantiveram-se estáveis, embora com algumas limitações na recolha de dados em Trás-os-Montes devido a revisões metodológicas em curso pelo GPP. Este cenário misto sublinha as diferentes dinâmicas regionais e setoriais que marcam a agricultura portuguesa no arranque deste novo ciclo anual.
Agricultura
CCDR Alentejo prepara apoios à agricultura após estragos das depressões

A Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) do Alentejo já disponibilizou os formulários para a declaração de prejuízos agrícolas resultantes da recente vaga de tempestades, com especial incidência nos danos causados pela depressão Kristin. O objetivo desta medida é permitir que os agricultores sinalizem as perdas nas suas explorações, servindo de base para a preparação de futuros apoios ao abrigo do PEPAC (Plano Estratégico da Política Agrícola Comum).
A CCDR Alentejo sublinha que esta sinalização é uma “declaração de ocorrência” e não uma candidatura direta a subsídios. No entanto, é um passo obrigatório para que as situações sejam validadas no terreno, seja por visita técnica ou teledeteção. O eventual apoio financeiro dependerá da verificação de perdas superiores a 30% do potencial produtivo, conforme estipulado na legislação em vigor para fenómenos climatéricos adversos e catástrofes naturais.
As tempestades Ingrid, Joseph e Kristin deixaram um rasto de destruição no território continental, afetando gravemente infraestruturas e o setor fundiário. No Alentejo, embora com menor gravidade que em distritos como Santarém ou Leiria, os danos na agricultura são significativos. As autoridades recomendam aos proprietários afetados a consulta da Portaria n.º 240/2025 para compreenderem o regime específico de apoios antes de submeterem a declaração junto da CCDR.
Agricultura
Viticultura: Ano de 2026 será “ponto de viragem” para a rentabilidade do setor

A produção de vinho em Portugal atingiu, em 2025, o valor mais baixo da última década, segundo as estimativas do Instituto Nacional de Estatística (INE). No entanto, o que se perdeu em quantidade parece ter ganho em excelência. De acordo com a Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP), a descida das temperaturas após as ondas de calor de verão permitiu maturações mais homogéneas, prevendo-se vinhos com níveis de açúcar equilibrados e grande concentração aromática.
Para contornar o impacto da quebra de produção e as dificuldades no escoamento de stocks acumulados, o setor está a implementar um plano de resiliência focado na sustentabilidade. Entre as medidas destacam-se a destilação de milhões de litros de vinho para álcool industrial — ajudando a equilibrar o mercado — e o investimento de oito milhões de euros em ações de promoção internacional para abrir novos mercados e valorizar o preço médio do produto.
A tecnologia assume também um papel central nesta “viragem” prevista para 2026. Os viticultores estão a adotar ferramentas de monitorização de stress hídrico e saúde das plantas em tempo real, otimizando o uso da água e preservando a humidade do solo. Além da inovação tecnológica, a diversificação de rendimentos através do enoturismo surge como uma das apostas fortes para garantir a rentabilidade das explorações agrícolas a longo prazo, compensando as perdas causadas pela instabilidade meteorológica e doenças fúngicas que marcaram a última campanha.
Agricultura
Atenção: Tratores na estrada amanhã em Serpa numa marcha lenta contra o acordo Mercosul

O setor agrícola do Baixo Alentejo vai “rugir” amanhã, sexta-feira, 30 de janeiro, num grande protesto convocado pela APROSERPA (Associação de Produtores do Concelho de Serpa). Sob o lema de combate a uma “tempestade perfeita”, dezenas de tratores e máquinas agrícolas vão percorrer as estradas da região numa marcha lenta para denunciar a ameaça do acordo União Europeia–Mercosul e exigir uma Política Agrícola Comum (PAC) que não asfixie os produtores nacionais.
Segundo a associação, o acordo com o Mercosul pode ser a “lápide final” para muitas explorações alentejanas, ao permitir a entrada de produtos sul-americanos que não cumprem as rigorosas normas sanitárias e ambientais europeias. Os agricultores temem pela viabilidade das culturas de sequeiro e da pecuária extensiva, alertando que o abandono da terra acelerará a desertificação e o risco de incêndios no interior.
Itinerário e Horários da Marcha:
08h30: Partida de Vila Nova de São Bento (pela EN260);
09h30 – 10h00: Paragem na Ponte do Guadiana para declarações à imprensa;
Início da tarde: Chegada ao Parque de Feiras e Exposições de Serpa;
17h00: Desmobilização prevista.
A APROSERPA garante que o protesto será pacífico e cívico. Embora se prevejam condicionamentos no trânsito da EN260 durante toda a manhã, a organização assegura que não haverá bloqueios na Ponte do Guadiana e que a circulação de veículos de emergência será totalmente garantida. Os agricultores deixam um aviso claro aos decisores políticos: não aceitam “fazer mais com menos” perante o aumento galopante dos custos de produção.
Agricultura
Beja: GNR recupera 37 bovinos furtados e detém dez pessoas em balanço semanal

O Comando Territorial de Beja da GNR revelou um balanço operacional intenso relativo à última semana, que culminou na detenção de dez indivíduos por diversos ilícitos criminais. No topo das ocorrências estiveram infrações rodoviárias graves, com três detenções por condução sem habilitação legal e uma por condução sob o efeito de álcool. No entanto, a atividade policial estendeu-se a crimes de maior gravidade, incluindo uma detenção por ofensa à integridade física voluntária grave, uma por tráfico de estupefacientes e outra por burlas, demonstrando a diversidade de intervenções no distrito.
Um dos destaques desta semana foi a apreensão e recuperação de 37 bovinos que haviam sido furtados, um resultado significativo para a proteção do setor pecuário da região. Além dos animais, os militares apreenderam doses de haxixe e cocaína, telemóveis e uma viatura ligeira. No âmbito da fiscalização rodoviária, a GNR detetou um total de 219 infrações, onde o excesso de velocidade e as irregularidades com tacógrafos foram as falhas mais comuns, a par de problemas com a iluminação e a falta de inspeção obrigatória dos veículos.
No que toca à sinistralidade nas estradas do Baixo Alentejo, o cenário foi preocupante, com o registo de 43 acidentes num curto espaço de tempo. Destas ocorrências resultaram 11 feridos leves, o que reforça os constantes apelos das autoridades para a condução defensiva, especialmente num período em que as condições meteorológicas têm condicionado a segurança das vias.
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