Agricultura
CCDR Alentejo prepara apoios à agricultura após estragos das depressões
A Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) do Alentejo já disponibilizou os formulários para a declaração de prejuízos agrícolas resultantes da recente vaga de tempestades, com especial incidência nos danos causados pela depressão Kristin. O objetivo desta medida é permitir que os agricultores sinalizem as perdas nas suas explorações, servindo de base para a preparação de futuros apoios ao abrigo do PEPAC (Plano Estratégico da Política Agrícola Comum).
A CCDR Alentejo sublinha que esta sinalização é uma “declaração de ocorrência” e não uma candidatura direta a subsídios. No entanto, é um passo obrigatório para que as situações sejam validadas no terreno, seja por visita técnica ou teledeteção. O eventual apoio financeiro dependerá da verificação de perdas superiores a 30% do potencial produtivo, conforme estipulado na legislação em vigor para fenómenos climatéricos adversos e catástrofes naturais.
As tempestades Ingrid, Joseph e Kristin deixaram um rasto de destruição no território continental, afetando gravemente infraestruturas e o setor fundiário. No Alentejo, embora com menor gravidade que em distritos como Santarém ou Leiria, os danos na agricultura são significativos. As autoridades recomendam aos proprietários afetados a consulta da Portaria n.º 240/2025 para compreenderem o regime específico de apoios antes de submeterem a declaração junto da CCDR.
Agricultura
Politécnico de Portalegre lança Pós-Graduação com propinas gratuitas para profissionais agrários

A Escola Superior de Biociências de Elvas (ESBE), integrada no Instituto Politécnico de Portalegre, abriu candidaturas para a nova Pós-Graduação em Tecnologias Digitais e Ambientais nas Ciências Agrárias. As inscrições decorrem até ao próximo dia 8 de fevereiro e são destinadas a profissionais licenciados que já exerçam atividade no setor, oferecendo uma oportunidade única de especialização numa área em crescente procura.
O curso nasce de uma parceria estratégica no âmbito do consórcio +AgroDigTech@Sul, liderado pela Universidade de Évora e que conta ainda com a colaboração do Politécnico de Beja e das Universidades Nova de Lisboa e do Algarve. Esta união de esforços visa dotar os profissionais do Sul do país de competências avançadas em agricultura de precisão, gestão ambiental e inovação tecnológica, fundamentais para tornar as explorações agrícolas mais eficientes e resilientes às alterações climáticas.
O currículo foca-se na aplicação prática de ferramentas digitais para otimizar processos produtivos e reduzir o impacto ambiental. Através do financiamento do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), no âmbito da iniciativa “Impulso Mais Digital”, os alunos que concluam a formação com aproveitamento terão direito a uma bolsa que cobre o valor total da propina, eliminando a barreira financeira para a atualização de conhecimentos.
Além desta pós-graduação, o consórcio +AgroDigTech@Sul está a desenvolver um vasto plano de modernização que inclui 44 microcredenciais (formações de curta duração) e iniciativas de sensibilização junto de alunos do Ensino Secundário. O objetivo é claro: rejuvenescer o setor agrícola e garantir que os agricultores alentejanos dominam as tecnologias que permitem uma produção sustentável e competitiva à escala nacional e internacional.
Agricultura
Moura abre candidaturas para a XVII Olivomoura e Feira de Maio com foco na inovação agrícola

O Município de Moura já iniciou a contagem decrescente para um dos momentos mais importantes do seu calendário económico: a Feira de Maio – XVII Olivomoura | Feira Nacional de Olivicultura, que terá lugar entre os dias 7 e 10 de maio. As empresas e instituições interessadas em garantir um espaço nos Pavilhões de Exposições têm até ao dia 13 de março para formalizar as suas candidaturas, sendo a prioridade de ocupação definida pela ordem de entrada das inscrições, dado o número limitado de stands disponíveis.
O certame foca-se essencialmente nos setores da agricultura, pecuária e turismo, com um destaque central para a fileira olivícola. Através da marca “Moura Terra Mãe do Azeite do Alentejo”, a autarquia pretende reforçar a identidade do território e a qualidade superior do azeite aqui produzido. Para além da promoção de produtos regionais, a feira assume-se como uma plataforma tecnológica, onde empresas de impacto nacional apresentam sistemas inovadores para modernizar as fileiras agroalimentar e agropecuária, criando oportunidades de negócio diretas entre empresários e fornecedores.
As candidaturas devem ser efetuadas através do preenchimento da ficha de inscrição oficial, disponível no site do Município, na secção “Feiras On-line”. A documentação pode ser enviada por correio para a Câmara Municipal de Moura ou através dos canais digitais de turismo e serviços municipais. Embora o foco principal seja o setor agrícola, o certame está aberto a outras temáticas, cuja participação ficará condicionada à capacidade logística dos pavilhões, visando sempre o engrandecimento económico e social da região.
Agricultura
O acordo UE–Mercosul e o silêncio cúmplice que ameaça a agricultura portuguesa

Opinião: Carlos Papafina
Há acordos que se anunciam como oportunidades estratégicas e acabam por revelar-se armadilhas silenciosas. O acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul é um desses casos. Apresentado como um triunfo diplomático, um gesto de abertura ao mundo e uma jogada geopolítica inteligente, este acordo é, na realidade, um sério risco para a agricultura europeia — e, em particular, para a agricultura portuguesa. Mais inquietante ainda do que o conteúdo do acordo é o silêncio quase absoluto de quem deveria estar na linha da frente da sua contestação.
Portugal assiste, em surdina, a um processo que pode comprometer décadas de esforço na construção de um modelo agrícola baseado na qualidade, na proximidade, na sustentabilidade e na coesão territorial. Enquanto noutros países europeus os agricultores protestam, bloqueiam estradas e forçam o debate político, em Portugal reina uma estranha calma institucional. Um silêncio que não é neutro: é cúmplice.
Concorrência desleal mascarada de livre comércio
O princípio do acordo é simples e brutal: abrir o mercado europeu a produtos agrícolas provenientes do Brasil, da Argentina, do Uruguai e do Paraguai — países com escalas de produção incomparáveis às europeias, custos de contexto muito mais baixos e regras ambientais, sanitárias e laborais significativamente menos exigentes.
Comparar um agricultor português, sujeito à Política Agrícola Comum, a normas ambientais rigorosas, a custos elevados de energia, a exigências burocráticas crescentes, com um grande produtor sul-americano é uma ficção económica. Não há concorrência justa quando os pontos de partida são estruturalmente desiguais.
A carne bovina, os cereais, o açúcar, o etanol ou a soja produzidos no Mercosul entrarão na Europa a preços que os produtores europeus simplesmente não conseguem acompanhar. O resultado é previsível: pressão descendente sobre os preços, inviabilização económica das explorações familiares e abandono progressivo da actividade agrícola em regiões já fragilizadas.
A ilusão das oportunidades de exportação
Argumenta-se, com frequência, que o acordo abrirá novos mercados para produtos europeus de alto valor acrescentado, como o vinho, o azeite ou os lacticínios. No papel, soa bem. Na realidade, é uma ilusão perigosa.
A maioria dos consumidores dos países do Mercosul não tem poder de compra para absorver, em escala relevante, produtos premium europeus. E mesmo quando existe procura, ela é residual face ao impacto devastador que a entrada massiva de produtos agrícolas sul-americanos terá nos mercados internos europeus.
Trocar mercados protegidos por promessas vagas de exportação é um mau negócio. E insistir nessa narrativa é, no mínimo, desonesto.
Soberania alimentar: uma palavra vazia?
Durante anos, políticos, associações agrícolas e instituições públicas falaram de soberania alimentar, de resiliência, de produção local, de território. A pandemia e a guerra na Ucrânia mostraram, de forma clara, os riscos da dependência externa. Ainda assim, quando surge um acordo que aprofunda essa dependência, a reacção é o silêncio.
Onde estão as confederações agrícolas? Onde está a voz firme dos representantes do sector? Onde está o debate sério no Parlamento? A ausência de contestação pública não pode ser explicada por desconhecimento. Só pode ser explicada por acomodação, cálculo político ou medo de confronto com Bruxelas.
As chamadas “cláusulas de salvaguarda” e os fundos de compensação prometidos pela Comissão Europeia são, na prática, paliativos tardios. Não protegem o agricultor antes da quebra; tentam resgatá-lo depois da falência. Não preservam o território; gerem o seu declínio.
O custo social e territorial do silêncio
A agricultura portuguesa não é apenas um sector económico. É estrutura social, é identidade cultural, é gestão da paisagem, é fixação de populações. Cada exploração que fecha é mais um pedaço de território que se esvazia, mais um jovem que desiste de ficar, mais uma comunidade que se fragiliza.
Aceitar passivamente um acordo que acelera este processo é abdicar de uma visão estratégica para o país. É transformar o interior num espaço residual, dependente de subsídios e desprovido de futuro produtivo.
Um debate que tem de existir — agora
O problema do acordo UE–Mercosul não é apenas comercial. É político, social e civilizacional. Que modelo agrícola queremos? Um modelo baseado em volume e preço, ou em qualidade, sustentabilidade e proximidade? Queremos agricultores ou apenas importadores? Queremos soberania alimentar ou dependência estrutural?
O silêncio português perante este acordo é, talvez, o seu aspecto mais alarmante. Porque quando quem devia falar se cala, a decisão deixa de ser democrática e passa a ser imposta.
Ainda vamos a tempo de exigir debate, transparência e coragem política. Mas isso implica romper com a confortável quietude institucional e assumir que nem todo o “livre comércio” é progresso — e que, às vezes, o verdadeiro cavalo de Troia entra sem fazer barulho.
Agricultura
Viticultura: Ano de 2026 será “ponto de viragem” para a rentabilidade do setor

A produção de vinho em Portugal atingiu, em 2025, o valor mais baixo da última década, segundo as estimativas do Instituto Nacional de Estatística (INE). No entanto, o que se perdeu em quantidade parece ter ganho em excelência. De acordo com a Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP), a descida das temperaturas após as ondas de calor de verão permitiu maturações mais homogéneas, prevendo-se vinhos com níveis de açúcar equilibrados e grande concentração aromática.
Para contornar o impacto da quebra de produção e as dificuldades no escoamento de stocks acumulados, o setor está a implementar um plano de resiliência focado na sustentabilidade. Entre as medidas destacam-se a destilação de milhões de litros de vinho para álcool industrial — ajudando a equilibrar o mercado — e o investimento de oito milhões de euros em ações de promoção internacional para abrir novos mercados e valorizar o preço médio do produto.
A tecnologia assume também um papel central nesta “viragem” prevista para 2026. Os viticultores estão a adotar ferramentas de monitorização de stress hídrico e saúde das plantas em tempo real, otimizando o uso da água e preservando a humidade do solo. Além da inovação tecnológica, a diversificação de rendimentos através do enoturismo surge como uma das apostas fortes para garantir a rentabilidade das explorações agrícolas a longo prazo, compensando as perdas causadas pela instabilidade meteorológica e doenças fúngicas que marcaram a última campanha.
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